Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Entrevistas

Entrevista

Pedro Godinho defende Câmara mais acessível à população após assumir presidência - 10/01/2011

Por Felipe Campos

Foto: Max Haack / Bahia Notícias

"Os secretários quando vêm à Câmara são muito bem tratados por todos nós. Nós exigimos o mesmo tratamento a todos os vereadores"

Por Felipe Campos

Bahia Notícias – Apesar de ter sido uma eleição com chapa única, o senhor foi eleito com 30 votos. Tirando oito da oposição, que entrou em acordo, e o seu próprio voto, só sobram 21 votos. A que se deve essa contagem?

Pedro Godinho – Eu fico muito feliz, eu tive quase 80% dos votos, mais de 2/3 da votação. Poderia ser mais? Poderia. Mas eu seria eleito com 21 votos de qualquer forma, nove a mais. Isso se deve a uma dificuldade muito grande que a gente teve na formação da chapa. É sempre assim, nós temos 18 bancadas e nove cargos na mesa. E aí fica esse cobertor curto danado. Nós tivemos várias reuniões, vários encontros, fizemos várias simulações e a gente não conseguia contemplar a todos. Todos querem participar da mesa, o que eu acho justo. Acho que todos querem participar das decisões maiores da Câmara. Mas nós tínhamos dificuldade para isso. Há algumas insatisfações momentâneas, pontuais, mas eu acho que nós estamos em um regime democrático. É isso mesmo, ninguém tem unanimidade. Nem Jesus Cristo, quanto mais nós mortais. Mas eu estou satisfeito com tudo, gosto de todos eles, respeito essa decisão deles todos e vou trabalhar com todos, vou procurar atender a todos da mesma forma. Vamos tocar daqui pra frente. Considero uma coisa bem particular do momento.

BN – Hoje na Câmara são três blocos e já começa a configuração de mais grupos. Grupos que desejam sustentar uma posição mais independente na Casa. O senhor considera que o ano de 2011 se inicia com a base governista um pouco mais enfraquecida?

PG – Não, não considero isso não. Você vê que nas últimas votações quando nós precisávamos de quórum qualificado para ter a urgência, até votar a reforma tributária, nós contamos com os vereadores de apoio. Às vezes aparece no andar da carruagem uma insatisfação de um colega, que é natural. Mas essas questões vêm sendo contornadas e eu tenho a expectativa de que cada vez mais nós tenhamos um bom relacionamento. Eu desejo, pelo espírito democrático. E, conhecendo como eu conheço o prefeito João Henrique que foi meu colega vereador aqui na Câmara, sei do respeito que ele tem pelo Legislativo. Com certeza cada vez mais ele vai melhorar esse diálogo do Executivo com o Legislativo. Porque o vereador precisa da atenção do Executivo. Isso, eu como presidente da Câmara, não abro mão. Que o Executivo trate o vereador bem. Os secretários quando vêm à Câmara são muito bem tratados por todos nós. Nós exigimos o mesmo tratamento a todos os vereadores. Que eles sigam o exemplo do prefeito, que é um homem educado e atende a todos da mesma forma.

Foto: Max Haack / BN

"É sempre assim, nós temos 18 bancadas e nove cargos na mesa. E aí fica esse cobertor curto danado"

BN – Independente da sua posição política, o senhor é considerado um vereador que se dá bem com praticamente toda a Casa. A oposição avisou no dia da votação que, acabado o acordo para eleger a chapa única, ela volta a ser combativa ao prefeito.  Como o senhor pretende lidar com essa base, diminuta, mas que faz barulho?

PG – Eu sempre dialoguei muito com a oposição. Eu já fui líder de outros governos e sempre tive o maior respeito por todos os vereadores e todas as bancadas. Eu vou continuar dialogando, cada vez mais com eles, ouvindo os anseios deles, entendendo o posicionamento político deles. Eles são oposição, a ala de cá é governo. Mas entendo a posição de todas as bancadas. Oposição, governo e por ventura qualquer grupo independente que se forme. Cada um cumprindo seu papel. Não tenho nenhuma dificuldade em lidar com todos eles.

BN – Qual o desafio que o senhor elege como principal em seu mandato?

