Em meio a disputa judicial milionária, Gerson e Flamengo se reencontram em noite de Libertadores
Por Redação
O duelo entre Cruzeiro e Flamengo nesta quarta-feira (12), às 21h30, no Mineirão, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores, marca o reencontro do meio-campista Gerson com o seu ex-clube. A partida ocorre em meio a uma briga judicial entre as partes que envolve R$ 42,75 milhões em direitos de imagem.
A relação entre o Rubro-Negro e o atleta começou a se deteriorar no início do ano passado, durante as negociações para a renovação de contrato. O “Coringa”, como era apelidado pela torcida, ainda tinha vínculo até o fim de 2027, mas buscava uma valorização salarial. Marcão, pai e empresário do volante, cobrou a diretoria publicamente e recebeu uma resposta irônica do presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista (Bap), durante reunião com conselheiros: “Propusemos para o Gerson uma renovação, mas o atleta Marcão não aceitou ainda”, afirmou na ocasião.
Apesar do atrito inicial, as partes chegaram a um acordo e, em abril, renovaram o contrato até o fim de 2030, com reajuste salarial. Contudo, o jogador já vinha sendo monitorado pelo Zenit, da Rússia, que aproveitou a redução da multa rescisória, de 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,2 bilhão) para 25 milhões de euros (quase R$ 160 milhões), para contratá-lo em julho do mesmo ano.
A passagem pelo futebol russo durou pouco mais de seis meses, e Gerson acertou seu retorno ao Brasil em janeiro deste ano para defender o Cruzeiro.
No mesmo mês, o Flamengo acionou a Justiça para cobrar R$ 42,7 milhões do meia e da FGM Sports, empresa gerenciada por seu pai. A quantia referente à transferência para o Zenit foi calculada multiplicando o valor mensal dos direitos de imagem (R$ 750 mil) pelos 57 meses restantes do contrato. O clube carioca alega rescisão unilateral do acordo de imagem, exigindo o ressarcimento com base em cláusula de proteção aos investimentos de longo prazo feitos pelo atleta.
Em resposta, a defesa de Gerson apresentou uma contestação dura no processo, com fortes críticas à postura do Rubro-Negro e do presidente Bap. Os advogados acusaram a diretoria de agir com "má-fé" e classificaram a cobrança como "ilegal, imoral e irracional".
Dizendo-se traído, Gerson afirmou que assinou a carta manuscrita pedindo sua saída por orientação do próprio clube e que firmou diversos documentos contratuais sem data "na mais pura confiança". A contestação sustenta ainda que a ação foi motivada por uma "sede de vingança do atual presidente" e aponta que o Flamengo deve R$ 6 milhões ao atleta em luvas da última renovação.
O primeiro reencontro entre as partes ocorreu em março, pelo Campeonato Brasileiro, partida na qual Gerson foi alvo de intensas vaias. Na ocasião, seu pai precisou ser retirado de um dos setores da arquibancada por ter sido hostilizado por torcedores cariocas. Em campo, o Flamengo venceu o confronto por 2 a 0.
