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Entrevista

Lúcio Vieira Lima comenda candidatura de Geddel a prefeito e diz que João Henrique "não tem a cara do PMDB" - 29/11/2010

Por Evilásio Júnior / Rafael Rodrigues

Fotos: Tiago Melo/BN

"Até para colocar as políticas públicas em prática, implementar os programas do seu partido, você precisa de cargos no Executivo para colaborar com o governo"

Por Evilásio Júnior e Rafael Rodrigues

Bahia Notícias – O senhor foi o segundo deputado federal mais votado da Bahia, com 221.616 votos. Qual é a sua expectativa para chegar à Câmara em 2011?

Lúcio Vieira Lima – Muito boa. Ansioso para representar o meu estado, fui eleito pelos baianos para isso, e ao chegar lá espero ter a competência de fazer um grande trabalho, sempre visando os benefícios para o meu querido estado, para a minha querida Bahia.

BN – Na última semana chegou a ser criado um blocão na Câmara, liderado pelo PMDB, com adesão de outros partidos (PR, PP, PTB e PSC) e sem o PT, mas depois houve um recuo. Como estão as articulações? O senhor tem participado das discussões?

LV – Tenho conversado e até nesta quarta-feira (1º) vai ter uma reunião em Brasília, às 15h, com a nova bancada. Eu vejo sempre acusações de que o PMDB é fisiológico, mas na verdade o PMDB é o partido que tem menos buscado cargos. Os outros partidos estão se acotovelando e a imprensa não os acusa de famintos por cargos. A questão do blocão não chegou a se formar, foi uma ideia que se teve, mas não no sentido de abocanhar cargos e sim de uniformizar a base do governo. Ficaria mais fácil de a presidenta eleita ter contatos com o líder, com o bloco. Mas, como não foi adiante, vamos esperar o início da legislatura.

BN – O senhor diz que o PMDB não tem fome por cargos, mas nós sabemos que Michel Temer (vice-presidente eleito e comandante nacional do partido) tem participado da articulação para montagem do governo Dilma. Como é que está hoje o posicionamento do PMDB dentro dessa composição, mesmo que não ambicione cargos?

LV – Veja bem, não é que o PMDB não ambicione cargos. Eu critico as colocações que são feitas, como se isso fosse a prioridade. Até para colocar as políticas públicas em prática, implementar os programas do seu partido, você precisa de cargos no Executivo para colaborar com o governo. Agora, o Michel é o vice-presidente, ele é, na verdade, o governo também, e está conversando com a presidenta Dilma no sentido de fazer essa articulação com os demais partidos, não só o PMDB. A presidenta Dilma já definiu a equipe econômica e nesta semana começará as conversas. Ela não definiu nem o perfil do seu ministério. Eu acho que há muita especulação e nada de muito concreto em relação à ocupação dos demais ministérios e demais cargos.


"A única certeza que se tem hoje, porque a presidenta já falou, é que a equipe econômica dela, a equipe do Palácio do Planalto, terá uma cota para mulheres"

BN – O PMDB baiano tinha no governo Lula o Ministério da Integração Nacional, inclusive há quem reivindique que o cargo é da cota do PMDB e não do governador Jaques Wagner. Há alguma articulação para que o PMDB baiano tenha destaque no governo Dilma? Falou-se em Geddel na Infraero, há alguma possibilidade?

LV – Olha, primeiro que não existe essa história de PMDB baiano. Eu acho que quem está tratando disso é o presidente Michel, como vice-presidente, e a presidenta Dilma. Eu acho que ele é que têm que conversar sobre ministérios e não essa divisão. Se for assim, são 27 estados da Federação, então só para o PMDB seriam 27 ministérios? Então, eu vejo muito isso. Os governadores que deram muita votação vão indicar ministros, os senadores vão indicar ministros. Termina faltando ministérios para tanta gente. Então, logicamente, Geddel quando ocupou a Integração foi como representante não da Bahia, mas como representante do PMDB. Para a graça da Bahia, ele é baiano e fez um trabalho muito bom, trazendo muitos recursos para o nosso estado. Agora, não quer dizer que a Bahia, necessariamente, será contemplada com outro baiano. Até poderá ser, mas não necessariamente baiano do PMDB. Nas especulações que eu vejo aí, há a possibilidade de termos um ministério praticamente todo baiano, pois já se falou nos nomes de Lídice da Mata, Eva Chiavon, Rui Costa, Mário Negromonte, Sérgio Gaudenzi, Sérgio Gabrielli, Jorge Solla. Então, na verdade, um ministério só formado por baianos.

