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Entrevista

Marcelo Nilo quer fortalecer PSL para eleições municipais - 29/02/2016

Por Fernando Duarte / Alexandre Galvão / Luana Ribeiro

Fotos: Luiz Fernando Teixeira/ Bahia Notícias
Recém-filiado ao PSL, partido que já assumirá como presidente, o deputado Marcelo Nilo terá como prioridade esse ano o fortalecimento da nova legenda. “Nesse primeiro semestre, eu quero o fortalecimento do PSL. No segundo semestre, quero participar das eleições municipais. Sucessão de presidente, só lá para novembro, dezembro”, disse o comandante da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Capitaneando a AL-BA, o desafio será manter a Casa econômica – de acordo com ele, é a segunda mais econômica do país – diante de um ano que promete ser difícil e da perspectiva de necessitar de suplementação orçamentária. “Então é óbvio que com a inflação alta, sendo obrigado a dar o reajuste de salário todos os anos, luz subindo, água subindo, a empresa de limpeza subindo também – está até no próprio contrato – eu diria que eu só vou pensar nisso no segundo semestre”, minimiza. Fazendo parte, agora, da terceira maior bancada da AL-BA, Nilo aponta melhoria no trato com o governador Rui Costa, com a qual afirma ter agora uma “relação profunda”. “Tanto é que ele me convidou para viajar à China no dia 4 e voltar no dia 14. Então se ele me convidou para ficar 10 dias na China, onde vamos trazer investimentos para nosso estado”, gabou, em menção a viagem que o petista fará essa semana. 

O senhor assume agora a presidência do PSL com a bancada extremamente expressiva. Quais são os planos e as razões que levaram o senhor a esse novo desafio?

 
Eu militei no PSDB durante 20 anos. Saí porque o partido tomou um novo norte na política do estado. Entrei no PDT. Seis anos depois o PDT tomou esse mesmo rumo que o PSDB tomou antes de minha saída. Eu não tive outra saída: procurar outro partido para fazer política. E reconheço que cometi um erro na minha vida política, de nunca ter sido presidente de um partido, porque quando você é presidente você dá um norte. E depois de conversar com diversos partidos, nós decidimos pelo PSL. Porque é um partido novo que começa forte. É um partido que praticamente não existe no interior do estado, e será um desafio para nós fazermos o crescimento desse partido. São sete deputados estaduais e vários prefeitos que entraram nestes últimos dois dias.

A eleição municipal está na porta já, praticamente, e o senhor falou em interiorizar o partido. Como o senhor pretende fazer isso?
 
Primeiro, a nossa tarefa é difícil, árdua, pelo curto espaço que os prefeitos e vereadores teriam para mudar de partido. Vereadores é até 18 de março, prefeito até 2 de abril. Então muitos prefeitos já estão em alguns partidos, e eles virão depois da eleição. Porque já está com o número do partido lá na cabeça do povo. Mas muitos virão. O nosso desafio é fazer o partido forte. Porque o partido nacionalmente é pequeno, mas se nós fizermos um partido grande, na Bahia, terá força política para 2018. Por exemplo, o PMDB é um partido muito forte a nível nacional, mas tem apenas um deputado federal aqui na Bahia. Então você não pode fazer a correlação de forças nacional com a estadual. Cada caso é um caso; o PSL, na Bahia, começou muito forte.
 

 
Aqui em Salvador foram eleitos dois vereadores e agora fica com um. O senhor vai também de alguma forma melhorar o desempenho do partido aqui na capital?
 
Está muito em cima do prazo. Agora óbvio que nós vamos fazer o possível para crescermos. Eu diria que se nós tivéssemos entrado no partido há seis meses, as condições seriam bem melhores. Mas nós vamos tentar também fortalecer o partido aqui em Salvador.
 
Nas principais cidades da Bahia o senhor já está captando lideranças para apoiá-lo nesse projeto novo, ou até no futuro tentar uma candidatura a prefeito, não necessariamente em 2016?
 
Primeiro, são sete deputados. Todos os deputados estão tentando trazer todos os seus respectivos prefeitos. Então nesse momento é trazer a nossa base dos sete deputados. Porque se nós trouxermos toda a nossa base, nós teremos dezenas de prefeitos. A segunda etapa é entrar em novos municípios. Não adianta querer conversar com os 417 se você só faz política em 150. Então nós vamos conversar com todos os prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias desses sete deputados, para posteriormente tentar crescer nesses municípios onde esses deputados não fizeram política.
 
