Rogério Tadeu da Luz explica o que é o aerotrem, carro-chefe do seu programa de governo - 20/08/2012
Pergunta do leitor Marzo Santos: 'Gostaria de saber de cada candidato quais as principais reformas técnicas e administrativas para resolver o problema crônico do trânsito de Salvador'?
Rogério Tadeu da Luz: Parece até que essa pergunta foi direcionada, né? Olha, o trânsito de Salvador tem jeito. E precisamos contemplar o transporte público de qualidade: é o único jeito. Carro é um paliativo. Na hora em que você que tiver que sair de casa de carro e demorar uma hora e meia para chegar ao seu serviço ou tiver que pegar um aerotrem, que é o nosso sistema de transporte que a gente quer botar em Salvador, e demorar dez minutos para chegar no seu serviço, e indo de ar condicionado e toda a condição possível de qualidade, com certeza a pessoa vai deixar o carro na garagem e, com isso, vai evitar essas longas filas de congestionamento que a gente vê em todo lugar de Salvador, mas aqui nessa região da Paralela é notório. Então, como que funcionaria, para ser rápido: teria um aerotrem do aeroporto até a Rótula do Abacaxi, da Rótula do Abacaxi até a Calçada e da Calçada até Paripe. Mas também aumentaria da Calçada até o Terminal da França para contemplar o terminal de turismo que está sendo executado ali naquele local, e até também a questão de você organizar o comércio. Bom, essa é a primeira fase. Tiramos a rodoviária do local que está hoje porque são milhares e milhares de ônibus vindo de todos os lugares do Brasil, do estado, enfim, é um congestionamento enorme de ônibus entrando ali naquele lugar que já é um gargalo. E vai colocar essa rodoviária onde? Na região de Águas Claras, que é onde realmente tem áreas de trânsito, de trezentos mil metros para se fazer uma grande rodoviária. Então, outra coisa: metrô, acabar o metrô; conclusão até Pirajá e também expandir o metrô até Águas Claras, onde vai ser a rodoviária. Então, o sistema de metrô ficaria limitado da estação Rótula do Abacaxi até a estação de Águas Claras, com isso valorizaria um pouco esse metrô desastroso e que tanto incompetente está tentando botar pra funcionar e não conseguiram até agora. Então, esse aí é outro modal que seria interligado. Outra coisa: não permitir que o ônibus de município vizinho adentre o nosso trânsito. Então, teria que ter a estação lá do aeroporto, que concentraria os ônibus vindos de Lauro de Freitas, Simões Filhos, por ali, e a estação de Pirajá faria essa função de estação metropolitana, também segurando os ônibus por ali. E ele chegando ali, ele vai ter o metrô e vai estar dentro do sistema de Salvador. E no lugar da rodoviária, o que nós colocaríamos? Colocaríamos a nova estação Iguatemi. Por que nova? Porque a estação que está ali entre as duas avenidas, naquele gargalo, é muito pequena. Nós precisamos de uma estação maior, e a nova estação vai ser onde é a rodoviária, e nós vamos usar também aquela estrutura da rodoviária para criar o shopping do povo, o shopping popular. Pra quê? Pra absorver aqueles camelôs que trabalham naquela região para que eles tenham um lugar decente para vender seus produtos e sem ter que ficar carregando mala pra cima e pra baixo, nem ficarem aquelas barraquinhas improvisadas, o que, além de ser horrível, atrapalha também a questão da mobilidade dos pedestres porque, querendo ou não, aquele monte de camelô, que precisa trabalhar, acaba inviabilizando a questão do pedestre. Então, esses são os pontos cruciais e fazer voltar a funcionar o trem que vai para o interior da Bahia. Então, quando a gente colocar o aerotrem entre Paripe e Calçada, aquelas trilhas de trem, aquela estrutura vai ser utilizada para reformar parte que já foi roubada em torno de Mapele, sumiram muitos trilhos ali. Então vamos reativar a linha, então esses vagões vão continuar funcionando. Pra quê? Evitando também que quem venha do interior venha de carro, ele venha de trem, e a gente também quando for para o interior pode ir de trem, evitando assim o fluxo de carro. Então, é colocando o transporte de qualidade público é que a gente vai evitar o congestionamento do carro particular. Por quê? Porque a gente só sai de carro porque é obrigado porque o sistema de transporte público não presta em Salvador.
