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Entrevistas

Entrevista

Cláudio Tinoco atribui a situação caótica da cidade à falta de unidade entre as três esferas governamentais - 23/01/2012

Por Evilásio Júnior / Rodrigo Aguiar

Fotos: Evilásio Júnior/ Rodrigo Aguiar


Bahia Notícias - Como foi que a Saltur recebeu a carta do Conselho de Turismo com várias críticas à gestão da prefeitura de Salvador?

Cláudio Tinoco - Primeiro, com bastante tranquilidade. Temos dado uma demonstração de receptividade às críticas, sobretudo entendendo-as como oportunidade de contribuição. Na reunião que antecedeu a carta, eu participei, a convite do Conselho Baiano de Turismo, e venho, sempre que convidado, participando, até mesmo porque foi na minha gestão, em 2009, que implantamos e efetivamos o Grupo Gestor de Turismo de Salvador, uma instância de governância com a participação de parte desse Conselho de Turismo. E a própria carta traz elementos que referendam o papel da Saltur de hoje. Apesar de ser uma empresa de 25 anos, nos últimos três, essa reformulação empregada aproximou muito a nossa atividade do trade turístico e do conselho, seja na identificação de demandas, seja nas ações que desenvolvemos. Desde a estratégia de eleição dos sete pontos mágicos, quando nos associamos ao Conselho Baiano de Turismo e chamamos atenção de que, no médio prazo, traria para o poder público responsabilidade muito maior de atuar prioritariamente em infraestrutura, serviço e qualificação nessas áreas de Salvador. O que defendo é que se aponte não só as responsabilidades do município, mas as responsabilidades compartilhadas. Salvador tem um acervo arquitetônico, um patrimônio arquitetônico, uma série de atrativos que são individualizados nesses equipamentos de responsabilidade de outros entes, como o Estado e a União. Então, as colocações são legítimas, mas a gente lamenta que essas demandas apenas apontem para ações emergenciais para a alta estação - que é o momento em que temos de fato o fluxo mais elevado na cidade - mas não apontem soluções mais definitivas para a situação do turismo na nossa cidade.

BN - Há pontos que eles citam, como a orla, o estado do Centro Histórico de Salvador, e outras questões, em relação à hotelaria, nas quais a gente fica meio em dúvida de quem seria a responsabilidade pelos pontos citados. Qual o tipo de influência que a Saltur tem em relação a esses problemas citados pelo Conselho? Esse é apenas uma forma consultiva, para auxiliar o município, ou se tem algum tipo de interferência direta em alguns dos pontos, como por exemplo, a orla?

CT - Primeiro, acho que incorporei um dizer de Paulo Gaudenzi: no turismo você mexe com tudo, mas não manda em nada. Então, o poder de influência está limitado às áreas de competência que tem a Empresa de Turismo, que tem o papel de estabelecer políticas públicas e ser um grande articulador, fazendo com que essas demandas acabem sendo direcionadas para melhoria das condições dos atrativos turísticos e da inovação. E é disso que Salvador carece. Mas me permita tratar dessas demandas de forma específica em cada caso. Vamos analisar a orla: a própria carta admite que, desde 2007, a administração municipal tomou atitude quando iniciou a intervenção na orla, que era de mudança conceitual das barracas de praia. Desde aquela época, a prefeitura já sinalizava a sua restrição de investimentos, por isso recorreu à iniciativa privada. E a intervenção foi paralisada por uma ação judicial, permanente até hoje, que impõe uma série de exigências para que um projeto definitivo possa ser implementado na orla. Eu sou testemunha de que a Fundação Mário Leal Ferreira tem feito um esforço tremendo para adequar esse projeto aos interesses da cidade e às exigências da Justiça. Chamo atenção para a exigência de um projeto para toda orla de Salvador, ou seja, os 65 km de orla. E aí chamo atenção para mais um aspecto: não adianta ter projeto de extensão para toda orla se não tiver os recursos assegurados dessa intervenção. E não têm recursos assegurados para a intervenção. Vamos analisar outro aspecto: se remetermos ao passado, as principais intervenções na orla foram financiadas por ações do estado. A mais recente e última, entre Amaralina e Costa Azul, iniciada no governo de Paulo Souto, não chegou nem a ser concluída se você reparar aquele espaço do Jardim dos Namorados. Então, apontar essa exigência apenas ao município não é justa. Ela tem que ser compartilhada inclusive com a participação da Justiça. Agora, o que acho é que o trade turístico demanda, e essa carta expõe isso, a necessidade de ações emergenciais vinculadas à questão da limpeza, ao controle do comércio. E isso não está impedido pela Justiça; disciplinar o comércio nas praias, exigir que os que executem suas comercializações tenham condições mínimas para exercer suas atividades. Percebo o esforço da Limpurb, da Sesp, nesse sentido, mas ainda não foi suficiente para que tenhamos, de fato, melhor oferta de comércio e serviço nas praias.


