Mastercard para de aceitar compras feitas com cartão do Will Bank, do Banco Master
A bandeira de cartão de crédito Mastercard decidiu parar de aceitar transações feitas via cartões emitidos pelo Will Bank, que fazia parte do conglomerado do Banco Master e entrou em Regime de Administração Especial Temporária (Raet), decretado pelo BC (Banco Central) em novembro.
A Mastercard decidiu suspender a aceitação do cartão do Will Bank depois de não ter as transações feitas por consumidores liquidadas na segunda-feira (19), segundo pessoas com conhecimento do assunto. A medida visa a evitar que o valor devido pelo Will Bank à Mastercard aumente.
"Acompanhamos de perto as operações do Will Bank há algum tempo para entender como as regras da nossa rede e as leis locais estavam sendo cumpridas, a fim de apoiar os participantes do ecossistema que dependem de seus serviços. Como o Will Bank não consegue mais cumprir essas obrigações - e considerando também nossos próprios requisitos regulatórios - suspendemos o uso dos cartões do Will Bank em nossa rede", disse a Mastercard em nota.
Procurado pela reportagem para comentar o assunto, o Will Bank não retornou o pedido da reportagem até a publicação desta reportagem.
Quando decretou a liquidação do Banco Master no dia 18 de novembro, o BC decidiu preservar o Will Bank devido ao interesse de investidores em adquirir o banco digital naquela época.
No regime de administração especial temporária, as atividades do banco são preservadas, apesar de seus dirigentes perderem o mandato.
O sistema Downdetector, que monitora falhas em serviços virtuais, não registra grande quantidade de reclamações relacionadas ao Will Bank nas últimas horas.
Por volta das 10h desta terça (20), havia cerca de cinco notificações, a maior parte por falhas ligadas ao cartão de crédito. O pico foi registrado em torno das 18h30 de segunda, com 11 reclamações.
Criado em 2017 e comprado pelo Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões de ativos, um prejuízo de R$ 244,7 milhões e um patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central.
