Ricardo Lima projeta Baianão 2027 e alerta sobre receitas sem bets: “É um cenário desafiador”
Por Thiago Tolentino / Bia Jesus
O presidente da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Ricardo Lima, afirmou que a entidade busca alternativas na iniciativa privada para reduzir o impacto da MP das Bets sobre o orçamento da federação e dos clubes. Em entrevista ao Bahia Notícias durante o conselho técnico do Baianão 2027, realizado nesta quarta-feira (21), o dirigente citou valores inferiores a um terço dos que eram obtidos anteriormente e disse trabalhar para preservar as receitas das equipes.
Lima reconheceu as preocupações de saúde relacionadas às apostas e afirmou que a federação cumprirá as determinações em vigor. Segundo ele, o desafio será encontrar outras fontes de financiamento para a competição.
“Bom, nós, inclusive, publicamos uma nota em acordo com alguns clubes, né, com algumas federações. Sabemos que o baque é grande no orçamento, mas entendemos também o problema de saúde que acontece no Brasil. Então, a gente não está aqui para discutir se ela [MP das Bets] é certa ou errada. Nós vamos cumprir aquilo que é definido e estamos buscando a iniciativa privada, buscando outros caminhos para que a gente possa diminuir essa distância e fazer com que os clubes possam ser incentivados financeiramente, né? É um cenário desafiador, até porque eu coloquei para todos eles os valores que têm chegado; não chega a um terço do que nós tínhamos, né? Nós precisamos dar outros tipos de avanço à competição, mas eu sou muito otimista e vou trabalhar em cima daquilo que chegar e fazer com que os clubes não tenham nenhuma perda nas suas receitas, independentemente de MP ou qualquer outra situação”, afirmou.
PROTOCOLO PARA OS ESTÁDIOS
As condições dos gramados também estiveram entre os assuntos discutidos no conselho técnico. Ricardo Lima anunciou que a FBF publicará, até o fim deste mês, um protocolo com padrões mínimos de jogabilidade. Segundo o presidente, o documento foi desenvolvido ao longo do ano, com a participação das partes envolvidas na competição.
O dirigente também defendeu uma força-tarefa para buscar melhorias junto ao Governo do Estado e às prefeituras, responsáveis pela maior parte dos estádios utilizados no campeonato.
“Na verdade, assim, não é nem de dois times, acho que são dos 10, né, da federação também. A gente clama por melhora, mas sabemos que temos um tempo para amadurecer tudo isso. Nós temos um protocolo desenvolvido, que foi desenvolvido também ao longo desse ano, escutando todas as partes. Estaremos publicando-o agora até o final do mês; foi um compromisso que eu fiz, para que a gente tenha padrão mínimo de jogabilidade. Então, eu acredito que é mais um avanço, né? Mas tudo com calma, né? Se você observar, nós temos dois ou três estádios privados, né? O restante são estádios municipais e a gente precisa estar dialogando com as prefeituras, né? Vamos montar uma força-tarefa. Foi um pedido ali do presidente Fábio, para que a gente possa ir junto ao governo do estado, às praças municipais, na tentativa de melhoria para todos. Então, é um pleito não só de dois clubes, mas dos 10 clubes e a Federação, para que a gente tenha padrões mínimos para jogabilidade”, declarou.
CALENDÁRIO E PREPARAÇÃO DO CAMPEONATO
Ao avaliar a organização do Baianão 2027, Lima afirmou que o conselho técnico homologou decisões construídas em reuniões e consultas anteriores aos clubes. O presidente destacou que a definição do campeonato foi precedida por uma série de encontros e manifestações dos filiados.
“As expectativas são sempre as melhores possíveis, né? Na verdade, hoje a gente homologa aquilo que discutimos ao longo do tempo. Não é hoje que se define no conselho técnico. Vocês mesmos vinham acompanhando a quantidade de ofícios que a Federação vinha fazendo e diversas reuniões, ou em grupo ou em particular, para ouvir e fazer valer hoje aqui a vontade daqueles que realmente participam e fazem com que a competição possa acontecer”, disse.
Sobre a distribuição das datas, o dirigente reconheceu que o calendário disponível ficou abaixo do desejado. Segundo ele, a organização do estadual precisa se adequar às definições da Fifa, da Conmebol e da CBF.
“É, o que eu falei para os nossos filiados. Não é um calendário que nós merecíamos, mas é o que temos e a gente precisa respeitar. Então, sabemos que eu fiz uma tabelinha ali, não sei se vocês conseguiram observar, então ele vem de cima para baixo. É a FIFA, depois é a Conmebol, depois é a CBF. E isso faz com que o calendário realmente seja curto, e a gente precisa fazer com que ele se desenvolva. Então, procuramos a melhor forma, a melhor distribuição de datas para que a gente pudesse abrigar todos e ter o menor número de insatisfação, porque satisfação a gente sabe que em sua totalidade é quase impossível, mas temos a expectativa de que vai ser um ano proveitoso, uma competição bem disputada, embora um campeonato desafiador por tudo que tem mostrado o mercado, principalmente em questões financeiras”, afirmou.
