Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Entrevistas

Entrevista

Rodrigo Maia apela para que ACM Jr. se candidato a reeleição no Senado - 29/03/2010

Por Rafael Rodrigues


"A participação dele (ACM Jr.) é fundamental, tem um simbolismo importante e tem
também a sua capacidade intelectual, a sua experiência administrativa são fundamentais" 
 

Por Rafael Rodrigues

Bahia Notícias: A vice na chapa do governador José Serra (PSDB) à Presidência da República. O governador Aécio Neves (PSDB) vem reiteradas vezes negando o interesse de ocupar a vaga. Lideranças do DEM também vêm deixando claro o interesse pela vice, caso Aécio não tope a disputa. Entre os nomes especulados do DEM para esta missão, estariam o do ex-governador Paulo Souto e da senadora Kátia Abreu (TO).  Como estão as negociações?

Rodrigo Maia: Este assunto não está sendo tratado. Será tratado apenas em maio. Vamos esperar o máximo a decisão do governador, que só depois da certeza da decisão dele de não disputar nós pensaremos em um nome. Neste momento qualquer nome que apareceu, foi por especulação de uma ou de outra pessoa, não uma especulação em nome do partido. O partido tem um compromisso com suas principais lideranças de não tratar de nomes até o início de maio.

BN: O senhor acredita que a crise política por que passa o DEM devido ao esquema de corrupção de Brasília, em que o único governador que o partido tinha no país, José Roberto Arruda, foi preso, pode acabar prejudicando o desempenho eleitoral no resto do país?

RM: De jeito nenhum. Foi uma questão que ocorreu no Distrito Federal e as pesquisas que nós estamos fazendo nos estados onde temos candidatos nas eleições majoritárias são favoráveis aos nossos candidatos inclusive na Bahia. Nossas últimas sondagens de pesquisas quantitativas e em cruzamento com nossas pesquisas qualitativas mostram nitidamente uma gordura do governador Jaques Wagner (PT) pelo excesso de comercial do Governo, e projetam já a partir de final de maio um novo empate entre Paulo Souto e Jaques Wagner, com a certeza da nossa vitória novamente na Bahia em 2010.

BN: Existe a expectativa do PMDB e do DEM trocarem apoio na Bahia em um possível segundo turno?

RM: Nós vamos respeitar todos os candidatos. Não temos porque achar que o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB), que é um dos poucos ministros de qualidade desse governo, não tem condição de chegar ao segundo turno contra Paulo Souto. Então não vamos ficar aqui escolhendo apoios para o segundo turno. Nós respeitamos os nossos adversários e temos apenas uma certeza: que o governador Paulo Souto vai terminar o primeiro turno em segundo lugar e sairá vitorioso no segundo turno.

BN: O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) fez um estudo que aponta a possibilidade do DEM ter sua bancada no senado diminuída de 14 para 8 ou 9 parlamentares.

RM: A nossa projeção é entre 12 e 14, jê que alguns nomes que ainda não estão colocados no final de junho voltarão para o jogo, como é o caso do senador Antônio Carlos Magalhães Jr. (DEM), que eu não tenho dúvida nenhuma que vai aceitar os pedidos do partido e dos aliados para que dispute a eleição. A participação dele é fundamental, tem um simbolismo importante e tem também a sua capacidade intelectual, a sua experiência administrativa são fundamentais para a Bahia e para o senado brasileiro.

BN: Dentro do DEM há uma corrente que defende a fusão do partido com o PSDB, que teria a adesão de líderes do partido como o prefeito Jorge Kassab, Jorge Bornhausen, Paulo Bornhausen. O senhor considera essa possibilidade?

RM: Nunca ouvi de nenhum deles isso. Acho isso uma ficção de alguns que não têm notícia e querem criar notícia com fatos que não existem.
 


"Até na internet fez muito sucesso uma peça publicitária que dizia ‘quero morar na
 publicidade do Governo da Bahia’. Fez muito sucesso no Brasil inteiro"

BN: Sobre os palanques regionais. No Rio de Janeiro, o segundo maior colégio eleitoral do país, José Serra terá que dividir o palanque de Fernando Gabeira (PV) com a senadora Marina Silva. No Ceará, Tasso Jeiressati está articulando sua adesão à chapa do governador Cid Gomes (PSB), que irá apoiar seu irmão, Ciro Gomes (PSB) ou Dilma Rousseff (PT), se Ciro desistir da disputa. Essa questão dos palanques regionais pode prejudicar a campanha de Serra nos estados, como aconteceu com Geraldo Alckimin?

