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Entrevista

Magno Santana revela estratégias da campanha do PV e diz acreditar que o grande diferencial dos verdes em 2010 - 26/07/2010

Por Lucas Esteves

Fotos: Tiago Melo/ BN

Por Lucas Esteves

Bahia Notícias – Quem é Magno Santana e qual o caminho que percorreu até chegar à publicidade? 

Magno Santana – Na verdade, a minha formação não é essa. Eu sou originalmente biólogo, mas eu sempre acabei por me envolver voluntariamente, porque tinha afinidade com estas questões que tinham a ver com publicidade. Houve uma grande guinada na minha vida quando eu trabalhava com reprodução humana e, na época em que trabalhava em um projeto do Senai, fui convidado a assumir esta área que tinha a ver com a publicidade. Sou muito grato à empresa, que apostou em mim, bancou a minha qualificação na área. Depois disso, eu não parei mais e me dediquei integralmente ao trabalho na área de comunicação, pois foi uma progressão natural. Primeiro comecei com ações em consultoria de marketing, uma vez que percebia que a influência destes programas era importante na vida das empresas e depois me pós-graduei na área pela ESPM. Fiz também cursos fora do Brasil e há mais ou menos sete anos tive a chance de começar o trabalho em uma agência de publicidade, que é a Criante. 

BN – Como o PV chegou à Criante para propor a campanha ao governo de Bassuma? 

MS – Acho que foi por conta deste meu passado de Biólogo que falei antes. Além disso, uma coisa que me deixou bastante surpreso e feliz foi a sinceridade com que eles trabalham. O PV chegou aqui na agência com propostas também a outras empresas, mas a maneira verdadeira como eles trabalham as coisas do partido nos fez ter muita cumplicidade. A verdade do partido é muito fechada, muito assimilada pelos integrantes, e isso me faz sentir que estou trabalhando com um bom grupo de pessoas. Eles vieram aqui, explicaram o que queriam e pudemos fazer sugestões que fizeram com que o PV desse um voto de confiança e pudéssemos começar o trabalho. Além disso, eu pessoalmente posso dizer que partilho e muito dos ideais do partido, exatamente pela minha formação. 

BN – É a primeira campanha de vocês? 

MS – É sim, e inclusive neste ponto o pessoal do partido foi muito compreeensivo e acreditou em nós. Porque um dia já fomos inexperientes em todo o tipo de trabalho que já desenvolvemos, mas houve um voto de confiança de cada primeiro cliente e nós fomos aprendendo com o processo. Comparo isso também com a fase que o partido atravessa. Ele agora assume uma proposta mais à frente do que estava anteriormente e vai em busca de conseguir o Governo do Estado. Não é simplesmente uma legenda que tem aquele tema único da preservação ambiental, desenvolvimento sustentável. O interessante que percebi do PV é que ele sempre foi um partido que tinha um cunho “social” dentro dele. O PV, na verdade, já estava maduro para disputar uma eleição e nós vamos contribuir com a nossa parcela da melhor maneira. 

BN – Como foi o trabalho de desenvolver estratégias para a campanha do PV este ano? 

MS – Na verdade, o início desse processo é meio recente. Tem apenas alguns meses. Nós nos reunimos aqui com o Bassuma e a coordenação da campanha e ele nos contou a história dele, a história do partido, e falou nas coisas em que eles acreditam. E mais uma vez falo que eu tenho sorte de trabalhar com as pessoas que trabalho, porque elas são muito verdadeiras. Há um nível de honestidade bastante alto para aquilo que as pessoas pensam de um típico partido político. Então, a partir destas coisas, e observando os recursos e a questão de disponibilidade de tempo que o PV tem na TV, desenvolvemos determinadas estratégias. 

BN – Em entrevistas anteriores ao Bahia Notícias, o próprio Bassuma foi muito claro em dizer que, por não ser uma campanha de muitos recursos, diferente das dos grandes partidos, ela seria de muita criatividade. Que tipo de criatividade vocês pretendem colocar em prática a partir da certeza do candidato? 

MS – Na verdade, obrigatoriamente, criativa qualquer campanha tem que ser. Toda agência tem que ser bem criativa, porque senão não sobrevive nesse meio da publicidade. No caso específico da campanha, como nós temos pouco tempo de TV, por exemplo, temos que exercitar sempre maneiras alternativas de exibir o candidato e as propostas. Temos um minuto e meio de propaganda eleitoral. Então a proposta que nós fizemos a Bassuma foi de ser o mais objetivo possível na propaganda, fechando nas principais propostas. Porque não adianta a gente falar tanta coisa em tão pouco tempo, senão caímos naquela de falar muito e acabar não dizendo nada. Há também um investimento forte nas ações de internet, no marketing que pode ser feito usando a rede. Não mexemos em nada no programa de governo do PV. Ele já veio mais ou menos pronto quando aparecemos e isso também é uma prova da vontade que o partido tem de vencer e na certeza que ele tem que é chegada uma hora para eles. Também não influenciamos na questão das decisões do partido sobre viagens, palanque ou nada disso. Nosso trabalho é um desenvolvimento de um plano de comunicação e divulgação do candidato nos meios de comunicação. 

BN – Bassuma não é um típico político ao qual estamos acostumados e também não é baiano. Como essas coisas poderão ser reforçadas, contornadas ou amenizadas? Como a imagem de Bassuma será explorada pelo plano? 

