Jorge Khoury fez um balanço das ações da pasta sob seu comando e detalha criação da Prova Salvador - 10/11/2014
Antes de assumir a Secretaria Municipal de Educação (Smed), em agosto de 2013, em substituição a João Carlos Bacelar, Jorge Khoury já tinha experiência no Legislativo federal e estadual pelo DEM, além de ter assumido a titularidade da Indústria, Comércio e Mineração; do Meio Ambiente e Recursos Hídricos; e presidiu a Companhia de Transportes de Salvador (CTS). Convidado pelo prefeito ACM Neto, encontrou algumas decisões tomadas, como a construção de seis Centros de Educação Integral que devem ficar prontos até 2016, sendo três já previstos para o final do próximo ano. "A expectativa é de que o aluno venha da escola, tome seu banho, tome seu almoço, que ele brinque, e que em algum momento lá, olha, vem aqui, vai ter um reforçozinho aqui, de matemática, por exemplo’. E que ele pode aprender uma língua, que a gente ofereça a ele inglês e espanhol, que ele possa ter informações, tem laboratório de informática, ele ter digitalizado todo o sistema dali", descreveu. Em entrevista ao Bahia Notícias, fez um balanço das ações da pasta sob seu comando, que inclui também a criação da Prova Salvador, que vai funcionar como uma espécie de "Ideb municipal", para avaliar o desempenho dos alunos da rede nos anos em que não forem divulgados os índices da Prova Brasil. Khoury reconhece que, pela "complexidade" dos assuntos da secretaria, seu trabalho é um "desafio", que abarcam a ampliação da cobertura das creches municipais, que hoje só atendem 30% da demanda do município, contando com as unidades comunitárias conveniadas. Ele ainda falou ao Bahia Notícias sobre os eventos que marcaram o período da saída do seu antecessor, após investigações do Ministério Público que apontavam irregularidades em convênio com a Fundação Pierre Bourdier. "Na verdade, a gente não teve nenhum tipo de envolvimento com o pessoal, nesse sentido", garante.
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Para começar, como avalia a atuação de sua pasta, que o senhor assumiu há cerca um ano e quatro meses já?
Eu diria que a Secretaria de Educação, pela sua complexidade, tem sido um desafio para todos que de alguma forma a gerenciam. Um dado que eu diria positivo nesse momento é que a administração municipal, agora com o prefeito ACM Neto, tem dado prioridade às questões de educação. Se isso por um lado é muito bom, para nós e para educação do município, por outro lado, logicamente que nos exige uma resposta satisfatória. E a resposta satisfatória na educação é você avaliar bem seus alunos, ter uma qualidade de ensino satisfatória, e que nas diferentes formas de avaliação – teve agora mesmo o Ideb, temos o Prosa, que é um programa nosso, a própria secretaria criou, o Programa de Avaliação Salvador – enfim, nós estamos acompanhando a questão da educação, o resultado desse ensino.No entanto, existe todo um arcabouço para chegar ao resultado de uma educação de qualidade, que é a estrutura física, que a questão da merenda, o mobiliário, o fardamento dos meninos, o kit escolar; é todo um conjunto de ações, que não vão responder pela qualidade do ensino, mas sem elas nós podemos atrofiar o resultado que a gente quer. Então neste primeiro momento, o trabalho que foi feito, que está sendo feito, foi voltado para a reestruturação da rede, não só do ponto de vista físico, como das ações de suporte e da parte pedagógica, da preparação dos nossos professores, da qualificação dos nossos professores, da orientação melhor para eles. Tudo isso aí eu diria que vem em um “crescendo”, estamos desenvolvendo uma ação muito pontual com relação a essas questões. Primeiro, que queria colocar o problema da rede física, no caso, porque infelizmente você ver a escola arrumada, em condições de receber as crianças, impressiona bem; como o contrário, não. Então, hoje nós temos 425 escolas no município de Salvador, distribuídas em 11 coordenações regionais, que tem de 30 a 50 escolas cada uma. O que temos hoje nessa questão da rede física? Existe um contrato, que foi feita uma licitação, de onze lotes e para cada regional, existe uma empresa que responde pela manutenção das escolas. A pessoa da empresa que ganhou essa licitação trabalha junto com essa coordenação regional e cuida da manutenção: consertar um problema na rede física, na rede hidráulica, se tem um vazamento no telhado que tem problema, um problema na fechadura... E você tem ações que são maiores que implicam em uma reforma. No caso da reforma, também foi feita uma licitação e temos hoje 87 escolas que estão passando por reforma. Aí é fazer um muro, botar uma cobertura de uma quadra de esporte, fazer mais duas salas de aula, melhorar o sistema sanitário, enfim. Nesse mesmo tempo estamos com 12 escolas em construção para poder atender a essa demanda. Então, no ponto de vista da rede física, eu diria que esse esforço está sendo feito.
Onde estão essas escolas?
Como a rede atende mais a área do Subúrbio e dos bairros mais periféricos da cidade, estão bem distribuídas por essas localidades. Elas estarão prontas para funcionar a partir do ano letivo de 2015.
Como a rede atende mais a área do Subúrbio e dos bairros mais periféricos da cidade, estão bem distribuídas por essas localidades. Elas estarão prontas para funcionar a partir do ano letivo de 2015.
E do ponto de vista pedagógico, considerando agora a criação desse “Ideb municipal”?
Nós temos, como disse, uma avaliação interna nossa sobre o andamento e estamos passando para cada gestor a situação daquela escola. Até porque é muito fácil às vezes cobrar melhor desempenho, mas a pessoa não está tendo a avaliação que devia ter. Nós sabemos a dificuldade que nós temos com as chamadas 1ª, 2ª e 3ª séries, que seria o Fundamental I, então aí nós temos um peso muito forte em relação à avaliação, exatamente pelo fato das crianças que estão chegando não terem o devido conhecimento que possa facilitar esse trabalho. Nós estamos fazendo uma série de movimentos, que tem a ver com cursos, seminários – temos agora um seminário que está tratando sobre alfabetização, e voltado para as três primeiras séries. Nós tivemos na semana passada outro, trazendo um técnico renomado de origem portuguesa, mas que mora atualmente na Bélgica. Nós queremos trazer o que há de mais moderno, como essas crianças possam entender essa questão da alfabetização. Aí eu costumo dizer que tem um ditado oriental que diz que todo bom começo é a metade do caminho. Se a criança for bem alfabetizada, se os primeiros momentos dela na escola forem bons, pode ser em tese um bom aluno no fundamental, no Ensino Médio e no Superior. Agora, se ela tem dificuldade nesse primeiro momento, ela vai ter muita dificuldade nos outros momentos. Então nós estamos vendo isso, estamos trabalhando com o que há de mais moderno de conhecimento nosso, o melhor desempenho hoje, a nível nacional, é Minas Gerais e a nível de Nordeste é o Ceará, temos ido buscar a experiência deles, temos tido algumas metodologias de alguns instituto e empresas de consultoria, que trabalham com universidade daqui da Bahia e de fora da Bahia. A ideia hoje, o que tem sido feito, é que tudo que houver de conhecimento nós estamos indo buscar. Vamos construir o nosso sistema, o sistema da rede municipal de Salvador, aproveitando essa experiência que possam vir de outros.