BN - O senhor mencionou a questão da limpeza nas praias e o secretário Marcelo Abreu também deu uma resposta à carta do conselho, na qual ele atribuiu boa parte da sujeira nas praias ao vandalismo. O senhor também acredita que o estado das praias, mostrado pela imprensa, é responsabilidade de parte da população, no caso, de vândalos?

CT - Eu atribuo a uma ocupação desordenada do espaço público. Se essa ocupação gera o vandalismo, que é o prejuízo do patrimônio público, você pode ter em alguns aspectos e até pontualmente.  Vou dar um exemplo prático: num sábado de dezembro, eu, pessoalmente, fui registrar a orla entre Jardim de Alah e Piatã. Atestei, por registros de imagens e depoimentos, a limpeza da orla cedo, por volta de 10h, horário de maior fluxo. Registramos a limpeza, a atividade de limpeza, mas nós identificamos três eventos na orla: uma saída de uma cavalgada no Jardim de Alah, uma passeata em homenagem às mulheres na altura da Boca do Rio e um evento da igreja católica em frente ao clube do Sesc com instalação de praticável. Ou seja, essa ocupação, seja ela associada ao uso da praia ou a presença na orla, tem de fato sido motivo de gerar um volume excessivo, um acondicionamento do lixo de forma indevida. Então, eu me associo também nesse caso, mas isso aí a gente vê que é possível ser enfrentado como foi enfrentado na última semana na Barra, quando os jornais trouxeram o quadro da orla da praia da Barra. E no dia seguinte, quando entrou a operação associada à limpeza e conscientização, os mesmos jornais retrataram uma mudança de tratamento da própria população.

BN -  Ainda na carta, o conselho utiliza termos pesados contra o prefeito João Henrique e chega a lembrar alguns fatos. Diz, por exemplo, que João teria prometido há sete anos que a orla de Salvador seria mais bonita que a orla de Miami. Existe atualmente algum tipo de tensão maior entre o prefeito e o conselho?

CT - À primeira vista, esse aspecto para mim soou muito negativo. No início, a carta aponta uma personalização na figura do prefeito, de responsabilidade de todos os problemas da cidade. Então, eles justificam isso alegando que, uma vez apontadas as intenções, essas intenções não foram realizadas. Por outro lado, é muito oportuno colocar que parte do trade turístico, sobretudo do setor de hotelaria, tem demonstrado publicamente uma insatisfação com a possível aprovação - nesse caso já efetivada -  da Lei de Ordenamento do Uso do Solo, quanto houve o sancionamento da ampliação da oferta hoteleira na cidade. E vou analisar bem tecnicamente: Salvador tem uma taxa de ocupação média de 68%. Não é uma taxa elevada, mas representa o melhor desempenho desde 2006. Por outro lado, aqueles que já estão instalados avaliam que, se for ampliada a oferta de vagas, a tendência é que haja uma queda dessa taxa de ocupação e uma possível inviabilidade econômica dos negócios que já estão instalados hoje. Não afirmo que isso é motivo de incentivo para essas demonstrações de insatisfação. Mas que existe, existe, essa insatisfação nesse aspecto. A partir do momento que a prefeitura amplia a possibilidade de novos hotéis. Tenho aqui a relação de 14 hotéis que estão projetados para 2011 e dos quais dois vieram a ser inaugurados - o Caesar Business,  na Avenida Magalhães Neto, e o Matiz,  no Costa Azul – todos dois ligados diretamente ao centro econômico de Salvador, que tem representado grande fluxo de turismo de negócios, cerca de 60% do turismo da cidade. Porém tem outros empreendimentos, como o Hilton, que não conseguiu ser efetivado, o Fasano na Castro Alves, e o Palace, que foi adquirido com novo grupo que sinaliza para a gente interesse imediato de fazer restauração dos seus equipamentos. Todos os três no Centro Histórico, para um público que necessariamente não está em Salvador. Um turista que vai pro Fasano paga em torno de U$$ 1,5 mil de diária, ou seja, é um turista de alto poder aquisitivo, que é muito importante para nossa a cidade, sobretudo para aquela região da nossa cidade. Então, não generalizaria que uma aplicação de oferta vai prejudicar o setor, mas também aponto que talvez isso seja um motivo de insatisfação dos que já estão instalados.


BN - Chegou se a falar que Salvador não precisaria da criação de novos hotéis. E agora, com a Louos, está prevista a instalação de hotéis desde o Subúrbio até Itapuã. O que a Saltur acha disso? Essa lei foi desnecessária em relação à hotelaria, foi exagerada, ou realmente há essa demanda para Salvador nesse trecho em que foi permitida a instalação dos hotéis?

