Número de mortos no Irã chega a 5 mil; quantidade pode triplicar, diz ONG
O número de mortos nos protestos no Irã chegou a 5.002, informou a Organização Ativistas de Direitos Humanos no Irã em um balanço divulgado nesta quinta-feira (22).
Além das cinco mil mortes, outros 9.787 mortes suspeitas são investigadas pela organização. Se a ligação entre essas mortes e os protestos for confirmada, o número total de vítimas vai se aproximar de 15.000.
7.391 pessoas tiveram ferimentos graves durante os protestos, informou o boletim divulgado ontem. O número de presos é 26.852 e a presença de agentes de segurança armados nas ruas é crescente, segundo o relato da organização.
Comunicação do país ainda está em "estado crítico" na terceira semana sem internet. O blecaute de conexão começou em 8 de janeiro e, além de afetar o contato entre famílias e com países estrangeiros, afeta o comércio local, serviços de saúde e de educação.
PROTESTOS E ESCALADA DE TENSÕES
Os protestos foram iniciados em 28 de dezembro por comerciantes do bazar de Teerã. Eles se organizaram contra a inflação galopante e o colapso do rial, moeda oficial do país, em manifestações que ganharam contornos políticos e se espalharam por diversas cidades do interior.
A República Islâmica enfrenta as maiores mobilizações dos últimos três anos. Protestos são, também, um dos principais desafios desde a sua fundação, em 1979.
É a maior onda de protestos desde o movimento "Mulheres, Vida, Liberdade" de 2022-2023. Naquela ocasião, a crise foi desencadeado pela morte sob custódia da estudante Mahsa Amini, após sua prisão pela polícia da moralidade por usar um véu considerado inapropriado.
Com a escalada de mortes e a ameaça de execução de um homem preso, os Estados Unidos começaram a ameaçar ataques na região. Donald Trump falou mais de uma vez nas redes sociais que a ajuda "estava chegando" e o governo mobilizou um porta-aviões que estava no Mar do Sul da China para o oriente médio.
Um porta-voz do governo iraniano citou um ataque a uma base americana no Qatar ao fazer um novo alerta aos EUA. Uma ofensiva à base aérea de Al Udeid demonstra "disposição e capacidade do Irã de responder a qualquer ataque", afirmou Ali Shamkhani no X. Ele é assessor do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
Militares foram aconselhados a evacuar base dos EUA no Catar. Diplomatas também confirmaram à agência Reuters que Base Aérea de Al Udeid, pertencente às Forças Armadas dos EUA, deve ser evacuada até a noite desta sexta-feira (23).
Na ONU, o embaixador iraniano acusou os EUA de incentivar a desestabilização política, "incitar a violência" e ameaçar a soberania e a segurança nacional do Irã. A declaração de Amir Saeid Iravani foi divulgada em uma carta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, conforme apurado pela agência de notícias Reuters.
No mesmo documento, Iravani também responsabilizou os Estados Unidos e Israel pela morte de inocentes durante os protestos recentes no Irã. "Os Estados Unidos e o regime israelense têm responsabilidade legal direta e inegável pela perda resultante de vidas civis inocentes, especialmente entre os jovens", escreveu o embaixador na carta, que também foi enviada ao secretário-geral da ONU, António Guterres.
Nesta quinta-feira, após dias de manifestações arrefecidas, Trump afirmou que recursos militares foram enviados à região por "precaução". "Temos uma grande flotilha indo para lá e veremos o que acontece. Temos uma grande força indo em direção ao Irã", disse o republicano a repórteres a bordo do avião presidencial, segundo a CNN.