Nós temos, como disse, uma avaliação interna nossa sobre o andamento e estamos passando para cada gestor a situação daquela escola. Até porque é muito fácil às vezes cobrar melhor desempenho, mas a pessoa não está tendo a avaliação que devia ter. Nós sabemos a dificuldade que nós temos com as chamadas 1ª, 2ª e 3ª séries, que seria o Fundamental I, então aí nós temos um peso muito forte em relação à avaliação, exatamente pelo fato das crianças que estão chegando não terem o devido conhecimento que possa facilitar esse trabalho. Nós estamos fazendo uma série de movimentos, que tem a ver com cursos, seminários – temos agora um seminário que está tratando sobre alfabetização, e voltado para as três primeiras séries. Nós tivemos na semana passada outro, trazendo um técnico renomado de origem portuguesa, mas que mora atualmente na Bélgica. Nós queremos trazer o que há de mais moderno, como essas crianças possam entender essa questão da alfabetização. Aí eu costumo dizer que tem um ditado oriental que diz que todo bom começo é a metade do caminho. Se a criança for bem alfabetizada, se os primeiros momentos dela na escola forem bons, pode ser em tese um bom aluno no fundamental, no Ensino Médio e no Superior. Agora, se ela tem dificuldade nesse primeiro momento, ela vai ter muita dificuldade nos outros momentos. Então nós estamos vendo isso, estamos trabalhando com o que há de mais moderno de conhecimento nosso, o melhor desempenho hoje, a nível nacional, é Minas Gerais e a nível de Nordeste é o Ceará, temos ido buscar a experiência deles, temos tido algumas metodologias de alguns instituto e empresas de consultoria, que trabalham com universidade daqui da Bahia e de fora da Bahia. A ideia hoje, o que tem sido feito, é que tudo que houver de conhecimento nós estamos indo buscar. Vamos construir o nosso sistema, o sistema da rede municipal de Salvador, aproveitando essa experiência que possam vir de outros.
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Percebe-se que o senhor tem uma visão muito administrativa da educação. E também sua formação, o senhor passou um tempo curto na CTS [Companhia de Transportes de Salvador] e tem experiência no governo Paulo Souto como secretário...
É, fui secretário do Meio Ambiente...
É, fui secretário do Meio Ambiente...
Mas foi uma incógnita, do ponto de vista pedagógico, a adoção do Instituto Alfa e Beto, que foi criticado pelos sindicatos [de professores]. Como foi esse processo, encontrou muitas dificuldades?
Aí é que está. Quando cheguei, realmente encontrei essa situação, e, no primeiro momento, menos por conhecer e mais pelo bom senso, eu disse: ‘gente, essa metodologia teve bom êxito em outros municípios e se entendeu que poderia ter aqui também". O fato de ter havido aquela reação do pessoal da rede, não impede que esse trabalho continue. Tanto que antes de eu chegar, já tinha sido decidido pelo prefeito que ficaria esse sistema quem optasse voluntariamente para ficar ou não. Devemos ter em torno de 25% que ainda ficaram com o Instituto Alfa e Beto, continuam com essa metodologia e tem avançado bastante. Isso não quer dizer que tem que ser isso. Quando eu me referi a outras metodologias, outros modelos que tínhamos atraído, nós estamos montando hoje um trabalho coordenado pela nossa subsecretária, que cuida mais intensamente na questão pedagógica, junto com a coordenação pedagógica da secretaria, tentando criar o modelo da rede municipal de Salvador. Essa visão do Alfa e Beto é interessante, pode ser que daqui a quatro anos ainda esteja aqui; outra metodologia que estão usando em Minas podemos buscar; o que o pessoal do Ceará está fazendo, vamos trazer. Tem uma experiência muito interessante, que é referência nacional, que é a do município de Sobral, trouxemos aqui, no ano passado, o secretário de Educacão de lá, e algumas coisas que ele tem lá também podem ser aproveitadas. O que nós estamos fazendo esse ano, tudo que se fez, foi exatamente buscando esses conhecimentos, e a partir do próximo ano, começara trabalhar com a rede na montagem do nosso sistema. Essa preocupação existe. Esse Ideb que saiu, não tive nenhuma responsabilidade, é o de 2013, e no período que ele foi coletado, tinha muito pouco da administração atual. Então o esforço que estamos tentando fazer é, na avaliação de 2015, a gente pode ter uma pontuação razoável. Agora você me perguntar: ‘você acredita que vai ter?’. Eu diria que acredito que não. Podemos avançar, mas a experiência que eu tenho observado, em outros estados, em outros municípios, é que, você saindo de uma situação como nós estamos começando agora, não conseguiu nada de positivo em menos de quatro anos de trabalho. Quer dizer que se chegar a 2016 e a gente puder ter uma pontuação que eu diria que já esteja na média para crescer, diria que a gente já chegou ao objetivo nosso. A experiência dos outros estados que eu tenho visitado, nada aconteceu, para chegar nesse índice de referência, nesses lugares que eu falei Minas e Ceará, em menos de 12 anos. Os primeiros quatro anos são para você zerar, nivelar o seu passivo, e então começar a construir. É muito diferente de eu trabalhar em uma secretaria, numa área de engenharia, por exemplo, quando você tem o projeto de uma coisa, você tem o dinheiro para fazer esse projeto; você construiu, inaugurou, bateu palma ali, ficou pronto, acabou. Na educação, na área social como um todo, tem que ser continuado. Se você tem lapso, alguma queda, alguma coisa, você tem que continuar. A minha expectativa em relação a Salvador é que a gente pudesse ter até 2016 essa situação zerada, e, aí sim, já com um lastro junto a toda rede, já são mais de 6 mil professores, mais de 1,5 mil coordenadores pedagógicos, todos eles sintonizados naquele alvo, naquele objetivo, daí então podemos conquistar o avanço que a gente quer. Aí também, como falei no primeiro momento – espero que a gente já esteja com manutenção da rede, toda ela, a parte das reformas todas elas feitas; tem algumas escolas que nem reforma vai poder ser feita, vai para o chão, para ser reconstruída – essas construções novas todas estão sendo feitas em um padrão moderno, um padrão de melhoria de sala de aula, de equipamentos para esporte, se for de criança tipo parque infantil...
