Exército do Irã adiciona 1.000 drones ao arsenal após ameaça de Trump
O Irã anunciou que adicionou mais mil drones ao arsenal do Exército um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, subir o tom e ameaçar atacar o país.
O QUE ACONTECEU
O país afirmou que a aquisição ocorreu devido às novas ameaças. A agência estatal do Irã, a IRIB, citando o Ministério da Defesa, noticiou que o fortalecimento também se deve aos aprendizados que tiveram durante a guerra de 12 dias contra Israel no ano passado.
Os drones encomendados são terrestres e marítimos. Ainda de acordo com o governo iraniano, eles foram projetados em classes de defesa ofensiva, tática e estratégica. Além disso, podem atingir alvos fixos e móveis em terra, ar e mar.
O ministro da Defesa do Irã declarou que o reforço é para responder de forma "contundente" em caso de ataque. "Em consonância com as ameaças futuras, manter e aprimorar as vantagens estratégicas para um combate rápido e uma resposta contundente a qualquer invasão de agressor está sempre na agenda do exército", falou Amir Hatami.
Fotos dos novos dispositivos não foram divulgadas. Segundo a agência, serão preservados detalhes e imagens por questões de proteção de segredos militares.
Nesta quarta-feira (28), o Irã já havia dito que daria uma "resposta sem precendentes". Em pronunciamento oficial, o país explicou que estava pronto para um diálogo baseado no respeito e em interesse mútuos, mas que se defenderia caso fosse pressionado.
TRUMP DIZ QUE 'TEMPO ESTÁ ESGOTANDO' PARA O IRÃ
Nesta quarta-feira, o líder americano afirmou que uma "armada maciça" estava indo em direção ao Irã. Segundo ele, trata-se de uma frota de porta-aviões maior do que a enviada à Venezuela: "Assim como no caso da Venezuela, está pronta, disposta e capaz de cumprir rapidamente sua missão, com velocidade e violência, se necessário".
O republicano disse querer uma negociação justa e equilibrada para todas as partes. Ele também exige que não haja o envolvimento de armas nucleares. "O tempo está se esgotando, é realmente essencial!", apelou.
Rússia alertou que ataque dos EUA ao Irã pode ter "consequências perigosas". "Continuamos a apelar a todas as partes para que exerçam contenção e renunciem a qualquer uso da força para resolver as questões. Claramente, o potencial para negociações está longe de estar esgotado. Devemos concentrar-nos principalmente nos mecanismos de negociação", defendeu o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
ESCALADA DE TENSÕES
Governo Trump chegou a considerar um ataque a Teerã no meio do mês para conter protestos no Irã, que deixaram mais de 5.000 mortos. Na ocasião, durante a escalada de protestos no país, fontes da Casa Branca afirmaram ao "The Wall Street Journal" que um ataque era mais provável do que improvável.
Rivais árabes do Irã na região do Golfo Pérsico pressionaram os EUA a não intervirem nos protestos. Arábia Saudita, Omã e Qatar estão dizendo à Casa Branca que uma tentativa de derrubar o regime iraniano abalaria os mercados de petróleo e, em última análise, prejudicaria a economia dos EUA e também a dos próprios países, segundo autoridades árabes.
Apesar da pouca simpatia pelo Irã, os estados árabes temem, principalmente, que ataques ao Irã possam interromper a circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A estreita passagem na entrada do Golfo Pérsico separa o Irã de seus vizinhos árabes e é por onde passa cerca de um quinto das remessas mundiais de petróleo.
Autoridades sauditas garantiram a Teerã que não se envolveriam em um possível conflito com os EUA. Ainda de acordo com a reportagem, os representantes da Arábia Saudita disseram que não permitiriam que o exército americano use seu espaço aéreo para ataques, em um esforço para se distanciar e evitar uma ação americana.
Contato oficial entre os dois países foi cortado em 14 de janeiro, mas foi retomado em seguida, segundo agências internacionais. A data marcou o ápice das tensões entre os dois países, quando o Irã prometeu executar um manifestante preso e voltou atrás em seguida.
Irã afirmou a países vizinhos que podia bombardear bases americanas no Oriente Médio como resposta a um possível ataque. Os Estados Unidos estão retirando alguns militares de bases importantes na região como precaução.
Guarda Revolucionária iraniana afirmou que estava "no auge da prontidão". À mídia estatal, Majid Mousavi, comandante aeroespacial do país, também disse que o estoque de mísseis do país aumentou desde a guerra de 12 dias travada com Israel.
