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Notícia

“O Vitória perderia 15% de receita”: Fábio Mota comenta impacto financeiro das bets

Por Hugo Araújo

Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

Após a notícia de que o Governo Federal e os clubes brasileiros avançaram nas discussões para a criação de uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões destinada à reestruturação financeira de equipes e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), o presidente do Vitória, Fábio Mota, conversou com o Bahia Notícias nesta sexta-feira (25) e afirmou que o debate sobre uma possível redução ou fim dos patrocínios de casas de apostas contribuiu para retomar as discussões sobre o fundo de crédito. O dirigente comentou o impacto que uma eventual mudança no mercado teria para o Rubro-Negro e afirmou que o clube perderia "15% só de sua receita".

 

“A discussão (do fundo de crédito) é tipo um ‘desenrola’. Não é dinheiro em espécie. É você negociar as suas dívidas com a Receita Federal, de FGTS e de INSS, que os clubes hoje não estão conseguindo pagar em função da queda da receita. Com a saída da bet, essa queda de receita vai ser maior ainda. Então, quem tem parcelamento, vai acabar todo mundo ficando inadimplente e perdendo as garantias de hoje. O Vitória acha que não é proibindo que você consegue resolver o problema das bets. Eu acho que é fiscalizando, criando medidas fiscalizáveis, criando barreiras, monitoramentos. E o Vitória mesmo perde muito. O Vitória perde 15% só de receita”, declarou.

 

A proposta vem sendo discutida pelo Governo Federal e pelos clubes brasileiros e prevê a criação do Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional, com participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O formato ainda está em elaboração e pode sofrer alterações antes de uma eventual apresentação oficial.

 

O presidente rubro-negro explicou que a discussão sobre a reestruturação financeira dos clubes não começou por causa do debate envolvendo as casas de apostas. Fábio Mota afirmou que o tema já vinha sendo tratado em Brasília e que representantes dos clubes, incluindo o Vitória, participaram de uma audiência com o ministro dos Esportes, Paulo Henrique Perna Cordeiro.

 

Pelo modelo atualmente discutido, a linha de crédito poderá chegar a R$ 20 bilhões e terá como objetivo permitir que os clubes substituam dívidas mais caras por financiamentos de longo prazo, com juros inferiores aos praticados atualmente no mercado. A previsão é de pagamento em até 20 anos, com dois anos de carência para o início das parcelas.

 

Os recursos seriam destinados ao pagamento de dívidas trabalhistas e direitos de imagem, débitos com Receita Federal, INSS e FGTS, além da quitação ou substituição de empréstimos bancários e pagamento de dívidas cíveis. O dinheiro não poderá ser utilizado para salários correntes, contratação de jogadores ou despesas rotineiras dos clubes. Também estará proibida a distribuição dos recursos como lucros ou dividendos aos proprietários de SAFs.

 

Vale lembrar que o Vitória está entre os clubes que assinaram o manifesto “O Fim do Futebol Brasileiro”, documento que reúne equipes contrárias a medidas que, segundo os signatários, possam provocar impactos financeiros no futebol nacional. O movimento passou a reunir clubes em meio às discussões sobre mudanças no mercado de apostas esportivas e outras questões relacionadas ao financiamento do futebol brasileiro.

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