PG – São vários desafios. Nós elencamos 20 propostas. Muito nessa questão de divulgar a Câmara, fazer com que ela fique cada vez mais transparente, mais acessível à população. Vamos agora pedir até para fazer um comunicado aos líderes partidários para que indiquem pessoas para formar um grupo de trabalho para acompanhamento das ações da Copa e das Olimpíadas.

BN – Essa seria a comissão suprapartidária que o senhor anunciou. Já se tem mais detalhes de como funcionará, como será montada?

PG – Nós vamos pedir a cada líder partidário que indique um representante e esse grupo vai trabalhar em consonância com o Executivo municipal, estadual e o federal, acompanhando as ações, sugerindo no sentido de contribuir para essas ações. Afinal de contas, o evento vai ser realizado na cidade de Salvador e a Câmara de Vereadores tem que ter uma participação no sentido de contribuir. Agora, como você mesmo falou, será uma comissão suprapartidária.

Foto: Max Haack / BN

"Nós vamos pedir a cada líder partidário que indique um representante e esse grupo vai trabalhar em consonância com o Executivo municipal, estadual e o federal"

BN – Na última gestão, houve alguns processos de modernização da Casa, como a volta da TV Câmara e a inauguração do Portal Transparência. Mas algumas coisas não foram conseguidas, como a questão do sinal aberto para a televisão legislativa.

PG – Já temos conhecimento disso tudo e não vamos medir esforços para implementar essa questão tão importante para a Câmara.

BN – As últimas contas da Casa que foram avaliadas acabaram sendo aprovadas com ressalvas. O Tribunal de Contas apontou um excesso em funcionários terceirizados aqui na Casa.

PG – Eu não sei ao certo quais foram essas ressalvas. Mas são raras as contas que são aprovadas sem ressalvas. E essas ressalvas são, digamos assim, sugestões que o Tribunal de Contas faz. Mas não é nada de contundente contra a Câmara. É normal. Se você for olhar em qualquer prestação de contas, raramente alguma é aprovada sem ressalva.  

BN – O senhor considera que a Câmara hoje possui um número inchado de terceirizados? Existe uma vontade de diminuir a folha?

PG – Eu não conheço ainda o número. Já comecei a conversar com o diretor, mas muito preliminarmente. Vou me debruçar mais nas questões.

BN – Nas últimas sessões algumas questões polêmicas envolveram a Câmara, como o problema que a oposição apontou fraude na votação da reforma tributária. Teve também a questão do aumento da tarifa que o Comissão de Transportes alega que não ficou sabendo a tempo. Como o senhor enxerga essas questões polêmicas que a Câmara se envolveu nos últimos dias?

PG – A questão das tarifas é uma questão inerente ao Executivo. A Câmara apenas acompanha, a Comissão de Transportes recebe a planilha. Os custos aumentam e lamentavelmente a tarifa também sobe. Você tem salários de motoristas, funcionários, etc. São componentes que infelizmente alteram a tarifa. O que precisa ser melhorado é a sua qualidade. Com a implantação definitiva do metrô e outros meios de transportes de massa. Mas a Comissão de Transportes da Câmara, eu acho, é muito bem dirigida com a experiência e a competência do vereador Jorge Jambeiro (PSDB). Eles estão fazendo a parte deles. Com relação à outra questão da reforma tributária, ali é questão de ângulo, de opinião de cada vereador. Pra você ter idéia, eu como líder do governo na hora da votação, claro que eu estava no plenário em contato com meus aliados. Apesar disso, uma pessoa da Câmara disse que eu também estava fora. Então você vê que “há uma confusão enorme no reino da Dinamarca”. Nós tínhamos até um número excessivo porque, além dos 28, quem presidia era o vereador Gilberto José (PDT), ele estava na condição de vereador e o regimento diz isso. O voto dele computa. Teve número de sobra para aprovar.

Foto: Max Haack / BN

"Oposição, governo e por ventura qualquer grupo independente que se forme. Cada um cumprindo seu papel. Não tenho nenhuma dificuldade em lidar com todos eles"

BN - Embora o senhor seja da base aliada, um dos papéis da Câmara é o de fiscalizar o Executivo. Salvador vive um momento um pouco complicado, que é divulgado pela mídia como uma crise financeira. Como o senhor encara esse ano de dificuldades financeiras para a cidade. Como o legislativo pode ajudar e fiscalizar o Executivo?

