Petrobras aprova retomada de obras de unidade de fertilizantes paralisada desde 2015 com custo de US$ 1 bi
O conselho de administração da Petrobras deu aprovação final para a retomada das obras da fábrica de fertilizantes de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, nesta segunda-feira (13). A continuidade implantação da unidade, que está com obras paralisadas desde 2015, já havia sido aprovada em outubro de 2024.
Segundo a estatal, o investimento estimado para a conclusão da unidade, chamada UFN-3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), é de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões). O início das operações comerciais agora é previsto para 2029. Antes de sua paralisação, o projeto já havia consumido R$ 3,9 bilhões.
A empresa prevê a gerar 8.000 empregos com o reinício das obras, previsto para ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano. O próximo passo é a assinatura de contratos necessários para a retomada. A construção estava 80% concluída quando foi paralisada mais de uma década atrás.
"Ao retomar os investimentos nesse segmento, fortalecemos a integração com o agronegócio e contribuímos diretamente para a redução da dependência do país em relação à importação de fertilizantes", afirmou o diretor de processos industriais da Petrobras, William França, em comunicado da companhia.
A capacidade da unidade está projetada em cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, das quais 180 toneladas são excedentes e disponíveis para a comercialização. A estatal afirma que a unidade é estratégica por ser vizinha dos maiores mercados consumidores desses produtos.
Também em comunicado da empresa, a diretora de engenharia, tecnologia e inovação, Renata Baruzzi, diz que a atratividade econômica da obra foi confirmada. "Trata se de um projeto tecnicamente robusto, economicamente viável e plenamente aderente às diretrizes de disciplina de capital e governança da companhia."
A Petrobras começou a encaminhar o retorno ao ramo de fertilizantes ainda em 2023. A retomada das operações no setor é uma das missões dadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidente da estatal, Magda Chambriard. A empresa já aprovou em 2025 a reabertura da Ansa (Araucária Nitrogenados SA) no Paraná.
O anúncio ocorre também em meio a uma discussão mais ampla sobre o setor de fertilizantes, que vem sendo duramente afetado pela guerra no Irã. O Oriente Médio é um dos maiores produtores mundiais de fertilizantes, enquanto o estreito de Hormuz é uma rota marítima crucial para as exportações.
Pelo menos 10% da ureia comercializada no mundo é produzida no Oriente Médio e cerca de 35% das exportações globais do produto passam por essa via navegável, segundo dados do grupo CRU. A ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo, e também o mais demandado no Brasil.
Os fertilizantes são a principal dependência externa do Brasil no agronegócio. No ano passado, o país importou 45,5 milhões de toneladas de adubos, com gastos de US$ 15,5 bilhões. A China ultrapassou a Rússia e passou a ser líder no fornecimento, mandando 12 milhões de toneladas do insumo para o Brasil. Os países do Oriente Médio envolvidos no conflito atual forneceram 5,5 milhões.
O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) afirmou no mês passado que o conflito e a interrupção temporária de embarques russos de nitrato de amônio já estava alimentando especulação sobre o o preço dos fertilizantes no país.
A disparada de cotações de fertilizantes, associada ao aumento do preço dos combustíveis, ameaça colheitas em diversos países e pode causar um choque no preço dos alimentos no Brasil e no mundo. Pelo menos 49% da produção de alimentos no mundo depende de adubos.
