Pedro Galvão cita a requalificação da Baía de Todos-os-Santos e do turismo náutico como prioridades da sua curta gestão - 03/02/2014
Recém-empossado secretário estadual de Turismo, o empresário Pedro Galvão anunciou que a pasta terá uma nova superintendência, para tentar evitar o retorno de recursos federais aos cofres da União por falta ou atraso na apresentação de projetos. “Há um número enorme de secretarias com demandas na Conder. E às vezes demora. Agora, não. Estamos instalando uma superintendência chamada Suinfra, Superintendência de Infraestrutura, onde teremos condição inclusive de tocar obras”, disse. Indicado pelo PR para assumir a Setur, Galvão calcula ter o apoio de “95% do trade turístico” e cita a requalificação da Baía de Todos-os-Santos e do turismo náutico como prioridades da sua curta gestão, embora reconheça que o objetivo é dar apenas o pontapé inicial. “O nosso principal projeto, e que não vai ser feito na minha administração porque não há condição, é a requalificação da Baía de Todos-os-Santos e o turismo náutico, que abandonamos durante um tempo”, admitiu. De acordo com o secretário, a reforma do Centro de Convenções será uma das iniciativas mais imediatas, com R$ 10 milhões disponíveis para tal. Chegado ao governo há pouco tempo, Galvão minimiza o corte de recursos destinados ao setor no orçamento e evita muitas críticas ao antecessor, Domingos Leonelli, para quem dá “nota 8”. “Só quem não é erra é quem não trabalha. Houve alguns desacertos, projetos que não chegaram até o fim. Não sei se por culpa dele, não vou analisá-lo, até porque pode acontecer o mesmo comigo”, afirma. Sobre a possibilidade de permanecer à frente da pasta, caso convidado após uma possível vitória do grupo político adversário, Galvão deixa as portas abertas. “Eu não tenho esse negócio, não. Se Geddel resolver e o meu partido permitir...”, conclui.

Bahia Notícias - O que muda no comando da pasta com a saída de um nome político e a entrada de um nome técnico?
Pedro Galvão - A mudança não é exatamente assim. Porque todo homem que vai para uma empresa pública, uma secretaria, tem o viés político. Eu sempre fiz política empresarial. Então, eu também tenho esse viés político, com relacionamentos na classe política, o que facilita todas as ações que uma secretaria pode tomar.
BN - Em termos de trabalho, o que essa aproximação maior com o trade turístico que o senhor tem pode facilitar?
PG - Isso é importante demais por uma razão. Porque é o trade turístico que sente na pele os problemas que estão acontecendo e traz as soluções. A amizade, a confiança, o companheirismo criado entre nós é importante. Eu tenho praticamente a unanimidade; não vou dizer a unanimidade porque a unanimidade é burra. Talvez eu tenha 95% do trade turístico do meu lado.
BN - O senhor disse que pretendia aproximar a secretaria do Ministério do Turismo. Qual é a sua avaliação da relação que Domingos Leonelli construiu com o ministério e qual o seu planejamento?
PG - Leonelli construiu uma boa ponte, tanto que nós temos projetos maravilhosos que estamos assinando com o BID, através do ministério. Mas nós temos condições de aproximar mais. Antes de vir para a secretaria, eu era vice-presidente de relações institucionais da Abav nacional. E participei de todas as reuniões do Conselho Nacional de Turismo, que reúne as lideranças de todo o Brasil em cada área: hotelaria, agências de viagens, aviação. Lá se trocam informações muito seguras. Hoje, tenho uma boa aproximação com o ministro e toda a diretoria. E tive condições de saber o que o ministério realmente pretende a curto, médio e longo prazo, para levar as nossas reivindicações.
BN - Em meados do ano passado, o então secretário nacional do Ministério do Turismo, Fábio Mota, denunciou que a Setur tinha devolvido R$ 27 milhões que foram dados pela União para obras de requalificação no Pelourinho. O projeto tinha que ser entregue em dois anos para avaliação e isso não ocorreu. O senhor está a par desse tipo de situação, de outras verbas que ficaram “presas”?
