Rui Falcão avalia que Geddel está "contra" Dilma e "contra" Michel Temer - 20/01/2014
Recém-reeleito presidente nacional do PT, o deputado estadual por São Paulo, Rui Falcão, se esquivou de alguns assuntos durante a entrevista ao Bahia Notícias, mas deixou nas entrelinhas recados para adversários nas eleições de 2014, até aliados sem “compatibilidade” com o programa de governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Após considerar “natural” a ambição do PMDB por mais cargos – “regra do jogo” – o petista avaliou que o presidente do PMDB na Bahia e pré-candidato ao governo do Estado, Geddel Vieira Lima, não está apenas “contra Dilma”, mas também “contra” o vice-presidente da República e presidente de honra do PMDB, Michel Temer. “O voto para Dilma é o voto em Michel. O voto contra Dilma é o voto contra o Michel”, argumentou. Sem querer “interferir na dinâmica dos aliados”, Rui Falcão garantiu que a postura de Geddel e do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) – de legendas aliadas, mas críticos de Dilma – seria tratada com rigor no Partido dos Trabalhadores. “Se fosse no PT, nós íamos tomar as medidas politicamente contidas no estatuto para evitar que isso ocorresse”, prometeu. Em relação a outro adversário, o presidente nacional do PSB, pré-candidato à Presidência e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, Falcão desconversa sobre a política de “isolar” o socialista, mas lembra que o PT tem outro nome para puxar os votos da região. “Temos um nordestino com muito peso também que é o presidente Lula, que também vai ajudar o Rui Costa e outros candidatos. [...] Lula estará livre, leve, solto e com muita saúde, fazendo campanha no país inteiro”, avisou. Sobre as pretensões – como candidato – Lula tem se comparado ao ex-piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher, com certo receio de um volta fracassada, o que Rui Falcão acha improvável. “Estou muito certo que ele seria muito bem recebido pela população brasileira”, acredita. Em época de mensalão, o petista ainda assegurou que a sigla “não tolera corrupção”. E é da ação penal 470 que vem o maior erro do PT em 12 anos de poder, na avaliação do presidente. Foi o fato de a legenda ter aceitado o “financiamento privado de campanha não declarado”, que gerou o processo no Supremo Tribunal Federal, que o petista acredita ser um equívoco, já que o caso teria de ser tratado como “crime eleitoral”.
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Bahia Notícias – O PT está perto de completar três mandatos na Presidência da República. Qual foi o maior acerto e o maior erro do partido ao longo destes anos?
Rui Falcão – O maior acerto foi nós podermos realizar, neste período de quase 12 anos, um imenso processo de transformação econômica, social, política e cultural no Brasil, que pode ser manifestado pelas 40 milhões de pessoas que ascenderam socialmente, pela criação de novas universidades, pela valorização do salário mínimo com mais de 70% em termos reais, pelo reconhecimento do Brasil como grande player nacional que antes não tinha respeitabilidade, pelo fato de a nossa economia ser mais sólida e mais estável do que há 11 anos, pelo fato de a cidadania ter se ampliado no Brasil, pelo fato de nós termos criado a Comissão da Verdade para apurar os crimes da ditadura, termos atravessado duas crises de grande gravidade e que ainda prossegue sem ter cancelado direitos conquistados. Ao contrário, termos ampliado e convivemos hoje com uma das menores taxas de desemprego do mundo.
BN – Esse é o fator que o ex-presidente Lula chegou a chamar de ‘marolinha’ e foi bastante criticado na época....
RF - O país continua crescendo. As taxas de crescimento hoje, em nível mundial, têm declinado e a expectativa é de que isso se dê ainda por algum tempo como efeito da crise. Mas, o que é principal para a grande maioria da população, que é emprego e renda não foram afetados substancialmente. Agora se trata, depois desses acertos todos, de nós darmos o passo adiante, que é apresentar propostas de futuro para melhoria da qualidade dos serviços público, que é uma demanda legítima, apesar de tudo que melhorou. Você não vê mais falar em fila do INSS, só para dar um exemplo. E o erro que talvez a gente tenha cometido nesse período, para não ser arrogante e dizer que não cometemos nenhum erro e nem ser soberbo, foi o fato de nós termos incorrido em práticas políticas correntes em outros partidos, mas que o PT não podia ter ingressado. É a questão do financiamento privado de campanha não declarado, que resultou nessa ação penal 470 [caso do mensalão], que deveria ter avaliado os aspectos do chamado crime eleitoral, mas desbordou para uma politização equivocada que culminou com a prisão de quatro companheiros, e cuja avaliação do processo fizemos através de uma nota da Executiva Nacional, de novembro de 2012, no site do PT, e que acho que não é o caso de ficar me pronunciando novamente, já que está tudo consolidado ali.