Aí é que está. Quando cheguei, realmente encontrei essa situação, e, no primeiro momento, menos por conhecer e mais pelo bom senso, eu disse: ‘gente, essa metodologia teve bom êxito em outros municípios e se entendeu que poderia ter aqui também". O fato de ter havido aquela reação do pessoal da rede, não impede que esse trabalho continue. Tanto que antes de eu chegar, já tinha sido decidido pelo prefeito que ficaria esse sistema quem optasse voluntariamente para ficar ou não. Devemos ter em torno de 25% que ainda ficaram com o Instituto Alfa e Beto, continuam com essa metodologia e tem avançado bastante. Isso não quer dizer que tem que ser isso. Quando eu me referi a outras metodologias, outros modelos que tínhamos atraído, nós estamos montando hoje um trabalho coordenado pela nossa subsecretária, que cuida mais intensamente na questão pedagógica, junto com a coordenação pedagógica da secretaria, tentando criar o modelo da rede municipal de Salvador. Essa visão do Alfa e Beto é interessante, pode ser que daqui a quatro anos ainda esteja aqui; outra metodologia que estão usando em Minas podemos buscar; o que o pessoal do Ceará está fazendo, vamos trazer. Tem uma experiência muito interessante, que é referência nacional, que é a do município de Sobral, trouxemos aqui, no ano passado, o secretário de Educacão de lá, e algumas coisas que ele tem lá também podem ser aproveitadas. O que nós estamos fazendo esse ano, tudo que se fez, foi exatamente buscando esses conhecimentos, e a partir do próximo ano, começara trabalhar com a rede na montagem do nosso sistema. Essa preocupação existe. Esse Ideb que saiu, não tive nenhuma responsabilidade, é o de 2013, e no período que ele foi coletado, tinha muito pouco da administração atual. Então o esforço que estamos tentando fazer é, na avaliação de 2015, a gente pode ter uma pontuação razoável. Agora você me perguntar: ‘você acredita que vai ter?’. Eu diria que acredito que não. Podemos avançar, mas a experiência que eu tenho observado, em outros estados, em outros municípios, é que, você saindo de uma situação como nós estamos começando agora, não conseguiu nada de positivo em menos de quatro anos de trabalho. Quer dizer que se chegar a 2016 e a gente puder ter uma pontuação que eu diria que já esteja na média para crescer, diria que a gente já chegou ao objetivo nosso. A experiência dos outros estados que eu tenho visitado, nada aconteceu, para chegar nesse índice de referência, nesses lugares que eu falei Minas e Ceará, em menos de 12 anos. Os primeiros quatro anos são para você zerar, nivelar o seu passivo, e então começar a construir. É muito diferente de eu trabalhar em uma secretaria, numa área de engenharia, por exemplo, quando você tem o projeto de uma coisa, você tem o dinheiro para fazer esse projeto; você construiu, inaugurou, bateu palma ali, ficou pronto, acabou. Na educação, na área social como um todo, tem que ser continuado. Se você tem lapso, alguma queda, alguma coisa, você tem que continuar. A minha expectativa em relação a Salvador é que a gente pudesse ter até 2016 essa situação zerada, e, aí sim, já com um lastro junto a toda rede, já são mais de 6 mil professores, mais de 1,5 mil coordenadores pedagógicos, todos eles sintonizados naquele alvo, naquele objetivo, daí então podemos conquistar o avanço que a gente quer. Aí também, como falei no primeiro momento – espero que a gente já esteja com manutenção da rede, toda ela, a parte das reformas todas elas feitas; tem algumas escolas que nem reforma vai poder ser feita, vai para o chão, para ser reconstruída – essas construções novas todas estão sendo feitas em um padrão moderno, um padrão de melhoria de sala de aula, de equipamentos para esporte, se for de criança tipo parque infantil...
Então a preocupação da prefeitura nos próximos anos será a melhoria da pontuação do Ideb. Há escolas que chegaram a alcançar 6,5...
É interessante colocar que as mesmas dificuldades, os mesmos atendimentos que ela teve, todos tiveram. Se uma escola conseguiu ter Ideb 6 ou 6,5, é porque houve um diferencial. Aí você poderia dizer: "poxa, essa escola esta muito bem localizada, essa escola deve ter uma estrutura maravilhosa". Não, é igual a média das outras e em relação à localização, é a escola Recanto dos Coqueiros, fica lá na Boca do Rio e em uma área tremendamente vulnerável. Mesmo assim, houve um comando, conversei com a diretora, ela veio me dizer: ‘Secretário, quando eu assumi, o Ideb era 1,4, nós chegamos a 6,5’. Evidente que todo tipo de apoiamento é fundamental, mas é fundamental também que você tem que ter disposição no sentido de gestão para você fazer do limão uma limonada e tentar superar as dificuldades. O Ideb é um índice nacional, e é claro que a gente está de olho nele, mas estamos fazendo avaliações de outras, tem a Prova Brasil, tem outras sistemas, que estamos em todos e a Prova Salvador. Então na verdade, a expectativa que a gente tem não é deixar chegar lá para ver, não é agora, a gente vem acompanhando periodicamente e com isso a gente pode estar informando à diretora. Como no seminário da semana passada ao qual me referi, a gente deu para cada uma a situação que foi encontrada na última avaliação de cada escola: "aqui o problema foi da matemática, aqui foi o problema da série tal", para ir ajustando.
É interessante colocar que as mesmas dificuldades, os mesmos atendimentos que ela teve, todos tiveram. Se uma escola conseguiu ter Ideb 6 ou 6,5, é porque houve um diferencial. Aí você poderia dizer: "poxa, essa escola esta muito bem localizada, essa escola deve ter uma estrutura maravilhosa". Não, é igual a média das outras e em relação à localização, é a escola Recanto dos Coqueiros, fica lá na Boca do Rio e em uma área tremendamente vulnerável. Mesmo assim, houve um comando, conversei com a diretora, ela veio me dizer: ‘Secretário, quando eu assumi, o Ideb era 1,4, nós chegamos a 6,5’. Evidente que todo tipo de apoiamento é fundamental, mas é fundamental também que você tem que ter disposição no sentido de gestão para você fazer do limão uma limonada e tentar superar as dificuldades. O Ideb é um índice nacional, e é claro que a gente está de olho nele, mas estamos fazendo avaliações de outras, tem a Prova Brasil, tem outras sistemas, que estamos em todos e a Prova Salvador. Então na verdade, a expectativa que a gente tem não é deixar chegar lá para ver, não é agora, a gente vem acompanhando periodicamente e com isso a gente pode estar informando à diretora. Como no seminário da semana passada ao qual me referi, a gente deu para cada uma a situação que foi encontrada na última avaliação de cada escola: "aqui o problema foi da matemática, aqui foi o problema da série tal", para ir ajustando.

Além do ensino básico, que a secretaria de educação do município cuida; a questão da implantação das creches; e, em alguns momentos, convênios com centros comunitários que mantém creches. O governo federal lançou um programa, o Brasil Carinhoso, que dispõe recursos para que os municípios construam creches. Como está essa questão aqui em Salvador?
