Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias

Notícia

Renan trava sabatina e cobra posição de Lula sobre Otto Lobo na CVM

Por Fernanda Brigatti | Folhapress

Fotos: Reprodução / Agência Brasil

O presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), quer saber se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a indicação do advogado Otto Lobo para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
 

Antes disso, Renan não prevê agendar a sabatina do indicado pelo Planalto ao cargo, que está sob comando interino desde julho de 2025, quando João Pedro Nascimento renunciou. Renan recomendou que o relator da indicação, senador Eduardo Braga (MDB-AM), tratasse do assunto com Lula.
 

Cabe a Braga o relatório da indicação de Otto Lobo, que poderá recomendar a indicação ou rejeição do advogado ao cargo. Pesam contra o indicado por Lula decisões tomadas por ele na CVM que favoreceram o Daniel Vorcaro, que controlava o Banco Master.
 

Como mostrou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o presidente da República sinalizou a aliados que poderia retirar a indicação. Segundo o senador Renan Calheiros, sem essa decisão, não faria sentido agendar a sabatina.
 

A indicação de Lobo por Lula não é bem recebida pelo mercado e foi alvo de críticas. Em meio às tensões com o escândalo do Master, o nome dele ganhou ainda mais resistências. Ele não estava entre os mais cotados ao posto. Como mostrou a Folha, a aposta inicial estava nos advogados Igor Muniz, Marina Copola e André Pitta.
 

Muniz é presidente da Comissão Especial de Mercado de Capitais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e advogado da Petrobras, e tinha apoio de senadores e de integrantes da Casa Civil. Lula o indicou para um cargo na direção da comissão.
 

Lobo chegou a ficar interinamente na presidência do órgão até o início deste ano. Há alguns dias, ele esteve no Senado, mas não teria conseguido conversar nem com Renan, nem com Braga.
 

Na Comissão de Assuntos Econômicos, os dois senadores já tinham indicado suas ressalvas quanto à atuação do hoje diretor da CVM. Em fevereiro, eles questionaram o presidente interino da CVM, João Accioly, sobre o papel do órgão no escândalo do Master e a atuação de Lobo na autarquia.
 

Um dos casos que mais atraiu atenção do mercado foi a decisão do colegiado da CVM contrária a um parecer técnico da autarquia que acusava o investidor Nelson Tanure, o empresário Tércio Borlenghi Junior e o Master de "ação orquestrada" para elevar o preço das ações da empresa de gestão de resíduos Ambipar.
 

Os votos favoráveis ao recurso dos envolvidos foram de Otto Lobo e João Acioly, que concordaram com a dispensa de oferta pública de ações para adquirir papéis em mãos de minoritários depois que Borlenghi Junior elevou sua participação na companhia.
 

A Folha mostrou que a CVM voltou a investigar eventual manipulação do preço da ação da Ambipar, que teve valorização de 800% entre maio e agosto de 2024. A apuração tenta entender se fundos e operações ligados ao Master, a Tanure e ao controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Junior contribuíram para aquela alta de maneira irregular.
 

Vinculada ao Ministério da Fazenda, a CVM é responsável pela fiscalização de cerca de R$ 16,7 trilhões em ativos negociados no mercado, como ações, fundos de investimentos e debêntures.

Compartilhar