PG - Nós tínhamos uma dificuldade. Felizmente, o governador Jaques [Wagner] teve a visão de criar dentro da secretaria uma Superintendência de Obras. Porque todo o estado tem que fazer as suas obras através da Conder. E há um número enorme de secretarias com demandas na Conder. E às vezes demora. Agora, não. Estamos instalando uma superintendência chamada Suinfra, Superintendência de Infraestrutura, onde teremos condição inclusive de tocar obras. Vamos fazer agora a obra do Centro de Convenções. Esse dinheiro não vai retornar ao ministério. Vamos fazer inclusive a refrigeração no terceiro piso.
BN - O Centro de Convenções é um ponto de muita descrença de quem utiliza. Há muito tempo se fala em reforma, ampliação, ar condicionado. Como o senhor vê o Centro de Convenções, o que a gente perde e qual é a garantia de que essa obra será feita?
PG - Mesmo na iniciativa privada, nós já vínhamos discutindo esse assunto. O Centro de Convenções é um belíssimo monumento, do ponto de vista arquitetônico, mas está localizado onde há a segunda maior salinização do Brasil. E como ele é feito de um material corrosivo, mesmo que se dê aquela manutenção normal que uma empresa licitada pode fazer, a gente de vez em quando precisa fazer uma grande requalificação. Agora, mesmo antes de o orçamento ser votado, nós vimos que havia recursos no Centro de Convenções, oriundos da locação dos seus espaços. Nós enxergamos que a primeira coisa a ser feita é fazer o que chamamos de agenda positiva. No pavilhão de feira, nós mandamos trocar as tubulações antigas. Os quatro elevadores e as oito escadas rolantes serão trocados. Já recebemos parte dos novos técnicos que precisamos, mas nós queremos muito mais.
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BN - Na sua avaliação, quanto precisaria para fazer tudo que é necessário?
PG - Eu precisaria ouvir um engenheiro, um técnico (risos). Com esses R$ 10 milhões dá para fazermos alguma coisa boa, que vai dar confiabilidade novamente ao nosso Centro de Convenções. Eu sei que, por força essa requalificação, que poderia ter sido feita um pouco antes, perdemos alguma coisa. Mas vamos ganhar adiante. Claro que o Centro de Convenções é o viés, mas aqueles que participam do evento forçam a vinda porque a Bahia continua sendo aquele lugar que todos querem vir.
BN - Em relação à Baía de Todos-os-Santos, foram anunciados R$ 208 milhões para requalificação. Como será isso?
PG - Há algum tempo, a secretaria preparou um projeto com recursos do BID, por meio do ministério, de U$ 84,5 milhões, que representavam há uns seis meses R$ 170 milhões. Como o dólar subiu, hoje já vai a R$ 208 milhões, talvez R$ 210 milhões. Esse dinheiro vem realmente a propósito e nós estamos forçando para correr, para que a assinatura aconteça agora em março. Foi uma luta muito grande, desde a minha chegada agora. A Baía de Todos-os-Santos era uma joia que estava um pouco esquecida. Como é que deixamos abandonada essa baía com 58 ilhas paradisíacas e municípios turísticos que a cercam? Esses recursos serão utilizados para requalificação dos píeres, do Museu Wanderley de Pinho, investimentos na foz do Paraguaçu.
BN - Algumas pessoas do setor de turismo náutico reclamam que Salvador, com a Baía de Todos-os-Santos, recebia muito pouco incentivo. Eles citaram como problemas principalmente a falta de marinas. Dentro dessa requalificação, existe um projeto para marinas? A gente aproveita algo de turismo náutico, fora os eventos esportivos?
PG - Sim, claro que sim. Mas esses recursos não são para fazer marinas. Em geral, você dá parte estrutura para que a iniciativa privada realize. Uma coisa depende da outra. Na hora que você requalifica, que o empresário começa a ver o movimento e o retorno dos eventos náuticos, o ambiente propício será gerado.
