Presidente do Porto explica preço dos ingressos em jogo contra o Vitória pelo Baianão: "Futebol não é fácil, custa caro"
Por Thiago Tolentino
O preço dos ingressos para a partida entre Porto Sport Club e Vitória, válida pela terceira rodada do Campeonato Baiano, gerou insatisfação entre torcedores rubro-negros e levou a diretoria do clube do extremo sul a se posicionar. Em entrevista ao Bahia Notícias, concedida nesta segunda-feira (19), o presidente André Santos "Negão", detalhou os custos do evento e a arrecadação obtida no jogo realizado no último domingo (18), em Porto Seguro.
Para o confronto, o Porto estabeleceu os preços de R$ 100,00 (inteira) e R$ 50,00 (meia-entrada) — esta última válida para os públicos previstos em lei e também para funcionários públicos municipais, estaduais e federais. Segundo o dirigente, a definição levou em conta os custos operacionais do evento e o impacto limitado da bilheteria no orçamento do clube.
"Para o jogo do Vitória, foram definidos os valores de entrada inteira R$ 100,00 e entrada meia R$ 50,00 (para todos os obrigatórios por lei + funcionários públicos municipal, estadual e federal). Dos valores arrecadados, quase 30% vão para o custeio operacional do jogo, além de custos com segurança privada, staffs, bombeiros civis e infraestrutura, sobrando menos de 45% da renda para o clube, o que não representa muito no orçamento anual. Isso tendo em vista que a renda bruta foi de R$ 73.000,00 e a líquida de R$ 31.000,00", explicou André.
De acordo com o mandatário do Porto, mesmo com a presença de um clube de expressão nacional, a arrecadação líquida não foi suficiente para gerar impacto relevante nas contas do clube. O presidente também contextualizou o modelo de gestão do Porto, que funciona como SAF, e as dificuldades financeiras para manter uma equipe profissional no interior.
"O Porto Sport é uma SAF fundada por pessoas que moram em Porto Seguro, que tinham o desejo de montar uma equipe profissional em retribuição à cidade e aos seus esportistas, mas futebol não é fácil e é caro. Com os valores arrecadados em patrocínios, não se cobre 20% do custo mensal para manter o clube disputando campeonato com a infraestrutura necessária para obter bons resultados, sendo necessário todo mês o aporte dos fundadores", destacou.

Porto e Vitória empataram em 1 a 1 pela terceira rodada do Baianão 2026 | Foto: Victor Ferreira / EC Vitória
O dirigente destacou ainda que partidas contra clubes do cenário nacional tendem a ser raras no calendário, o que, segundo ele, reforça a importância do apoio local.
"O jogo no Campeonato Baiano contra equipes do cenário nacional, que este ano foi o EC Vitória e no ano que vem será o EC Bahia (times da Série A do Brasileiro), com o novo calendário do futebol brasileiro, acontecerá apenas uma vez no ano, e é preciso também que o torcedor valorize o que o clube vem fazendo pela cidade", frisou André.
O mandatário afirmou que o Porto chegou a considerar a troca do mando de campo para Salvador, no Estádio de Pituaçu, onde a arrecadação poderia ser significativamente maior, mas optou por manter o jogo em Porto Seguro.
"O Porto poderia ter trocado o mando de campo para Salvador, no estádio de Pituaçu, e teria arrecadado dez vezes mais, mas preferimos manter o jogo em Porto Seguro para prestigiar nosso torcedor e o extremo sul da Bahia", revelou.
Na comparação com os preços praticados pelos grandes clubes na capital, o presidente argumentou que valores semelhantes são cobrados em Salvador, mesmo com estruturas financeiras mais robustas.
"Em jogos do EC Bahia e do EC Vitória, em Salvador, os valores passam de R$ 120,00, e esses clubes têm estrutura financeira e lotam seus estádios."
André também lembrou que, em partidas anteriores, o clube acumulou prejuízos e precisou cobrir despesas com recursos próprios.
"Em todos os jogos do ano passado e no primeiro jogo deste ano tivemos saldo negativo, tendo que arcar com as despesas."
Por fim, André Santos reforçou que o Porto busca parceiros e patrocinadores para fortalecer a estrutura e manter a equipe na cidade, apesar de já ter recebido propostas de venda.
"Infelizmente, ainda não temos a estrutura que queremos. Estamos buscando parceiros e patrocinadores para poder fazer o melhor pelo clube e ainda manter a equipe na cidade de Porto Seguro, uma vez que já tivemos proposta de venda do clube, com possível saída da cidade, que imediatamente foi recusada."
"Futebol não é fácil, custa caro, mas vamos continuar tentando fazer o melhor pelo Porto Sport Club e por aqueles que nos apoiam", concluiu.
