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Chefão do Apple TV fala de demora para produzir no Brasil e compra da Warner

Por Leonardo Sanchez | Folhapress

Foto: Divulgação

Foi com pompa e circunstância que o Apple TV reuniu cerca de 200 jornalistas de todo o mundo em Santa Mônica, na Califórnia, no início do mês, para um desfile de suas apostas de 2026. Entre astros de Hollywood e produtores de peso, o principal executivo da plataforma, Eddy Cue, também subiu ao palco para falar das novas séries e filmes.
 

"Nós começamos este serviço há sete anos, não para ser a plataforma com a maior quantidade de conteúdos, mas com a melhor qualidade", disse ele nos bastidores do evento, em entrevista à reportagem.
 

"Isso é parte do DNA da Apple em todas as suas operações. Nenhum serviço começou do zero como nós. Nós não quisemos licenciar séries e filmes, porque estávamos focados em fazer os nossos próprios."
 

A filosofia de se restringir às produções originais, sem comprar os direitos de exibição de obras feitas por outros estúdios, pode até ter feito do Apple TV um sinônimo de conteúdo premium –no catálogo estão os longas mais recentes de Martin Scorsese e Spike Lee, o que dá lastro à fala– mas também a deixou para trás na globalização que se tornou sinônimo do streaming.
 

Enquanto Netflix, Amazon e Disney têm no mercado brasileiro um de seus principais polos produtores, a fabricante de iPhones nunca bancou nenhuma série ou filme em território nacional. E mudar este cenário, de acordo com Cue, não é exatamente uma prioridade para o curto-prazo.
 

Ele reafirma o compromisso de expandir a produção própria –antes concentrada nos Estados Unidos, ela já abarca países como México e Colômbia–, mas diz que a demora se deve aos longos prazos para tirar uma série ou um filme do papel.
 

"Não funciona tão rapidamente quanto eu gostaria, especialmente se você quer ser realmente bom, mas chegaremos lá. Sei que os brasileiros querem qualidade, eu aprecio isso, e sei também que no Brasil há muita oportunidade para criar bons conteúdos", diz. "Mas não temos nada para anunciar agora."
 

Segundo no comando da Apple, reportando diretamente ao CEO, Tim Cook, o vice-presidente sênior de serviços afirma ainda que o Brasil é um dos principais mercados de sua plataforma de streaming –é o que cresce mais rapidamente e o segundo maior em quantidade de assinantes.
 

Ainda assim, a empresa não pretende concentrar esforços apenas no sob demanda. As salas de cinema continuam nos planos, por meio de parcerias com empresas de mídia tradicionais, a exemplo do que foi feito com "Assassinos da Lua das Flores", de Scorsese, lançado globalmente nos cinemas pela Paramount e só depois no serviço.
 

É uma estratégia um tanto cambaleante, vale dizer. "Luta de Classes", de Lee, não teve a mesma sorte –foi às salas pela A24 nos Estados Unidos, mas não entrou em cartaz em vários países, incluindo o Brasil.
 

Mesmo assim, a Apple é convidada de honra, anualmente, do Festival de Cannes, que tem reservado espaços de prestígio para os longas da plataforma. É o contrário do que acontece com a Netflix, que lá atrás rompeu com a mais importante mostra de cinema do mundo devido às suas políticas que priorizavam lançamentos diretamente no streaming.
 

Políticas estas que estão mais uma vez sob os holofotes, diante da tentativa do gigante de comprar a Warner Bros. e a HBO. No mês passado, Ted Sarandos, CEO da Netflix, precisou esclarecer suas falas de que diminuiria a janela de exibição dos filmes nos cinemas e reforçar seu comprometimento com a experiência cinematográfica clássica.
 

"Há uma crise neste mercado porque as pessoas têm muito o que fazer hoje em dia, então o nível de exigência para sair de casa e ir até o cinema está alto", diz Cue sobre as bilheterias vacilantes nos Estados Unidos e em boa parte do mundo.
 

"Mas não há substituto para essa experiência, para ver um filme coletivamente, para ir a um encontro no cinema, para curtir a noite com os amigos ou os filhos vendo um filme. É algo realmente único e que eu acredito que vai se tornar ainda mais valioso com o tempo."
 

Questionado se o arremate da Warner Bros., que ainda depende de aprovações internas e externas, pode dificultar a chegada de filmes do Apple TV aos cinemas –"F1: O Filme", indicado ao Oscar e sucesso inesperado de bilheteria, é fruto de uma parceria entre Apple e Warner–, Cue diz que, em Hollywood, a 20 quilômetros do luxuoso evento em Santa Mônica, há espaço para todos.
 

"Temos um ótimo relacionamento com a equipe da Netflix, eu os conheço há muito tempo, e isso também é verdade sobre a nossa relação com a Warner. Eles estão falando publicamente sobre lançar filmes nos cinemas e eu conheço o Ted muito bem. Bem o suficiente para achar que vamos continuar trabalhando juntos no futuro."
 

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O jornalista viajou a convite do Apple TV

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