Haddad anuncia pré-candidatura ao Governo de SP, nega barganha e diz que entra para ganhar
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), anunciou nesta quinta-feira (19) sua pré-candidatura ao Governo de São Paulo durante evento junto de Lula no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, berço político do presidente.
"Quando vejo dizerem que o Haddad está indo para o sacrifício, é porque essa pessoa nunca tomou um chope comigo", brincou Haddad durante a noite.
O ministro negou, inclusive, que sua escolha se deu por outros ganhos políticos que não a vitória. Ele já foi cotado como possível nome para a Casa Civil de Lula caso o presidente seja reeleito.
"No meu caso nunca existiu barganha. Eu não disputo eleição para barganhar o que quer que seja, Eu disputo a eleição para ganhar. E é como vou disputar essa eleição, que é para ganhar. E insisto em dizer que a vitória política é sempre possível. Basta se apresentar de cara limpa, com um bom projeto, para despertar a consciência das pessoas. Devemos isso a São Paulo. O estado precisa despertar", disse.
Lula elogiou Haddad e disse que a capacidade de diálogo dele com o Congresso Nacional foi "acima da média" enquanto ministro. O presidente brincou que, se o ministro fosse um técnico de futebol, o aproveitamento dele teria sido de mais de 80%.
O petista acrescentou que hoje a política virou disseminação de ódio e de mentiras e que é necessário definir "o que é verdade e o que é mentira". Ele também mencionou que havia uma mobilidade no eleitorado e que não há espaço para vacilos. "Hoje é tudo apertado", afirmou. Ele também pediu que os presentes utilizem os celulares para "derrotar a extrema direita".
Lula e Haddad participaram de uma série de agendas em São Paulo que marcam a despedida do ministro da Fazenda e o início da pré-campanha contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará a reeleição.
O anúncio consolida uma vitória de Lula na queda de braço com o aliado, que resistiu, durante meses, à ideia de se lançar candidato nas eleições de 2026. Haddad queria evitar mais uma derrota na carreira, após ter perdido as eleições de 2016 (Prefeitura de São Paulo), 2018 (Presidência da República) e 2022 (Governo de São Paulo).
No entanto, o ministro diz ter mudado de ideia após ver a ascensão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, nas pesquisas eleitorais. Lula e Flávio estão tecnicamente empatados no cenário de segundo turno do último Datafolha.
"Derrotas todos já sofremos. [Mas] A maneira correta de fazer uma eleição é ir para o embate para ganhar a eleição, e saber do lado de quem você vai estar, por quem você vai brigar", disse Haddad em seu discurso.
Para o anúncio de Haddad, o PT preparou um evento repleto de seus quadros, com deputados federais, estaduais, vereadores e petistas históricos, como o ex-ministro José Dirceu, além dos ministros Luiz Marinho (Trabalho), Camilo Santana (Educação), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e do vice-presidente, Geraldo Alckmin.
"Escrevam aí: o Haddad vai ganhar essa eleição", disse Alckmin. O vice-presidente, que foi governador paulista, disse que o projeto serve para tirar São Paulo da estagnação.
Lula fez um aceno a Alckmin em seu discurso, afirmando que, caso o vice queira, a vaga para o posto em sua chapa está "aberta", mas que caberá ao pessebista definir, junto de Haddad, se não valerá a pena se lançar ao Senado por São Paulo.
O petista também confirmou o nome da ministra Simone Tebet (Planejamento) como uma das pré-candidatas da chapa ao Senado.
Estiveram no local Nadia Campeão, presidente nacional do PC do B; Beto Tripoli, presidente estadual do PV; e o deputado estadual Caio França, presidente estadual do PSB. Todos foram chamados ao palco para se juntar aos ministros, a Lula e a Haddad.
"Esse e o inicio de uma coligação ampla que a gente vai construir aqui em São Paulo", declarou Kiko Celeguim, deputado federal e presidente estadual do PT. Embora não tenha sido chamado ao palco, Antônio Neto, presidente municipal do PDT, também estava no local.
Presidente nacional do PT, Edinho Silva ressaltou a importância de anunciar a pré-candidatura no Sindicato dos Metalúrgicos. "Aqui é o berço de todo esse projeto que estamos debatendo hoje, que estamos construindo nesse Brasil, aqui teve início a trajetória do nosso presidente Lula, o maior líder democrático que temos no mundo", declarou.
"Estamos vivendo um momento crucial de avanço do pensamento autoritário, de avanço da ultradireita e infelizmente um momento de avanço do fascismo. Um momento onde a violência permanece. Onde as guerras se espalham, as violências se espalham", disse Edinho.
O presidente do PT acrescentou que o partido apresenta ao povo paulista, o "ministro mais exitoso do governo Lula".
"Um quadro preparado, um professor, um educador, mas também um líder capaz de fazer as mudanças das quais o povo brasileiro precisava."
APOSTA DO PT
Na primeira agenda desta quinta, na abertura da Caravana Federativa, evento de ações do governo federal, na Expo Center Norte, na zona sul da capital paulista, Haddad já havia declarado ser o seu último dia à frente da Fazenda.
Depois, Haddad acompanhou o presidente em uma homenagem ao ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica na UFABC (Universidade Federal do ABC), em São Bernardo.
A insistência de Lula em Haddad levou em consideração o desempenho do ministro durante a eleição de 2022, quando enfrentou Tarcísio na disputa ao governo paulista. Mesmo derrotado no segundo turno, Haddad conquistou um resultado visto como importante para Lula a nível nacional.
Em 2018, Haddad recebeu 7,2 milhões de votos no segundo turno para a eleição presidencial no estado. Quatro anos depois, Lula recebeu 11,5 milhões. Os votos a mais foram vistos pela cúpula do PT como resultado da campanha petista no estado, algo que o partido busca repetir.
Segundo o último Datafolha, Tarcísio de Freitas apresenta 44% dos votos no primeiro turno, seguido por Haddad, com 31%. Para os petistas, é importante que o ministro apresente um desempenho que garanta, ao menos, a disputa de segundo turno no estado para dar a Lula um palanque prolongado no maior colégio eleitoral do país.
