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Entrevista

João Leão descarta túnel ligando Salvador a Itaparica e defende projeto da ponte - 18/09/2017

Por Luana Ribeiro / Guilherme Ferreira

Foto: Paulo Victor Nadal/ Bahia Notícias

O vice-governador João Leão (PP-BA) não acredita na possibilidade de um túnel substituir o projeto da ponte para fazer a ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica. A sugestão foi levantada pelo governador Rui Costa na última semana. No entanto, Leão aponta que a nova proposta levaria muito tempo para sair do papel, enquanto a sua intenção é dar início às obras já no próximo ano. "Eu acho muito difícil isso dar certo, eu continuo com ponte. O governador viu uma sugestão de um engenheiro chinês que achava que podia ser um túnel. O governador disse para ele apresentar a sugestão, se for mais barato, mais viável, nós queremos. Mas nós temos pressa e para o sujeito fazer um projeto desses, de um túnel, leva 4 anos e eu quero ver se nós começamos essa obra no ano que vem", comentou Leão em entrevista ao Bahia Notícias. O vice-governador deu a entender que o principal obstáculo para a definição da empresa responsável pela obra e para o início da construção é o atual momento turbulento do Brasil. "O país está vivendo cheio de problemas. Nós estamos com um mar de problemas", disse, antes ressaltar que o projeto da ponte "deu muito trabalho, mas está pronto". Com a ponte, Leão prevê que a Ilha de Itaparica deve alcançar o número de 300 mil habitantes e ver um crescimento semelhante ao de Lauro de Freitas nas últimas décadas. Quanto à política, ele analisa que o PP atualmente integra um tripé na Bahia que tem como outras "pernas" o PT, representado por Rui Costa e Jaques Wagner, e o PSD, representado por Otto Alencar. O vice-governador avalia que esse grupo vive atualmente "com juras de amor", mas acredita que ainda não é o tempo certo para discutir as eleições de 2018. "Quanto menos conversa tivermos, menos nebulosidade vai acontecer. O que nós precisamos agora é trabalhar", concluiu. O ideal para ele é dar início ao debate eleitoral em meio a trios elétricos e uma multidão nas ruas. "Fevereiro...fevereiro é Carnaval. É ótimo porque você discute conversando de Carnaval", disse.

 

O senhor já mencionou outras prospecções, além das empresas chinesas, para a construção da ponte Salvador-Itaparica. Mas já foi firmado um memorando de interesse com elas. Como vai funcionar isso se outras empresas manifestarem interesse?
Cada empresa que quiser nós faremos uma manifestação de interesse, o protocolo de intenções. Esse tipo de licitação nossa é diferente. Não é uma licitação normal em que você coloca a obra, contrata, o cara vai lá e ganha a obra. Isso aí é uma manifestação de interesse como foi no passado a da Bahiagás, que nós levamos para a bolsa, como foi o metrô, que foi pra bolsa...Todo mundo achava na época que os ganhadores da obra seriam Odebrecht e OAS, que fizeram um consórcio para entrar na obra. No entanto a CCR foi lá e ganhou a obra. É uma abertura para que toda empresa que quiser conhecer o projeto venha a Salvador, vá até a Seplan, porque nós queremos que essas empresas todas venham conhecer o projeto. Acredito eu que as empresas brasileiras por conta dos problemas que nós estamos vivendo, a crise financeira, a crise política, terão poucas com capacidade de construir. Nós tínhamos empresas aqui na Bahia, a Odebrecht e a OAS, que eram grandes e sadias. E infelizmente por conta desses problemas que a gente está vivendo, a coisa está difícil. Nós estamos aqui na Bahia hoje fazendo uma grande obra, a obra do metrô. É uma obra com preços equivalentes ao da ponte. Essa obra está sendo tocada pela CCR e é uma das poucas do Brasil com 14% do cronograma adiantado. Se você chega em São Paulo, o metrô está com o cronograma atrasado, metrô do Rio está paralisado, metrô de Brasília está paralisado, e aqui na Bahia nós estamos conseguindo tocar o metrô e ele está 14% adiantado. Então eu vejo com muitas possibilidades de nós conseguirmos parceiros para tocar essa ponte.

 

Então não necessariamente vão ser os chineses?
Necessariamente será aquele que oferecer a melhor proposta, as melhores condições para que a obra seja executada e que tenha dinheiro para bancar a obra.