RM: De jeito nenhum. No Rio de Janeiro nós vamos estar no palanque do governador Gabeira, mas temos o governador César Maia, candidato ao senado, que tem 40% de intenção de votos nas pesquisas e vai muito bem, inclusive em regiões que o Gabeira não vai. Então a nossa aliança e a força do PSDB, DEM e PPS no rio vão conduzir o voto, o trabalho e eu tenho certeza que o resultado no rio, e também no Ceará com a liderança do Tasso Jereissati, você terá bons resultados nos dois estados.

BN: Em Pernambuco, Serra espera que o senador Jarbas Vasconcellos (PMDB) saia candidato para lhe servir de palanque, mas até o momento ele não se manifestou nesse sentido. Seria esta outra dificuldade?

RM: Ele está certo. Ele só pode sair candidato depois do anúncio da candidatura do governador Serra. Eu tenho certeza que o senador Jarbas, pela experiência que tem na política, pelo compromisso que tem com o país e com Pernambuco, eu tenho certeza que será candidato, e será fortíssimo contra o candidato do governo.

BN: Como que o DEM pretende se posicionar nas eleições no Distrito Federal? O PSDB está articulando um apoio ao ex-governador Joaquim Roriz (PSC).

RM: Nós não estaremos no palanque de Roriz nesta eleição de forma alguma. Ainda estamos construindo o nosso palanque. Ainda não tem nenhuma posição clara, definida, sobre essa situação.

BN: Quem seria o candidato pelo DEM em Brasília?

RM: Não tem uma situação clara. Estamos organizando o partido ainda.

BN: Em Paraná, enquanto o DEM articula a candidatura do senador Osmar Dias (PDT), os tucanos defendem a tese de candidatura própria, do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). Como será administrada essa divisão?

RM: Olha, não tem nada decidido ainda. Tem uma parte do partido que defende Beto Richa, outra Beto Richa. Nós temos obrigação de olhar pela eleição presidencial. A minha opinião pessoal é que o ideal é que Beto Richa cedesse a vaga para o senador Osmar Dias. Assim nós isolaríamos o PT em um estado tão importante como o Paraná. A questão é tão clara que até o PSDB especula de uma hipótese de o Beto Richa sair candidato a vice do Osmar, que seria o candidato das oposições. Para você ver como é claro para muitos, inclusive para o PSDB, a importância de isolar o PT no estado do Paraná.

BN: Quanto ao financiamento da campanha. Foi este um dos principais motivos para a crise no Distrito Federal, e também já foi problema para o PT. Como está o rigor do partido na fiscalização das contas da campanha?

RM: Quem trata da tesouraria da campanha do Serra é o Serra quando indicar o seu tesoureiro. Não cabe ao Democratas tratar desse tema, e acho que, não tenho dúvida de que Serra vai escolher um tesoureiro que dê tranqüilidade à campanha dele. À campanha de todos, com toda a transparência possível.

BN: Quais são as perspectivas do DEM nacional com a candidatura de Paulo Souto ao Governo da Bahia?

RM: As nossas pesquisas quantitativas e qualitativas projetam que os comerciais do Governo incham a candidatura do governador Jaques Wagner, já que são comerciais de coisas, de muitas obras que não existem, muita ficção. Até na internet fez muito sucesso uma peça publicitária que dizia ‘quero morar na publicidade do Governo da Bahia’. Fez muito sucesso no Brasil inteiro. De acordo com nosso projeção, eu não tenho dúvida nenhuma que ela vai abrir já em um empate técnico e tenho quase certeza que no final do primeiro turno o governador Paulo Souto, pela história que tem, pelos governos que fez, pelos temas que priorizou, principalmente saúde e segurança, que estão abandonados no estado da Bahia, eu tenho certeza que nós vamos terminar o primeiro turno em primeiro lugar. Somado a isso, o nosso pedido para que o senador ACM Jr. dispute a eleição porque aí vai consolidar uma chapa fortíssima, favorita no estado da Bahia.

BN: Na disputa nacional, a ministra Dilma Rousseff (PT) vem crescendo nas pesquisas, enquanto Serra estagnou. Acredita que este quadro é reversível com o anúncio oficial da candidatura de Serra?

RM: Com o anúncio oficial não, com o início da pré-campanha por parte do governador Serra. Nós até agora estamos parados e o Governo além do PT ter sua candidata trabalhando muito, estão usando os recursos públicos. Tanto que já levaram uma multa nesta quinta-feira (25) do Tribunal Superior Eleitoral, uma de R$5 mil e outra de R$ 10 mil, mostrando que de fato há um abuso da utilização da máquina pública. Não que sejamos contra a pré-campanha, mas pré-campanha é feita fora do horário do expediente, é feita pelos partidos, não pelo Governo. Tanto é verdade que há um excesso que o presidente Lula já levou duas multas. Mas a partir de abril isso muda, zera-se esse abuso e aí o quadro é outro. Mas é claro que mesmo se não tivéssemos ficado parados, a Dilma ia crescer e chegar a 30%. Era claro para muitos e para mim era claro. Não há nenhuma surpresa. Vai ser uma eleição muito dura e eu tenho certeza que o vencedor vai vencer por 3, 4 ou 5% no máximo, e a minha certeza, que acompanho de pesquisas e do que eu conheço do governador Serra, tenho certeza que essa vitória será da oposição.
 

