Após enfrentar duas greves, Alexandre Tinoco faz balanço na Semge e destaca diálogo: "Ouvimos as demandas"
O secretário municipal de Gestão (Semge), Alexandre Tinoco, concedeu entrevista ao Bahia Notícias e realizou um balanço dos seus primeiros meses à frente da pasta. O administrador tomou posse na Semge no início de março, após deixar a Secretaria de Ordem Pública (Semop) e, durante o período, já enfrentou duas greves de trabalhadores vinculados à prefeitura de Salvador.
No balanço, Tinoco afirmou que o saldo é positivo e detalhou as ações da pasta, com destaque para a valorização dos servidores e ampliação da oferta de cursos de capacitação.
“Somos uma secretaria meio, que dá suporte e articula. Isso nos exige um olhar muito atento para as necessidades de cada pasta. A nossa missão é garantir que tudo funcione bem, desde a frota municipal até os contratos de terceirização(...). Nós temos um compromisso claro: cuidar das pessoas que cuidam das pessoas. Isso significa valorizar o funcionalismo público, ouvir as demandas das secretarias e garantir que a máquina pública funcione de forma eficiente e humana”, afirmou Tinoco.
Na entrevista, o secretário também foi questionado sobre a relação com o Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps), que chegaram a realizar uma greve a qual foi finalizada no dia 13 de junho após mediação do Tribunal de Justiça da Bahia. Ao BN, o secretário reconheceu que a alta demanda é um desafio, mas indicou que o diálogo tem evoluído nos últimos meses.
“Desde que nós assumimos a Secretaria, demos continuidade a toda negociação com os sindicatos. Sentamos com todos eles, ouvimos as demandas, inclusive do Sindseps, que talvez abarque o maior número de servidores do município (...). Tem sindicato que apresenta mais de 30 pautas para discutir em 15 ou 30 dias. A gente avança nos pontos mais urgentes e os demais vão sendo tratados ao longo do ano. Cada servidor tem suas particularidades. Por isso, vamos ter agora reuniões setoriais voltadas especificamente para cada segmento, com participação do sindicato”, comentou o gestor.
O secretário também criticou duramente a condução da greve dos professores da rede municipal, organizada pela APLB. A paralisação, que já ultrapassava 70 dias corridos e mais de 42 dias letivos. Segundo ele, a greve deixou de lado pautas da educação para assumir conotação partidária. Além disso, Tinoco apontou que as negociações só seriam retomadas quando os professores retornassem às escolas.
“A negociação agora é somente com o retorno à sala de aula. Volto a fazer um apelo: quem está perdendo é a sociedade do município, são os alunos que estão sem aula. É um movimento claramente político. Hoje ele saiu da questão do professor e se tornou um movimento político. Avançamos muitos quesitos. A gente senta com os professores, eles fazem a proposta, nós levamos ao prefeito, o prefeito aprova essa proposta e eles, na assembleia, descumprem o acordo que firmaram com a gente na mesa de negociação”, explicou Tinoco.
Vale ressaltar que a entrevista com o secretário foi gravada na manhã da última sexta-feira (18), momentos antes do fim da greve dos professores.
Confira a entrevista completa:
