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Entrevistas

Entrevista

José Antônio Rodrigues Alves pensa em ampliar serviços da Santa Casa da Bahia - 16/02/2009

Por Redação

Foto: Livia Cabral/ Divulgação

Administrador de Empresas, Provedor da Santa Casa de São Félix, Prefeito da cidade, secretário estadual de Saúde e agora Provedor da Santa Casa de Misericórdia da Bahia. Conte-nos um pouco desta trajetória profissional.

José Antônio Rodrigues Alves - Iniciei minha vida profissional como auditor da Firma Arthur Andersen, onde fiquei por alguns anos até que, por opção pessoal fui morar no Interior do Estado para cuidar dos negócios da família, oportunidade em que assumi a provedoria da Santa Casa de Misericórdia de São Felix, entidade muito bem sucedida ao longo dos tempos. Nessa atividade tive que manter intenso trabalho com a comunidade local que me levou por conseqüência à Prefeitura Municipal onde apliquei a experiência que trazia do setor privado para o setor público. Principalmente no que se refere à gestão da saúde publica, incentivando com o apoio da UPB um trabalho integrado entre municípios que teve algum sucesso. Foi nessa ocasião que o Governador Paulo Souto, conhecendo o meu trabalho, convidou-me para ser o seu Secretario da Saúde. O primeiro administrador na história da Secretaria de Saúde, pois todos os Secretários anteriores eram médicos. Após quatro anos como Secretário de Estado da Saúde retomei o trabalho de consultor, atividade a qual agora acresci com a administração da Santa Casa de Misericórdia da Bahia por indicação do Provedor que me antecedeu e decisão de seu Definitório.


As Santas Casas são entidades filantrópicas? A quem pertence a Santa Casa de Misericórdia da Bahia e quais suas áreas de atuação?

J.A.R.A - A Santa Casa de Misericórdia da Bahia é uma Irmandade de caráter filantrópico constituída como sociedade civil que tem por missão assistir ao povo da Bahia. Sua história se confunde com a história do próprio País e do Estado quando há 460 anos foi fundada por Thomé de Souza. Criada para oferecer um ponto de apoio e identidade aos portugueses enviados da colônia que precisavam de proteção para si e seus familiares, logo se modificou para atender aos indígenas e negros, finalmente tornando-se um ente do terceiro setor alinhado com as políticas públicas governamentais. Suas áreas de ação são a saúde, a educação, a assistência social e a cultura.


O Provedor e a Administração da irmandade são voluntários. Quais as atividades administradas que cabem ao provedor?

J.A.R.A - A nossa mesa administrativa (diretoria colegiada) é formada por irmãos voluntários que não são remunerados por isso. Vale destacar que além desta estrutura diretiva nós temos conselhos consultivos para cada área de atuação que incentivam a modernidade nas várias funções da Santa Casa. O Provedor é o gestor - presidente dessa “holding” de serviços a quem cabe coordenar as diversas áreas de atividades da instituição com o decisivo apoio dos membros do Definitório (Conselho Administrativo) e da mesa administrativa (Diretoria) além de Conselho Fiscal.

A Santa Casa da Bahia é uma das maiores do Brasil A que o senhor atribui isto?

J.A.R.A - A nossa Irmandade é bastante plural e principalmente participativa. Ao longo dos séculos, a Instituição teve um papel modernizador bastante importante. Além disso, a implantação de uma gestão profissionalizada vem sendo fundamental para o crescimento contínuo de uma instituição que atualmente conta com mais de 4.700 empregados.

Com a missão voltada para a área social, como são financiados os projetos? De onde vem e onde são aplicados os recursos?

J.A.R.A - Nós temos várias e diversas fontes de recursos que advém de um grande patrimônio imobiliário construído ao longo dos séculos, com sucessivas doações dos legados das famílias baianas, de contratos de prestações de serviços negociados com o governo, de parcerias e outros negócios diretamente ofertados a sociedade, a exemplo o Cemitério do Campo Santo que é uma unidade auto-sustentável. Além disso, permanentemente, a Santa Casa busca promover diversos empreendimentos de captação de recursos para o financiamento de atividades que não tenham fonte de recursos próprios.