Começamos falando de avaliação, Ideb, a parte da educação básica. E nós temos também a educação infantil, que é dos 0 aos 5 anos. Na nova legislação, cabe aos municípios a chamada educação básica, que é a infantil e a fundamental; ao Estado, o Ensino Médio; e à União, a Superior. Evidente que essas coisas ainda não estão todas arrumadinhas, em alguns municípios você tem isso tudo já feito, Salvador ainda não. Eu diria que o Fundamental II nós só comandamos aí 10%, 90% ainda está com o Estado. Do Fundamental I, é o inverso, já temos quase 90% e o Estado ainda está com 10%. Temos uma relação totalmente tranquila com o secretário [do Estado], Osvaldo Barreto, tudo aquilo que tem a ver com a educação, com o Município e o Estado, não encontro nenhum tipo de dificuldade. No entanto, a educação infantil é só com o Município. E pelo fato do atendimento à criança dos 0 aos 5 anos, do ponto de vista per capita, a situação de Salvador é uma das piores das capitais brasileiras, é que nós estamos – sem perder de vista o fundamental – dando ênfase muito forte na educação infantil. Então aí, é o que você falou, realmente o governo federal, através do Pró-Infância, do Brasil Carinhoso, através do FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação] e de diversos fundos, tem ajudado de toda forma, pela necessidade que o Município tem. Então o prefeito definiu no seu planejamento estratégico a construção de 100 centros de educação infantil [CMEIs] até 2016. Esses daí, o governo federal paga a construção. Cabe ao Município o terreno, fazer a sondagem, a topografia, a terraplenagem e passar para a União, e a União ajuda a fazer a obra. O recurso que é passado é para fazer a obra está indo para os centros de educação infantil, mas cada município diz. Por isso também que a União exige um padrão, que é 40x70, que dá 2800 metros quadrados. Vocês podem imaginar a dificuldade que a gente tem de encontrar terrenos nessas condições nos bairros periféricos e do Subúrbio de Salvador: infelizmente, as áreas que não estão ocupadas, são de tamanho menor ou tem muita declividade, ou seja, muito irregular, e o custo de uma regularização dessa acaba sendo muito maior do que construir a escola municipal. Essa é a dificuldade maior, por isso que o Município colocou o chamamento na mídia para terrenos e imóveis. Diante de tanta dificuldade, é o que se está fazendo para tentar minimizar. Seria um pouco de irresponsabilidade nossa dizer: ‘isso só vai ficar pronto em 2016, então vamos ficar de braços cruzados, esperando chegar’...
Começamos falando de avaliação, Ideb, a parte da educação básica. E nós temos também a educação infantil, que é dos 0 aos 5 anos. Na nova legislação, cabe aos municípios a chamada educação básica, que é a infantil e a fundamental; ao Estado, o Ensino Médio; e à União, a Superior. Evidente que essas coisas ainda não estão todas arrumadinhas, em alguns municípios você tem isso tudo já feito, Salvador ainda não. Eu diria que o Fundamental II nós só comandamos aí 10%, 90% ainda está com o Estado. Do Fundamental I, é o inverso, já temos quase 90% e o Estado ainda está com 10%. Temos uma relação totalmente tranquila com o secretário [do Estado], Osvaldo Barreto, tudo aquilo que tem a ver com a educação, com o Município e o Estado, não encontro nenhum tipo de dificuldade. No entanto, a educação infantil é só com o Município. E pelo fato do atendimento à criança dos 0 aos 5 anos, do ponto de vista per capita, a situação de Salvador é uma das piores das capitais brasileiras, é que nós estamos – sem perder de vista o fundamental – dando ênfase muito forte na educação infantil. Então aí, é o que você falou, realmente o governo federal, através do Pró-Infância, do Brasil Carinhoso, através do FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação] e de diversos fundos, tem ajudado de toda forma, pela necessidade que o Município tem. Então o prefeito definiu no seu planejamento estratégico a construção de 100 centros de educação infantil [CMEIs] até 2016. Esses daí, o governo federal paga a construção. Cabe ao Município o terreno, fazer a sondagem, a topografia, a terraplenagem e passar para a União, e a União ajuda a fazer a obra. O recurso que é passado é para fazer a obra está indo para os centros de educação infantil, mas cada município diz. Por isso também que a União exige um padrão, que é 40x70, que dá 2800 metros quadrados. Vocês podem imaginar a dificuldade que a gente tem de encontrar terrenos nessas condições nos bairros periféricos e do Subúrbio de Salvador: infelizmente, as áreas que não estão ocupadas, são de tamanho menor ou tem muita declividade, ou seja, muito irregular, e o custo de uma regularização dessa acaba sendo muito maior do que construir a escola municipal. Essa é a dificuldade maior, por isso que o Município colocou o chamamento na mídia para terrenos e imóveis. Diante de tanta dificuldade, é o que se está fazendo para tentar minimizar. Seria um pouco de irresponsabilidade nossa dizer: ‘isso só vai ficar pronto em 2016, então vamos ficar de braços cruzados, esperando chegar’...
Seria o [programa] Primeiro Passo?