BN – E Geddel na Infraero? Isso existe?

LV – Não, não tem. Não se escolheu nem os ministros, como é que vai se escolher os outros cargos? É você colocar o carro adiante dos bois. A presidenta tem que definir primeiro qual o perfil que ela quer nos ministérios, para os cargos, para então ela definir nomes com os partidos da base, ou não. Podem ser até técnicos, como ela tem sinalizado aí. A única certeza que se tem hoje, porque a presidenta já falou, é que a equipe econômica dela, a equipe do Palácio do Planalto, terá uma cota para mulheres. Ela quer um terço, cerca de oito mulheres, como ministras de Estado.

BN – Após as eleições, com a derrota de Geddel, muito se ouve falar sobre reorganização do partido porque teria ocorrido um enfraquecimento. O senhor acha que o PMDB saiu enfraquecido das urnas, que precisa se replanejar a partir de 2011?

LV – Olha, eu divido sempre em termos de derrota eleitoral e derrota política. O PMDB, obviamente, teve uma derrota eleitoral por não ter feito o governador, mas politicamente ele saiu vitorioso e fortalecido. Hoje o PMDB se coloca como a maior força de oposição na Bahia. Teve um candidato com mais de um milhão de votos. A bancada federal que nós elegemos em 2006 era de um deputado, que era o próprio Geddel, hoje elegemos dois deputados (Lúcio e Arthur Maia). Mantivemos o mesmo número de deputados estaduais. Elegemos seis. E a coligação que apoiou Geddel fez oito deputados federais e 15 estaduais. Logicamente, você fala em reorganização do PMDB, mas os partido têm que estar sempre evoluindo. Passou a eleição, o partido vai apresentar evolução, é natural, mas não tem nenhuma alteração na linha de atuação do partido. O povo nos colocou na oposição e na oposição vamos ficar. Vamos tentar disputar as eleições na maioria dos municípios da Bahia, inclusive em Salvador, sempre visando o fortalecimento do nosso partido, para que possamos chegar ao governo do Estado e implementar o projeto que nós pensamos para a Bahia.

BN – Então descarta em 100% o retorno de uma aliança com o PT na Bahia?

LV – Se fosse para nós ficarmos aliados não haveria o rompimento. O rompimento que houve foi por discordamos do modelo de administração do PT. Não houve nenhuma briga pessoal entre nenhuma figura do PMDB e nenhuma figura do PT. O que se tinha era discordância administrativa e, então, nós apresentamos um projeto novo para a Bahia. Infelizmente, o povo não entendeu que esse projeto seria o melhor nesse momento. Nós estaremos na oposição porque foi assim que o povo nos colocou.


"Se for o desejo do partido convocá-lo (Geddel), pelo que conheço dele, tenho certeza que ele não se negará a ser (candidato a prefeito de Salvador)"

BN – Sobre as eleições municipais de 2012, pelo que o senhor falou, o PMDB descarta apoiar outro nome, como o de Edvaldo Brito (PTB), que já está colocado, e lançará cabeça de chapa aqui na capital?

LV – O partido que quer se fortalecer, que quer crescer, tem que disputar eleições. Essa já foi uma grande vitória do PMDB, que apresentou após mais de 20 anos, uma candidatura competitiva para o governo do Estado. E para que nós continuemos esse crescimento, devemos disputar as eleições no maior número de municípios, se possível, nos 417. E, logicamente, é nosso desejo disputar na capital, que é o maior município do nosso estado e que, inclusive, elegemos o prefeito na última eleição. O Edvaldo Brito é um grande nome, respeitadíssimo, qualquer partido gostaria de tê-lo nos quadros como candidato, mas a ideia do PMDB é apresentar uma candidatura própria para a prefeitura de Salvador.