Pergunta do leitor Geandro Dantas: Caro prefeiturável, a cidade do Salvador possui atualmente uma baixa cobertura de serviços de saúde e déficit nas ações de vigilância, prevenção e promoção à saúde. Considerando este panorama, como o senhor pretende alocar os mais de 14 mil aprovados no concurso da saúde e os repasses do governo federal na empreitada pela resolução dos problemas da saúde soteropolitana?
RTL: Pronto. Bom, primeiro a saúde está na UTI e não por culpa do governo do Estado. A culpa aqui, em Salvador, é do governo municipal porque temos aqui a municipalização plena da saúde, ou seja, quem gere toda a rede da saúde aqui em Salvador é...tirando o hospital, que é a clínica, que inclusive não faz atendimento de emergência – que tem que começar a fazer – porque é importante que esses hospitais que são ligados a universidade tenham mais incentivo, que eles são ligados à medicina. Você vê que em São Paulo, as clínicas funcionam. Então, eu acredito muito nessa interligação educação e saúde. Agora, referente à questão do funcionalismo público, para colocar 14 mil aprovados, nós precisaríamos ver como, onde e se há possibilidade de receita para isso. Por quê? Porque eu sou uma pessoa contrária a tantos concursos públicos que se fazem por aí, porque parece até que é para se arrecadar dinheiro, porque fica todo mundo aprovado e ninguém pode ser contratado. Por quê? Para você contratar você tem a Lei da Responsabilidade Fiscal e você não pode ir contra o Ministério Público e você não pode fazer fora a comprometer uma receita acima de 54% do Município com folha de pagamento. Então, como é que você vai contratar? É contratar e ter suas contas reprovadas e ficar inelegível por oito anos. Então ninguém pode ser irresponsável de chegar e fazer uma promessa dessas. Agora, dá para ser feita essa contratação? Dá, pra isso precisa ser feito o quê? Aumentar a receita de Salvador. Porque aí você aumentando a receita da cidade, você consegue que esse percentual seja aberto para que a gente possa contratar realmente esses funcionários, que é imprescindível para o município que aumente a quantidade de mão de obra na área da saúde. Outra coisa: às vezes não é só questão de aumentar mão de obra. Você vê o cartório, que não era privatizado, não funcionava. Você chegava às 10 horas da manhã, tinha fila para pegar senha. Hoje, você chega qualquer horário, não tem uma pessoa na fila, é uma ou duas pessoas na fila. E o que mudou, se o cartório é o mesmo, as pessoas que eu procuro são as mesmas? Isso se chama eficiência. Então, eu, como analista de sistemas, vou colocar tanto a saúde quanto todas as áreas da cidade de Salvador para funcionar com eficiência. A informática, eu trabalhei em vários bancos: eu chegava num determinado departamento do banco que tinha mais de 50 pessoas batendo cabeça e trabalhando. Quando nós informatizávamos, cinco pessoas davam conta do departamento todo onde 50 trabalhavam. Ou seja, sobravam 45 mãos de obra para serem distribuídas em outros setores no banco, que, em geral, mandava embora. Mas, no funcionalismo público, a gente pode fazer o quê? Ao contrário, que não é empresa privada, a gente vai realocar, a gente consegue melhorar, informatizar e redistribuir a mão de obra da saúde. Outra coisa importante na área da saúde é a prevenção. A gente tem que ter nos postos de saúde no mínimo um pediatra, uma ginecologista, um clínico geral e um dentista, e também nas escolas. Você acessando a prevenção, vendo quem tem problema de diabetes, quem tem problema de pressão, fazendo esse tratamento, você vai evitar acúmulo de procedimentos médicos e hospitalares. Quando você consegue prevenir, você também melhora o sistema. Nós vamos criar um plano de saúde municipal. Todo rico tem seu plano de saúde, agora o pobre também vai ter um plano de saúde da qual a prefeitura...nós faremos parcerias com todos os hospitais particulares de Salvador e aí o pobre vai poder usar também o Aliança, vai poder usar os hospitais de nível aqui de Salvador. E é possível, tem lógica o que eu estou falando, eu tenho como provar, e nós faremos e, com certeza, o pobre aqui, assim como a família dos outros candidatos, vai ter acesso ao tratamento de melhor qualidade. Como também o HGE, o Roberto Santos e o Hospital do Subúrbio nós faremos a melhoria do atendimento, como também construiremos o hospital municipal de Cajazeira, porque o Subúrbio já foi contemplado com um hospital, e agora nós faremos um hospital municipal em Cajazeira, que é uma cidade e não pode ficar sem um hospital do nível dos demais que eu estou falando a nível (sic) de procedimento, de estrutura, de equipamentos, de exames disponíveis porque Cajazeira é uma verdadeira cidade e toda a Salvador depende que Cajazeira seja bem atendida porque senão eles vão vir tudo pra cá também. Então é um contexto: se você não tem desmembrado isso aí, você além de gerar problema de saúde, você vai gerar problema no trânsito porque eles vão ter que se deslocar para serem atendidos em outro lugar.