BN – E para a campanha deste ano, o problema em termos de financiamento será alterado para que o erro não se repita?
RF – Nós não temos nenhuma doação não declarada. Aliás, não aceitamos a chamada doação por fora. Para nos livrarmos definitivamente desses riscos é que nós vínhamos desde o começo defendendo a ideia do financiamento público de campanha, das listas partidárias, da paridade de gênero, maior democratização da mídia para ter espaço não só no horário eleitoral. Essas questões, se não resolvem em definitivo a questão do caixa dois, reduzem substancialmente essa possibilidade. O financiamento privado é um instrumento econômico, é uma barreira para mudar a composição do Congresso, para que a população – principalmente a que não tem recurso financeiro – possa estar mais representada.
BN – O senhor está rodando o país para trabalhar a campanha nacional da presidente Dilma Rousseff à reeleição e discutir a conjuntura política. Qual a meta do PT em termos de governadores, já que hoje possui quatro? Existe um número definido de quantos vocês querem eleger?
RF – Há muito tempo nós não estabelecemos metas numéricas, a não ser a intenção de crescer, o que tem acontecido a cada eleição. Porque isso cria uma obrigação simbólica, que se você traça uma meta de eleger cinco, mas elege quatro...
BN – Fica como derrota...
RF – Fica como derrota. Se você estabelece cinco e elege seis, vão falar: ‘Mas o sexto foi de um estado pequeno’. Então é melhor trabalhar com essa meta de que nós queremos ampliar o número de governadores. Primeiro manter os que nós temos [BA, AC, DF e RS] depois ver se conquistamos novos. Aumentar os deputados estaduais, federais, e principalmente senadores. E a principal meta que é eleger a Dilma.
BN – E a segunda meta é a eleição do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para o governo de São Paulo? Trata-se de um local onde o PT enfrenta dificuldades normalmente, mas recentemente conseguiu eleger o prefeito da capital, Fernando Haddad.
BN – E a segunda meta é a eleição do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para o governo de São Paulo? Trata-se de um local onde o PT enfrenta dificuldades normalmente, mas recentemente conseguiu eleger o prefeito da capital, Fernando Haddad.
RF – Não há necessariamente uma relação da prefeitura de São Paulo com a perspectiva de vitória no estado. Até porque nós já tivemos modelos diferentes. A Marta Suplicy [atual ministra da Cultura] era prefeita na única vez que o Lula ganhou em São Paulo. Mas, também, nós já tivemos Luiza Erundina prefeita e o Lula derrotado. O Geraldo Alckmin [PSDB] prefeito e o José Serra [PSDB] derrotado. Agora, é inegável que a apresentação de uma candidatura com a de Padilha, que traz como grande marca o Mais Médicos, além da Rede Hora Certa em São Paulo reduzindo as filas de atendimento. Toda a capacidade de diálogo que ele tem, o carisma, o trabalho que desenvolveu no estado com todos os prefeitos para minorar a questão do déficit de saúde no estado, o apoio as Santas Casas... Tudo isso transformou o Padilha em um candidato com grande potencial eleitoral, embora hoje ele apareça pouco nas pesquisas, o que considero natural. E, pelo fato de São Paulo ser o maior colégio eleitoral do país, evidente que será uma das prioridades nacionais. Não é a única prioridade, porque Minas também é um grande colégio eleitoral e de onde deve sair um de nossos adversários [pré-candidato à Presidência e senador Aécio Neves (PSDB)]. A Bahia não tem candidato a presidente, mas para nós é fundamental ter um terceiro mandato aqui, para consolidar e ampliar o nosso projeto. Vamos avaliar essas prioridades no curso da campanha, mas evidente que São Paulo é uma das prioridades pela dimensão que tem.
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BN – Em relação a alianças, temos visto uma divergência no PMDB. De um lado o vice-presidente da República e presidente de honra da legenda, Michel Temer, mais contido, enquanto outros peemedebistas – como congressistas – brigando muito mais e falando em racha com o PT. Na Bahia, por exemplo, temos o presidente estadual e pré-candidato ao governo, Geddel Vieira Lima, que já foi ministro do governo Lula. Tem também o deputado federal Lúcio Vieira Lima. Como o PT enxerga essa divisão em um partido aliado, com membros que elogiam e outros que fazem duras críticas à presidente Dilma?