BN – E Geddel realmente avalia essa possibilidade de concorrer a prefeito?

LV – Veja bem, vamos deixar bem clara essa posição. Hoje nós temos dentro do partido o nome do Fábio Mota, que é da Sesp (Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Prevenção à Violência), Alan Sanches, atual presidente da Câmara, que se elegeu deputado estadual com uma grande votação, inclusive superior à da primeira-dama (Maria Luiza Carneiro, PSC, teve 32.847 votos em Salvador contra 33.203 de Sanches). Além de Marcelo Guimarães Filho, que fez um grande trabalho no Bahia, levando o clube à primeira divisão, e que, historicamente, sempre militou na política de Salvador. Agora, eu sempre falo o seguinte, você tem o nome de Geddel, que é uma grande liderança do PMDB. Saiu com uma grande votação, de quase 200 mil votos aqui em Salvador (na verdade, foram 131.398), e teve um milhão de votos para o governo do Estado, então se especula o nome dele. Eu costumo dizer que Geddel é um homem de partido, da mesma forma que ele foi candidato a governador por exigência das bases, não por desejo próprio. Então, o nome de Geddel sempre é ventilado como candidato no PMDB. Se for o desejo do partido convocá-lo, pelo que conheço dele, tenho certeza que ele não se negará a ser.

BN – Não fica mais difícil disputar a eleição sem a máquina. O próprio Paulo Souto atribuiu a isso a vitória de Wagner. O PMDB não teria que conseguir um ministério ou, pelo menos, uma Infraero?

LV – Olha, a política hoje está mudando muito. Se fosse assim, não existiria oposição, pois uma vez eleito, aquele governante estaria com a máquina e estaria sempre se reelegendo. Me surpreende o Paulo Souto dizer isso, que ganhar a eleição sem a máquina é difícil, porque ele sofreu uma derrota quando estava no governo (em 2006), com a máquina, que era o governo estadual, sem contar com o prestígio que tinha em nível federal. Hoje tem mudado muito isso na política baiana e nacional. Aqueles políticos que não dão ouvido aos anseios da população, que não ficam em sintonia com ela, mesmo tendo a máquina, tendem a perder a eleição. Então, o PMDB não tendo máquina federal, estadual ou municipal, qualquer que seja, vamos fazer a política prevalecer na sua essência. Conversar com a população, mostrar as nossas ideias, os nossos projetos. Ninguém pode esquecer, por exemplo, o presidente Lula, que não tinha a máquina e fez aquele grande trabalho, disputando eleições, fez a caravana da cidadania, viajando o país todo, e terminou eleito presidente, reeleito presidente, fazendo a sua sucessora, e hoje é considerado, sem dúvida alguma, o melhor presidente da história do Brasil.


"O PMDB não faz a política com o fígado, o que nós visamos é o bem da Bahia"

BN – Aqui na Bahia, o DEM e o PMDB foram colocados pelas urnas na oposição e terão que dialogar. Como será esse posicionamento na Assembleia Legislativa?

LV – O PMDB é o partido caracterizado pela sua capacidade de dialogar. Nós conversamos com todos. Nós não temos inimigos pessoais. O PMDB não faz a política com o fígado, o que nós visamos é o bem da Bahia. Então, nós dialogaremos com o DEM, com o governo do Estado, se achar necessário, com qualquer outro partido. O que nós não estamos dispostos a fazer é aquela política menor que, em troca de cargos, você é cooptado. O PMDB ao entregar, no governo passado, importantes cargos que ocupava, para apresentar um projeto próprio aos baianos, que não é um partido fisiológico. O PMDB é um partido que quer fazer a política das propostas, do debate, com a população, com a sociedade baiana.

BN – Como é que vai ser esse debate do Lúcio Vieira Lima no Congresso, de defender por um lado Dilma Rousseff, na Câmara, e criticar Jaques Wagner, na Bahia?