CT - Antes da Lei, o próprio PDDU prevê zonas hoteleiras e que eu, em nome da Saltur, sou amplamente favorável para que em Salvador tenhamos áreas priorizadas para a instalação de hotéis, como a Costa de Armação, do Flamengo e da Pedra do Sal. E justifico: a Conder, inclusive em gestões passadas, e conheci isso na gestão de Mário Gordilho, tem um projeto – não sei se existe lá ainda, mas tinha pelo menos - de mudança do traçado da orla de Salvador na altura da Boca do Rio e aquela pista passaria por trás da Praia de Armação, saindo na altura do Jardim de Alah. E todo o trecho da Costa de Armação seria dedicado para o incentivo de instalação de hotéis. Ora, você traria para aquela região a perspectiva de trazer serviços e estruturas adequadas, aproximaria esses equipamentos da orla e da praia – o que nos falta bastante – e também tanto da orla da Pedra do Sal e do Flamengo, que daria perspectiva de implantação de hotéis como são o Catussaba e o hotel de Stella Maris, que são de praia, dando características necessárias para que se enfrente o problema que temos hoje.

BN – Em São Paulo e outros lugares, há uma espécie de hotel, como o Fórmula 1, em que você tem apartamentos triplos, com preço razoável, entrada e saída sem burocracia, e que serve para estudantes, pessoal que faz congressos, seminários. Acredito que, para a Copa do Mundo e Carnaval, esse tipo de hotel seria adequado para um público universitário, classe média, classe média baixa. Não tem esse projeto em Salvador para atrair esse tipo de empreendimento?

CT - Temos em Salvador outras alternativas, que são hotéis de menor capacidade de oferta e atraem, normalmente concentrados na região do Centro Histórico, que são os hostels. Mas a gente precisa diversificar e acho que esses hotéis podem ser uma alternativa para essas presenças marcantes dos eventos esportivos. Estabelecimentos com menores tarifas, estruturas que podem comportar apartamento triplo e atender esse público. O significante nesse aspecto é que, pra isso, precisamos de novos equipamentos. E você precisa restaurar aqueles que estão hoje aqui. Nós perdemos em Salvador dois cinco estrela: o Salvador Praia Hotel e Hotel da Bahia. Perda temporária, porque acho que o Hotel da Bahia entra em operação esse ano novamente. E o Salvador Praia Hotel está sendo condicionado a uma viabilidade econômica a partir da mudança da legislação. E, com isso, acho que a gente tem aí uma melhoria da oferta e, consequentemente, poderá ter uma atração significante desses meios de hospedagem.

BN - Quem são esses integrantes do Conselho Baiano de Turismo e, em sua opinião, por que eles pouparam o Estado das críticas?

CT - Na verdade, o conselho é uma agregação dos diversos setores do turismo do Estado da Bahia. Estão presentes o setor hoteleiro, através do sindicato de hotéis, bares e restaurantes, através da Abrasel, as agências através da Abav, as locadoras de veículos, os guias turísticos, ou seja, praticamente todos os setores que compõem o trade turístico. Imagine você que essa atividade envolve 52 setores da economia de uma cidade, de um estado. Eu acho que eles pouparam, em primeira instância, porque eles dirigiram a carta ao prefeito, ao município. Não sei se é poupar. Acompanhei esse grupo em reuniões, inclusive com o ex- secretário César Nunes, quando eles foram exigir melhor atenção, sobretudo nas regiões hoteleiras como Ondina, Itapuã, Rio Vermelho, exigindo melhor segurança. Eles mesmos admitem que alguns gerentes inibem seus hóspedes de visitar, às vezes, áreas em torno dos hotéis, como a Lagoa do Abaeté, em virtude da segurança. Acho que não foram abordados porque imagino que eles vão dirigir e direcionar essas reivindicações, como já fizeram no passado, à área competente. É isso que imagino. Não acredito, não quero acreditar em motivação política. Seria lamentável se houvesse, apesar de saber que esse é um ano eleitoral, último ano de gestão municipal, onde o município tem algumas outras dificuldades, entre elas a Lei de Responsabilidade Fiscal. Qualquer compromisso firmado esse ano terá que ter garantia de recursos em caixa e não é novidade pra ninguém, muito menos para o conselho - até porque muitos deles ocuparam funções na administração pública, inclusive na própria Emtursa, presidiram a Emtursa - e sabem das condições que a prefeitura tem pra enfrentar tantos problemas e dificuldades que são reais e estão aí realmente para serem enfrentadas.


BN - O turista pode vir pra Salvador sem problemas? O senhor acha que a cidade está preparada para receber os turistas?

