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Marca Bahia Notícias

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Galípolo diz que BC vive luto por suspeita contra servidores e que não há salvador da pátria no caso Master

Por Nathalia Garcia | Folhapress

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que a suspeita de desvio de conduta de servidores da casa no caso Master gerou consternação entre os funcionários e que o órgão está vivendo ainda um processo de luto.
 

O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, são investigados por suspeita de facilitar os interesses do Banco Master no órgão regulador. Segundo as investigações, eles são suspeitos de terem atuado como consultores informais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em troca de vantagens indevidas.
 

Na última segunda-feira (23), a CGU (Controladoria-Geral da União) abriu processo administrativo disciplinar contra os dois servidores. A medida pode resultar na expulsão deles do quadro funcional da autarquia.
 

Para Galípolo, o BC respondeu de maneira "muito pronta", "correta" e buscando sanear todos os problemas. Segundo ele, o órgão discute de maneira recorrente aprimoramentos nas auditorias internas para evitar casos como o do Master.
 

A evolução patrimonial de Paulo Sérgio e de Belline Santana foi o gatilho para a autoridade monetária abrir uma investigação interna sobre o caso Master após a liquidação da instituição, em novembro de 2025.
 

Questionado sobre eventuais mudanças em procedimentos internos após o caso Master, o presidente do BC ressaltou que o regulador enfrenta limitações de recursos e de estrutura legal.
 

Nesse contexto, pediu apoio à aprovação do projeto de resolução bancária em tramitação no Congresso Nacional e à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que amplia a autonomia da autoridade monetária sob o aspecto financeiro e orçamentário.
 

Em entrevista a jornalistas, o chefe do BC também defendeu a maneira como o órgão regulador conduziu o caso desde que as primeiras irregularidades envolvendo o Banco Master foram identificadas. Para Galípolo, o processo tinha que estar bem fundamentado para "sobreviver ao longo do tempo e não responder ao calor do momento."
 

O presidente do BC também pregou respeito às prerrogativas de cada instituição, dizendo que não deve haver "salvador da pátria" no caso Master.
 

No ano passado, foi instalada uma crise institucional entre o BC e o TCU (Tribunal de Contas da União) após uma decisão monocrática do ministro Jhonatan de Jesus sobre a análise da documentação do caso Master. A tensão diminuiu depois de uma reunião da cúpula, na qual ficou acertada a realização de uma inspeção na autoridade monetária.
 

Após a inspeção, a área técnica da corte de contas recomendou o arquivamento do procedimento que investiga a conduta do BC. Para a AudBancos, não houve impropriedades, omissões ou negligências do BC na liquidação do Master e a autoridade monetária agiu de maneira diligente e tecnicamente fundamentada na supervisão do Banco Master.
 

"É muito importante que cada um de nós desenvolva o seu papel institucional dentro do mais absoluto rigor. Significa não recuar e não ceder sobre suas prerrogativas e o que é o seu mandato nem um milímetro e também não exacerbar buscando algum tipo de protagonismo ou buscando passar ilações, distorções, fazer coisas para tentar empurrar numa direção que possa existir algum tipo de interesse", afirmou.
 

"É muito importante isso para o bem da institucionalidade da República. A gente está em um momento que é essencial que cada um de nós respeite o rigor do que é o seu mandato institucional, não vai ter salvador da pátria para um momento como esse. Vai ser cada um de nós fazendo o que é nosso papel institucional que vai fazer a gente passar por esse desafio que está colocado para o país", acrescentou.
 

CRISE NO BRB
 

Galípolo disse ver empenho da atual gestão do BRB (Banco de Brasília) em solucionar o rombo deixado pelas operações com o Master e destacou que uma saída deve ser apresentada pelo governo do Distrito Federal, que é o acionista controlador da instituição.
 

"Tenho assistido ao empenho da gestão do BRB para tentar achar uma solução para a questão, que é uma questão menos da mão da gestão efetivamente do BRB, porque é uma questão de patrimônio e não de liquidez que o banco tem de solucionar, que envolve solução fornecida pelo acionista do banco", afirmou.
 

"Tenho certeza que a gestão está muito preocupada em conseguir publicar o balanço o mais rápido possível, porque não dar esse tipo de informação para o mercado nunca é visto de maneira positiva", acrescentou.
 

O BRB enfrenta dificuldades para cumprir o prazo inicialmente previsto, de 31 de março, para divulgação dos resultados de 2025, mas o BC resiste a dar tempo extra para o banco do Distrito Federal.
 

"Às vezes há o entendimento de que algumas coisas que envolvem supervisão e Banco Central têm certa margem negocial, a verdade é que a coisa aqui é muito demarcada por triggers e coisas que precisam ser feitas a partir de eventos", disse Galípolo.
 

O fator tempo se tornou mais crítico depois que a assembleia extraordinária dos acionistas do banco, agendada para o último dia 18, foi cancelada. O vaivém de decisões judiciais criou um clima de insegurança jurídica entre os investidores.
 

Na próxima terça, o banco terá de mostrar como pretende cobrir o buraco no balanço deixado por transações com o Banco Master e solucionar a crise. Se o BRB não apresentar uma solução dentro do prazo, o Banco Central poderá tomar medidas mais drásticas.
 

No último dia 10, foi sancionada a lei que autoriza a gestão de Ibaneis Rocha (MDB) a executar ações para socorrer o banco, como a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ou instituições financeiras.
 

Também foram listados nove imóveis que podem ser vendidos, transferidos, usados como garantia em empréstimos ou na estruturação de fundos de investimento.

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