Eu diria que sim, mas após a questão de comprar o terreno e fazer a obra, partimos também para aluguel de imóveis, os imóveis que a gente comprar que possam ser adequados para ajustar às condições da educação infantil do 0 aos 3 anos, a chamada creche; e o 4 a 5 anos, a pré-escola. Então, alguma coisa que a gente puder fazer, se puder faz de tudo. Se não, a gente tem que avisar, até por causa das crianças menores, e alugar imóveis seria um meio termo para ter a escola pronta do jeito que a gente quer. O outro é o conveniamento com as chamadas escolas comunitárias. Quando o Município faz convênio com a escola comunitária, já assegura a alimentação. E a conveniada com o Município pode entrar no Censo Escolar do MEC e pode pleitear o recurso, que pode atender sua despesa na área de serviços e salários, mas não atende na área de alimento e bens permanentes. Isso é uma mão na roda para as escolas comunitárias, no entanto, você pode ter um ou outro caso diferente, mas são pessoas que estão fazendo um esforço pessoal enorme, que botam muitas vezes o seu próprio sustento para manter aquilo funcionando. Ao mesmo tempo em que se reconhece todo aquele esforço, se reconhece a dificuldade que elas têm de poder estar fazendo isso e está com a documentação em dia, com tudo estruturado. Muitas vezes não pode comprar uma coisa não é porque não quis, é porque não pode. Porém na hora da prestação de contas, nós temos que atender ao Ministério Público e isso é difícil. Então o que fizemos? Criamos um Núcleo Interdisciplinar que tem juristas, contadores e assistentes sociais. Esse núcleo está ficando, fisicamente, na Superintendência de Políticas para Mulheres (SPM), que a demanda maior é só de mulheres praticamente. E não contente com isso, nós fizemos uma espécie de mutirão, do dia 24 de setembro ao dia 29 de outubro, passando pelas onze coordenações regionais, com a relação de todas as escolas comunitárias que tinha em cada uma. Avisaram a todas elas com 15 dias de antecedência para encontrar com esse pessoal nosso, que ficaram esperando na sede da superintendência, como em todas as regionais, para o pessoal orientar sobre documento, tudo que ela precisa para ser conveniada, tem que ter utilidade pública municipal. Também teve esse período eleitoral, que cria uma dificuldade de funcionar, enfim, tanta coisa. Tudo isso para poder ajustar para poder fazer o convênio. E por que entrar no censo? Esse esforço foi feito no início da administração ACM Neto, quando existiam, conveniadas com o Município, menos de 30. Hoje estamos com 92, 93. A gente pretende ampliar isso, esse trabalho vai continuar, buscando exatamente isso: ajustou na questão da merenda, do professor, e para as informações estarem contidas, tem que ter o aval do Conselho da Educação. Estou dizendo tudo isso para dizer que as escolas comunitárias tem um valor, porque esse cuidado está sendo feito. Participei no mês passado da formação de 53 professores de escolas comunitárias na Universidade Federal da Bahia, na Faculdade de Educação, como pedagogas. Quer dizer, esse esforço que a gente está fazendo é porque aumenta o número de matrículas? Não, aumentou nosso número, mas tendo qualidade. Logo depois dessa formatura, fiz contatos com a Capes em Brasília, e já estão preparando uma nova turma. Nesse caso agora, nós estamos trabalhando com a possibilidade de uma verba, de uma bolsa de um salário mínimo para essas professoras que estão trabalhando, que estão estudando, para fazer de alguma forma que mesmo depois de formadas elas continuem ao menos dois anos nas escolas comunitárias. Porque depois de preparadas, estimuladas, ela começa a ter convites diferenciados, em condição de poder atender melhor. Uma coisa que funcionou bem é a colocação de dirigentes dessas escolas. Quer dizer que ela é professora, mas também é dirigente, participando disso, para também ter essa qualificação. E aí, se não tiver o terreno, ou está alugada, ou conveniada, ou o Primeiro Passo. O [programa] Primeiro Passo foi muito mais centrado nas pessoas mais carentes, que estão no Bolsa Família, que tem filho de 0 a 5 anos, e esse filho não está nem na rede municipal, nem na rede conveniada, tem direito a entrar no Primeiro Passo. E aí, a despeito de falar sobre o auxílio financeiro, eu prefiro falar nisso por último. Acho o mais importante do Primeiro Passo é você ter assegurado àquela criança que ela vai ter prioridade no atendimento periódico de esporte e saúde. No programa fazem parte saúde, assistência social, e educação. Ela [a criança] tem o cartãozinho que ela pode chegar nos postos de saúde do Município e ela tem prioridade no atendimento, para evitar aquilo que acontece na prática hoje: ou a família fica desatenta e não leva, como deve levar, e leva na hora problema, e aí tem dificuldade de atendimento; ou a pessoa está levando no horário certo e os postos não estão dando atendimento que deviam dar. Então isso vai garantir para essas crianças que ela vai ter a avaliação periódica da Saúde que ela deve ter. E outra coisa importante, que aí seria a secretaria de promoção social, é um trabalho periódico com as famílias das crianças que estão no Primeiro Passo. Conversar com a família sobre a questão da alimentação, da higiene, sobre as questões muito necessárias para se tratar sobre um bebê, praticamente, 0 a 2 anos, e a criança até os 5 anos. E além disso tudo tem o auxílio financeiro de R$ 50, a família podendo ter até três crianças com essa faixa etária. Esse é o esforço hercúleo que está sendo feito, no planejamento estratégico do Município prevê a criação de 30 novas mil vagas até 2016, e a expectativa que a gente tem é de exatamente isso, com a construção de escolas, o aluguel de imóveis, com as escolas conveniadas, e com o Primeiro Passo, se dê o mínimo de condições a essas crianças do 0 aos 5 anos. Eu não tenho dúvida, por isso que eu digo que não é amanhã isso. Mas se ele puder começar do 0 a 5 anos no atendimento às crianças de Salvador, quando chegar à alfabetização, com seis anos, aquele problema na 1ª, 2ª, 3ª série vai deixar de existir. Quantas crianças estão fazendo alguma coisa do 0 aos 5 anos agora? Muito pouco. Não chegamos a 30% da demanda de Salvador. É por isso que eu digo, é um trabalho continuado.
Eu diria que sim, mas após a questão de comprar o terreno e fazer a obra, partimos também para aluguel de imóveis, os imóveis que a gente comprar que possam ser adequados para ajustar às condições da educação infantil do 0 aos 3 anos, a chamada creche; e o 4 a 5 anos, a pré-escola. Então, alguma coisa que a gente puder fazer, se puder faz de tudo. Se não, a gente tem que avisar, até por causa das crianças menores, e alugar imóveis seria um meio termo para ter a escola pronta do jeito que a gente quer. O outro é o conveniamento com as chamadas escolas comunitárias. Quando o Município faz convênio com a escola comunitária, já assegura a alimentação. E a conveniada com o Município pode entrar no Censo Escolar do MEC e pode pleitear o recurso, que pode atender sua despesa na área de serviços e salários, mas não atende na área de alimento e bens permanentes. Isso é uma mão na roda para as escolas comunitárias, no entanto, você pode ter um ou outro caso diferente, mas são pessoas que estão fazendo um esforço pessoal enorme, que botam muitas vezes o seu próprio sustento para manter aquilo funcionando. Ao mesmo tempo em que se reconhece todo aquele esforço, se reconhece a dificuldade que elas têm de poder estar fazendo isso e está com a documentação em dia, com tudo estruturado. Muitas vezes não pode comprar uma coisa não é porque não quis, é porque não