CT - Salvador é uma cidade e eu vejo jornal comparar Salvador com Praia do Forte. Isso é uma tremenda burrice. Salvador tem que ser comparada com ela mesma. Salvador é uma cidade com uma mistura racial, cultura, cheia de cordialidade, aspectos naturais que encantam as pessoas e isso ajuda na promoção da cidade, enfim. Mas é uma cidade de muitas desigualdades. Então, precisamos ter no turismo uma atividade e mostrar pra população que o turismo é uma vocação econômica da cidade. Que é uma atividade, um vetor de desenvolvimento econômico. Precisamos mostrar o que esse setor gera de receita pública, por exemplo, quanto de ISS é  gerado na movimentação hoteleira, em bares e restaurantes, agências de viagens. Por isso, proponho a implantação de um fundo municipal para o turismo. Como é a atividade de guias e monitores, se estão profissionalizados, acolhendo a mão de obra nesse mercado. Fico lamentando, nos últimos anos, o fechamento das principais escolas de turismo. Ora, porque o setor não está empregando mais? Tínhamos tantas escolas de turismo. A Facs fechou, a Factur fechou. Ou seja, há uma saturação dessa atividade? Será que o setor privado está acomodando essa mão de obra? Está investindo nessa qualificação? A gente sabe que há um rodízio, uma rotatividade intensa de mão de obra nesses setores. Ou seja, precisamos abrir essa atividade pra que a sociedade de Salvador, sobretudo os que têm relação de independência de mercado, possa ser ofertante de mão de obra para saber e entender melhor a importância. Tenho certeza que temos muitas dificuldades na cidade e que elas devem ser enfrentadas por uma gestão que traga mais eficácia, que enfrente os problemas. Em 2009, quando assumi a Saltur, já conhecendo essas restrições, fomos ao Ministério do Turismo. Batemos na porta, na época do ministro Luiz Barreto, que primeiro ficou surpreso porque Salvador nunca bateu na porta para pedir apoio. Ele abriu a porta. Imediatamente, reuni minha equipe e apresentamos projetos. Passaram-se dois anos do PT no Mtur e não tivemos um projeto aprovado por aquela gestão. Olha, era final de 2011 e quero fazer uma ressalva: com um mês na secretaria do Mtur, o Fábio Mota nos chamou e abriu o sistema do Mtur e empenhou R$ 500 mil para o projeto de acessibilidade, com a perspectiva de que a gente pudesse então entrar no ritmo de aprovações de projetos e ter maior autonomia para investimentos necessários naquilo que nos compete: infraestrutura, serviço, qualificação e promoção turística. Infelizmente, a prefeitura tem restrição no Sistema de Certificação do Acolhimento para Firmação dos convênios. A Caixa mandou documentação, tivemos que recorrer via Procuradoria do Município à Justiça Federal agora em dezembro, no plantão, e não conseguimos êxito para ter autorização mesmo judicial de firmar o convênio; então perdemos mais uma oportunidade. Fomos além, e na mesma época identificamos o Prodetur Nacional - um programa de financiamento ao turismo que ei já conhecia. Foi dessa forma que o estado, na gestão passada, construiu estradas, aeroportos. Preparamos a primeira fase, que era o plano de desenvolvimento integrado de turismo sustentável, que era o instrumento do planejamento. Eu tenho hoje um documento, um plano, que publicarei na internet nas próximas semanas, que é de altíssimo nível de detalhamento e no qual apontamos para um futuro de inovação turística de Salvador. Mas, infelizmente, Salvador não tem capacidade de endividamento para adquirir esse financiamento, que é adquirido através de recursos do Bird e repassado pelo Mtur.


BN - O senhor mencionou as comparações entre Salvador e Praia do Forte. A gente tem observado que Salvador perde turistas para o Litoral Norte – o turista, muitas vezes, desce em Salvador mas vai direto pra lá. O que o município planeja de concreto para atrair os turistas e fazer eles se hospedarem aqui?

CT - Esse planejamento está representado pelo Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo [Pdtis], documento que vou divulgar. Acho que Salvador precisa. Está fazendo pouquíssimo, quase nada. A gente precisa estar num nível de conservação e manutenção dos nossos atrativos de forma adequada, para que estejam em condições de associar promoção à realidade. E inovar. Salvador por muito tempo não renova em atrativos. Por exemplo, seria interessante que tivesse em salvador um centro de referência histórico. Se você desce no aeroporto e pergunta onde pode ir para conhecer a história dessa cidade - primeira capital do Brasil, que ficou 200 anos como poder político do país, com cultura extraordinária - você não encontra um centro de referência. Temos o Museu da Cidade, com acervo insignificante do ponto de vista da história e importância que Salvador tem. O que estamos fazendo é quase nada, pouquíssimo, para manter, conservar e inovar. É lógico que Salvador, sozinha, não fará isso. Até mesmo porque não há participação de outros entes públicos, como o governo do Estado e União, este último de domínio desse patrimônio que Salvador possui. Se eu chegar na Baía de Todos os Santos, temos 18 municípios que a margeiam. Mas temos marina só em Salvador. A marina de Itaparica foi construída em gestões passadas, teve problemas recentes por questões de segurança, e não funciona. Você tem um equipamento na Baía como o Forte São Marcelo, que pertence à União e cuja última requalificação foi promovida pela prefeitura. O forte se encontra fechado. Desconheço a motivação. Estamos fazendo muito pouco. Não é só o município, mas todos nós. Acho que é a inovação que pode permitir a Salvador garantir a atração dos turistas e a permanência deles na nossa cidade.

BN – Por que, então, se faz pouco? A Saltur tem a limitação dos recursos, a prefeitura tem a incapacidade de endividamento. E os outros entes, como o Instituto do Patrimônio Histórico e artístico, a Superintendência do Patrimônio da União, o governo do Estado? Porque se faz pouco para que Salvador inove e valorize sua história e sua importância no cenário nacional?