BN - Um dos principais atrativos turísticos da Bahia é o Carnaval de Salvador. Este ano, haverá exclusividade da venda de produtos. Na sua opinião, isso pode impactar de alguma forma no turismo, como por exemplo, no fato de o turista saber que só é vendida determinada marca de cerveja na festa?
PG - O Estado é quem mais gasta no Carnaval, em toda a Bahia. No Carnaval de Salvador, temos notícias de que serão investidos R$ 62 milhões. A prefeitura não gasta nem a metade disso. Porque tem segurança pública, saúde, o próprio investimento no Carnaval. Eu não acho que o turista fique impactado com o fato de ter o patrocínio de uma marca de cerveja ou de refrigerante. Não vejo por aí. Agora, isso também não pode ser radical. Tem que haver um equilíbrio. Que o poder público vá buscar o seu patrocínio, que é justo. Não podia continuar aquele título de segunda pior arrecadação do país entre as capitais. Com o trabalho que o prefeito vem fazendo, criando inclusive meios para que essa arrecadação aumente, o turismo será beneficiado porque ele vai realizar ações em locais onde interessam muito ao turismo.

BN - Recentemente, o governo anunciou que o fluxo de passageiros aumentou no aeroporto de Salvador em 48%, de acordo com uma pesquisa da Anac. Mas a capital baiana caiu da terceira para a sexta posição, porque todos os outros pesquisados tiveram um aumento muito superior. Como incrementar o fluxo no aeroporto de Salvador? Qual é o planejamento para torná-lo mais competitivo?
PG - Essa é uma das minhas maiores metas. Primeiro, porque quero aumentar o fluxo. E já conseguimos. Leonelli fez um bom trabalho com a Air Europa, com aquele voo a partir do dia 31 de março. Quatro voos que vinham de Madri, pousam em Salvador e vão concomitantemente a Córdoba, Montevidéu e Santiago. Já nessa administração, conseguimos a quinta frequência. Temos 24 voos internacionais, se não me falha a memória, mas precisamos pelo menos de 35. Vamos resgatar aquele voo direto de Salvador a Paris. Temos que sensibilizar o governo. Mesmo que se abra mão de parte do tributo do querosene para que o avião venha para cá, vale a pena. Não sou eu que vou fazer isso. Vou sensibilizar o governo.
BN - Já tem alguma reunião marcada com o Ministério do Turismo, Anac, Infraero para tratar dessa situação?
PG - Já está marcada uma reunião para esta semana com a Infraero, com o superintendente e os técnicos. Não pude marcar nada ainda porque assumi há poucos dias. Quando você assume, tem que arrumar a casa, saber quem é quem. Eu não tive nem tempo ainda de terminar essa arrumação que tem que ser feita. Não vou desmontar a secretaria, não cheguei com terra arrasada. Pelo viés político, estou representando o PR e sou filiado ao partido. Se a secretaria tinha a cara de outro partido, o PR agora vai querer a cara dele sem desmontar e mexer nos técnicos. Mas tão logo isso se resolva, eu preciso de uma reunião urgente com a Anac. Vou também a Brasília conversar com o Ministério do Turismo, porque uma das coisas que nós estamos trabalhando muito é o curso de capacitação. Eram previstos cerca de 3 mil novos capacitados, mas eu quero chegar a 5 mil, pelo menos.
BN - Um problema que a Bahia tem é a questão da malha viária, sempre foco de críticas da oposição. O ministro dos Transportes, César Borges, é do PR. O senhor acredita que isso vai facilitar esta questão rodoviária? O que existe de projeto para ser implementado?
PG - Eu tenho hoje pela presidente Dilma uma admiração maior do que tinha, pela vontade dela e pela nomeação do ministro César Borges. Hoje, quem vai a Brasília sabe que ele é o ministro mais atuante, o melhor ministro que ela tem no momento. Ele está preparando não só a Ferrovia Oeste-Leste, como várias estradas. Nós estamos imaginando ir buscar, até no Ministério do Turismo, recursos para estradas que interligam várias áreas do estado que estão precisando disso devido ao turismo. Acredito que o trabalho que César está fazendo no ministério e os planejamentos que vêm por aí farão a gente licitar alguma coisa até o final deste ano nesta área.
