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Entrevista

Misael Tavares: "Prioridade de nossa gestão é fazer parcerias público privadas" - 23/01/2008

Por Daniel Pinto

“A prioridade de nossa gestão é fazer parcerias público privadas, justamente para desonerar o poder público e dar mais profissionalismo aos festejos e tradições de nossa cidade”

Por Daniel Pinto 

Bahia Notícias - Misael, de forma genérica, quais são as novidades para o Carnaval 2008?

Misael Tavares – Além de questões estruturais, a principal novidade diz respeito à coincidência da festa de Iemanjá, que, em 2008, vai cair no sábado de Carnaval. Essa é a primeira vez que isso acontece. A previsão é de que algo assim só aconteça novamente daqui a 52 anos. Essa é uma coincidência fantástica.   

BN - Em 2008, o Carnaval começa no dia 31 de janeiro e se estende até cinco de fevereiro. Por que o início do Carnaval foi tão antecipado?

MT – O calendário católico que é baseado nas fases da lua e nas estações do ano é que define o início das três festas que não possuem data fixa. São elas: Carnaval (quarta-feira de cinzas), Páscoa e a Semana Santa.

BN - E quanto à tradicional festa de Iemanjá realizada no dia dois de fevereiro, a celebração da rainha das águas será comprometida?

MT – De forma alguma! Nós vamos fazer uma festa específica para Iemanjá. Vamos respeitar todas as manifestações religiosas e culturais. Nós passamos tantos anos presenteado Iemanjá, agora, ela nos deu esse presente maravilhoso. Além da reverência a rainha das águas, essa também é uma excelente oportunidade de “aquecer” os festejos no bairro do Rio Vermelho, que é um bairro singular. O Rio Vermelho sempre foi um reduto dos artistas, um bairro boêmio que está intimamente ligado às tradições de nossa cidade.  

BN - Mas, como vão ser realizados os festejos? O sagrado e o profano estarão reunidos?

MT – Olha, não é bem assim. O mais importante é que a religiosidade seja respeitada. Como acontece tradicionalmente, a madrugada e as primeiras horas da manhã do dia dois serão reservadas para as oferendas e as manifestações da fé. Depois, vamos colocar alguns palcos com temas relacionados a essa cultura como samba, as danças do recôncavo, etc.

BN - Também serão usados trios elétricos?

MT – Não, não! Nem trio nem mini-trio. Não vamos usar nada disso. Serão liberados blocos de chão: afros, carros alegóricos, folclóricos. A intenção é complementar a festa com temas que tenham uma relação com a festa de Iemanjá. Já no domingo, dia 03, a festa fica por conta dos blocos infantis e o bloco de Carlinhos Brown. Olha Daniel, essa é a oportunidade que temos de fazer algo diferente no Carnaval de Salvador.

BN - O que vocês reservaram para o Carnaval nos bairros?

MT – A vontade da Emtursa é transformar o Carnaval dos bairros num espetáculo. Para tanto, estabelecemos uma ampla discussão com o Ministério Público, Estado e o Conselho do Carnaval para descobrir de que maneira é possível colocar artistas com potencial nessas localidades. O conselho do Carnaval vai fazer uma pauta de reivindicações e encaminhar para a secretaria de Cultura que vai ser responsável pela viabilização da contratação de artistas de peso para as festas nos bairros.

BN - A reclamação dos moradores dessas localidades é de que a festa perde a graça pela ausência das atrações de peso como Ivete Sangalo, Babado Novo, Jammil, etc.

MT – Acredito que seja uma reclamação um tanto quanto infundada. Não cabe exclusivamente ao poder público colocar determinados artistas nesses bairros. Às vezes, os artistas que possuem destaque/notoriedade não são os que mais agradam ao público. Acredito que nós devemos mesclar os grandes artistas com as atrações menores.

BN - Outra questão importante diz respeito à dívida tributária dos blocos e dos camarotes. Houve algum empecilho neste aspecto para compor as grades dos desfiles?

MT – Não sei quais são as entidades que possuem dívidas com o município, se é que alguma tem realmente pendências fiscais. Essas questões não são de competência da Emtursa. Mas, acredito que a situação foi regularizada. Caso contrário, eles não sairiam. Aqueles que devem alguma coisa, certamente, vão ficar impossibilitados de sair.  

BN Já que você citou o Ministério Público, recentemente o MP-BA pediu esclarecimentos quanto aos repasses para os blocos independentes. O MP-BA alega que não existia um critério objetivo para definição do valor distribuído para cada entidade?