 

 

O senhor tem um horizonte de quando deve acontecer essa definição para que de fato se pense na execução da obra?
Depende muito. Nós estamos vivendo um momento muito difícil no Brasil. Se você pegar no Bahia Notícias, você hoje só tem notícia ruim. Não é verdade? É só problema. O país está vivendo cheio de problemas. Nós estamos com um mar de problemas. O governador Rui Costa e eu não demos muita sorte na época que nós pegamos o governo porque nós pegamos o nosso governo com uma crise muito grande no país, com a mudança de presidente da República de maneira esdrúxula, de uma maneira difícil. Agora o novo presidente tem oito processos de impeachment na Câmara, o país está vivendo uma situação difícil e graças a Deus nós temos conseguido, pisando no chão, levar as coisas. Esse projeto da ponte está pronto. Deu muito trabalho mas está pronto.

 

Muito tem se comentado que a ponte vai atrair muitos moradores para a Ilha de Itaparica, mas atualmente, em seu estado atual, ela não possui infraestrutura adequada. Como isso vai ser resolvido?
Nós vamos inclusive ter na ponte uma passagem de tubulação para levar a água para a Ilha. Nós vamos na ponte ter uma passagem de energia. Você vai transformar a Ilha em uma cidade de 300 mil habitantes, no futuro, durante o período da concessão, que é de 30 anos. A ilha vai crescer muito. Você vai valorizar consideravelmente todos os terrenos da Ilha e você vai transformar a Ilha em algo parecido com Lauro de Freitas. Há 30 anos eu fui prefeito de Lauro de Freitas, que era igual ao Subúrbio Ferroviário. Eu fui prefeito de Lauro de Freitas e nós conseguimos dar um boom na cidade. Duplicamos a Estrada do Coco, fizemos Vilas do Atlântico, Praia de Ipitanga, e a cidade cresceu e se desenvolveu. A mesma coisa vai acontecer na Ilha. O que nós precisamos fazer é essa ligaçãozinha aqui. A ponte custa R$ 6,1 bilhões. Nós estamos em conversas com empresas chinesas no sentido de diminuir esse valor. Elas estão concluindo uma ponte de 46,9 quilômetros. E nessa ponte, em vez de fazer a viga em terra firme, eles estão construindo a viga na medida em que a ponte vai andando. Eles têm uma máquina que lança essa viga, constrói no local e você já vem andando com caminhão betoneira, levando a viga adiante. Ela vai andando. Para fazer isso, eu preciso diminuir o vão do meu projeto. Meu vão tem 100 metros, vamos passar para 90. É por isso que abrimos para empresas e pessoas interessadas. Isso tudo está no site da Seplan. Qualquer curioso que entrar no site da Seplan vai ter tudo sobre o projeto da ponte. O total da ponte dá R$ 7,661 bilhões. Acredito que isso vai cair em torno de R$ 1 bilhão com essa mudança.

 

 

Eu gostaria de saber mais em relação a essa ideia de substituir a ponte por um túnel...
Isso não foi uma ideia. Isso é um processo que já aconteceu aqui na Bahia. Nós temos um arquiteto, que é o doutor Valadares, que fez um projeto que era parte ponte, parte túnel. Só que no túnel você vai ter um sistema de via férrea assim como é o túnel que liga a França à Inglaterra. Você coloca o carro na Via férrea e vai de metrô até o outro lado. No caso nosso eu acho muito difícil isso dar certo, eu continuo com ponte. O governador viu uma sugestão de um engenheiro chinês que achava que podia ser um túnel. O governador disse para ele apresentar a sugestão. Se for mais barato, mais viável, nós queremos. Mas nós temos pressa e para o sujeito fazer um projeto desses, de um túnel, leva 4 anos e eu quero ver se nós começamos essa obra no ano que vem.

 

E qual deve ser o impacto econômico da ponte para o estado e especialmente para as cidades no entorno dela?
Eu queria saber o que vai acontecer daqui 30 anos na parte econômica e nós tomamos um susto. O estado da Bahia vai ter um acréscimo de receita, ou seja aquilo que aconteceria normalmente mas em função da ponte, de R$ 19,5 bilhões ao longo dos 30 anos de concessão. Os dez municípios no entorno da ponte vão ter um acréscimo de receita de R$ 12,5 bilhões. A União vai ter um acréscimo de receita de R$ 25,4 bilhões nesses dez municípios em 30 anos. O total geral da R$ 57,9 bilhões de receita para o estado, para os municípios e para a União. Essa ponte custa R$ 7 bilhões. Com o dinheiro que eu vou gastas, eu vou receber 8 pontes. Oito vezes sete é 56. Por isso nome dessa ponte é ponte do desenvolvimento.

