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Marca Bahia Notícias

Notícia

Cunhado de Vorcaro doa apartamento de R$ 2,6 mi para nutricionista

Por Joana Cunha e Iran Alves | Folhapress

Foto: Reprodução

O apartamento de R$ 4,4 milhões doado em dezembro de 2024 por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma mulher que se definiu como "sugar baby" não foi a única doação de imóvel pela família no fim daquele ano.
 

Em 21 de novembro, o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, doou um outro apartamento, de R$ 2,6 milhões, para a nutricionista Gabriela Amaral Rocha.
 

O imóvel de 94 metros quadrados de área privativa está localizado na alameda Franca, no bairro dos Jardins, área rica de São Paulo.
 

Em 16 de dezembro, ou seja, 25 dias depois, a empresa Super Empreendimentos doou o apartamento de R$ 4,4 milhões para Karolina Trainotti, que teve o nome citado em uma operação policial contra tráfico internacional de drogas em 2022. A defesa de Trainotti negou as acusações e afirmou que ela atuava como "sugar baby", tendo os seus gastos pessoais custeados no período do relacionamento amoroso que mantinha com um dos réus naquele caso.
 

Além de ser ligada a Vorcaro, a Super teve Zettel como diretor, e uma sócia do pastor permanece na direção.
 

Procurada pela reportagem, Gabriela Amaral Rocha disse que, no caso do apartamento de R$ 2,6 milhões, a doação fez parte de um investimento realizado por Zettel em sua empresa de marmitas, a Feed Me Up.
 

No entanto, os dados da firma registrados na Receita Federal e na Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo) não demonstram qualquer investimento realizado pelo pastor.
 

A Feed Me Up, com capital social de R$ 10 mil, foi constituída em abril de 2023, mas Gabriela só aparece nos registros da junta em 10 de dezembro de 2024, quando ela entrou com R$ 2.000 de participação na sociedade.
 

O registro formal da entrada da nutricionista como sócia pela Jucesp só aconteceu em março de 2025, ou seja, meses depois de ela ganhar o imóvel.
 

Em nota enviada à reportagem, Gabriela diz que é "nutricionista, empreendedora e sócia da Feed Me Up, empresa regularmente constituída e em atividade, dedicada à produção e comercialização de refeições saudáveis, cujas operações sempre foram conduzidas de forma lícita e transparente".
 

Em conversa anterior com a reportagem por videochamada, ela disse que a empresa decretou falência em novembro de 2025. Dados da Receita apontam que a firma segue em atividade.
 

Sobre a doação do apartamento, a nota enviada por Gabriela afirma que "em 2024, houve investimento na Feed Me Up por parte do sr. Fabiano Zettel, realizado de maneira formal e regular, mediante a aquisição de 20% das cotas sociais por meio de fundo de investimento regularmente constituído".
 

"Como parte do ajuste, o investimento foi realizado mediante a transferência regular de um apartamento. Os fatos ocorreram antes de qualquer notícia pública ou investigação conhecida envolvendo o referido investidor", afirma a nota.
 

Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, que se define como uma empresa de private equity especializada em investimentos direcionados a negócios de bem-estar. A Feed Me Up aparece no site da Moriah, na lista de investidas, ao lado de nomes como a rede de açaí Oakberry e a academia Les Cinq, além de marcas como Desinchá e Super Nutrition, de suplementos e creatina.
 

O empresário foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero deflagrada na última quarta-feira (14) pela Polícia Federal. Ele foi preso ao tentar viajar para Dubai, mas foi liberado horas depois. Zettel foi afastado do posto de pastor da Igreja Batista da Lagoinha no dia seguinte.
 

Em 2024, Gabriela foi processada pela SulAmérica em um caso em que a operadora acusava um grupo de cerca de dez pessoas de participar de um esquema de fraude contra plano de saúde, no qual ela teria recebido aproximadamente R$ 20 mil em solicitações de reembolso falso, segundo a companhia.
 

A nutricionista firmou um acordo, extinguindo seu processo e ressarcindo a SulAmérica em maio de 2025.
 

Sobre o processo do plano de saúde, o comunicado enviado pela nutricionista diz que ela "foi excluída do polo passivo antes de qualquer decisão de mérito, não tendo integrado o julgamento da causa, inexistindo condenação ou imputação de responsabilidade judicial em seu desfavor".
 

Ela diz ainda que "não é investigada, não possui vínculo com o Banco Master e não teve qualquer participação ou conhecimento acerca dos fatos atualmente apurados, os quais não guardam relação com suas atividades profissionais ou empresariais".
 

Procurada pela reportagem, a assessoria de Zettel não respondeu.

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