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Marca Bahia Notícias

Notícia

Relator diz que Alcolumbre barrou prorrogação da CPI do Crime e que ele presta desserviço à população

Por Constança Rezende | Folhapress

Foto: Pedro França / Agência Senado

 O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), disse que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), barrou a prorrogação do grupo, nesta terça-feira (7).
 

Segundo o senador, em conversa entre os dois, Alcolumbre teria lhe dito que não pretende estender nenhuma CPI em ano eleitoral. A reportagem procurou a assessoria do presidente do Senado por mensagem às 19h30 e ainda não teve retorno.
 

Vieira classificou a posição de Alcolumbre como "um grande desserviço para nação" e que a comissão ainda teria assuntos importantes a tratar.
 

"Nós temos um volume muito elevado de documentos, dados, sigilos que foram quebrados para analisar, mas a gente não terá esse tempo", declarou. Com a decisão, o relatório final do grupo será apresentado no próximo dia 14.
 

Ao pedir mais prazo, Alessandro Vieira afirmou que os trabalhos da CPI "transcenderam a análise da criminalidade violenta tradicional" e, por isso, a prorrogação seria necessária para dar continuidade e aprofundar as investigações das fraudes envolvendo o Banco Master.
 

"Ficou evidenciado que o crime organizado atua hoje com estruturas comparáveis a corporações transnacionais, dotadas de complexas redes de lavagem de capitais que se valem de brechas regulatórias e da cooptação de agentes públicos e privados nos mais altos níveis de poder", diz o requerimento do senador.
 

Vieira acrescentou que não tentará pedir a prorrogação da CPI no STF (Supremo Tribunal Federal), já que o entendimento dos ministros tem sido no sentido de que cabe ao presidente do Senado decidir sobre a questão, como ocorreu com a CPI do INSS.
 

Apesar de descartar o recurso, o relator disse que a posição da corte contradiz o regimento do Senado e a Constituição. Também afirmou que a comissão fez algo inédito, "materializar o envolvimento de determinados ministros com figuras que estão sob investigação".
 

"Isso gera uma óbvia atenção e gera ras reações que vocês todos estão acompanhando. Como exemplo da dificuldade que enfrentamos, a quebra de sigilo do Banco Master veio incompleta. Então, nós precisamos solicitar à Receita Federal a complementação de dados", disse.
 

Ele destacou que o grande diferencial de uma comissão parlamentar de inquérito é poder fazer essas apurações com maior transparência, submetidos à cobrança da imprensa e do público em geral.
 

Vieira havia protocolado o pedido para estender por 60 dias as atividades do colegiado, nesta segunda-feira (6).
 

O documento foi assinado por 28 senadores, incluindo o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), e o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
 

Segundo o relator, a comissão obteve "um volume monumental" de documentos recebidos a partir da investigação do Master, como arquivos decorrentes de quebras de sigilo, o que também "exige o cruzamento meticuloso de dados sensíveis e a realização de oitivas impreteríveis".
 

O colegiado foi instaurado em novembro de 2025 na esteira da Operação Contenção, no Rio de Janeiro, que deixou 122 mortos. No entanto, como mostrou a Folha de S. Paulo, o grupo se tornou uma das frentes encontradas pelos senadores para apurar o caso Master diante da resistência de Alcolumbre em abrir uma CPI sobre o tema.

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