Manifestante do Rio morre por complicações respiratórias
Fundador do Cinema de Guerrilha da Baixada, grupo que produz filmes de baixo orçamento e oficinas para jovens da periferia, o ator e cantor Fernando da Silva Candido morreu na quarta-feira passada, 31, aos 34 anos, por problemas respiratórios. Anão, ele sofria de doença pulmonar crônica. Amigos creditam a morte ao fato dele ter respirado gases lacrimogêneo e de pimenta durante um protesto no centro do Rio em 20 de junho. Fernandão, como era conhecido, estava internado desde 24 de junho no Hospital Israelita Albert Sabin (Tijuca, zona norte). O atestado de óbito informa que ele morreu de "choque séptico, sepse pulmonar (infecção generalizada) e fibrose pulmonar". Na noite da manifestação, que reuniu cerca de 300 mil pessoas e foi uma das mais violentas do Rio, com intensa repressão policial, Fernandão acompanhava o amigo Vitor Gracciano. "Estávamos na (estação ferroviária) Central do Brasil e falei para o Fernandão que era melhor irmos embora. Mesmo assim, ainda respiramos muito gás, que tomou conta do lugar", disse Gracciano. No dia seguinte, Fernandão começou a se sentir mal, segundo o amigo. Acabou hospitalizado três dias depois porque vomitava sangue. "Desde então ele piorou e foi para a UTI, onde ficou por três semanas", afirmou Ricardo Rodrigues, outro fundador do movimento. "Ele piorava e melhorava, mas ninguém imaginava que isso ia acontecer."
