FBF, Feira FC e Vitória aderem a manifesto em defesa do mercado de apostas; Bahia ainda não se posicionou
Por Redação
A Federação Bahiana de Futebol (FBF) aderiu ao movimento de entidades e clubes brasileiros em defesa da manutenção do mercado regulamentado de apostas no país. O posicionamento foi publicado nas redes sociais da entidade na noite desta quinta-feira (17), diante da possibilidade de mudanças nas regras para o setor estudadas pelo Governo Federal.
Na Bahia, Feira FC e Vitória também divulgaram o manifesto. Até a manhã desta sexta-feira (18), o Bahia não havia publicado posicionamento semelhante nos canais oficiais consultados.
O documento compartilhado pela FBF leva o título “O fim do futebol brasileiro” e faz parte de uma mobilização nacional iniciada por federações e equipes de diferentes estados. O texto reconhece os impactos sociais relacionados à expansão das apostas, principalmente sobre pessoas em situação de vulnerabilidade, mas defende que a resposta seja feita por meio de fiscalização, prevenção e aperfeiçoamento da regulamentação.
A movimentação ocorre enquanto o Governo Federal discute uma Medida Provisória que pode retirar os jogos de cassino on-line do mercado de apostas de quota fixa regulamentado pela Lei nº 14.790/2023. A proposta em discussão não significaria, necessariamente, a proibição das apostas esportivas.
FBF DEFENDE MANUTENÇÃO DO MERCADO REGULAMENTADO
No manifesto compartilhado pela Federação Bahiana, as entidades argumentam que as empresas autorizadas a operar no Brasil se tornaram uma das principais fontes de receitas do futebol nacional.
O texto sustenta que os investimentos não ficam restritos aos grandes clubes e também chegam a equipes de menor porte, divisões inferiores e competições com menor exposição comercial. Segundo o documento, uma redução abrupta dessas receitas poderia atingir estruturas administrativas, centros de treinamento, categorias de base, futebol feminino e projetos sociais.
As entidades também defendem que o combate seja direcionado às plataformas clandestinas, com reforço da fiscalização e dos mecanismos de proteção aos consumidores.
O manifesto termina com a defesa da permanência do setor regulamentado e afirma que clubes e federações estão disponíveis para discutir medidas de educação, conscientização e proteção com os poderes públicos.
FEIRA FC TAMBÉM ADERE
Entre os clubes baianos, o Feira FC foi um dos primeiros a aderir publicamente à mobilização. A equipe compartilhou o mesmo manifesto utilizado por clubes como Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e Cruzeiro.
A relação do Feira com o setor de apostas é direta. A Superbet é patrocinadora master do clube e também adquiriu os naming rights do Estádio Professor Jodilton Souza, que passou a ser denominada Superbet Arena.
VITÓRIA PUBLICA MANIFESTO
Inicialmente, Bahia e Vitória não apareciam entre os clubes baianos que haviam divulgado o documento.
Posteriormente, porém, o Leão aderiu ao movimento e publicou o manifesto em seu site oficial. A divulgação ocorreu ainda na última quinta, mantendo o mesmo conteúdo utilizado pelas demais equipes participantes da mobilização.

O Rubro-Negro também possui relação comercial com o segmento de apostas por meio de patrocínios vinculados ao futebol brasileiro. A 7K, por exemplo, é a sua patrocinadora master.
BAHIA AINDA NÃO SE MANIFESTOU
Até a manhã desta sexta-feira (18), não foi localizada manifestação do Bahia sobre o tema nos canais oficiais consultados. A ausência de publicação não significa necessariamente que o clube seja contrário ou favorável ao movimento.
MOBILIZAÇÃO NACIONAL
A articulação começou com clubes e federações de São Paulo e posteriormente ganhou adesão de entidades de outros estados.
A Federação Paulista publicou o manifesto ao lado de Palmeiras, Santos e São Paulo. No Rio de Janeiro, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco também aderiram, assim como a Ferj. O Cruzeiro está entre os clubes que igualmente divulgaram o posicionamento.
De acordo com estimativas citadas no debate, empresas do setor de apostas movimentam mais de R$ 1 bilhão por ano somente em patrocínios aos clubes da Série A. O argumento das equipes é de que uma redução das receitas das operadoras poderia repercutir diretamente nos valores destinados ao futebol.
O Governo Federal, por outro lado, discute mudanças diante dos impactos sociais e econômicos associados à expansão dos jogos on-line. Até o momento, o texto definitivo da eventual Medida Provisória não foi divulgado.