pode. Porém na hora da prestação de contas, nós temos que atender ao Ministério Público e isso é difícil. Então o que fizemos? Criamos um Núcleo Interdisciplinar que tem juristas, contadores e assistentes sociais. Esse núcleo está ficando, fisicamente, na Superintendência de Políticas para Mulheres (SPM), que a demanda maior é só de mulheres praticamente. E não contente com isso, nós fizemos uma espécie de mutirão, do dia 24 de setembro ao dia 29 de outubro, passando pelas onze coordenações regionais, com a relação de todas as escolas comunitárias que tinha em cada uma. Avisaram a todas elas com 15 dias de antecedência para encontrar com esse pessoal nosso, que ficaram esperando na sede da superintendência, como em todas as regionais, para o pessoal orientar sobre documento, tudo que ela precisa para ser conveniada, tem que ter utilidade pública municipal. Também teve esse período eleitoral, que cria uma dificuldade de funcionar, enfim, tanta coisa. Tudo isso para poder ajustar para poder fazer o convênio. E por que entrar no censo? Esse esforço foi feito no início da administração ACM Neto, quando existiam, conveniadas com o Município, menos de 30. Hoje estamos com 92, 93. A gente pretende ampliar isso, esse trabalho vai continuar, buscando exatamente isso: ajustou na questão da merenda, do professor, e para as informações estarem contidas, tem que ter o aval do Conselho da Educação. Estou dizendo tudo isso para dizer que as escolas comunitárias tem um valor, porque esse cuidado está sendo feito. Participei no mês passado da formação de 53 professores de escolas comunitárias na Universidade Federal da Bahia, na Faculdade de Educação, como pedagogas. Quer dizer, esse esforço que a gente está fazendo é porque aumenta o número de matrículas? Não, aumentou nosso número, mas tendo qualidade. Logo depois dessa formatura, fiz contatos com a Capes em Brasília, e já estão preparando uma nova turma. Nesse caso agora, nós estamos trabalhando com a possibilidade de uma verba, de uma bolsa de um salário mínimo para essas professoras que estão trabalhando, que estão estudando, para fazer de alguma forma que mesmo depois de formadas elas continuem ao menos dois anos nas escolas comunitárias. Porque depois de preparadas, estimuladas, ela começa a ter convites diferenciados, em condição de poder atender melhor. Uma coisa que funcionou bem é a colocação de dirigentes dessas escolas. Quer dizer que ela é professora, mas também é dirigente, participando disso, para também ter essa qualificação. E aí, se não tiver o terreno, ou está alugada, ou conveniada, ou o Primeiro Passo. O [programa] Primeiro Passo foi muito mais centrado nas pessoas mais carentes, que estão no Bolsa Família, que tem filho de 0 a 5 anos, e esse filho não está nem na rede municipal, nem na rede conveniada, tem direito a entrar no Primeiro Passo. E aí, a despeito de falar sobre o auxílio financeiro, eu prefiro falar nisso por último. Acho o mais importante do Primeiro Passo é você ter assegurado àquela criança que ela vai ter prioridade no atendimento periódico de esporte e saúde. No programa fazem parte saúde, assistência social, e educação. Ela [a criança] tem o cartãozinho que ela pode chegar nos postos de saúde do Município e ela tem prioridade no atendimento, para evitar aquilo que acontece na prática hoje: ou a família fica desatenta e não leva, como deve levar, e leva na hora problema, e aí tem dificuldade de atendimento; ou a pessoa está levando no horário certo e os postos não estão dando atendimento que deviam dar. Então isso vai garantir para essas crianças que ela vai ter a avaliação periódica da Saúde que ela deve ter. E outra coisa importante, que aí seria a secretaria de promoção social, é um trabalho periódico com as famílias das crianças que estão no Primeiro Passo. Conversar com a família sobre a questão da alimentação, da higiene, sobre as questões muito necessárias para se tratar sobre um bebê, praticamente, 0 a 2 anos, e a criança até os 5 anos. E além disso tudo tem o auxílio financeiro de R$ 50, a família podendo ter até três crianças com essa faixa etária. Esse é o esforço hercúleo que está sendo feito, no planejamento estratégico do Município prevê a criação de 30 novas mil vagas até 2016, e a expectativa que a gente tem é de exatamente isso, com a construção de escolas, o aluguel de imóveis, com as escolas conveniadas, e com o Primeiro Passo, se dê o mínimo de condições a essas crianças do 0 aos 5 anos. Eu não tenho dúvida, por isso que eu digo que não é amanhã isso. Mas se ele puder começar do 0 a 5 anos no atendimento às crianças de Salvador, quando chegar à alfabetização, com seis anos, aquele problema na 1ª, 2ª, 3ª série vai deixar de existir. Quantas crianças estão fazendo alguma coisa do 0 aos 5 anos agora? Muito pouco. Não chegamos a 30% da demanda de Salvador. É por isso que eu digo, é um trabalho continuado.

Na proposta da Lei Orçamentária Anual, o orçamento em 2015 vai diminuir. O vereador Hilton Coelho avaliou que a educação infantil vai ser prejudicada nesse possível corte de despesa da prefeitura. Como trabalhar com isso considerando a ideia de expandir essas políticas?
Está havendo agora pela manhã [a entrevista foi concedida na última quinta-feira (6)], inclusive, uma audiência pública na Câmara de Vereadores, da Comissão de Educação, em razão de muitos eventos, eu já tinha me comprometido antes, e não pude ir, mas estou sendo representado lá. Na verdade, a gente até discutiu isso lá quando apresentamos ontem. O que aconteceu é que havia uma expectativa muito grande com relação ao orçamento de 2014, que tudo isso que a gente está falando aqui pudesse começar logo no início do ano, e os recursos que foram previstos naquele momento, que está parecendo que está mais do que o previsto para 2015, se imaginou que dentro do próprio andamento dos processos – fazer projeto, licitação do projeto, projeto ficou pronto, licitar a obra, a obra ficar pronta e começar a construção – houve um cuidado da nossa parte de prever que isso poderia estar acontecendo a partir de julho. Infelizmente, a dificuldade de encontrar um terreno, de estar desenvolvendo essas ações na velocidade que a gente quer, fez com que, do que estava previsto, não pudesse ser atendido. Então, com essa realidade conhecida pela gente este ano, ajustamos o orçamento de 2015, que em nenhum momento deixa de prever a metafísica que nós queremos. O valor é menor do que o daqui, porque o daqui, infelizmente, nós não conseguimos atingir. Foi feita a licitação da reforma de cerca de 21 escolas municipais – essas que estou dizendo agora não estão entre as 87, essas estão em andamento normal, mas dessas, teve 42 que a gente programou 21 para esse ano e 21 para o próximo – que não têm condição de reforma, têm que ser demolida e reconstruída. Essas a gente está fazendo dentro do RDC [Regime Direto de Construção], que é um sistema em que você ganha tempo. Em vez de você fazer o contrato do projeto, é o contrato pacote, aí ela faz o projeto básico e apresenta os projetos básicos, setoriais, de energia, de água... Vai fazendo e construindo, tudo ao mesmo tempo. Isso na verdade, está tudo solicitado, mas, até começar, normalmente as primeiras medições são muito pequenas. Então aquele volume que a gente deixou em 2014, acreditando que isso poderia estar em uma velocidade maior no segundo semestre, não aconteceu. Eu tenho que deixar claro que não haverá nenhum prejuízo, foi [em 2014] uma estimativa a mais, mas que não era responsável, porque a gente teve tanta dificuldade na identificação dos terrenos, nós temos 41 CMEIs já autorizados pelo próprio FNDE.
