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Ajuste no emprego intensificará demissões, defendem economistas

Por Mário Braga e Álvaro Campos | Estadão Conteúdo

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Os dados sobre desemprego divulgados nesta semana revelam uma mudança do perfil do ajuste no mercado de trabalho brasileiro, reflexo direto da recessão econômica. As estatísticas apontam para o aumento no número de demissões em 2016, além do encolhimento ainda maior na renda dos trabalhadores. Economistas afirmam que este movimento se dará principalmente porque o setor de serviços, que se manteve resiliente por muitos meses, dá sinais mais evidentes de fraqueza. Por contratar grandes contingentes de trabalhadores, a deterioração do emprego neste segmento será determinante para o avanço da taxa de desocupação para a casa dos 12% ainda neste ano. Na passagem de janeiro para fevereiro, o desemprego avançou de 7,6% para 8,2% nas seis principais regiões metropolitanas do País, segundo dados da Pesquisa Mensal do Emprego (PME), divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo Natalia Cotarelli, economista do banco ABC Brasil, a queda cada vez mais forte na atividade econômica é a responsável pelo maior número de cortes de empregados. Em fevereiro, a população ocupada caiu 3,6% na comparação com igual mês de 2015, um tombo recorde. "Isso mostra que a recessão deve impactar o emprego neste ano de forma muito mais negativa do que aconteceu no ano passado", estima Natália. Por trás do aumento nas demissões, está a desaceleração mais intensa no setor de serviços. Por ser intensivo em mão de obra, a deterioração deste segmento acarretará no fechamento ainda maior de vagas nos próximos meses. O economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, considera que esta é uma mudança no perfil do ajuste que o mercado de trabalho atravessa, já que ao longo de 2015, a alta na taxa de desocupação foi resultado, principalmente, da maior quantidade de pessoas procurando emprego, expandido a População Economicamente Ativa (PEA). Para Vieira, as demissões devem crescer nos próximos meses devido ao cenário de forte incerteza ligado às indefinições dos rumos políticos do País. Rafael Leão, economista-chefe da Parallaxis Consultoria, concorda e considera que o ajuste no emprego seguirá "a pleno vapor" ao longo do primeiro semestre e afetará a renda dos brasileiros ainda com mais força. "Em fevereiro, todos os oito segmentos da atividade registraram queda na renda média na comparação anual", destacou.

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