CT - Por falta de humildade. Tá cada um esticando a corda pro seu lado. E vou justificar isso de uma forma muito concreta: em 2001, foi criado no governo de César Borges, o Cluster de Entretenimento da Bahia. Participavam da composição entes do governo municipal, estadual e federal, iniciativa privada, a Odebrecht tinha acento, o Iguatemi e a turma do carnaval. Então, essa foi a oportunidade de criar essa unidade, convergir os interesses públicos e privados para um mesmo centro e ali tomar decisões e dar diretrizes para essa atividade de turismo na Bahia. Ora, infelizmente o Cluster, que não está efetivamente enterrado, foi totalmente desmobilizado quando a iniciativa privada – e fico à vontade para dizer isso porque, em 2009, quando cheguei, o presidente do Cluster era o Xavier Venciana – fez pressão para que houvesse a confirmação de um aporte de manutenção do Cluster pelo governo do Estado, que em seu início já era previsto. Infelizmente, por uma análise jurídica da Procuradoria do Estado, não se permitiu. Não atribuo ao secretário de Turismo do estado, e sim à Procuradoria, que não permitiu que houvesse esse aporte de manutenção.  Ou seja, a iniciativa privada estava buscando fazer sua parte e o Cluster se desmobilizou. Ali eu percebia que podia haver de fato essa unidade. Por isso que hoje, para maior autonomia de Salvador, defendo a nomeação do Conselho Municipal do Turismo. Vou fazer outras abordagens: Salvador ficou muito tempo vinculada, do ponto de vista de promoção, à Bahia. Até no âmbito da Emtursa se chamava Salvador da Bahia. Então, a gente não tem identidade própria. A identidade de Salvador está vinculada à Bahia, que é conhecida nacionalmente e a nível internacional. O governo sempre teve uma atuação que auxiliava na promoção e na oferta das condições que Salvador já teve. Então, quando o governo, nessa gestão na área de turismo, diz assim: tenho um produto chamado São João da Bahia, entra com um forte apelo promocional nesse produto, acho extraordinário, mas o São João não é um produto para Salvador. Em junho, o público ainda está em aula, e o pessoal está ainda trabalhando. Em julho, tudo bem. Por isso que a gente defende um grande festival cultural em julho, pois teríamos possibilidade de atrair esse público num período que seria de baixa estação. Outra coisa: a instalação de um palco no Pelourinho é bacana, mas não é nossa prioridade para inovarmos em equipamentos turísticos para Salvador. Acho que a parte de eventos, o próprio Espicha Verão, que já não ocorreu com tanta força no ano passado - até mesmo porque ele foi criado quando o Carnaval ocorreu no final de janeiro para o início de fevereiro - está voltado para evento festivo, musical e etc. Minha preferência era que esses recursos pudessem ser empregados em outros atrativos, como a restauração de equipamentos, melhorias do entorno, locais atrativos. Estou colocando uma opinião que é meramente técnica, mas apenas para representar que não há unidade. Essa falta de unidade é o que mais prejudica Salvador e é por isso que defendo a nomeação de um Conselho Municipal de Turismo, para dar maior autonomia a Salvador.

BN - Ficou feliz com recondução de Leonelli à Secretaria de Turismo do Estado? Ele é um bom parceiro?

CT - Ele é um bom parceiro porque é muito direto. Mas isso quem cabe analisar é o governador. Parece que o trade está satisfeito pela política de turismo. Leonelli é uma liderança nacional, preside o Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo – Fornatur. Mas cabe ao governo analisar o seu desempenho e satisfação. Eu estou aberto a uma relação, sou direto também e vamos em frente.

BN - O que tem de novidade para o Carnaval esse ano?

CT - O Carnaval está pronto. Estamos na fase de contratação para operar ele, todo planejamento realizado. Temos aí algumas inovações do ponto de vista do conteúdo, toda essa articulação que nós lideramos de fortalecer a Avenida está dando resultado. Se você pegar minha primeira entrevista em 2009, já apontava que seria muito mais uma missão de fortalecimento da Avenida e comprovamos isso com o retorno de grande atrações para lá. O retorno dessas atrações tocando em trios sem cordas. A valorização da Castro Alves, reeditando os encontros de trio. E tem novidade ainda; nos próximos dias, na próxima semana, a gente tornará público em coletiva. Em outro campo, temos a perspectiva de melhor fiscalizar, disciplinar o comércio informal. A Sesp faz um esforço para formalizar o comércio ambulante, mas estou preocupado porque, em 2011, tivemos 5,5 mil ambulantes licenciados e, até uma semana atrás, só tínhamos 2,6 mil. Acho que essas pessoas estão apostando na informalidade, de ocuparem os espaços públicos acampando nas ruas, inclusive ruas residenciais, prejudicando o convívio e a relação da cidade com o carnaval. E a Sesp também está com planejamento, no qual a área de segurança pública deve auxiliar nesse sentido, pelo menos para ter uma relação legítima da formalidade. O patrocinador terá investido kit para cada ambulante, ele vai estar padronizado. Lembrando apenas que estaremos inovando nos sanitários públicos com um equipamento para dar melhores condições de higiene, de limpeza e até privacidade. Serão estruturas em contêineres que vão acomodar em torno de cinco sanitários, cada um ligado a rede de esgotamento, provavelmente refrigerados.


