Carlos Andrade afirma que o momento atual do comércio é “gravíssimo” - 04/04/2016
Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomercio), Carlos Andrade afirma em entrevista ao Bahia Notícias que o momento atual é “gravíssimo”. Segundo ele, o setor que mais sofre na crise é o setor do comércio. “Nós nunca tivemos os números de agora. Pior, o desemprego. O número de empresas fechadas... a economia de um modo geral, com o dólar oscilando, a carga tributária só aumenta, e o governo, por si só, não faz a parte dele que seria o aperto, a parte de melhorar o custo Brasil, desburocratizar, fazer reformas”, critica. Ainda de acordo com Andrade, a Fecomercio não tem partido. “Eu acho que o governo está totalmente na contramão. Nós, da Federação do Comércio, não temos partido político. O nosso partido é o comércio. Mas entendemos que a equipe de governo de Dilma está na contramão da história”, avaliou.
Crise econômica gravíssima, vendas do comércio caindo... qual o cenário atual na Bahia?
Crise econômica gravíssima, vendas do comércio caindo... qual o cenário atual na Bahia?
O cenário é preocupante, não só na Bahia, mas no Brasil. Vivemos um momento difícil, pouco comum. Tivemos momento políticos no Brasil neste 50 que anos que foram marcantes nas nossas vidas... desde o suicídio de Vargas, até a revolução de 1964, o impeachment de Collor e agora essa crise generalizada. Outra realidade, mas para o comércio, de um modo geral, o momento é dificílimo.
Existe algum setor que sofra mais nesta crise?
O setor do comércio tem sofrido mais. Os últimos números refletem a real dificuldade. Nós nunca tivemos os números de agora. Pior, o desemprego. O número de empresas fechadas... a economia de um modo geral, com o dólar oscilando, a carga tributária só aumenta, e o governo, por si só, não faz a parte dele que seria o aperto, a parte de melhorar o custo Brasil, desburocratizar, fazer reformas. O governo não está fazendo a parte dele. O federal, estadual e municipal.
Em 2008, o presidente Lula baixou os impostos para estimular as vendas. A política econômica da Dilma é diferente. Você acha que tem muita diferença nas políticas econômicas dos dois?
Eu acho que o governo está totalmente na contramão. Nós, da Federação do Comércio, não temos partido político. O nosso partido é o comércio. Mas entendemos que a equipe de governo de Dilma está na contramão da história. Ela prometeu mudar na segunda gestão, mas só piora. Esperamos que ela se recupere para salvar o comércio.
As últimas ações, como Liquida Salvador e outras promoções de shoppings, conseguem minimizar esse impacto?
Minimizar, sim. Mas não resolve o problema, pois o problema é na fonte. É de credibilidade. Quando a pessoa está desempregada, ela não compra nem com uma promoção boa. Vamos empurrar para a frente, mas não vai comprar. Existe um negócio muito grande chamado credibilidade e ela está em falta.
O turismo tem sofrido muito impacto em Salvador pela falta do Centro de Convenções. O comércio também sofre com a falta do equipamento?
O turismo e o comércio estão intrinsecamente ligados, mas entendo que este seria o momento para que o governo do estado fizesse um programa para incentivar o turismo. O dólar está a R$ 4. Infelizmente, o governo não tem feito ações para trazer o turista. Nas nossas empresas a gente sempre cita a ação, mas ela não está chegando. Queríamos ter uma ação mais forte dos governos. Acho que era oportuno e uma coisa que não se gastaria muito. O Centro de Convenções, no atual estágio, é digno de lástima. Mas esperamos que as coisas mudem.
O novo código comercial brasileiro está para ser votado. O que isso vai significar para o setor?
Olha, fizemos um evento na federação essa semana e trouxemos três deputados: o presidente da comissão, o Paes Landim, o Aécio Oliveira e José Carlos Aleluia. Eles debateram o código que é de 1800 e qualquer coisa. Pensamos em atualizar o código com o comércio eletrônico. Precisa mudar urgente.
E qual seria o ponto principal desse novo código?
Um dos pontos-chave são os shoppings. Hoje, temos um problema grande com os shoppings. Estamos tentando fazer uma legislação específica para que o shopping funcione precisamos três elementos básicos: o empreendimento, o empresário e o consumidor. Há 20 anos, quando os shoppings começaram, os empreendedores nadaram de braçadas e eles querem manter os shoppings como eram há 20 anos atrás. Precisamos conversar com esse trio. Até o consumidor sofre hoje, com o estacionamento, por exemplo. Precisamos ser bons para os três. Atualmente só é bom para o empreendedor do shopping.
Aqui em Salvador, o Codecon tem agido de forma muito firme num costume comum que é cobrar a mais por uma compra feita no cartão. Qual a posição da Fecomercio em relação a isso?
Olha, isso não é só uma tradição do baiano. O brasileiro está acostumado. Aqui, as pessoas dividem as coisas em algumas vezes para facilitar o consumo. Hoje, as coisas mudam e a taxa de juros está cara. Entendemos que uma coisa fácil para comprar no cartão, hoje está ficando cara. É importante, no meio dessa crise, que os setores produtivos fiquem juntos e trabalhem juntos com os deputados, com a Câmara, com o Senado, para que possamos ter a saída mais rápida possível.