BN - O transporte ferroviário de passageiros é um desejo do senhor? Porque o ministro disse que não era uma prioridade...
PG - É um desejo nosso. Se não for prioridade para ele nesse momento, acredito que ele vai se sensibilizar quando mostrarmos que existe a demanda. Ele é muito sensível a uma conversa, um entendimento. Nós, do trade turístico, tivemos nele um verdadeiro interlocutor, maravilhoso. Atendeu a muitas reivindicações.
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BN - O senhor chegou a mencionar algumas ações para incentivar o turismo vindo Minas Gerais. O que está previsto?
PG - Não sei se eu vou conseguir, porque, de qualquer maneira, o secretário é um preposto do governador. O secretário pode ter as suas ideias, mas tem que ter a cara do governo e a vontade do governo. O governador tem uma coisa importante, que é a caneta. Nós temos vários destinos na Bahia. Mas uma coisa importante que nos falta e pode nos dar uma condição de alavancar o turismo é a Estrada Real. Acredito que a nova diretoria da Fieb vai abraçar conosco essa ideia. A Federação de Minas abraçou. A Estrada Real partia daquela época de Vila Velha e ia a Parati, depois ao Rio de Janeiro. Essa estrada passava por Rio de Contas, depois foi a Jacobina. Essa estrada existe até hoje, com pedras cabeça de afrodescendente [pedras conhecidas como cabeça de negro], para não sermos enquadrados. Nós temos que resgatá-la. Claro que não dá para fazer isso neste curto espaço de tempo que tenho, mas vou fazer muita coisa. Fui nomeado no dia 12 de janeiro para fazer um Carnaval no dia 5 de fevereiro, em 2005 [na Emtursa], me matei, perdi três quilos, mas fiz o maior Carnaval dos últimos tempos (risos).
BN - No começo da entrevista, o senhor falou em sensibilizar o governador e disse agora que tem um curto espaço de tempo. Houve um corte no orçamento do Turismo. O trade falou muito mal disso, a oposição também. O senhor acha que o governador poderia ter trabalhado esse ponto de forma diferente? Pretende pedir uma suplementação, uma ajuda maior, ao longo desse ano?
PG - Evidentemente que sim. Mas não houve corte só no Turismo. O governador é um homem preocupado: ele tem que chegar ao final do ano com as suas contas zeradas. É o seu último ano; ele não pode deixar restos a pagar para o próximo governo. Mesmo que seja Rui Costa. Mas eu ainda não perdi a esperança daquela verba dos royalties, que ainda será votada. Precisava de 38 votos e foram 37. Além disso, passaram de 2013 para 2014 alguns restos a pagar que algumas secretarias podem não querer executar. E nós estamos de olho nisso. O corte precisou ocorrer. Se o trade não ficou satisfeito na ocasião, eu não me importei com isso, mesmo porque eu sou muito ciente de que vou bater toda hora na porta do secretário Gabrielli e do secretário da Fazenda e dizer: ‘Olha, a minha secretaria precisa, estou trabalhando e se você tiver um pouquinho, me dê mais’. Quem sabe teremos um orçamento maior do que tivemos em 2013 (risos).
BN - O senhor assume a secretaria em um ano de Copa do Mundo. De que forma será feita a regulação do preço dos hotéis e dos serviços turísticos em geral?
PG - Evitar, não pode. Não há meios de obrigar o empresário a colocar sua tarifa x ou y. Nós vamos fazer com que ele entenda que isso aí é prejudicial para ele. Que nós podemos perder turistas com preços supercaros. Aqui na Bahia, a hotelaria se queixa de que ela teve que baixar muito as tarifas porque o número de hotéis aumentou muito. Nós não podemos obrigar; podemos induzir. Através de reuniões, mostrando que não é por aí. O governo não vai subsidiar nada. O empresário tem o livre arbítrio de fazer o que quiser, mas nós vamos mostrar que não é assim.