 

Vamos falar um pouco de política. O PP está em uma situação confortável na Bahia no sentido de prefeituras, por exemplo?
O PSD fez 82 municípios em 2016. O PP foi o segundo. Nós temos 67 municípios com prefeitos filiados ao PP. O PT fez 47, o PMDB fez 42, o PSDB fez 20, o DEM fez 16. Falando de política, na minha ótica, nós temos três pilares: um pilar é o governador Rui Costa com o ex-governador Jaques Wagner com alguns partidos de esquerda aliados, como PCdoB, PSB e alguns partidos pequenos que ficam no entorno do PT. Aí nós temos o PSD, com Otto Alencar e o PP, com João Leão. Nós temos um tripé na política baiana. Obviamente eu não tenho a mesma filosofia política do PT. Otto tem? Não tem. O PT tem a mesma filosofia que eu e Otto? Não tem. Se esse tripé se mantiver unido, e acho que nós estamos aí com juras de amor, nós vamos caminhar e ganhar as eleições. 

 

O senhor já mencionou em outras entrevistas que essa harmonia está equilibrada. Eu queria saber qual é a sua proposta pessoal de como o senhor ou o PP vão colaborar em 2018 para esse projeto. Já existe alguma conversa para discutir a participação do partido?
Não. Outro dia Wagner até me chamou para conversar eu disse que não está na hora para conversarmos. Quanto menos conversa tivermos, menos nebulosidade vai acontecer. O que nós precisamos agora é trabalhar, é botar o governo, como está, na linha: concluir o metrô, concluir a ponte de Ilhéus, colocar essas usinas de açúcar do São Francisco pra funcionar. A finalidade de Rui, de Leão e de Wagner como secretário é botar esse estado para andar. A de Otto é fazer esse ótimo trabalho no Senado representando a Bahia. Na hora certa nós vamos discutir. O que nós precisamos é tocar o estado, colocar o governo para andar e funcionar.

 

Entendo o que o senhor fala, mas o clima entre os prováveis candidatos ao governo do estado e ao Senado já está bastante acirrado...
Imagine você se eu disser a você que eu quero ir pro Senado - o que eu não quero, não tenho pretensão nenhuma. O que ia acontecer? Minha amiga Lídice ia dizer: "Esse cara está querendo minha vaga". Walter Pinheiro ia dizer: "Esse cara quer minha vaga". Aí Wagner diz: "Vou pro Senado". Aí já tem uma das duas vagas. Vamos sentar para discutir com Lídice, com Pinheiro, com o atual senador Roberto Muniz, que está fazendo um trabalho excepcional. O problema é que o tempo passa rápido demais.

 

Você não acha que a base está um pouco saturada nessa questão de quem vai participar da chapa e como? Nas últimas eleições municipais houve uma demora na definição dos atores. Você acha que isso pode voltar a acontecer?
Na política sempre acontece assim. Quanto mais você demorar, mais companheiros você agrega e você não briga, você vai levando. Agora, com a participação de cada companheiro desses, discutindo, conversando e mostrando porque fulano. "Por que não eu?". Por isso, isso e isso. A política é isso. A política é a arte de você se entender. Quando não se entende, aí dá problema.

 

Qual seria o tempo ideal para começar essa discussão?
Fevereiro...fevereiro é Carnaval. É ótimo porque você discute conversando de Carnaval.

 

Como você está avaliando a situação interna do PP? Recentemente o deputado Robinho falou que faltava à sua liderança um pulso mais firme.
Na família sempre tem um filho rebelde e Robinho é o meu filho rebelde. De vez em quando ele abre a boca. Ele é meu filho rebelde. Eu sou filho de uma família de 11, tinha uns dois ou três rebeldes. Nós temos nove deputados, então sempre tem que um rebelde. Tem que ter paciência, conversar, sentar, discutir e tal...os deputados às vezes querem as coisas imediatamente e nós estamos em um tempo de crise, uma época difícil. Cada deputado tem suas emendas impositivas, então é ele pegar sua emenda e ir trabalhando. Mas ele quer pegar a emenda e mais isso, mais aquilo...e é natural isso no mundo político. O sujeito quer levar compromisso para suas bases e isso ai a gente vai levando. Robinho é um cara gente boa.

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