BN - Em termo de arrecadação, qual a expectativa de receber em cota, patrocínio e fluxo de turistas?

CT – Primeiro, vamos manter esse histórico desde 2009, quando iniciamos praticamente dobrando a capacitação em relação a 2008 e mantendo a cada ano pelo menos um incremento de 10%. Temos dois contratos assinados: primeiro, com a Ambev, que assina a marca Brahma, de R$ 4,9 milhões, ampliando 30% a cota relativa ao ano anterior. O Itaú na área financeira, com cota sênior de R$ 3,7 milhões. Tivemos nessa semana um avanço grande com a Petrobras, que inclusive já deu número ao contrato e acredito que na próxima semana possa também tomar decisão final de assinatura do contrato. Assim como o governo do Estado, que compuseram o grupo de quatro patrocinadores seniores relativo a 2011. E o consórcio continua ainda em tratativas finais, com cotas de menor padrão, que é uma cota principal que varia em torno de R$ 1,2 milhão com uma empresa automotiva e uma empresa de varejo, que deixo de citar porque preservo o tratamento de assinatura do contrato. Fechando esses seis contratos, a gente supera dentro desse percentual que eu falei em relação a 2011. E logicamente a gente consolida esse modelo que precisa de inovações também. Sobre a publicidade, estamos estabelecendo as regras necessárias para que marcas não tomem espaços grandes demais. Para isso, a Sucom deve apresentar na próxima semana o que será a poligonal do carnaval, que é um traçado de definição das áreas de circuito. Isso vai ajudar muito no estabelecimento de limites de publicidade, da fiscalização, do comércio, da própria atividade de desfile do carnaval. Então, a gente consolida o modelo e deve apontar inovações para os próximos anos.

BN – E em termos de turistas?

CT - Em 2010, trabalhamos com 480 mil e ano passado, com 500 mil. Esse ano, vamos manter a expectativa de 500 mil. É lógico que acompanhamos isso com a movimentação de aeroportos, rodoviárias e nos sistemas. Hoje, Salvador está praticamente toda pedagiada. Então, isso ajuda para que a gente possa mensurar seja pelo ferryboat, pela Linha Verde e pela BR 324. Espero que essas concessionárias abram esses números para que a gente possa confirmar a entrada de turistas e carros na cidade. Estão previstos nove navios só entre segunda e terça-feira, com um porte maior, que aí amplia aquilo que foi ano passado, quando tivemos 26 mil turistas em navios. Então, a gente deve ampliar em torno de 30 mil em 2012.

BN - Em termos de licenciamento, os camarotes e trios deram muito trabalho ano passado, tentando legalizar em última hora. Esse ano, que medida foi adotada para que a questão dos trios e camarotes seja mais organizada?

CT - No âmbito dos camarotes, nós definimos que não poderiam instalar passarelas e usar gruas para retirar artistas de cima de trios para apresentações internas. Isso foi aprovado. A Sucom estará fiscalizando o cumprimento. A medida vai ajudar para que o conteúdo e a atividade do camarote não prevaleçam em relação à festa da rua, como também ajudar em outro aspecto do desfile: a gente está procurando tratar e trabalhar com horários mais realistas e aí efetivar as regras de intervenção, sobretudo de penalidade naquilo que for desconforme com o código de ética do carnaval. Aquilo que nunca foi feito em anos passados. Esse código existe desde 93, mas nunca foi implantado. E esse ano queremos atribuir aos blocos e trios a penalidade pelo atraso, descumprimento de horário, mesmo que não surta efeito naquele dia de carnaval, ou, em alguns aspectos, nesse carnaval.

BN - Por que o código nunca foi cumprido?

CT - Acredito que tenha uma parcela de proatividade do órgão do carnaval, da Emtursa no passado, e na minha gestão. E outro aspecto: o código de ética, da forma que está, estabelece três comissões. Cada uma delas tem cerca de 15 a 17 membros e efetivamente nunca se conseguiu reunir essas comissões com essa formação. Por isso, defendemos ao conselho que vamos definir uma única comissão entre sete e nove pessoas representativas de todos os segmentos.


BN - Além das gruas, será que as emissoras de TV vão respeitar? Outra coisa: os blocos não vão poder parar em frente aos seus camarotes. É verdade isso? Há algum tipo de brecha para que as TVs possam burlar isso?