RF – Não temos como interferir na dinâmica interna dos nossos aliados. Cada partido tem um esquema de funcionamento, de disciplina programática e partidária... Nós gostaríamos que os nossos aliados, de forma muito homogênea, apoiassem o governo do qual eles participam e que tem a principal representação dele [PMDB] no vice-presidente da República. Eu tenho lembrado sempre que quando alguém do PMDB diz que não quer apoiar Dilma, não é que não vai apoiar Dilma, não vai apoiar o vice-presidente que é do seu partido, porque desde 1961 que não existe mais eleição no Brasil [separada] para presidente e vice. Antigamente, você podia votar no presidente de um partido e no vice de outro. Hoje, existe uma parelha. O voto para Dilma é o voto em Michel. O voto contra Dilma é o voto contra o Michel. De qualquer maneira não é o caso de eu ficar fazendo julgamentos sobre o comportamento de militantes de outro partido. Se fosse no PT, nós íamos tomar as medidas politicamente contidas no estatuto para evitar que isso ocorresse.
BN – Nós estamos em um processo de reforma ministerial e o PMDB quer aumentar seu espaço, enquanto em alguns estados – como a Bahia – integrantes defendem o fim da aliança nacional. Por outro lado, o PMDB sempre esteve junto com o governo. O senhor avalia como possível o racha na aliança PT-PMDB?
RF – Acho pouco provável e os dirigentes nacionais do PMDB – a começar pelo presidente Valdir Raupp [PMDB-RO] e pelo presidente de honra Michel Temer – têm descartado essa possibilidade. A movimentação em busca de mais espaço ou por troca de posições tem uma cerca justificativa na política brasileira, visto que os governos de coalizão tem se firmado, apesar do nosso empenho, mais na participação e nos espaços de poder do que propriamente na influência sobre o programa de governo. Essa é a regra do jogo. Você anuncia mudanças, seja por avaliação de desempenho, que não é o caso agora, seja por necessidade de desincompatibilização que a lei exige para alguém que quer ser candidato, e os partidos se movimentam para garantir suas posições na pior das hipóteses ou para ampliar suas posições. E o PMDB está se movimentando para procurar ampliar sua posição. Ainda tem uma situação adicional, porque o PMDB se representa nos ministérios de forma paritária com a Câmara e o Senado, além de um quinto ministro que não é nem de Câmara nem do Senado. Ocorre que dois ministros-senadores não serão candidatos e o PMDB quer indicar um ministro [Vital do Rêgo, PMDB-PB] que é senador. O PMDB ficaria então com três senadores e um deputado, mas essa não é uma questão que o governo deva resolver, é uma questão interna do PMDB. Não há nenhuma objeção de que em uma das pastas ocupadas por um deputado venha a ter um senador do partido. Essa é uma dinâmica interna que o PMDB tem que resolver e não o governo.
BN – Vou falar sobre alianças em geral usando como exemplo o PT, por ser o partido que está no governo. A prática não é exclusiva do Partido dos Trabalhadores, mas a legenda já teve alianças com nomes controversos, como Paulo Maluf [deputado federal PP-SP], Fernando Collor [senador PTB-AL], José Sarney [senador PMDB-AP] e outros nomes de pessoas extremamente criticadas, anteriormente, por petistas. Isso, infelizmente ou não, é comum em todos os partidos. Esse é um problema da política atual que precisa ser mudado?
RF – Essa é uma característica da política brasileira que não tem uma reforma política que faça com que os partidos possam ter uma configuração programática mais clara, que possa ter uma eleição mediante uma apresentação de listas a população, em que fosse discutido mais o programa de governo, para dar aos nomes da lista aberta, por exemplo. Com relação ao PT, mesmo nessas alianças que você considera diferenciadas em relação ao nosso programa, nós procuramos nos munir de três garantias. Primeiro que a nossa espinha dorsal programática seja mantida em qualquer acordo, principalmente quando nós vamos apoiar uma candidatura de outro partido. Quando recebemos apoio, você tem mais segurança de garantir isso. Segundo é que nós não temos nenhuma tolerância com qualquer atitude de corrupção, então nenhuma aliança que tenha má utilização de recursos públicos ou que o nosso governo detecte a existência disso, nós não somos coniventes se isso partir mesmo que seja de um aliado. E terceiro que em nenhum tipo de aliança nós admitimos perda da nossa identidade partidária. E é isso que tem permitido que, mesmo obrigados por essas alianças com partidos que muitas vezes não têm compatibilidade com o nosso programa, tem permitido que o PT, com toda a campanha que se faz contra a política e os políticos, continue a ser o partido de preferência nacional e com mais peso inclusive no Nordeste, na Bahia, no Ceará...
