Geddel: "ACM não tem mais idade para recuperar o prestígio que perdeu" - 24/02/2007

Por Daniel Pinto
Como o senhor avalia a atual conjuntura política da Bahia?
Geddel Vieira Lima – Vivemos um momento novo. Um momento de grandes expectativas e oportunidades. O governo do Estado tem total sinergia com o governo federal. Isso abre uma boa perspectiva de investimentos e atração de recursos para a Bahia.
O senhor acredita que nessa legislatura o Congresso Nacional possa recuperar a imagem desgastada por uma sucessão de escândalos e consiga recuperar a credibilidade dos brasileiros?
GVL – Definitivamente a legislatura passada errou demais. Os deputados precisam entender as obrigações de quem detém um mandato popular. Os homens e mulheres que compõem o Legislativo precisam entender que representam uma parcela do sentimento nacional. Eles representam o que há de melhor e pior no Brasil. De uma forma geral, gosto do início dessa nova legislatura.
Nos meios políticos é dada como certa a indicação de seu nome pelo PMDB para tonificar a presença do partido na Esplanada dos Ministérios. Isso é verdade?
GVL – Olha, a citação de meu nome pela imprensa me enche de um saudável sentimento de orgulho e felicidade. No entanto, não recebi nenhum convite nem sinalização do presidente Lula sobre esse assunto. Cabe a ele, e somente a ele, a inegável tarefa de compor o governo. Portanto, como tenho mais medo do ridículo que da morte não me movimento para solicitar ministérios. Deixa o homem escolher!
Quanto ao Ministério da Integração Nacional, o senhor acha que poderia assumir essa pasta?
GVL – Tenho, ao longo da minha vida, estudado e trabalhado para servir a Bahia. Na vida pública, tive boas e más experiências que ajudaram a compor o homem que eu sou. Tenho a inabalável convicção de que, onde quer que seja, estou pronto para servir meu Estado e meu país.
Após a morte do garoto João Hélio (9 anos), no Rio de Janeiro, muito se fala sobre a redução da maioridade penal. Como parlamentar, qual a sua opinião sobre isso?
GVL – Não acredito que essa seja a melhor medida. Acho que o sistema prisional não é a solução. Existem soluções práticas que podem ser aplicadas a curto, médio ou longo prazo. O sistema de segurança pública deve ter prioridade absoluta dos investimentos. Aposto nas reformas dos códigos penal e de processo. Precisamos de leis mais rígidas. Não se pode colocar facilmente em liberdade marginais que tenham cometido crimes graves.
Como o senhor considera o atual estágio do carlismo na Bahia? O senhor crê que há possibilidade de o senador Antonio Carlos Magalhães recuperar, como anuncia, o prestígio do seu grupo no Estado? Enfim, o carlismo morreu, agoniza ou se recupera?
GVL – Sinceramente, não me preocupo com isso. Não sou escravo do passado. Mas, político nenhum sai assim completamente da cena. ACM não tem mais idade para recuperar o prestígio que perdeu. Nós, vitoriosos na última eleição, precisamos fazer um governo sério, honesto, transparente, com projetos eficientes para que o povo olhe para frente e, em momento algum, lembre de governos passados.