Apesar de ser uma entidade privada, existe uma relação muito estreita com a entre a Santa Casa e os poderes estadual e municipal. Como se dá esta relação?

J.A.R.A - Nos relacionamos com as áreas governamentais desenvolvendo a gestão de serviços públicos por meio de contratos e convênios e prestando assistência em áreas diferenciadas como o Plano de Previdência dos Funcionários Públicos Estaduais, o Planserv e a gestão da Maternidade de Referência Professor José Maria de Magalhães Neto, através da Lei de Organizações Sociais – OS do Governo do Estado onde fazemos mais de 900 partos por mês. Temos também a gestão do Centro de Referência em Doenças Cardíacas - CRDC da Prefeitura Municipal de Salvador, cuja porta de entrada é a atividade do SUS no Hospital Santa Izabel. Lá temos um grande ambulatório, com recursos de maior complexidade para exames na área de cardiologia clínica. Na assistência social com uma ajuda de terceiros particulares, inclusive BAHIAGAS, que financia o custeio mensal de um dos nossos Centros de Educação Infantil – CEI no Bairro da Paz - desenvolvemos um trabalho de desenvolvimento de comunidade. Junto com a Unidade da Pupileira, esses Centros – CEI prestam assistência à cerca de 800 crianças até os seis anos de idade, que recebem cinco refeições diárias e um atendimento diferenciado. Elas saem alfabetizadas e com uma boa iniciação na vida escolar. Além disso, contamos com o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia e a Faculdade Unyahnna para manter o Balcão de Justiça e Cidadania, que oferta assistência judiciária gratuita, além da Escola de Informática e Cidadania, responsável pela inclusão digital de mais 400 jovens, que se tornam posteriormente multiplicadores de conhecimento na comunidade. Na atividade cultural, contamos com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia ao nosso museu, o Museu da Misericórdia, que é hoje o mais visitado do estado. Trabalhamos de forma bastante próxima ao IPAC e estamos retomando essa relação agora, de forma a executarmos o projeto do PRODETUR para a área do entorno do Portal da Misericórdia.

E o atendimento pelo SUS realizado pelas unidades? Qual o seu volume?

J.A.R.A - Este atendimento se dá principalmente no Hospital Santa Izabel – HSI onde ofertamos cerca de 60% da capacidade da nossa unidade hospitalar para os serviços do SUS o que representa por ano, mais de 120 mil consultas em 20 especialidades médicas que geram cerca de 6.000 cirurgias, 9,5 mil exames de imagem e 109 mil exames laboratoriais.  Além disso, no HSI, fazemos um amplo trabalho de assistência através da Casa da Criança com Câncer, Casa da Criança Cardiopata e Unidade de Oncohematologia Erik Loeff. Na Maternidade de Referência José Maria de Magalhães Neto, realizamos mais de 900 partos por mês.

Quais os diferenciais competitivos do Hospital Santa Izabel?

J.A.R.A - O HSI é “contratualizado” com o município através de metas qualitativas e quantitativas. Isso é importante, pois muda o foco no atendimento e tratamento do atendimento ao Sistema único de Saúde (SUS). Ademais, o Hospital Santa Izabel (HSI) possui um corpo clínico bem definido, com mais de 300 médicos, administração clínica e grande infra-estrutura tecnológica, que assegura atendimento integral aos clientes hospitalizados. É reconhecido como Hospital de Ensino pelo Ministério da Saúde e da Educação, com uma Residência Médica importante onde oferece 92 vagas a jovens profissionais recém formados da medicina. Atende em regime de Pronto Atendimento a pacientes de Pediatria especialidade onde há uma grande carência de oferta de serviços similares no mercado. Também faz Pronto Atendimento de Otorrinolaringologia 24 horas como única unidade a oferecer serviço desse tipo em todo o estado. A Unidade de Dor Torácica é referência na cidade e presta serviço de urgência e emergência geral. Na área de Cardiologia o hospital possui três salas de hemodinâmica, retomou o transplante cardíaco na Bahia após 16 anos, o que é um grande desafio, e possui uma unidade de oncologia reconhecida pela capacidade que tem de integralizar o atendimento aos pacientes nesta área. O HSI é também o segundo maior hospital da Bahia com um dos maiores complexos de terapia intensiva – UTI do Nordeste. O HSI desenvolve também um Programa de Gerenciamento de Casos por meio do “Santa Saúde”. Considero esse programa o futuro da atividade clínica na área hospitalar.