BN - Salvador está vivendo um momento de obras que têm atrapalhado o turismo. Um dos problemas apontados pelos hotéis é a falta de uma orla estruturada. Segundo os projetos, a gente terá isso. O senhor pretende surfar nessa onda para vender o turismo?
PG - Claro. Eu acho que um dos problemas sérios que a nossa cidade passou nos oito anos do prefeito passado foi que, se há algum tempo a União já vinha dizendo que era preciso acabar cm as barracas, já deveria ter sido feito um planejamento bem anterior. Na hora em que fôssemos retirar, já haveria um projeto pronto para ser colocado. É realmente ruim, porque o turista de sol e mar quer ter uma estrutura, quer sentar, como acontece no Rio de Janeiro e na orla do Nordeste inteiro. Eu acredito que Neto, dentro dos projetos que já acenou, vai fazer a Orla. Mas Salvador não pode pensar em vender apenas sol e mar, não. Temos que vender a nossa cultura. Temos uma cultura afro maravilhosa. Temos o sincretismo religioso, que muita gente quer conhecer e não estamos explorando. Temos talvez a maior diversidade na arquitetura colonial de igrejas do mundo. Nós temos tudo. Temos a alegria desse povo. Mas não adianta você ser alegre e feliz e não ter a capacidade de tratar bem o turista. O turista que vem para a Copa é um turista diferenciado; não é o que vem para o Carnaval. Temos que continuar cobrando de nós mesmos, do governo, uma infraestrutura. Porque a cidade de Salvador vai ter uma mídia tremenda. Barcelona cresceu 20 vezes o turismo depois da Olimpíada e nós pretendemos isso. Tem uma obra planejada da Secretaria de Turismo do Jardim dos Namorados até Armação. Vamos fazer passeio, pontes. Isso está na Conder. Assim como também mais uma requalificação em Irmã Dulce. Temos o projeto de R$ 60 milhões da Feira de São Joaquim. Estou dando toda a pressa com a Conder para inaugurar a primeira etapa em abril. Fazer a requalificação da Baía de Todos os Santos vai ser mais fácil do que aquilo ali, porque você precisa tirar o feirante, realizar a obra e depois fazer com que ele volte para o lugar de onde saiu. É um projeto de formiguinha. São 3,3 mil feirantes.
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BN - São muitas ações, muitos projetos que o senhor gostaria de fazer, mas em um ano será preciso traçar algumas prioridades. Qual será o grande produto que não é tão bem explorado e que o senhor acha que vai vender?
PG - A Bahia já é um produto em si. O nosso principal projeto, e que não vai ser feito na minha administração porque não há condição, é a requalificação da Baía de Todos os Santos e o turismo náutico, que abandonamos durante um tempo. Agora, se pudermos em conjunto com a prefeitura, influiremos na Orla. E a capacitação, para mim, é um dos pontos primordiais. Muita gente se queixava e se queixa ainda do nosso “brother”, da nossa maneira de fazer. Isso é muito bonitinho assim, mas chega um determinado momento em que incomoda: a maneira que nós temos de tocar. Em alguns países, tocar passa a ser uma ofensa. Então, a pessoa tem que saber quem é aquele turista, porque não se sabe qual é o costume daquele povo. É melhor termos cautela. Não só o curso de línguas é muito importante. Nós não fazemos a promoção da Bahiatursa. Eu sou presidente do conselho da Bahiatursa, mas o presidente interino é Fernando Ferrero. Acredito que ele irá ser o presidente. Grande figura, veio também do trade, é uma pessoa que temos um bom relacionamento, que podemos trabalhar juntos. Já fomos ver o Centro Convenções, trocamos ideias, ele é um entusiasta como eu. Agora, uma coisa é verdade: o grande produto, que ele diz que é a Baía de Todos os Santos, nós temos que avançar o máximo que pudermos e deixar irreversível, porque os governos, às vezes, quando mudam a sua composição, procuram esquecer as coisas boas, o que não é o meu caso. Estou substituindo Leonelli, acho que fui responsável pelos erros e acertos que ele teve, porque participei da Lei Geral do Turismo. Nenhum Estado tem uma Lei Geral do Turismo aprovada em várias mãos e eu participei dela. Recebi, inclusive, um e-mail carinhoso na saída dele agradecendo minha participação. Vou montar um Conselho de Turismo, talvez vá convidar alguns de vocês para participar e chegar lá e dizer o que está certo e o que está errado. Nós estamos lá para discutir. Eu disse que toda unanimidade é burra, e também só não erra quem não trabalha.
