Preço do petróleo chega a subir a US$ 98, mas se estabiliza à espera de negociações no Oriente Médio
O preço do petróleo chegou a superar acima dos US$ 98, mas recuou e registra estabilidade nesta sexta-feira (10), com os investidores aguardando a primeira reunião entre EUA e Irã marcada para este sábado (11) no Paquistão.
É esperado também um debate entre autoridades de Israel e Líbano. Os ataques israelenses ao território libanês motivaram os iranianos a paralisarem o tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.
A interrupção causou incerteza sobre a manutenção do cessar-fogo de duas semanas anunciado na última terça-feira (7). Na noite de quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, questionou a medida e disse que o Irã está "fazendo um trabalho muito ruim" sobre a passagem de petróleo pelo estreito, sem entrar em detalhes.
Em meio à indefinição, o contrato de junho do barril Brent, referência mundial, chegou a subir a US$ 98,24, alta de 2,42%, às 5h45 (horário de Brasília), depois de ficar na casa dos US$ 97 desde a abertura das negociações. Após atingir o ápice, ele voltou a transitar em torno dos US$ 96. Às 9h, o preço estava em US$ 96,06, variação positiva de 0,15%.
Já o barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegou a ultrapassar os três dígitos, alcançando US$ 100,40, às 5h45, mas reduziu para US$ 98,25, alta de 0,36%, três horas depois. No caso, o valor é para o contrato de maio, que é o mais negociado do WTI.
O anúncio do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que havia ordenado a seu gabinete iniciar "negociações diretas" com o Líbano causou alívio no mercado. "[Provocou] um novo suspiro de alívio nos mercados por enquanto, ainda que moderado", afirmou John Kilduff, analista da Again Capital.
Os israelenses contestam a inclusão do Líbano no cessar-fogo, enquanto o regime iraniano alega que essa foi uma das dez condições estabelecidas no acordo anunciado na terça. O Paquistão, que intermediou as negociações, confirma a versão do Irã.
Com o tráfego paralisado em Hormuz, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, anunciou que seu país pode liberar, no início de maio, novas reservas de petróleo equivalentes a outros 20 dias de consumo "para garantir o fornecimento estável".
BOLSAS SOBEM NO MUNDO
As Bolsas registraram alta nesta sexta-feira, com a Bolsa de Xangai fechando a semana com ganho pela primeira vez desde o início da guerra em 28 de fevereiro. O índice SSEC terminou o dia com valorização de 0,51%, encerrando a semana com ganho de 2,74%. Já o CSI300, que reúne as principais companhias em Xangai e Shenzhen, subiu 4,41% na semana e 1,54% na sexta-feira.
Os outros mercados asiáticos também se valorizaram no dia, como foi o caso de Tóquio (1,84%), Hong Kong (0,55%), Seul (1,4%) e Taiwan (1,6%).
Na Europa, o índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, também registra alta de 0,94%, o que é repetido em Frankfurt (0,92%), Londres (0,32%), Paris (0,66%), Madri (0,63%) e Milão (0,76%).
"Os mercados passaram de uma atitude baseada no medo para um otimismo orientado para o futuro", avaliou Stephen Innes, da SPI Asset Management.
O ouro, considerado um valor de refúgio diante das incertezas geopolíticas, encontrava-se novamente sob pressão, caindo 0,59%, negociado a US$ 4.789,30 a onça.