Está havendo agora pela manhã [a entrevista foi concedida na última quinta-feira (6)], inclusive, uma audiência pública na Câmara de Vereadores, da Comissão de Educação, em razão de muitos eventos, eu já tinha me comprometido antes, e não pude ir, mas estou sendo representado lá. Na verdade, a gente até discutiu isso lá quando apresentamos ontem. O que aconteceu é que havia uma expectativa muito grande com relação ao orçamento de 2014, que tudo isso que a gente está falando aqui pudesse começar logo no início do ano, e os recursos que foram previstos naquele momento, que está parecendo que está mais do que o previsto para 2015, se imaginou que dentro do próprio andamento dos processos – fazer projeto, licitação do projeto, projeto ficou pronto, licitar a obra, a obra ficar pronta e começar a construção – houve um cuidado da nossa parte de prever que isso poderia estar acontecendo a partir de julho. Infelizmente, a dificuldade de encontrar um terreno, de estar desenvolvendo essas ações na velocidade que a gente quer, fez com que, do que estava previsto, não pudesse ser atendido. Então, com essa realidade conhecida pela gente este ano, ajustamos o orçamento de 2015, que em nenhum momento deixa de prever a metafísica que nós queremos. O valor é menor do que o daqui, porque o daqui, infelizmente, nós não conseguimos atingir. Foi feita a licitação da reforma de cerca de 21 escolas municipais – essas que estou dizendo agora não estão entre as 87, essas estão em andamento normal, mas dessas, teve 42 que a gente programou 21 para esse ano e 21 para o próximo – que não têm condição de reforma, têm que ser demolida e reconstruída. Essas a gente está fazendo dentro do RDC [Regime Direto de Construção], que é um sistema em que você ganha tempo. Em vez de você fazer o contrato do projeto, é o contrato pacote, aí ela faz o projeto básico e apresenta os projetos básicos, setoriais, de energia, de água... Vai fazendo e construindo, tudo ao mesmo tempo. Isso na verdade, está tudo solicitado, mas, até começar, normalmente as primeiras medições são muito pequenas. Então aquele volume que a gente deixou em 2014, acreditando que isso poderia estar em uma velocidade maior no segundo semestre, não aconteceu. Eu tenho que deixar claro que não haverá nenhum prejuízo, foi [em 2014] uma estimativa a mais, mas que não era responsável, porque a gente teve tanta dificuldade na identificação dos terrenos, nós temos 41 CMEIs já autorizados pelo próprio FNDE.
O orçamento de 2015 seria então mais baseado em dados da realidade?
Exatamente, é isso aí.
Exatamente, é isso aí.
O senhor assumiu em agosto de 2013, bem próximo de estourar uma operação da Polícia Civil que envolvia convênios da secretaria municipal de Educação e a Fundação Pierre Bourdier. O Ministério Público indicou alguns problemas no convênio. Ao assumir a secretaria, foi verificado algum tipo de irregularidade na contratação de convênios e qual foi o andamento a partir dessas eventuais irregularidades que foram identificadas na Pierre Bourdier, mas que podem ter acontecido com outros convênios?
Existia uma prática na administração anterior de você ter essas contratações de maneira isolada, por secretarias. Estou falando isso porque hoje tudo é feito de maneira sistêmica e a secretaria de Gestão é quem coordena tudo isso, cabe as secretarias fins dar as informações, e depois, aquilo que couber a cada um, ele sanar. Na verdade, esse convênio ao qual você está se referindo, antes mesmo de 2013, no segundo semestre de 2012 já tinha sido extinto. Tanto é que quando assumiu o prefeito ACM Neto, já eram pagas as pessoas que estavam nesse convênio através do Ministério Público, de um sistema totalmente diferenciado do que está. Essa instituição já estava fora de ação, vamos dizer assim. Evidente que as investigações continuaram desde então e chegou ao ponto, como você mesmo disse, depois de eu ter assumido, uma semana depois, houve todas aquelas questões. Na verdade, como disse, todos os pagamentos e repasses eram feitos por Ministério Público do Trabalho, que estavam nos acompanhando, como já havia sido feito desde o início da administração, e continuou assim. No final do ano de 2013, todas essas, tudo aquilo que existia algum tipo de pendência, foi tudo extinto. E todos os contratos de terceirização, de todo tipo de serviço, foram extintos das diversas secretarias, e a partir do ano de 2014 todas elas são feitas de maneira sistêmica pela Secretaria de Gestão. Então, na verdade, a gente não teve nenhum tipo de envolvimento com o pessoal, nesse sentido. Tive, logicamente, contatos com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas, todas as pendências que a gente teve, tivemos a condição de assumir e de honrar esses compromissos, nós tivemos a possibilidade de chamar, inclusive, muitos professores que eram do concurso de 2010 – e o fato de existir a necessidade, e de eles já estarem concursados, a gente pode fazer esse chamamento. Então nós temos oportunidade de já ter encontrado uma situação saneada, do ponto de vista do envolvimento dessas instituições com a secretaria, e que nos deu condição de poder alocar, sem nenhum problema. Eu queria dizer uma coisinha que eu acho que é importante. O prefeito falou muito na campanha, e todos candidatos falaram muito, das escolas de tempo integral. Se vocês me perguntassem: ‘tem quantas de tempo integral?’. São 12 escolas de tempo integral. Tudo que está sendo construído hoje novo, tudo que está sendo derrubado para reconstruir, estão todas sendo feitas no padrão de tempo integral. O que é o padrão de tempo integral? É a escola que tenha mais que a sala de aula. Não é justo que você prenda a criança os dois turnos dentro da sala de aula. Então tem que ter uma quadra de esporte, uma condição dela poder brincar, para ela poder fazer alguma coisa. A ideia de encontrar tudo, na minha visão, tem muito mais o objetivo de tirar a criança da rua. O que ela vai fazer lá dentro? Se ela puder praticar esporte, cultura, ótimo. Se ela puder fazer um reforçozinho em alguma matéria, que no ensino convencional não está bem, é muito bom. Então, essa decisão, quando cheguei, já encontrei, mas abracei, porque achei justo, que é a construção do centro de educação integral. O que é isso? Enquanto a gente não consegue ter as 425 escolas ou mais que vão começar a existir por aí, em tempo integral; a decisão que encontrei já tomada era de que você fizesse seis Centros de Educação Integral. Esses seis centros seriam seis unidades, que, para vocês terem uma ideia, estamos trabalhando em áreas de cerca de 10 mil metros quadrados, onde vai ter todo um arcabouço voltado para a cultura e para o esporte. Ou vai ter um teatro, vai ter um ginásio de esporte, ou vai ter área de lazer para essas crianças. A ideia é que quem estude de manhã, venha de tarde para aqui, ou quem estude de tarde, venha de manhã para cá. E vai ter o sistema de ônibus. Então o CEI, que fica neste ponto, as escolas no entorno desse CEI e que não tem tempo integral, fariam contraturno aqui no CEI. A expectativa que a gente tem, nós estamos licitando esse ano já os três primeiros, e no próximo ano mais três. A ideia é que esses três fiquem prontos no próximo ano, que é um equipamento grande, e os outros três também no final do outro ano. Mas a ideia é fechar 2016 com seis funcionando. E também estamos usando RDC para poder dar mais velocidade. A expectativa é de que o aluno venha da escola, tome seu banho, tome seu almoço, que ele brinque, e que em algum momento lá, olha, vem aqui, vai ter um reforçozinho aqui, de matemática, por exemplo. E que ele pode aprender uma língua, que a gente ofereça a ele inglês e espanhol, que ele possa ter informações, tem laboratório de informática, ele ter digitalizado todo o sistema dali. Você pode me perguntar: ‘o que você está vendo com isso?’. É a oportunidade das nossas crianças poderem conhecer mais um pouco o que acontece no mundo, e quando elas estão saindo do Fundamental II, que é o final do nosso momento, elas possam querer fazer o segundo grau, um profissionalizante, ‘quero trabalhar em tal coisa’. E também poder dar algumas noções do que pode se fazer dentro disso. Tem muito a ver com Anísio Teixeira. Aquela ideia da Escola Parque, não é muito diferente, quer dizer, não estamos inventando nada. Lógico, quando você tiver com todas as escolas de tempo integral, ótimo, mas enquanto não tiver, o CEI será essas condições para nossos alunos.