É uma bancada de sete deputados, uma bancada expressiva, a sétima na Casa. E o partido começa também com duas secretarias, a de Agricultura e a de Administração Penitenciária. A força da bancada vai influenciar na relação entre Executivo e o PSL?
 
Todo mundo que é governo gosta de participar do governo. Nós temos sete deputados e realmente temos dois secretários de Estado, que é o ex-deputado Nestor Duarte e o deputado Vítor Bonfim. Portanto o partido tem uma participação muito positiva no governo do Estado. Além da Embasa, que também foi indicação desse grupo politico do qual fazemos parte.
 

 
É uma indicação de Marcelo Nilo ou é do grupo político?
 
Olha, é do grupo político, porque não existe Marcelo Nilo, existe o grupo político. Eu sou apenas uma peça desse grupo e tive a honra de ser escolhido por eles presidente, mas na realidade eu faço política com o grupo. Se Marcelo Nilo estiver forte e o grupo estiver fraco, nós não teremos força política. Prefiro o PSL forte: se o PSL estiver forte, todos nós estaremos fortes na política do estado.
 
O senhor deixou claro que pretende ser candidato ao Senado na próxima eleição. O senhor vai conduzir o PSL nesse caminho de alavancar sua candidatura?
 
Primeiro, eu só vou pleitear uma participação na chapa ou minha ou de qualquer membro do PSL se em 2018 nós tivermos força suficiente para fazer esse pleito. Ninguém é candidato de si mesmo, você só é candidato se tiver força política. Em 2010, eu fui candidato a ser senador na chapa de Jaques Wagner. Em 2014, fui convidado para ser senador na chapa adversária. E em 2018 vai depender das circunstâncias políticas, se nós vamos ter força para pleitear. Se fosse hoje, acho que o PSL teria todas as condições políticas de pleitear uma vaga na majoritária. Em 2018, vai depender muito de como nós vamos chegar no período da decisão das candidaturas.
 
Para além dessa questão de direção partidária, de controle partidário, quais são os temas programáticos que o senhor pretende debater no âmbito do partido com a sociedade?
 
Educação. A bandeira do nosso partido será educação. Eu sou apaixonado por esse item tão importante da vida pública do nosso país. Todas as quartas-feiras eu dou uma aula sobre educação, sobre política, sobre gestão, em uma escola em Salvador ou no interior do Estado, porque eu só acredito que o país voltará a crescer se nós tivermos força, se nós dermos prioridade à educação. A bandeira nossa será educação, porque se você tiver uma boa educação, terá uma boa saúde, geração de empregos com mais facilidade. Até na agricultura familiar te ajuda, porque você faz um projeto mais eficaz. Então a bandeira da educação será a bandeira do PSL aqui na Bahia.
 

 
Saindo o pouco da questão do PSL e indo para o Legislativo. O senhor terminou mais um ano à frente da Assembleia Legislativa, o primeiro com o governador Rui Costa. Como foi relacionamento do senhor enquanto presidente da Assembleia com o governador? Em um primeiro momento chegou a haver alguns ruídos de comunicação que chegaram até a imprensa. A relação melhorou?
 
No início nós tivemos alguns ruídos. Mas sentamos, conversamos, e hoje eu tenho uma relação muito próxima com o governador Rui Costa, tanto é que ele me convidou para viajar à China no dia 4 e voltar no dia 14. Então se ele me convidou para ficar 10 dias na China, onde vamos trazer investimentos para nosso estado, é fruto de uma relação pessoal, que se nós não tivéssemos uma relação tão próxima, com certeza ele não me convidaria. Eu tenho um apreço muito grande pela pessoa Rui Costa. E eu diria que um amigo, aliás um dos maiores jornalistas da Bahia, me disse e não pediu segredo – Samuel Celestino – que Rui Costa foi a maior surpresa positiva como gestor. Então eu faço as palavras do jornalista Samuel, minhas palavras. Como gestor foi uma grande surpresa positiva. E como pessoa, ele melhorou muito no trato. Você vê que ele teve grandes dificuldades econômicas no ano de 2015 e está muito bem avaliado nas pesquisas eleitorais. Ele já visitou 182 escolas no interior do estado, já visitou mais de 100 municípios no interior do estado. Está viajando muito, conversando com o povo. Ele está transmitindo credibilidade para a sociedade. Então diria a você: estou me dando muito bem com ele e tenho uma admiração profunda pela maneira como ele está gerindo o estado da Bahia.
 