Bahia Notícias: O senhor falou há pouco sobre aumento de arrecadação. Existe um problema sério de arrecadação em Salvador e também a questão importante, que é a reforma tributária que não é discutida no Brasil. Seu programa de governo propõe a criação de um imposto único em Salvador. Como isso seria viabilizado e o que a cidade ganharia em termos de arrecadação?
RTL: Olha, o imposto único deveria ser implantado a nível nacional, federal. Porque a quantidade de impostos que incide hoje no País na verdade é uma loucura. Você vê que o departamento para se fazer a contabilidade de uma empresa é 50 pessoas envolvidas. Eu lembro até de uma empresa alemã, na qual eu trabalhei na época, que o pessoal da Alemanha, da sede mundial, não entendia porque aquele setor da contabilidade aqui no Brasil tinha mais de cinquenta pessoas trabalhando se lá, que era a matriz principal, do mundo inteiro, só tinham cinco pessoas trabalhando. Nós queremos criar um imposto que contemple a todos. Porque eu acho assim: o IPTU, por exemplo, nós temos um grande problema que é se fazer um pacto fundiário na cidade e realmente dar os imóveis a quem mora no imóvel. Cada um que mora hoje no imóvel, mas não tem a sua escritura, o que acaba acontecendo no Município? Não se arrecada nada e além de não se arrecadar, não se dá garantia para que aquela pessoa tenha aquela propriedade. Eu tenho já um estudo para explicar como vai funcionar esse imposto, aqui eu não vou ter tempo, até porque é o que vai viabilizar muita coisa, muitas obras que nós faremos através desse novo imposto, que inclusive vai eliminar os demais, e o IPTU nós precisamos resolver a questão fundiária, esse daí é o principal.
BN: Seu carro chefe de plano de governo é o aerotrem. É uma proposta que o Levy Fidélix, que é a figura nacional do PRTB, defende nacionalmente. Ponto um: o senhor disse que vai fazer essa primeira linha (entre o aeroporto e a Rótula do Abacaxi) antes da Copa 2014. Quanto vai custar, de onde vêm os recursos, já há um estudo de viabilidade nesse sentido? E mais: há um lobby de Levy Fidelix para a construção do aerotrem?
RTL: Existe um lobby positivo, não a favor das empresas porque não há isso. O que existe é que se faça o melhor. Você vê que Levy começou a defender o aerotrem em 1996, em São Paulo. Acharam que ele era louco. Hoje, estão implantando o aerotrem em São Paulo, ligando a capital ao distrito, à cidade de Tiradentes. É o que eu digo: se tivessem implantado o aerotrem em 96, hoje São Paulo não estaria com 500 quilômetros de congestionamento. Eu acho que você antecipar o fato é importante. Eu estou morando aqui na Bahia há 17 anos porque eu fugi do congestionamento de São Paulo porque estava 90 quilômetros de congestionamento quando eu fugi, hoje 200 já é comum, e em Salvador vai acontecer a mesma coisa. Então, ou a gente começa a fazer isso, que deveria ter começado quando Mário Kertész pensou no bondinho, que largou esse monte de estrutura aí, que pra mim aquilo ali é troféu da incompetência, e quando se falou em metrô, se tivesse começado a fazer o aerotrem, você pode ter certeza de que não teria esse congestionamento que está aí. Agora, quanto é que custa? Ele custa 40 milhões o quilômetro. Eu perguntei para o candidato Pelegrino quanto custava o quilômetro do VLT, ele não me respondeu. “Vou investir 4 bilhões...a Dilma”. Peraí, e vai dar em quê? Se você não sabe o preço do metro do tecido, você não faz uma roupa; se você não sabe quanto custa um saco de cimento, você não constrói uma casa. Se você não sabe quanto custa o quilômetro do transporte, como é que você vai fazer? Então, o sujeito começa tudo errado, não sabe nem o que está fazendo. Nós temos, sim: custa 40 milhões, é o mais barato que tem, dá para se fazer 10 quilômetros em um ano. Isso não é ideologia nem ideia, nem sonho, é que já se faz isso no mundo. São Paulo está fazendo 20 quilômetros em três anos porque o aerotrem de lá é mais robusto, é mais forte, é mais megalópolo (sic), é aquela mania de megalomania que São Paulo de tudo ser o maior do mundo, mas mesmo sendo maior, eles estão fazendo 20 quilômetros em três anos. A estrutura que vamos fazer aqui dá para se fazer 20 quilômetros em dois anos e apertando a gente consegue fazer pelo menos do aeroporto a Rótula do Abacaxi, para que as pessoas tenham acesso à Fonte Nova e a Pituaçu durante a Copa do Mundo (2014). É importante fazer até para a gente não perder essa oportunidade da Copa e deixar como legado apenas a Fonte Nova. Quanto é que vai custar? Dilma disse que vai liberar um bilhão e seiscentos (milhões) para isso. E para fazer os primeiros 20 quilômetros para atender essa demanda inicial da Copa a gente precisa de 800 milhões. Então, com 50% desse valor eu resolvo esse problema e Salvador vai poder ter o aerotrem na Copa.
