Trump ameaça bloquear navios em Hormuz após fracasso em negociação com Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (12) que a Marinha dos Estados Unidos iniciará "imediatamente" o bloqueio de navios no Estreito de Hormuz, após o fracasso das negociações com o Irã. Segundo ele, o único ponto não resolvido foi o programa nuclear iraniano.
Trump afirmou que "a reunião foi boa" e que houve acordo em diversos pontos, mas destacou que a questão nuclear permaneceu sem solução. Ele classificou a postura iraniana como "extorsão mundial" e disse que os EUA não aceitarão cobranças ou ameaças à navegação internacional. O presidente também declarou que qualquer embarcação que tenha pago pedágio ao Irã será interceptada em águas internacionais. As falas de Trump foram na rede Truth Social.
Líder norte-americano ordenou ainda a destruição de minas no estreito e advertiu que qualquer ataque iraniano será respondido com força. "Estamos prontos", disse, ao indicar possibilidade de escalada militar. Trump afirmou que outros países participarão do bloqueio.
Decisão ocorre após o fracasso de negociações de alto nível em Islamabade. O encontro terminou sem acordo entre as delegações lideradas pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, e pelo negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf. Ambos atribuíram o impasse à falta de confiança e divergências sobre o programa nuclear e o controle do Estreito de Hormuz.
Segundo autoridades, o diálogo foi o primeiro contato direto nesse nível desde a Revolução Iraniana de 1979. As discussões expuseram desacordos profundos e não avançaram em temas centrais.
Horas após o encerramento das conversas, Trump reforçou a ameaça de bloqueio e afirmou que os Estados Unidos impedirão o Irã de lucrar com o que chamou de "ato ilegal". A situação aumenta a tensão na região e eleva o risco de confronto no Golfo Pérsico.
Mais cedo, JD Vance disse que a falta de acordo é pior para o Irã. O vice de Donald Trump afirmou que as delegações conversaram por 21 horas. "Deixamos bem claro quais são os nossos limites, no que estamos dispostos a ceder e no que não estamos. Fizemos isso da forma mais clara possível, e eles escolheram não aceitar nossos termos", disse.
EUA exigiram tudo que não conseguiram na guerra, diz fonte ligada à delegação iraniana. Segundo a agência de notícias Fars, essa fonte teria afirmado que o país norte-americano estava procurando "uma desculpa" para se retirar das mesas de negociação. As autoridades iranianas falam ainda em "exigências irrazoáveis" do governo Trump.
Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, afirmou que, pela experiência em guerras anteriores, a comitiva chegou ao Paquistão com ressalvas sobre os EUA. "Meus colegas apresentaram iniciativas promissoras, mas, no fim, o lado oposto não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações", afirmou em uma série de publicações nas redes sociais X e Facebook.
Apesar de falar da falta de confiança, ele sinalizou que o país pode estar aberto para novas negociações. "A América entendeu a nossa lógica e os nossos princípios. Agora, é hora de decidir se ela pode ganhar a nossa confiança", disse Ghalibaf.