BN - O senhor é do PR, um partido que já transitou na oposição e inclusive, na última eleição, em 2010, estava ao lado de Geddel. Esse ano, ao que tudo indica, vai caminhar com Rui Costa. No caso de uma vitória do PT, o senhor pretende continuar na secretaria? E no caso de uma derrota, com Geddel ou Paulo Souto chamando, o senhor também topa o desafio?
PG - Eu não tenho esse negócio, não. Se Geddel resolver e o meu partido permitir...eu não vou lá porque quero entrar. Se eu for convidado por Geddel... ‘Zé Rocha, você é o presidente do meu partido, Geddel está me chamando, você permite que eu vá?’ Talvez até para ajudar o partido, com as ideias, com o trabalho. Ajudar o governo, seja ele de quem for. Eu quero ajudar a Bahia. Salvador tem que entender que nós temos que colocar todos nossos esforços no serviço e no turismo. Não temos indústrias, temos que buscar o turismo náutico mesmo, o turismo de negócio, e por isso temos que requalificar o Centro de Convenções, para terceirizá-lo, não é privatizá-lo. Influir em um programa de governo que pode servir a qualquer um que for eleito na área de turismo. Porque Salvador vai precisar tranquilamente de um novo Centro de Convenções. Mesmo que este continue, precisamos de um Centro maior, mais moderno, mais bem localizado, talvez lá na Paralela, perto do aeroporto. Temos uma área de governo muito grande, temos o Parque de Exposições. Por que não um parque multiuso?
BN - Inclusive era uma coisa que Eduardo Sales defendia...
PG - Eduardo Sales foi um grande secretário do governador na área de agricultura, e do Jairo, que é continuidade também, porque foi o chefe de gabinete dele, ele teve a visão que as pessoas têm no Rio Grande do Sul, tudo multiuso, tudo modular. Não está servindo agora para o Festival de Verão, com todos os problemas que ainda tem ali? Com baias ainda de cimento, por exemplo. Se conseguir que esse Centro de Convenções seja modular, ótimo. Não estou dizendo que isso é para agora. É uma proposta para se deixar no plano de trabalho para o próximo governo. Para fazermos um Centro de Convenções que precisamos. Nós temos certeza que o turismo de lazer, seja cultural, seja de sol e mar, seja religioso, o turista deixa em média 100 dólares por dia. Turismo de negócio passa de 280 dólares.
BN - Queria que você dissesse qual foi o maior acerto de Domingos Leonelli e o maior erro.
PG - Eu daria para Domingos Leonelli nota 8. Não quero dar 10 para ninguém. Quero, mas não sei se vou conseguir.
BN - Ele perdeu dois pontos em quê?
PG - Só quem não é erra é quem não trabalha. Houve alguns desacertos, projetos que não chegaram até o fim. Não sei se por culpa dele, não vou analisá-lo, até porque pode acontecer o mesmo comigo. Acabamos de falar da Conder, que às vezes atrasa, na própria Sucab. Agora a secretaria vai ter a sua superintendência de obra e a gente vai ter essa facilidade maior. Por isso que eu estou querendo dar uma notinha menor, talvez não 10, mas então 9,5 (risos).