Na área de Saúde existem outros produtos e serviços?
 
J.A.R.A - Há 14 anos no mercado, temos o Plano Santa Saúde com produtos voltados para pessoas físicas e empresas. O plano preferencial, destinado a pessoas físicas adota um modelo de atendimento centrado na relação médico-paciente que acompanha toda a evolução clínica dos clientes. Ainda possuímos a Escola de Formação Técnica e Profissional Rosa Gattorno, a mais tradicional do mercado formando técnicos de enfermagem com excelência há mais de 38 anos.

Na área cultural, destaca-se o Museu da Misericórdia. O que podemos encontrar lá? Algum outro destaque nesta área?

J.A.R.A - O Museu da Misericórdia é o mais visitado da Bahia desde 2007. Neste Janeiro, por exemplo, recebemos mais de quatro mil visitantes às suas instalações. Além disso, no Cemitério do Campo Santo temos o “Circuito Cultural” que, utilizando recursos audiovisuais e com guias treinados apresenta um roteiro pelos túmulos e mausoléus de personalidades baianas ali sepultadas, além de abordar, de forma inédita no Brasil, a arte cemiterial.


Grandes eventos da sociedade baiana tem acontecido na Pupileira. O Cerimonial Rainha Leonor também já é uma realidade nessa área de eventos?

J.A.R.A - O Cerimonial Rainha Leonor tem capacidade para receber até 1.200 pessoas nos seus eventos. Além da tradição das instalações, ele possibilita a realização de eventos com diversas facilidades agregadas. Na Pupileira, dispomos num mesmo lugar, de igreja, salões de festa, estacionamento e uma grande área coberta, além de segurança. Observe-se que toda a renda dessa unidade é destinada para a área social e manutenção dos Centros de Educação Infantil, que curiosamente, um deles funciona no próprio espaço do cerimonial

Quais as perspectivas de trabalho para a instituição neste biênio?

J.A.R.A - Na área da saúde, o grande desafio é dar continuidade ao incremento do parque tecnológico do Hospital Santa Izabel, desde a tecnologia da informação até a digitalização dos serviços médicos e área de imagem. E intensificar o relacionamento entre o Hospital Santa Izabel e as outras unidades de gestão na área de saúde, como a Maternidade e o CRDC, no sentido de troca de experiências. Na área social, pretendemos ampliar a assistência às crianças que formamos no Bairro da Paz, fazendo com que elas possam ser acompanhadas com outras atividades depois dos seis anos para o que já estamos negociando com a Fundação Dom Avelar para utilizarmos o Centro Comunitário local com o apoio da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes e o SENAC. Estamos também em fase de negociação para a transformação do Posto de Saúde do Bairro da Paz em Unidade de Pronto Atendimento. Na área cultural, pretendemos concluir a última fase do Projeto Portal da Misericórdia. Para isso, estamos em fase de negociação com entidades tanto do Governo, quanto da iniciativa privada e brevemente entregaremos aquele acervo histórico para a comunidade baiana, pronto para a visitação.

E após seus dois anos de provedoria, como seguirá a instituição? E o provedor?

J.A.R.A - A Santa Casa cumprirá o seu destino mantendo o atendimento à população carente da Cidade como lhe cabe fazer por missão. E o Provedor retornado a condição de irmão também seguirá na busca de novos caminhos.

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