MS – A coisa a se perguntar é realmente se esta característica de Bassuma ser um político diferente não é exatamente o que ele tem de melhor. Ele é um político que, além de ter uma trajetória sem máculas, sempre defendeu as mesmas coisas desde que entrou para a política. O baiano é bastante bairrista, mas a melhor forma de explorar o fato de Bassuma não ser baiano é o que eu disse para ele. “Bassuma, você escolheu estar na Bahia”. É totalmente diferente para quem estar na Bahia é apenas uma questão de ocasião ou das circunstâncias da vida. No caso dele, entre todas as opções que ele teve na vida, foi aqui que ele resolveu ficar. Chegou a Salvador como petroleiro da Petrobras e aqui decidiu ficar, construir a sua família e o seu legado político. Afinal, também não podemos esquecer que o atual governador não é baiano. 

BN – Como será explorada a imagem de Marina Silva? 

MS – Obviamente, ela será muito explorada, não tem como não fazer. Marina é uma das grandes figuras políticas do Brasil atualmente. Tem tudo a ver com a mudança que o país está atravessando e também tem uma trajetória política e pessoal de muita vitória e com ausência de máculas que pudessem atrapalhar a sua imagem. Marina e o PV têm uma vantagem que faz com que o nosso trabalho aqui na campanha seja muito mais fácil, deixe ele muito melhor de ser feito. Na verdade, é o único partido que tem a possibilidade e o compromisso de trazer de fato uma novidade. Qual destes outros partidos que estão aí pode se arvorar a dizer ao eleitor que traz uma novidade, um sentimento de fazer o que nunca foi feito? A maioria deles já tem experiência de governo anterior e as coisas não mudam, continuam as mesmas. Outro dia fizeram uma pergunta a Marina e eu fiquei muito feliz com a resposta que ela disse. Perguntaram se ela via o PV estava mais à esquerda ou à direita. Ela disse que via o PV um pouco mais à frente. A resposta dela foi de uma inteligência e visão muito grandes. Então, tanto Marina quanto Bassuma podem ser oferecidos ao eleitor como esse elemento de novidade. Eles vêm de trajetórias políticas de luta e têm a convicção de que podem fazer alguma coisa a mais na sociedade. É uma coisa que exploramos aqui na nossa estratégia: não procuramos dizer à sociedade o que nós vamos fazer, mas sim o como. O "que” mais ou menos todo mundo já sabe, tem as propostas e identificou os problemas de maneira muito parecida. A diferença é o “como”. 

BN – Que forma diferente de “como” fazer o PV oferece? 

MS - A nossa diferença é dizer ao eleitor como faremos isso. E é de uma maneira com absoluta falta de tolerância a coisas como a corrupção, por exemplo. Acho muito legal o exemplo de Nova York, que erradicou o crime na cidade partindo de alguns princípios e um deles foi exatamente a intolerância total à corrupção dentro da polícia. Só os policiais de bem, que queriam contribuir para a sociedade, continuariam na polícia. E Bassuma quando conversava comigo sobre o programa de governo e a estratégia também citou este caso e eu fiquei muito feliz, porque nós não combinamos isso e tínhamos o mesmo pensamento. Outra coisa é a questão inegável de que se você quiser fazer algo bom para o seu país, a sua população, os seus filhos, tudo passa absoluta e completamente pelo investimento em educação. Inclusive o próprio presidente Lula é, de certa forma, um advogado negativo desta coisa, porque ele diz até com um certo desdém que ele é a prova viva de que não é preciso necessariamente estudar para que se vença na vida. Isso realmente pode acontecer, como nós tivemos a chance de ver no caso dele, mas não é assim que deveria ser. A própria Marina é quem diz da experiência dela. Ela teve uma vida de muita dificuldade e estudou muito pouco e só depois que ela pôde entrar em contato com a educação é que as coisas mudaram, ela ganhou consciência. 

BN - Qual a premissa original da estratégia pensada para a campanha do PV na Bahia? 

MS – Pensamos em uma coisa que tem a ver, além do objetivo que o programa do governo do partido quer levar para o Estado, a ver com as ultimas estratégias da legenda em geral. Assim, nós chegamos a um conceito primário que vai guiar todo o restante: “Assuma a Bahia”. É um chamado à sociedade sobre assumir a responsabilidade sobre esse novo estado que o PV propõe. É tomar as rédeas do processo político, social. É preciso preparar as pessoas para que elas tenham a consciência de que o que acontece na nossa realidade também tem a ver com as atitudes dela em relação a isso. A marca que nós criamos para a candidatura de Bassuma também se relaciona com isso. É uma marca simples com o nome do candidato e duas faixas, uma verde e uma preta, que simbolizam uma ponte, uma passagem de um local para outro. A ponte que liga o passado ao futuro, um futuro onde as pessoas assumem o controle do destino da Bahia. São sutilezas que buscamos que o eleitor possa perceber ao longo do processo, mas tem muito mais a ver com as intenções do partido e o projeto que ele prega durante esse período. 

BN – Os debates em televisão e rádio são ótimas oportunidades para falar mais das propostas especialmente para quem tem pouco tempo de TV. Como vocês pretendem preparar Bassuma para um debate? 

MS – É de fato um momento importantíssimo. Bassuma inclusive disse que irá a todos os debates porque tem consciência de que é uma grande oportunidade. Acho que o debate dele será parecido com o tom da campanha de TV: objetivo, sem se alongar muito e focando muito naquela cosia do “como fazer”. Afinal, o PV tem que de fato mostrar ao eleitor essa chama do novo que ele é o único a ter nestas eleições aqui na Bahia. 

BN – O objetivo do PV nas Eleições 2010 é o segundo turno? 

MS – Com certeza. A nossa frente de trabalho é para tentar levar Bassuma ao segundo turno. Não podemos trabalhar com a possibilidade de vencer o primeiro turno porque não temos a estrutura de campanha que nossos adversários têm. Mas temos a vontade, a garra, a novidade e a verdade ao nosso lado.

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