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BN – Para falar sobre eleições, hoje na avaliação do PT, quem é o maior adversário nacional: o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ou o senador mineiro Aécio Neves (PSDB), ambos pré-candidatos à Presidência da República? Campos, também pela aliança com a ex-senadora Marina Silva, ou Aécio pela disputa histórica entre PT e PSDB?
RF – Não dá para fazer essa avaliação agora, porque não temos ainda um quadro eleitoral definido. Você sequer sabe ainda se o candidato do PSB vai ser o Eduardo Campos ou a Marina. Tudo indica que vai ser o Eduardo Campos, mas isso não está posto ainda. Você não sabe que forças o Eduardo Campos vai agregar, que forças o Aécio Neves vai agregar, se for o candidato do PSDB. Então é prematuro fazer esse tipo de avaliação. Outro ponto é que a presidenta Dilma não começou sua campanha, está governando o país, não se apresenta ainda para a população como candidata. E, por último, nós na história do PT nunca escolhemos o principal adversário, nos preparamos para enfrentar quem vier e a nossa disposição é conseguir uma vitória no primeiro e, se for necessário também, uma vitória no segundo turno.
BN – Falando em Eduardo Campos, gerou muita polêmica o texto ofensivo que saiu no perfil do PT no Facebook, em que o socialista chegou a ser chamado de “playboy” e “tolo”. Como o senhor avalia esse texto e como ele chegou a ser publicado?
RF – Eu não concordo com nenhum texto e com nenhuma argumentação política, em relação inclusive aos adversários, que escape da política. Não sou a favor de nenhum tipo de ataque pessoal, nenhuma valoração adjetivada, nada que transponha os limites do candidato para se estender a suas famílias, aos seus seguidores, amigos... A minha linha de atividade, que é a que eu preconizo para o nosso partido e é a nossa tônica partidária, é da crítica política, nunca pessoal, calúnia... Nunca dos chamados dossiês, que alguns partidos são hábeis em fazer. Portanto, tendo sido publicado um texto sem a responsabilidade da direção, sem a nossa assinatura, no momento inclusive que eu estava em férias, nós adotamos a seguinte deliberação: toda vez que na página oficial do PT existir algum texto editorializado, como foi aquele, só será publicado depois de passar pelo meu crivo. Com relação às mídias sociais e blogs simpáticos ao PT, é óbvio que cada um faz o que quer, com toda a liberdade de expressão que a Constituição assegura.
BN – O responsável por esse texto foi identificado?
RF – A mídia identificou e ele não negou... Provável que tenha sido ele mesmo...
BN –Especula-se que o PT iria adotar uma tática de isolar o governador em Pernambuco para tentar não perder votos na região
que lidera eleitoralmente. No entanto, outra avaliação é de que o cenário pode mudar com outro nordestino no páreo. Para isolar o socialista, o governador da Bahia, Jaques Wagner, também entraria nessa tática. Como frear Campos na região?
RF – Eu nunca discuti essa tática de isolamento, pode ser que alguém esteja formulando isso, mas nunca participei dessa decisão. Eu respeito muito os nordestinos, eles nos deram em conjunto... A população que vota aqui... Tem gente que é de outros estados, mora no Nordeste e vota aqui. Mas, digamos que os estados do Nordeste deram a Dilma 12 milhões de voto de diferença. Portanto, é preciso ter uma atenção especial com o Nordeste. O PT está muito bem avaliado e o nosso governo fez muito pelo Nordeste. O Nordeste hoje tem status de estar crescendo mais do que a média do país e mais que o Sul do país, tanto que tem havido nos últimos anos um movimento de êxodo ao revés. Em vez da migração de nordestinos para o sul, está havendo um retorno de muitos nordestinos a sua origem, inclusive para contribuir para esse desenvolvimento se aproveitando das oportunidades de trabalho que se criaram aqui. [...] Mas temos um nordestino com muito peso também, com muita influência no voto, que é o presidente Lula, que estará nessa campanha com toda a liberdade de ação e com toda a disposição para buscar voto para Dilma. [...] É um elemento importante, que também vai ajudar o Rui Costa e outros candidatos. Na eleição passada, o presidente Lula estava submetido ao constrangimento do cargo, tendo que fazer campanha só de fim de semana e à noite. Agora, a partir de março – vocês podem escrever –, o presidente Lula estará livre, leve, solto e com muita saúde, fazendo campanha no país inteiro.
BN – O governador Jaques Wagner será realmente um dos coordenadores da campanha da presidente Dilma?
