Marcelo Nilo: "Derrotar os Vieira Lima, Paulo Souto e ACM Neto, ao mesmo tempo, é muita alegria" - 08/02/2009
Fotos: Max Haack/ Bahia Notícias

"Derrotar os Vieira Lima, Paulo Souto e ACM Neto, ao mesmo tempo, é muita alegria. Realmente eu pensava que eles eram mais profissionais, mas são muito amadores."
Por Evilásio Júnior
BN – Como o senhor avalia essa vitória?
MN – Estou muito feliz. Este é sem dúvida, politicamente falando, o melhor momento da minha vida. Derrotar os Vieira Lima (Lúcio, presidente estadual do PMDB, e Geddel, ministro da Integração Nacional), Paulo Souto e ACM Neto, ao mesmo tempo, é muita alegria. Realmente eu pensava que eles eram mais profissionais, mas são muito amadores.
BN – Em relação à postura do PMDB nas eleições, ficou claro que o partido não faz mais parte do projeto do governo Wagner?
MN – Aí quem tem que responder é o governador Jaques Wagner e o PMDB. Nessa esfera eu não me meto.
BN – Sobre a reforma administrativa que o senhor anunciou que fará na nova gestão. Quais são os aspectos que ela abrangerá?
MN – Primeiro eu vou tomar uma decisão política, depois de consultar os pares, para que o deputado que não participar de sessão deliberativa tenha o ponto cortado, como é no Congresso Nacional. A maioria esmagadora dos deputados quer e com certeza nós faremos isso. Na reforma administrativa, nós vamos fazer um anexo aqui, que está precisando, biblioteca, memorial e auditórios. A TV aberta vamos agilizar para ser inaugurada este ano e vamos fazer uma reforma para agilizar mais os projetos que chegam aqui na Casa.
BN – Outro exemplo do Congresso Nacional, em relação ao não pagamento de honorários da convocação extraordinária, também está entre os seus projetos na reforma?
MN – Olha, se esse projeto, que tramita na Casa, passar na Comissão de Constituição e Justiça, eu assumo o compromisso de levar ao plenário para que seja decidido no voto. Agora, é óbvio que eu tenho que respeitar a maioria. Acabar com o pagamento é emenda constitucional e precisa de três quintos.

"Eu preferia que fosse no painel (...) mas a oposição, como sempre, questiona. (...) Mas isso representa um atraso. A eleição demorou o quê? Cinco horas, seis horas? No painel demoraria no máximo meia hora."
BN – E a convocação extraordinária deste recesso, como é que o senhor avalia?
MN – Foi um sucesso. Dos 25 projetos nós votamos 24. Todos importantes para a Bahia, inclusive com discussões temáticas e debates no parlamento. Sem dúvida nenhuma, foi a convocação extraordinária que teve mais sucesso em toda a história do Legislativo baiano.
BN – Alguns projetos importantes não entraram na pauta, pois poderia haver algum tipo de polêmica, como por exemplo, o que reestrutura o Fisco. Para o senhor, na próxima legislatura, quais serão os projetos mais difíceis de serem aprovados? O do Fisco é um deles?
MN – É. Esse projeto não foi colocado na pauta da convocação extraordinária porque é muito polêmico e eu preferi deixar para ser votado em março. Provavelmente em março ele será votado em plenário e mais uma vez será decidido no voto.
BN – Outra coisa que causou burburinho, além da convocação extraordinária, foi a própria votação. Houve aquela polêmica entre os usos do painel ou da cédula e o senhor defende que seja utilizado o equipamento eletrônico. Mas um dos argumentos da oposição era o de que ele só era programado para sim ou não, o que impedia a realização da eleição. O senhor pretende pedir a reprogramação deste painel para que ele possa abranger outros tipos de votação?
MN – Eu preferia que fosse no painel por causa do avanço tecnológico. Todas as votações dos últimos dois anos foram feitas no painel, mas a oposição, como sempre, questiona. Não aceitou e nós, democraticamente, respeitamos os direitos das minorias e votamos na cédula. Mas isso representa um atraso. A eleição demorou o quê? Cinco horas, seis horas? No painel demoraria no máximo meia hora.
BN – Mas haverá algum tipo de reprogramação? Por que o que se fala é que ele não aceita outro tipo de voto que não “sim” ou “não”...
MN – Aceita sim. É só o técnico fazer a programação no computador para a votação. Cada deputado teria direito a um número e seria votado, consequentemente, por algarismo. Como é na eleição para deputado, para prefeito e vereador. Infelizmente a oposição não aceitou e preferiu perder na chapa.