CT - Em relação aos blocos não pararem nos camarotes, isso é uma intenção, mas não uma verdade. O único trecho do carnaval onde temos uma delimitação parcial é a passarela do Campo Grande. Ali, o decreto de fluxo mede o trio tem 30 minutos entre passar o eixo dianteiro do trio no primeiro portão e o eixo traseiro do trio no segundo portão. Em cima dessa delimitação, ele tem 30 minutos. Ele pára, toca se apresenta. Em todos os outros trechos do circuito, a gente mede início e fim. Ou seja, da hora em que ele sai na Barra-Ondina, do Largo do Farol no nosso posto operacional, e quando ele passa no ultimo posto operacional na altura do posto de gasolina em Ondina. Em média, são cinco horas nesse circuito por atração para que a programação seja iniciada por volta de 15h e termine às 4h, tempo suficiente para preparar o circuito para o dia seguinte. O trio não anda do início ao fim; ele tem momentos de parada. O que acontece é que isso está se excedendo e, por relação com alguns camarotes, alguns artistas passam mais tempo na frente de um e aceleram a circulação do seu trio em determinados momentos. Orientamos nossa equipe para acompanhar e interferir nessa evolução. Então, é uma questão mais de postura do que dizer “não pode parar”. Pode parar, sim. Mas dentro de um tempo que nossa fiscalização irá dimensionar e medir. E, só pra encerrar, nosso fiscal e coordenador de pista está orientado para perceber a fotografia do momento. Às vezes, é muito importante para o Carnaval um encontro entre artistas. A gente tem que perceber a fotografia desse momento e valorizá-lo.

BN – E em relação às TVs e gruas?

CT - Em relação às TVs, já acompanhei rádios dentro de camarotes que tem um praticavelzinho abordando o artista que estava no trio. No decreto das festas populares, artigo 20.505, existe uma regra imposta aos praticáveis de imprensa, pra que não instalem equipamentos sonoros com propagação externa. Ou seja, a forma que têm os profissionais de imprensa em geral, sobretudo de TV, de interferir, às vezes de forma inadequada, é a possibilidade da voz chegar ao artista e interferir  na passagem dele. Então, o que queremos é que isso se cumpra. Agora, quem licencia e fiscaliza essa instalação é a Sucom, que está orientada pelo decreto. Espero que, em 2012, a gente tenha, senão a eliminação total, a minimização dessa interferência no desfile dos artistas, sobretudo por parte das TVs.

BN - Esse é o último ano de carnaval de Tinoco à frente da Saltur, pois a gestão está acabando. Mas, com o anúncio da desistência de Kertész a prefeito, pode ser uma despedida de Tinoco da Saltur?

CT - (Risos) Vamos por partes. A atribuição de desistência de Kertész está com você (risos). E me permita fazer uma consideração. Eu tenho feito pouquíssima abordagem do ponto de vista político, até porque represento na administração de João Henrique um partido e um grupo que faz oposição a um governo que se diz aliado ao prefeito. Então, evito minhas manifestações, apesar de ser militante, até pra que não confundam a minha limitação técnica na empresa. O nosso grupo político, que faz oposição e tenta criar uma alternativa de colocar em Salvador uma candidatura que seja contraponto ao PT, tem três grandes candidatos e eu não acredito que essa manifestação de Kertész possa ser definitiva. Acho que ela pode estar associada a uma força de expressão, até mesmo para atender a objetivos e ao pensamento dele naquele instante. Acho que a gente teria, caso Kertész saia candidato e seja eleito prefeito, primeiro uma grande oportunidade de resgatar alguns traços da boa administração que fez. Imbassahy não precisa provar mais nada. Fico à vontade porque participei da equipe dele em 97, 98, desde o início, e vi toda a reconstrução de uma máquina administrativa empregada pela sua gestão, por uma equipe competentíssima. E logicamente ele teve um papel fundamental de recuperação da cidade, de emprego e determinadas iniciativas relevantes. Ele teria um desafio de fazer melhor do que ele fez nos dois mandatos em que foi prefeito da cidade. E tem a candidatura de Neto, que é a minha preferida por vários motivos. Não só porque ele pertence ao meu partido. Acho que Salvador tem anseio de apontar para o futuro - por isso mesmo, sobre as críticas que são vinculadas ao momento atual, às ações emergenciais, me frustram porque eu acho que Salvador precisa apontar para o futuro. E Neto, já em 2008, trouxe isso. Acabo às vezes testemunhando nas ruas manifestações de pessoas que eram da esquerda que reconhecem essa expectativa e perspectiva de que Neto representa esse apontamento de Salvador para o futuro. Então, acho que a aliança é importante e no momento certo isso vai ser traçado. Eu tenho certeza que teremos o melhor candidato para oferecer ao eleitorado de Salvador em outubro. Quanto a mim, poderá ser o último carnaval com certeza. Eu entrei em diversas outras missões na administração pública, fui superintendente da Secretaria de Educação, chefe de gabinete e secretário de Infraestrutura; então tenho um orgulho grande de ter trabalho com Imbassahy, César Borges, Paulo Souto. Vim de uma escola que me ensinou que a gente tem início e fim. Sou filiado ao partido desde 2001, cogitava uma candidatura de deputado estadual em 2006 - meu grupo sabia disso - fui candidato em 2008 na perspectiva de começar a construir uma base política para aquilo que entendo como uma vocação. Gosto da administração pública, fiquei 20 anos no Executivo e espero realmente ter uma oportunidade de ter uma atuação diferenciada na Câmara de Salvador, poder trabalhar. Auxiliar seja na oferta de ter uma ação propositiva para aquele prefeito que seja associado a mim, seja fiscalizatória e também propositiva caso venha a ser um vereador de oposição. Mas eu tenho que tomar essa decisão no momento certo, ouvir as pessoas que estiveram comigo em 2008, avaliar a competitividade. Não entro em aventura, não tenho vaidade de ser candidato. Mas construí, tive seis mil votos, mais votos do que cinco vereadores que foram eleitos em 2008. Como é que vou deixar de levar em consideração, sem apoio de governo e de prefeitura, a referência desse eleitorado meu?  Foi no gogó, batendo perna em Nova Constituinte, no Buraco da Gia, indo na Pituba... Tive que refazer o meu nome em virtude da legislação eleitoral, não pude usar o nome com o qual sempre trabalhei na administração pública. Então, fica uma referência por último daquele que me ensinou muito, e essa postura que tenho hoje foi por causa de Eraldo Tinoco. Muitos me abordam falando que era meu pai, mas era meu tio, e contribuiu muito na minha formação, tanto na administração pública como na política. Eu quero ser candidato a vereador de Salvador.