RF – Quero ver como ele pode nos ajudar. Ele tem uma prioridade que é governar o estado e também vai colaborar, fortemente, na campanha de Rui Costa, além dos deputados estaduais, federais e senadores. [...] O governador tem condições, pela experiência, de desempenhar qualquer papel dentro do partido, e não cabe designar tarefas para ele. Veremos qual a melhor maneira que ele pode contribuir para as campanhas nacional e estadual.
BN – Aqui na Bahia, o governador Jaques Wagner colocou como candidato o chefe da Casa Civil, Rui Costa. Lula fez a mesma coisa com Dilma. Essa é uma decisão que o partido nacionalmente entendeu como acertada ou um risco assumido pelo governador? Ressaltando que existiu uma disputa interna e se falou que a direção nacional do PT teria uma preferência pelo nome do ex-presidente da Petrobras e secretário estadual de Planejamento, José Sérgio Gabrielli.
RF – A direção nacional não participou em nenhum momento desse processo, que foi exclusivo dos companheiros da Bahia. Não fiz essa avaliação com Everaldo [Anunciação, presidente do PT na Bahia]. Imagino que o Rui Costa não foi escolhido pelo partido e pelo governador por ser chefe da Casa Civil. Acho que foi escolhido pelas suas qualidades de articulador, de conhecedor dos problemas do estado, até por ter participado da formulação e realização de boa parte das nossas realizações e que, por coincidência, desempenhava uma função partidária e governamental na Casa Civil. Eu quero crer que se ele estivesse na Secretaria de Indústria e Comércio, de Saúde, com as qualidades e a história que tem, com uma origem muito parecida com a do Jaques, com os compromissos que tem com o PT, acho que poderia ter sido escolhido da mesma maneira.
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BN – Disputavam com Rui Costa a indicação para concorrer a sucessão de Wagner o senador Walter Pinheiro e Gabrielli. Eleitoralmente os dois são tidos como mais conhecidos que o indicado. Como reverter esse quadro?
RF – Isso ainda será definido pelo diretório do PT na Bahia junto com o candidato, o governador e a equipe dele. Mas, isso é um fator normal em campanhas, com uma desvantagem inicial da ausência de conhecimento. Mas você tem a vantagem de poder mostrar mais, já que os conhecidos podem estar desgastados, e esse não é o caso de Rui Costa. Como exemplo temos a companheira Dilma e o companheiro Haddad, que começaram com porcentuais pequenos e ganharam a eleição. Esse dado precisa ser superado, se tornar mais conhecido, e o trabalho servirá para isso.
BN – Na Bahia – hoje – temos um quadro político com o prefeito do Democratas, ACM Neto, em Salvador, e o governador Jaques Wagner atuando com muito sintonia em prol da administração pública. O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), afirmou ao Bahia Notícias que esse é o modelo que deve ser adotado quando se fala em gestão pública. O senhor concorda? A oposição política deve ser deixada de lado?
RF – Eu acho que o governador Wagner age corretamente ao estabelecer parcerias com o prefeito, da mesma maneira como a presidenta Dilma tem feito, até porque a situação da capital da Bahia apresentava muitas dificuldades. Então, essa tem sido uma política dos nossos governos, de não discriminar investimento e parcerias, até porque o que está em jogo não é o governante de plantão, mas o cidadão que mora naquela cidade. Infelizmente, esse tipo de política não vem sendo seguida em estados governados por parceiros do prefeito da capital [baiana, ACM Neto]. A política que é praticada em São Paulo, por exemplo, pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), é uma política de tentativa de submissão dos prefeitos do PT e de outros partidos às suas intenções eleitorais para que possam receber recursos. Acho que essa parceria que se estabeleceu aqui, não significa que a gente não queria uma alternativa partidária diferente para a capital, que a nossa bancada não possa fazer oposição aos projetos que entenda que não batam com os interesses da maioria da população, mas a parceria que se estabeleceu acredito que é positiva.
BN – Para finalizar, o ex-presidente Lula não será candidato à Presidência em 2014, mas ele já manifestou interesse em concorrer a outro cargo, talvez no Congresso?
RF – Para mim, pelo menos, não. Ele tem dito que quer reeleger a companheira Dilma. Em relação a 2018, ele deu uma declaração daquelas bem ao seu estilo: ‘Se me enxerem o saco, volto em 2018'. Mas, ao mesmo tempo, ele diz o seguinte: 'Vejam a história do Schumacher. Sete vezes campeão mundial. Saiu da Fórmula 1, quando voltou não foi pole-position, acho que não subiu nenhuma vez no pódio’. Ele também tem suas cautelas, mas sei que se a qualquer momento ele quiser voltar, pelo que já fez e representa, estou muito certo de que ele seria muito bem recebido pela população brasileira.