LV – Eu vou criticar a gestão se for merecedora de crítica. Eu espero até que não seja. Eu torço muito para o governo dar certo, porque aqui nasceram meus filhos, aqui moram meus familiares, meus amigos e meus irmãos baianos. Então, não vou fazer a crítica pela crítica. Mas se for necessário, será com naturalidade, como o PMDB fez quando discordou da administração Jaques Wagner, que não estava aproveitando o bom momento do Brasil, devido ao grande governo do presidente Lula. Você veja que nós perdemos muitos investimentos para Pernambuco e para outros estados. A nossa economia caiu uma posição no ranking nacional, passando de 6º para 7º lugar, sendo ultrapassado por Santa Catarina, e é ameaçado de ser ultrapassado pelo Distrito Federal. Então, nós faremos as críticas, mas lutaremos lá em Brasília junto à presidenta Dilma, junto aos demais ministros, do PMDB ou não, para que tragam recursos à Bahia e, desta forma, não tenhamos a segurança pública desse jeito que está. Nós pleiteamos uma educação de melhor qualidade. Uma saúde em que não se anuncie que temos novos hospitais e nós vemos aí a redução no número de leitos. As críticas que nós fazíamos na eleição não eram eleitoreiras. Está tudo se confirmando agora no pós-eleição. Continua a violência com casos de adolescentes sendo decapitadas, balas perdidas matando crianças e o grande número de assaltos a agências bancárias em todo o interior. A questão da saúde pública da mesma forma. Continuam os baianos procurando acesso até no estado vizinho de Sergipe, a ponto de o governo local pedir para que os baianos voltem para buscar seus pacientes, que muitas vezes são esquecidos lá. A educação está do mesmo jeito. Nos investimentos, continuamos perdendo para Pernambuco, como a perda recente da instalação de um estaleiro. Essas críticas nós continuaremos a fazer e vamos lutar para que a Bahia tome o caminho certo para não merecer as críticas. Porque quando se tem crítica é porque há algo errado, e eu não quero nada errado com o meu estado, com a minha Bahia.


"Mudou João Henrique ou mudaram os verdes?"

BN – Aqui em Salvador, nós temos visto um recente conflito entre o prefeito João Henrique e o PMDB, isso é claro, mas eu queria saber se o PMDB não se sente como um noivo traído que não pode fazer nada porque não há nada oficial? Como o PMDB avalia essas movimentações  políticas do prefeito?

LV – Esse é outro assunto que temos que deixar bastante claro. Na verdade, João Henrique veio para o PMDB quando tinha uma rejeição muito grande, baixa intenção de votos e sua administração estava muito desgastada. O PMDB o abraçou e ele diz, em seus pronunciamentos, que deve a sua reeleição ao PMDB. Nós queríamos requalificar a administração e fizemos. Trouxemos investimentos para Salvador, é só ver o canal do Imbuí, a Centenário, escadarias, máquinas para fazer as drenagens dos canais. Hoje a prefeitura não vive de alugar máquinas, tem o próprio maquinário dela. Tudo isso foi feito. Então, nós demos uma cara à cidade de Salvador que é a cara do PMDB. A cara de trabalhar pela população. A cara de saber que a população tem pressa em ter seus problemas resolvidos. Quando o João Henrique foi eleito prefeito, ele mudou a cara desse projeto peemedebista. Nós não temos nenhum problema de ordem pessoal com João Henrique. João Henrique não tem problema nenhum com o PMDB. Eu me dou com João Henrique, ele é prestigiado no partido, é membro da executiva estadual, do diretório estadual. Então, no trato pessoal, o PMDB tem todo o carinho com ele. Na questão administrativa, o PMDB sempre deu todo o apoio ao prefeito João Henrique. Então, a discordância que há é nesse sentido, de que depois de reeleito ele mudou aquele projeto que tinha se conversado, de fazer uma administração com qualidade, valorizando o funcionalismo, recuperando as finanças da prefeitura e levando obras à população, principalmente a mais carente. É só você ver a quantidade de investimentos que trouxemos para o Subúrbio Ferroviário. Agora, ele nunca me disse que ia sair do partido. Eu vejo sempre através da imprensa e não da boca dele. Sempre na boca de terceiros.

