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Entrevista

Luiz Caetano: "Minha preocupação era provar minha inocência, sair da prisão" - 25/06/2007

Por Daniel Pinto

Foto: site Prefeitura de Camaçari

Minha preocupação era provar minha inocência, sair da prisão.

Por Daniel Pinto

Por que o Sr. foi preso pela Polícia Federal?
Luiz Caetano –
Meu caro, sinceramente, até agora não sei por quê. A prefeitura de Camaçari não tem contrato com a Gautama, muito menos qualquer ordem de serviço. A Gautama venceu uma licitação no governo anterior, enquanto Tude era o prefeito. Eu cancelei o contrato. Por essa razão, havia muito assédio por parte de Zuleido e de seus funcionários. 

Houve excessos na “Operação Navalha”, especialmente na sua prisão?
LC –
Foi uma tremenda injustiça comigo. O Teotônio Vilela (governador de Alagoas) pagou R$ 70 milhões à Gautama e não foi preso. Eu não paguei um centavo. Minha prisão foi desnecessária. Acho que foi uma armação, mas ainda não posso falar. Não tenho como provar nada.

Se a Prefeitura de Camaçari não tem nenhum envolvimento com a Gautama, então porque o Sr. afastou o secretário de Obras, Iran Ferreira?
LC –
Como te disse, Camaçari não tem nenhum envolvimento com esta empresa. Olha, antes é preciso dizer que acredito na inocência do meu pessoal. Agora, afastei Iran e um de seus assessores para garantir a lisura do processo de investigação e para que eles possam preparar a defesa deles. É assim na democracia. Existem indicativos de que eles foram procurados e que tiveram contato com funcionários da Gautama. Mas, até que se prove o contrário, acredito na inocência deles.

Durante os seis dias em que o Sr. ficou detido na carceragem da PF em Brasília, passou por sua cabeça que o Sr. podia perder o mandato ou ser execrado pela opinião pública?
LC –
Em nenhum momento me preocupei com o meu mandato. Isso realmente não passou por minha cabeça. Minha preocupação era provar minha inocência, sair da prisão. Não sabia como o povo de minha terra tinha encarado a situação. Via sempre na TV meu nome associado ao de uma quadrilha. Fiquei muito triste. Muito revoltado. Mas, o povo de Camaçari foi solidário e acredita na minha inocência.

Como foi o seu depoimento à ministra Eliana Calmon, responsável pelos mandatos de prisão da Operação Navalha, na qual o Sr. foi enquadrado?
LC –
De minha parte foi muito tranqüilo, agora não posso dizer o mesmo dela. Quando a ministra me perguntou: “prefeito, como vai a obra lá em sua cidade?” Vi uma preocupação no olhar da ministra quando respondi que não havia obra. Ela ficou com o semblante de inquietação. Ficou meio desconcertada e descobriu a injustiça que tinha cometido.

Prefeito, o Sr. declarou ou não os 142 mil reais e os três mil dólares à Receita Federal? Sonegação de imposto não é crime?
LC –
Antes tenho que te dizer que aquele dinheiro foi resultado de anos de economias pessoais, tanto minhas quanto de minha esposa. Também recentemente estive na Europa, portanto tive que trocar “Real” por “Dólar”, isso foi feito no Banco do Brasil. Não há crime em guardar dinheiro em casa. Tenho registro em minha carteira de trabalho como farmacêutico, trabalhei como professor de cursinho, já fui vereador. Todo dinheiro é resultado do meu suor. Mas, é verdade que eu não declarei. Assim que recebê-lo de volta farei isso.

A Executiva Estadual do PT foi solidária ao Sr.?
LC –
O Partido dos Trabalhadores não me abandonou. Todo mundo, inclusive o presidente do PT na Bahia, Marcelino Galo, foi solidário e acredita em minha inocência. Também tive apoio de Nelson Pelegrino, da deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), dos vereadores da Camaçari, todo mundo. Foi realmente emocionante descobrir que sou benquisto por tanta gente. Olha, foi isso que me deu força pra segurar a barra.

O Sr. acha que sofreria um processo de impeachment se não tivesse maioria na Câmara Municipal?
LC –
Não, porque houve um engano da Polícia Federal. Minha prisão foi um equívoco, pra não falar outra coisa. Não acredito que haveria impeachment. Até porque a Câmara Municipal montou uma comissão especial mista para analisar a situação. Eles constataram que não houve nenhuma ilicitude, não houve nada de errado entre a Prefeitura de Camaçari e a Gautama. Portanto, não foi um apoio gratuito. Os vereadores me apoiaram depois de investigar exaustivamente o caso. O que eu quero é isso, que antes de me julgar, todos possam analisar a situação.

Houve algum prejuízo político para o Sr. nesse episódio? Como reverter essa situação?
LC –
Mas é claro que houve! Você tem alguma dúvida disso? Minha imagem foi desgastada, foi jogada na lama. A todo tempo a minha imagem foi relacionada a uma quadrilha que fraudava licitações. Lá na carceragem da PF, em Brasília, eu via – pelas grades – na TV a notícia de que “o prefeito de Camaçari foi preso em sua casa por associação com a Gautama e a quadrilha de Zuleido”. Isso foi demais! Foi muito difícil! Imagina um homem inocente ouvir isso em rede nacional? Não desejaria isso para meu pior inimigo. Aliás, para ninguém, que nem inimigo eu tenho. Sei que será necessário tempo para que todos possam entender o que realmente houve. O que eu posso fazer é isso: continuar falando com a imprensa livre de nosso Estado, continuar conversando com o povo e, principalmente, abrir as contas da prefeitura pra quem quiser ver. As contas, os documentos, está tudo aqui disponível pra quem quiser ver. Repito mais uma vez com convicção: Camaçari não tem nada a ver com a Gautama, pelo menos durante meu governo.

Com a proximidade das eleições municipais, o Sr. pensa em reeleição?
LC –
Sei lá! Isso tudo me deixou meio transtornado. Mas, posso lhe dizer o seguinte: tenho 35 anos de vida pública. Não posso deixar que esse episódio acabe comigo. A população de minha cidade tem um carinho especial por mim. Eles sabem o trabalho que nós temos realizado. Eles reconhecem o que Camaçari era antes e o que ela é hoje. Portanto, esse é um assunto que vou pensar com calma. Muita calma!

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