"Paulo Souto está muito subordinado às decisões de Geddel. Então eu não vou ficar por vários motivos, principalmente, porque o ex-governador é subordinado ao ministro Geddel Vieira Lima."
BN – O senhor é uma das grandes lideranças do PSDB na Bahia e também foi o candidato do governador Jaques Wagner, defendido claramente por ele. Hoje há uma tendência de o partido se alinhar com a ideologia nacional, em que há uma parceria com o DEM, e isso desagrada a sua condução política. Como fica a situação do senhor, caso seja confirmada a ida do ex-governador Paulo Souto para a legenda?
MN – Duas coisas estão definidas. Se Paulo Souto entrar no PSDB eu saio e estarei junto com o governador para o projeto que ele tiver em 2010. Se ele for candidato a governador estaremos juntos; se ele for candidato a presidente estaremos juntos. Eu tenho um apreço muito grande pelo governador Jaques Wagner. Para mim, o maior democrata que eu já conheci na vida. Ele sabe que nós somos amigos fraternais. Mas ele é presidente de um poder e eu sou presidente de outro. Ele me respeita como presidente do poder legislativo e eu o respeito como chefe do poder Executivo. Lá, quem ganha por um voto leva tudo, ou seja, nomeia tudo. Aqui não. A Casa é proporcional e as minorias têm que ser respeitadas. Fruto de ele ser um democrata e eu ser apaixonado pela democracia, é que nós nos damos tão bem.
BN – Então o senhor acredita que há uma abertura para uma possível ida sua para o PT?
MN – Não, não. O partido ainda eu não defini. Primeiro eu quero saber se Paulo Souto vai entrar. Se ele for por uma porta eu saio pela outra. Segundo, qual será o projeto do governador Jaques Wagner. É candidato à reeleição? Pode ter certeza que nós estaremos juntos, porque não só eu como 90% da base do PSDB quer Jaques Wagner reeleito. É óbvio que ainda tem muita água para passar debaixo da ponte, mas na política você tem que ter lealdade e compromisso. Essas duas qualidades eu tenho. Tenho um compromisso com o governador Jaques Wagner e vou cumprir.
BN – E justamente por essa aproximação, as portas, mesmo que ainda não haja uma definição, estão abertas no PT.
MN – Olha, PT é uma opção. Mas tem vários partidos: PDT, PSB...Uma coisa está clara, repito, se Paulo Souto entrar eu saio. Até porque, hoje parece que tudo é legenda de Geddel. Paulo Souto está muito subordinado às decisões de Geddel. Então eu não vou ficar por vários motivos, principalmente, porque o ex-governador é subordinado ao ministro Geddel Vieira Lima.

"Só existe um resultado entre ganhar e perder e eu ganhei!"
BN – Durante a votação, alguns deputados promoveram uma aposta e a imprensa também. O senhor votou nesse bolão?
MN – Eu votei e esperava 47 votos, mas recebi 41 (risos). Mas está bom, pois o importante é ganhar. Só existe um resultado entre ganhar e perder e eu ganhei!
BN – Mas o senhor acha que pode haver algum impedimento em relação a esse tipo de brincadeira que os deputados venham a promover?
MN – Não. A imprensa também brincou (risos). Então é uma brincadeira, uma bobagem. O pessoal apostando R$ 10. Não é uma aposta (enfatizou) e sim uma brincadeira que os deputados fizeram e a própria imprensa fez.
BN – Obrigado presidente e parabéns pela reeleição.
MN – Obrigado vocês.