MT - Isso já foi resolvido. Juntamente com a Emtursa, a secretaria da Cultura fez um processo amplo e transparente. Essa questão foi resolvida da melhor maneira possível.

BN - Além da Emtursa e da pasta da Cultura, quais são os outros órgãos envolvidos com a realização do Carnaval?

MT - Depois de muitas discussões, foi batido o martelo para as atribuições e responsabilidades de cada um. A Emtursa ficou com a contratação dos trios, a escolha da rainha do Carnaval e do rei Momo e dos blocos de sopro e travestidos. Já a secretaria de Cultura ficou com os blocos afros, afoxés.  É a primeira vez que acontece essa divisão, justamente para que não aconteça nenhum imprevisto. Acredito que foi construída uma agenda positiva para o carnaval do ano que vem.

BN - Como foram definidos os horários dos desfiles?

MT - A grande de horários foi aprovada pelo conselho do Carnaval com a observação de distribuir as atrações entre os principais circuitos da folia.

BN - Mas, quem compõe essa conselho do Carnaval?

MT – O conselho é composto por 25 entidades, que juntas tentam atender os anseios da opinião pública. Dentre elas: a Emtursa, secretaria de Saúde, secretaria de Segurança Pública, secretaria de Cultura, o sindicatos dos artistas, os representantes dos blocos, dos vendedores ambulantes, etc.

BN - No ano passado, foi um sufoco danado para comercializar as cotas de publicidade do Carnaval. Parece que esse ano a história foi diferente. Como foi feito o contrato com os patrocinadores para o Carnaval?

MT – Antes, a Emtursa era responsável por encontrar os patrocinadores. Agora, na minha gestão, esse critério foi modificado. Esse ano fizemos uma licitação para contratar uma empresa especializada em captação de recurso. Não é a vocação da Emtursa executar essa tarefa. Na verdade, as agências de publicidade é que são especializadas nisso. Então, fizemos uma licitação pública para escolher um projeto técnico que pudesse atender aos interesses e as dimensões de uma festa como o carnaval. Quem ganhou o processo foi o consórcio OCP e TUDO, de Nizan Guanaes. Que, por sinal, já mostrou pra que veio. Com uma significativa antecedência fechou com os principais patrocinadores do Carnaval: Itaú, Ponto Frio, Vivo e Schincariol.

BN – Você acredita que o fantasma do apagão aéreo e, por conseguinte, a redução do número de vôos para o aeroporto de Salvador podem diminuir o número de turista na capital baiana durante o verão?

MT – Não. Acredito que o governo do Estado, através do secretário Domingos Leonelli (Turismo), conseguiu afugentar esse fantasma. Houve uma reunião com o trade turístico, onde a Emtursa e também os promotores do carnaval participaram. Um plano de ação foi montado e a expectativa é de que não haja nenhum impacto negativo no turismo em nossa região, sobretudo no período do Carnaval.  O Carnaval de Salvador é feito para baianos e turistas, é uma festa feita para todo mundo. Tanto que o tema é “O coração do mundo bate aqui”.

BN – Misael, pra finalizar, me diz uma coisa: por que a transmissão do reveillon foi transferida da Band para a Rede Bahia?

MT – Olha, uma das preocupações de nossa gestão é dar visibilidade positiva as nossas realizações, até para solidificar os processos culturais de nossa terra. Para tanto, precisamos do apoio de vocês. Precisamos da ajuda da mídia. Neste caso, nós fechamos uma parceria com a Globo. Ela bancou, praticamente, 70% da festa com direito exclusivo de transmissão para todo o mundo. Além de desonerar o poder público, a Globo vai levou nossa cultura para mais de 92 países. Isso foi fantástico. A prioridade de nossa gestão é fazer parcerias público privadas, justamente para desonerar o poder público e dar mais profissionalismo aos festejos e tradições de nossa cidade.

BN – E quanto à indicação de Clarindo Silva (56 kg) como “Rei Momo”?

MT – É bom que fique claro que quem realiza o concurso é a Federação de Entidades Carnavalescas da Bahia. Mas, a Emtursa apóia a indicação de Clarindo Silva. Nós entendemos que a maior festa popular do mundo precisa de um representante a altura. O critério de notoriedade foi uma mudança que só ter a beneficiar a festa.

 

P.S: A entrevista foi concedida antes da juíza Aidê Ouaiss, titular da 8ª Vara da Fazenda Pública, expedir liminar para anulação da eleição de Clarindo Silva como o “Rei Momo” de Salvador.

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