BN - Você disse que, ACM Neto sendo candidato, era mais fácil você sair também, até para reforçar a questão da legenda.

CT - Não diria nem eu, me permita dizer isso e reforçar, mas a própria chapa que construímos. Repito:tivemos em 2008 cem mil votos, dos quais 42 mil foram voto de legenda, que foi exatamente pelo bom desempenho que Neto teve em 2008. Então nosso partido, o Democratas, ainda tem um papel significante nessa cidade e precisa ter um candidato majoritário para que a gente possa fazer com que essa chapa construída possa ir pras ruas realmente, mostrar, cada um do seu jeito, aquilo que ele representa, as suas propostas, os seus discursos, a sua militância. Então, isso é importante. Se nós não tivermos um candidato do nosso partido majoritário, é muito provável que a gente perca esse voto de legenda na sua dimensão relativa a 2008. Mas de repente podemos crescer no voto nominal. Então, não é uma imposição. Eu não estou aqui dizendo que só vou se Neto for. Não é isso. Mas estou muito associado, não só a minha possível candidatura, como também daqueles que estão com a gente no partido. E é por isso que todos os partidos estão dizendo que vão ter candidato a prefeito. Vamos ver quem é que vai.


BN - Quais são os nomes possíveis do DEM além do senhor?

CT - Eu vou seguir a ordem. Eu fui primeiro suplente, com 6.078 votos. Kátia Alves teve 5.800, Antônio Lima, cerca de 4.500. Mantivemos os três nessa perspectiva e atraímos outros, como Sérgio Nogueira, ex-vereador de Salvador com uma militância na cidade, e alguns novos candidatos. Ainda antes, outro ex-vereador como Décio Santana, que veio também pro partido, já foi vereador de Salvador, com militância na área de saúde. E há esses novos candidatos, que ocorreram desde 2008 e também em 2010, como a própria delegada Patricia Nuno, o Beijoca, o Vado Mal-Assombrado, que teve cinco mil votos e é uma liderança comunitária com uma representação que precisa ser respeitada. E aí temos todos esses que vieram e que eu vejo a imprensa dar mais evidência normalmente, como a própria Cissa [Chaggas], conhecida como a Mulher Maravilha, que é dançarina, mas uma menina também com outros predicados que não são apenas esses. Tem o Washington, que tem uma militância no Nordeste de Amaralina e já teve mais de dois mil votos na região. Eu fui surpreendido em 2008 com Leo Kret. Eu conheci Leo Kret na convenção do partido quando o PR se associou, em junho. Depois, me encontrei com Leo Kret no desfile do Dois de Julho em 2008, acompanhando Paulo Souto. Já o Peppy [Safado] eu não sei, como no caso de Cissa eu também não sei qual é a militância, qual a atuação. Agora, na política a gente tem observado, não é só em Salvador, diversos expoentes que aparecem arregimentando um voto de eleitorado, que às vezes é um voto crítico, um voto de protesto. Acho legítimo, mas prefiro manter a minha postura de representar essa escola, que é anterior a esse momento do partido, como por exemplo Eraldo Tinoco, Waldeck Ornelas, Manuel Castro, Luis Carrera, Rodolpho Tourinho, Albérico Mascarenhas. Eu venho dessa escola de políticos que, inclusive, tinham um caráter até mais de gestores, administradores públicos, do que necessariamente pessoas que saem de sua atuação na sociedade de forma legítima e vão galgar a carreira política.

BN - O que é mais difícil de acreditar: na desistência de Kertész ou que Tinoco não vai sair a vereador?

CT - (Risos) Que Cláudio Tinoco não vai sair candidato a vereador.
 

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