BN: O senhor nunca exerceu cargo eletivo, apesar de duas tentativas, tem 1% das intenções de votos. Numa eventual vitória sua, de onde virá o apoio político ao senhor para governar a terceira maior cidade do Brasil?
RTL: Um por cento eu estou empatado tecnicamente em terceiro lugar. Em primeiro está ACM Neto, em segundo Pelegrino, e em terceiro estamos eu, Mário e Marinho. O apoio vem da caneta. Por quê? Porque o vereador depende do prefeito e o prefeito depende do vereador. Quem não sabe fazer essa composição não deveria ter cargo público nem poderia estar tentando ser gestor de uma cidade. Quando eu falo que eu não sou político, eu sou gestor, não quer dizer que eu vou deixar de atender a política. O que é que é a política, a boa política? “Olha, a minha área, o meu reduto está precisando de uma praça, está precisando de um hospital, de um posto de saúde”. E o gestor vai lá e resolve. Então, você ajuda o vereador, o vereador ajuda você e quem ganha? Salvador, porque nós estamos no campo da proposição do que for bom para Salvador. Então, como o vereador está lá para resolver os problemas da base dele e a base dele fica em Salvador, e o prefeito está ali para atender Salvador, eu acredito que os 43 vereadores estarão fazendo parte do meu governo. Os 43, eu não abro mão. Eu não quero oposição no meu governo. Quem fizer oposição ao meu governo estará fazendo oposição a Salvador. Quem não quiser que Salvador melhore, então não deveria entrar na política, deveria fazer outra coisa para não atrapalhar a cidade.
BN: O senhor tem um minuto e meio para dizer por que o povo de Salvador tem que votar no 28 do PRTB.
RTL: Olha, porque eu preciso ter uma oportunidade para provar para esse povo e dar uma resposta para esse povo de por que nossa opção é a melhor. Para que ele tenha a melhor saúde, melhor educação, o melhor transporte e uma melhor segurança pública por causa da educação. Porque nós tiraremos essas crianças das ruas, nós recuperaremos a vida dessas pessoas dependentes químicas, tiraremos da sarjeta, ajudaremos com que a cidade volte a crescer. E também porque outros três candidatos são deputados federais: e eu quero saber o que a vida das pessoas melhorou com esses mandatos. Tem um que já foi duas vezes prefeito, e o que a vida das pessoas de Salvador mudou? Eu nunca tive a oportunidade. Então eu quero a oportunidade para que eu possa desenvolver e provar que estou falando a verdade. Porque político não é tudo igual. Tudo igual é o foco. Você votando nos mesmos, os políticos ficam sempre os mesmos, aí fica tudo igual. Então eu acho o seguinte: vamos fazer um político diferente, vamos votar diferente e aí a gente vai ter um resultado diferente. Porque é idiotice você fazer sempre a mesma coisa e querer um resultado diferente. Então, se você faz a mesma coisa, isso já dizia Einstein: não tem como produzir um resultado diferente fazendo a mesma coisa. Então só tem uma forma de Salvador melhorar: mudando. E mudando tem nome: é 28 para fazer o que o 13 e o 15 não vão se capazes de fazer, apenas prometer. Então, deixa eles no campo da promessa, que são políticos, e eu na execução, que sou analista e gestor.