Foto: O Globo

"Eu não acho que a eleição é definitiva para nada. Os processos políticos às vezes os ciclos geralmente no
Brasil não passam de oito anos, mas chegando a 12 aí eu acho que se esgota definitivamente e se abre um novo ciclo".

BN: O senhor avalia que esta eleição possa ser de extrema importância para a sobrevivência política da oposição na esfera federal, visto que seria esta a terceira vitória consecutiva do PT, caso Dilma ganhe a eleição?

RM: Eu não vejo por aí. Eu acho que a política vai se renovando e vai avançando. Ocorre o fato que o lado que perde, ele sempre tem sua base parlamentar reduzida, é natural, os votos majoritários puxam as bancadas dos partidos. Então é natural que quem vença venha maior, não tão grande ainda, mas venha maior para 2011. Mesmo que a oposição ganhe, a base governo deve diminuir um pouco. Ao contrário (os governistas ganhares), deve-se continuar uma diferença como essa, de 300 e poucos deputados para a base, e cento e poucos para a oposição. Eu não acho que a eleição é definitiva para nada. Os processos políticos às vezes os ciclos geralmente no Brasil não passam de oito anos, mas chegando a 12 aí eu acho que se esgota definitivamente e se abre um novo ciclo. Eu acredito que o ciclo se encerra agora, no final dos oito anos e aí vai se abrir um novo ciclo na gestão do Governador José Serra como presidente do Brasil.
 

BN: A polêmica questão da divisão dos royalties do petróleo. O presidente prefere que a votação do projeto fique para depois da eleição, para não ser contaminada pelo processo eleitoral. Os motivos de bastidores é que Lula teme que a aprovação do projeto repercuta negativamente na campanha de Dilma no Rio, o que lhe obrigaria a vetar a proposta.  Qual a posição do DEM em relação a esta disputa?

RM: Claro que essa é uma questão muito regionalizada, mas entendemos que essa questão deve ser discutida com toda a racionalidade do mundo, respeitados os contratos já assinados, os contratos que já estão em execução, e as novas descobertas, aí sim, nós temos que de fato fazer uma distribuição, já que o volume de recursos é muito grande e é fundamental que além dos estados já atendidos, todo o Brasil seja beneficiado por nossas descobertas. Não podemos é pegar contratos que já estão em execução, que já tem programação feita por estes estados com essas receitas que já estavam garantidas, e você mexer no processo no meio do jogo. Então isso que nós temos que discutir, avaliar, e acho até que o Governo Federal tem um papel muito importante, porque ele concentra muitas receitas, não apenas as tributárias, mas as proveniente do petróleo. Então seria importante que o governo pudesse desde já, já que o volume vai crescer muito nos próximos anos, ceder parte dos seus royalties do pré-sal ou de sua participação nos royalties já existentes e garantir aquilo que cabe aos estados produtores.

BN: Caso a decisão fique mesmo para depois das eleições, por força política caberá ao futuro presidente da República conduzir essas negociações. Se for Serra o eleito, o senhor defende que Serra deve se posicionar de forma a garantir que o Governo Federal perca essa parte da receita?

RM: Eu acho que o Governo Federal tem que entender que as despesas, depois da Constituição de 1988, teve muitas transferências para os estados, mas principalmente para os municípios. Então não é justo o Governo Federal cada ano que passa aumentar a concentração das riquezas nos cofres da União. Então é importante não apenas na questão do petróleo, mas em todos os tributos, que se reorganize o pacto federativo, que se reorganize o sistema tributário brasileiro, para que estados e municípios possam voltar a ter recursos, garantindo a independência de estados e municípios, para que não fiquem reféns da União, como se prefeitos o governadores tivessem que a cada mês pedir esmolas ao Governo Federal, qualquer um que seja.

BN: Como a chapa da oposição, se eleita, pretende gerir o PAC, já que o programa nem chegou na metade da execução, e já está sendo lançado um PAC-2, programando obras para o próximo presidente executar?

RM:
As obras que estão em execução vão ser finalizadas. É claro que todas as obras que fiquem, vão precisar de uma auditoria. É normal que todo governo que inicie audite tudo que ficou pelo caminho, mas sem dúvida nenhuma não vamos deixar, vencendo as eleições, nenhuma obra no meio do caminho. Todas as obras que tiverem em execução serão terminadas e inauguradas no nosso governo.

Compartilhar