O senhor falou da melhoria da relação com o governador. Também sabemos que a relação com o secretário Josias [Relações Institucionais] com a Assembleia, com os deputados, talvez não seja das melhores. Isso tem avançado em algum sentido?
 
Ser secretário de Articulação Política, de Relações Institucionais, não é fácil. O próprio Rui já foi. O Josias no início estava tropeçando muito nas relações com os parlamentares. Melhorou muito. Não está o ideal, mas melhorou muito. Ele está mais atencioso... Porque, na realidade, um não bem dado é muito melhor que um sim enrolado. Então o Josias hoje está conseguindo ter uma relação mais próxima com os parlamentares. Antigamente toda hora chegava um deputado aqui se queixando dele, eu tinha que ligar para o governador, ou para ele mesmo. Hoje, essas queixas diminuíram bastante, ou seja, ele melhorou muito nas relações com os deputados.
 

 
Vivemos um cenário de crise econômica, 2015 foi um ano difícil, 2016 não vai ser um ano fácil, pelo menos todos os indicativos sugerem isso. No ano passado, chegou a ter o momento em que se questionou se iria ter suplementação. As contas da Assembleia vão fechar tranquilamente em 2016, ou o senhor tem receio do que pode vir a acontecer? Vai cortar da própria carne, como fez ano passado?
 
O ano de 2015 nós não tivemos suplementação. Nós tínhamos o financeiro, mas não tínhamos o orçamento. Os recursos eram da Assemebleia, o governador me deu apenas o orçamentário, mas eu tinha o financeiro. Em palavras mais populares, eu tinha o dinheiro, mas não tinha o orçamento. O dinheiro que é difícil. O orçamento é papel. O orçamento quem faz é a Assembleia e o governador, então nós não tivemos suplementação. O ano de 2016 está começando agora, e só para se ter uma ideia, TCE e TCM tiveram 12%, 13% de aumento. Nós tivemos, salvo engano, 0,5% de aumento de 2015 para 2016. Então é óbvio que com a inflação alta, sendo obrigado a dar o reajuste de salário todos os anos, luz subindo, água subindo, a empresa de limpeza subindo também – está até no próprio contrato – eu diria que eu só vou pensar nisso no segundo semestre. Eu tenho uma relação profunda com o governador, a Assembleia é a segunda mais econômica do país: só para se ter uma ideia, Pernambuco tem um orçamento maior que o do nosso Estado. Minas Gerais tem quase o triplo de orçamento do nosso estado. Se o governador não tiver condição de dar suplementação nós cortaremos na própria carne, mas nesse momento não estou pensando nisso, só estou pensando em ser um bom presidente da Assembleia.
 
O senhor falou que Adolfo Menezes vai assumir a presidência interinamente. O senhor já o apontou como uma espécie de sucessor do senhor na presidência da Casa. O senhor trabalha com essa possibilidade?
 
Primeiro, nós estamos muito distantes da eleição de presidente da Assembleia. Segundo, eu aprendi na vida, quando você vai subindo uma escada, subir degrau por degrau. Nesse primeiro semestre, eu quero o fortalecimento do PSL. No segundo semestre, quero participar das eleições municipais. Sucessão de presidente, só lá para novembro, dezembro. Agora, eu tenho muitos bons colegas parlamentares, e Adolfo Menezes é um deles. Como ele é muito meu amigo, é muito meu parceiro, e é meu vice-presidente, falam muito. Mas realmente, é um candidato muito forte na Assembleia. Mas um candidato forte é aquele que constrói uma aliança com todos os partidos da base do governo e com a oposição. Mas nesse momento, minha cabeça está voltada exclusivamente para o fortalecimento do partido, e ajudar a Bahia principalmente a sair desta crise que nós enfrentamos, que é uma grave crise econômica. Felizmente choveu, a agricultura e pecuária estão felizes, mas nas estradas, os buracos voltaram, por conta da chuva. E o governador Rui Costa inclusive está mandando [projetos], chegou essa semana dois pedidos de empréstimos, US$ 200 milhões de um e US$ 150 de outro, exclusivamente para estrutura, ou seja, para melhorar as estradas da Bahia. 

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