PG - Eu tenho certeza de que as contas da prefeitura irão melhorar. Eu ouço do prefeito, até na condição de líder que era, a disposição que ele tem para enxugar a máquina da prefeitura, e tem feito isso. É uma posição difícil porque é uma cidade problemática por ser a terceira em população e por arrecadar pouco. Uma das menores rendas per capita do Brasil. Então é uma posição difícil. Todos os prefeitos que eu já acompanhei aqui, já que estou no meu quinto mandato, passaram por dificuldades. Tinha prefeito que não conseguia pagar folha salarial da prefeitura em dia. E eu não falo isso criticando porque se eles não pagavam era porque não podiam. Digo isso para mostrar como esse contexto é difícil. E eu acho que dentro dessas dificuldades que ele encontrou, ele tem feito o máximo que pode. A cidade tem sido contemplada com obras importantes, iluminada, com praças, escolas reformadas e tudo. Então eu acho que, em minha opinião, e eu torço por isso pelo bem da cidade, a partir de agora ele conseguirá melhores condições enxugando a máquina e tendo maior apoio dos governos federal e estadual.

BN - Como o senhor avalia essa grande reforma administrativa que a prefeitura passou nesta última semana (2 a 8 de fevereiro) com a troca de diversos secretários?

PG - Eu achei muito positiva. Muito positiva mesmo. Dá uma oxigenação ao grupo de trabalho dele. Com a troca de secretários, esses que estão entrando, entram com sangue novo. Eu, se tivesse no lugar dele, faria a mesma coisa. Fiquei mais feliz ainda por atestar o prestígio da Câmara dos Vereadores com Gilberto José (PDT) assumindo a secretaria de saúde.

BN - E a polêmica envolvendo Alfredo Mangueira que renunciou à Casa Civil?

PG - Você sabe o que eu acho? O (Alfredo) Mangueira alegou que precisava de mais espaço na Casa Civil. A gente tem que respeitar isso. O prefeito lamentou porque é amigo do vereador. Já é um episódio passado. Está tudo em paz. Acho que ele deve escolher um secretário competente e sensível politicamente Que tenha sensibilidade política, pois é uma secretaria de estreita relação com a Câmara e com decisões políticas. Quem entrar, tem que ajudar bastante na relação entre Câmara e Executivo. Por isso eu acho que tem que ser escolhido com calma, para o prefeito acertar em cheio. Acho que Mangueira seria um grande nome, mas infelizmente não será ele.

BN - Uma possível ida de João Henrique para outro partido, possivelmente o PP, alteraria a relação dele com a base governista na Câmara?

PG - Bom, eu só ouço falar de mudança de partido do prefeito através de especulações da mídia. Eu ainda não ouvi dele que estaria disposto a isso. Se isso vier a se configurar, a gente vai ver no momento, na prática, o que é que pode acontecer. Não sei assim de antemão o que poderá acontecer. São 41 vereadores, então é realmente difícil prever o que é que vai acontecer. Mas eu só ouço essas notícias através de especulações.

BN - Para finalizar, o senhor ficou conhecido pela alcunha de vereador da Barra, e também por ter como principal bandeira o planejamento familiar. Começando o seu mandato como presidente da Câmara, haverá o desejo de planejar uma família mais unida na base governista da Casa?

PG - Sem dúvidas nenhuma. Quero administrar com todos os meus colegas, com os membros da mesa, e com todos os vereadores. Acho que ninguém é dono da verdade. Eu tenho 63 anos de idade e até hoje eu aprendo. Às vezes a gente acha que sabe uma resposta e daqui a pouco vem um amigo e fala: ‘olhe, aquela situação poderia ser diferente’, e pode ser mesmo. Então tem que ter humildade. A gente aprende a vida toda. Não é demagogia não, mas aprende mesmo. Com as pessoas mais jovens, meus filhos me ajudam. Eu tenho um neto que já votou em mim. E eles me dizem algumas coisas que trazem subsídio. Pense então por parte dos vereadores, pessoas qualificadas, pessoas que eu estimo e que confio. Eu quero trabalhar com todos eles para fazer o melhor para a Câmara e para nossa cidade. Contando com a ajuda de vocês também da imprensa.

Compartilhar