Existia uma prática na administração anterior de você ter essas contratações de maneira isolada, por secretarias. Estou falando isso porque hoje tudo é feito de maneira sistêmica e a secretaria de Gestão é quem coordena tudo isso, cabe as secretarias fins dar as informações, e depois, aquilo que couber a cada um, ele sanar. Na verdade, esse convênio ao qual você está se referindo, antes mesmo de 2013, no segundo semestre de 2012 já tinha sido extinto. Tanto é que quando assumiu o prefeito ACM Neto, já eram pagas as pessoas que estavam nesse convênio através do Ministério Público, de um sistema totalmente diferenciado do que está. Essa instituição já estava fora de ação, vamos dizer assim. Evidente que as investigações continuaram desde então e chegou ao ponto, como você mesmo disse, depois de eu ter assumido, uma semana depois, houve todas aquelas questões. Na verdade, como disse, todos os pagamentos e repasses eram feitos por Ministério Público do Trabalho, que estavam nos acompanhando, como já havia sido feito desde o início da administração, e continuou assim. No final do ano de 2013, todas essas, tudo aquilo que existia algum tipo de pendência, foi tudo extinto. E todos os contratos de terceirização, de todo tipo de serviço, foram extintos das diversas secretarias, e a partir do ano de 2014 todas elas são feitas de maneira sistêmica pela Secretaria de Gestão. Então, na verdade, a gente não teve nenhum tipo de envolvimento com o pessoal, nesse sentido. Tive, logicamente, contatos com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas, todas as pendências que a gente teve, tivemos a condição de assumir e de honrar esses compromissos, nós tivemos a possibilidade de chamar, inclusive, muitos professores que eram do concurso de 2010 – e o fato de existir a necessidade, e de eles já estarem concursados, a gente pode fazer esse chamamento. Então nós temos oportunidade de já ter encontrado uma situação saneada, do ponto de vista do envolvimento dessas instituições com a secretaria, e que nos deu condição de poder alocar, sem nenhum problema. Eu queria dizer uma coisinha que eu acho que é importante. O prefeito falou muito na campanha, e todos candidatos falaram muito, das escolas de tempo integral. Se vocês me perguntassem: ‘tem quantas de tempo integral?’. São 12 escolas de tempo integral. Tudo que está sendo construído hoje novo, tudo que está sendo derrubado para reconstruir, estão todas sendo feitas no padrão de tempo integral. O que é o padrão de tempo integral? É a escola que tenha mais que a sala de aula. Não é justo que você prenda a criança os dois turnos dentro da sala de aula. Então tem que ter uma quadra de esporte, uma condição dela poder brincar, para ela poder fazer alguma coisa. A ideia de encontrar tudo, na minha visão, tem muito mais o objetivo de tirar a criança da rua. O que ela vai fazer lá dentro? Se ela puder praticar esporte, cultura, ótimo. Se ela puder fazer um reforçozinho em alguma matéria, que no ensino convencional não está bem, é muito bom. Então, essa decisão, quando cheguei, já encontrei, mas abracei, porque achei justo, que é a construção do centro de educação integral. O que é isso? Enquanto a gente não consegue ter as 425 escolas ou mais que vão começar a existir por aí, em tempo integral; a decisão que encontrei já tomada era de que você fizesse seis Centros de Educação Integral. Esses seis centros seriam seis unidades, que, para vocês terem uma ideia, estamos trabalhando em áreas de cerca de 10 mil metros quadrados, onde vai ter todo um arcabouço voltado para a cultura e para o esporte. Ou vai ter um teatro, vai ter um ginásio de esporte, ou vai ter área de lazer para essas crianças. A ideia é que quem estude de manhã, venha de tarde para aqui, ou quem estude de tarde, venha de manhã para cá. E vai ter o sistema de ônibus. Então o CEI, que fica neste ponto, as escolas no entorno desse CEI e que não tem tempo integral, fariam contraturno aqui no CEI. A expectativa que a gente tem, nós estamos licitando esse ano já os três primeiros, e no próximo ano mais três. A ideia é que esses três fiquem prontos no próximo ano, que é um equipamento grande, e os outros três também no final do outro ano. Mas a ideia é fechar 2016 com seis funcionando. E também estamos usando RDC para poder dar mais velocidade. A expectativa é de que o aluno venha da escola, tome seu banho, tome seu almoço, que ele brinque, e que em algum momento lá, olha, vem aqui, vai ter um reforçozinho aqui, de matemática, por exemplo. E que ele pode aprender uma língua, que a gente ofereça a ele inglês e espanhol, que ele possa ter informações, tem laboratório de informática, ele ter digitalizado todo o sistema dali. Você pode me perguntar: ‘o que você está vendo com isso?’. É a oportunidade das nossas crianças poderem conhecer mais um pouco o que acontece no mundo, e quando elas estão saindo do Fundamental II, que é o final do nosso momento, elas possam querer fazer o segundo grau, um profissionalizante, ‘quero trabalhar em tal coisa’. E também poder dar algumas noções do que pode se fazer dentro disso. Tem muito a ver com Anísio Teixeira. Aquela ideia da Escola Parque, não é muito diferente, quer dizer, não estamos inventando nada. Lógico, quando você tiver com todas as escolas de tempo integral, ótimo, mas enquanto não tiver, o CEI será essas condições para nossos alunos.