BN – O PMDB ainda não tem essa posição oficial de João Henrique, mas como avalia a entrada do PV na prefeitura de Salvador? O partido foi contatado ou foi solicitada a opinião do PMDB em relação à criação de mais uma secretaria (Meio Ambiente), de colocar mais um partido no espaço do governo?

LV – O PMDB não foi consultado, até porque essa é uma questão administrativa do prefeito. Cabe ao prefeito João Henrique convidar o partido que quiser e tirar o partido que desejar da sua administração. Se você perguntar qual a minha opinião sobre isso, eu acho que no momento de crise financeira você criar novas secretarias é até um desrespeito à população. Desrespeito àqueles terceirizados que estão sem receber, sem alimentar a sua família. E olha que foi feita uma reforma administrativa no início do segundo mandato de João Henrique. Então, se era tão importante, por que não se pensou nisso naquele momento? Da mesma forma, quando eu vejo aí esse namoro com o Partido Verde. O PV estava na administração de João Henrique, inclusive tinha cargos na Superintendência do Meio Ambiente, cujo superintendente era Juliano Matos, que saiu para ser secretário de Wagner, e depois o irmão de Lídice da Mata (Ary da Mata e Souza). No instante que veio a reeleição de João Henrique eles disseram que estavam saindo do governo porque o prefeito não estava cumprindo os compromissos: a questão do PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) que ia contra os verdes. Quer dizer, o que é que mudou agora? Mudou João Henrique ou mudaram os verdes? É com isso que temos que começar a nos preocupar, porque a população está atenta a tudo isso. Mas isso não é um problema do PMDB. É um problema de João Henrique com o Partido Verde, ou qualquer outro partido, porque eu já estou vendo aí as especulações na imprensa. Eu volto a dizer, em nenhum momento João Henrique disse que sairia do PMDB e em nenhum momento o PMDB mostrou qualquer desejo de que ele saísse do nosso partido. Pelo contrário, nós estamos dando, sempre que é requisitado, todo o apoio possível à administração de João Henrique. Até porque, é uma administração do PMDB, apesar de o prefeito ter dado outro enfoque. Tem se aproximado muito, inclusive, do PT. Eu acho que hoje a cara da administração de João Henrique é mais a cara do PT do que a cara do PMDB.

BN – Nos bastidores, a informação que nós temos é de que ele deve trocar de partido no meio do ano que vem, para evitar ser cassado em um processo de expulsão. O PMDB já se manifestou que, caso isso venha a ocorrer, que vai requisitar o mandato. Até hoje não houve punição para prefeitos nesse quesito. Aposta mesmo o PMDB que isso será concluído antes de um ano e meio, que é o tempo que falta para ele concluir o mandato, e que João Henrique poderá ser o primeiro prefeito com mandato cassado por infidelidade?

LV – Primeiramente, a manifestação não é contra o prefeito João Henrique. Essa é uma tese que o PMDB sempre defende, que é a fidelidade partidária. O PMDB tem uma história de coerência, então quando nós falamos que pediremos o mandato não será só de João Henrique não. É de qualquer outro prefeito, deputado, ou qualquer um que exerça o cargo do partido. Nós temos hoje sete processos de expulsão de prefeitos por infidelidade partidária. A questão não é João Henrique, Chico, José, Pedro ou Maria. É a questão do posicionamento político. Então, qualquer prefeito que venha a cometer o ato de infidelidade partidária, o partido pedirá o seu mandato. Se haverá tempo hábil para isso, ou se haverá ganho ou não, cabe à Justiça decidir. Mas cabe ao PMDB dizer claramente à sociedade que nós estamos fazendo o nosso papel. Nós fomos com um nome a vocês, em praça pública, com um projeto do PMDB, dizendo que aquele nome governaria com a cara do PMDB. Que essa era aquela proposta para a cidade, qualquer que seja ela, e agora esse nome, qualquer que seja ele, não está cumprindo o compromisso com a população. Cabe a nós como partido político dizer ‘estamos ao lado do povo. Aquele gestor mudou e nós estamos tomando as providências que a Lei dá direito ao partido’. Se a Justiça terá tempo hábil para fazer ou não, aí, literalmente, só o tempo dirá. 

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