Baiana da Seleção Brasileira, Raissa Bahia projeta vaga na Copa do Mundo de 2027: "Buscando evoluir a cada dia"
Por Redação
A lateral-esquerda Raissa Bahia, de 23 anos, vive a expectativa de disputar a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Natural de Jacobina, no interior da Bahia, a jogadora do Palmeiras chegou à terceira convocação consecutiva para a Seleção Brasileira e busca se firmar entre as opções do técnico Arthur Elias para a competição.
A atleta foi titular pela primeira vez na vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a Argentina, no último sábado (10), no Beira-Rio, em Porto Alegre. Raissa também participou do segundo amistoso contra as argentinas, realizado na terça-feira (13), na Arena de Pernambuco, quando deu assistência para um dos gols brasileiros no empate por 2 a 2.
"Estou muito feliz e grata pela oportunidade de ser convocada e continuo focada, trabalhando muito e buscando evoluir a cada dia. Se Deus quiser, vou conquistar o sonho de ser convocada para uma Copa do Mundo", afirmou a jogadora.
A trajetória de Raissa começou em Jacobina, onde atuava com meninos na Associação Desportiva Esporte Clube Caieira. Antes de chegar ao futebol paulista, passou pelo Centro de Formação de Futebol da Bahia (CFFB), Fluminense de Feira e Grêmio. Em 2025, foi contratada pelo Palmeiras, clube pelo qual conquistou cinco títulos.
Na Seleção Brasileira, a lateral ganhou espaço durante a disputa do Fifa Series, em abril deste ano. Na competição, participou de dois jogos e marcou seu primeiro gol com a camisa do Brasil na vitória por 6 a 1 sobre a Zâmbia. A atleta também contribuiu com uma assistência e participou da construção de outra jogada que terminou em gol.
Além da possibilidade de disputar o Mundial, Raissa destacou a importância da realização do torneio no Brasil para o desenvolvimento da modalidade. Salvador será uma das cidades-sede da competição e receberá sete partidas.
"Ter uma Copa do Mundo no nosso país pode aumentar ainda mais a visibilidade da modalidade, aproximar o público e ajudar a fortalecer o futebol feminino, principalmente para que as meninas tenham cada vez mais oportunidades", declarou.
A jogadora também defendeu a ampliação de oportunidades para atletas baianas após a realização do torneio.
"Espero que as pessoas passem a olhar com ainda mais carinho para o futebol feminino da Bahia, não apenas durante a Copa, mas também depois", completou.

Foto: Luciana Vermell / CBF
INCENTIVO DO FUTEBOL FEMININO NA BAHIA
Entre as iniciativas voltadas ao desenvolvimento da modalidade no estado está a Copa Loreta Valadares, organizada pela Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).
Criada em 2022, a competição chegou à quarta edição em 2026, com 30 equipes distribuídas entre as categorias adulto amador, sub-15 e sub-17. O torneio tem como objetivo ampliar o calendário de competições e oferecer oportunidades para jovens atletas.
A competição homenageia Loreta Valadares, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), feminista e ativista política que atuou na resistência à ditadura militar. Ela morreu em 2004.
Para Juliana Camões, coordenadora do Núcleo Mais Mulheres no Esporte da Sudesb, a realização da Copa do Mundo no Brasil pode contribuir para ampliar o reconhecimento do futebol feminino, enquanto competições estaduais ajudam a desenvolver novas atletas.
"O Governo do Estado está alinhado às políticas públicas de fortalecimento do esporte feminino, em especial do futebol, que vêm sendo desenvolvidas nos cenários nacional e internacional, e reconhece o fomento à prática esportiva como ferramenta de transformação social. A Copa Loreta revela novas atletas e dá a elas espaço para se destacarem. Ao mesmo tempo, o fato de a Bahia sediar um grande evento mundial desperta a expectativa de um novo olhar para uma modalidade que foi e ainda é marginalizada no esporte brasileiro", afirmou.
A treinadora baiana Dilma Mendes, eleita três vezes a melhor do mundo no futebol feminino de Fut7, também destacou a importância da competição para a formação de atletas no estado.
"É um avanço gigantesco para nós, com toda a nossa história, ter, no estado, um evento dedicado ao futebol feminino, modalidade que já foi proibida no Brasil ", ressaltou.
Dilma, que também atua no Instituto Novas Loretas, organização dedicada à criação de oportunidades para meninas e mulheres no esporte, destacou a estrutura oferecida às participantes.
"A Copa Loreta é um trabalho de muitas vozes e ações assertivas. A Sudesb acreditou nesse sonho, de poder fazer competições com condições, com o mínimo de infraestrutura", concluiu.
