Maria Luiza nega comandar prefeitura de Salvador e fala dos planos para 2010 - 01/11/2009
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Por Evilásio Júnior
BN – Deputada, qual foi o principal motivo para que a senhora deixasse o PMDB para ingressar no PSC? Houve algum desentendimento com membros do antigo partido?
ML – O fortalecimento da base política que apóia a candidatura do PMDB, como foi divulgado pelo próprio partido. A lógica, fala por si só, caso contrário, eu não estaria na mesma coligação política.
BN – Em termos de projeto político e ideologia, houve algum atrativo especial para que a senhora ingressasse no partido?
ML – O PSC é um partido essencialmente vinculado aos princípios cristãos e isso me agrada muito. Do ponto de vista político e ideológico, continuo defendendo os mesmos valores porque na verdade eu não mudei de lado, apenas me desloquei dentro do mesmo espaço político.
BN – Em sua opinião, o eleitor quando vota escolhe prioritariamente o candidato ou os ideais partidários aos quais o político está identificado?
ML – As duas proposições. Entretanto, os ideais partidários, as intenções políticas e principalmente a conduta do político é que, imagino, sejam as principais qualidades que credibilizam um candidato ao voto. Como vivemos em um regime representativo, desejo que em um futuro próximo, os parlamentares sejam eleitos por suas ideias e valores, só assim, teremos parlamentos que realmente representem os desejos dos eleitores.
BN – A senhora já tinha deixado o PDT para entrar no PMDB e agora ingressa no PSC. Não acredita que esse tipo de mudança acarrete em prejuízo na sua credibilidade perante o eleitorado?
ML – Tenho certeza que não, porque credibilidade se baseia em ações positivas e concretas ao longo do tempo. Repito, não mudei de lado. Ser filiada a um partido político, não é o mesmo que ser sócio de um clube ou agremiação. Ou seja, não sou fisiologista, atitude, aliás, que muitos políticos preferem adotar.
BN – O presidente regional do partido, Eliel Santana, liberou a bancada para que cada deputado votasse individualmente. O PSC não será uma espécie de PR na Assembleia, por causa da falta de unidade ideológica?
ML – Não. A orientação definida pelo partido é a de que seus membros integrem a oposição na Assembleia Legislativa. Porém, cada parlamentar deve ter respeitado o seu ponto de vista. Falando exclusivamente por mim, agirei sempre dentro da coerência, defendendo sempre os interesses da sociedade e nunca os interesses pessoais ou político-partidários. Definitivamente não sou um barco à deriva à disposição dos ventos.
BN – Eliel Santana tem frequentado bastante a Assembléia Legislativa e deputados de outros partidos já se queixaram da presença dele. Até que ponto ele interfere nas questões do PSC?
ML – O presidente Eliel Santana é um ex-deputado. Sobre as questões referidas na sua pergunta e a motivação da presença do presidente do PSC na AL, cabe a ele responder ou não. Eu não falo sobre o que não conheço.
Foto: Max Haack/ Bahia Notícias

BN – Quem acompanha os trabalhos na Assembleia Legislativa sabe que ultimamente a senhora se aproximou bastante da bancada de oposição, principalmente com o DEM. Por que não optou por ingressar no Democratas? Houve convite?
ML – Sinto-me honrada pelo respeito dispensado a mim, por todos os meus pares. Desta forma poderia ter ingressado no DEM, se não estivesse incluída em um projeto político com o PMDB.
BN – O DEM faz parte da atual administração municipal. A senhora participou desse processo de negociação?
ML – As negociações da Prefeitura são feitas pelo prefeito. Como cidadã e deputada estadual exponho a minha opinião, mas não cabe a mim decidir.
BN – A senhora não acredita que membros do DEM, que terão o ex-governador Paulo Souto como candidato ao Palácio de Ondina em 2010, infiltrados na Prefeitura, poderão atrapalhar a candidatura do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima?
ML – Esta avaliação compete à administração municipal, que não pode sofrer interferência de uma ou noutra candidatura, sob pena de desobedecer ao princípio maior da política que é a ética.
BN – A senhora participa ativamente da gestão do prefeito João Henrique?
ML – Ativamente é um termo pouco adequado. Na verdade, as preocupações e os anseios do prefeito João Henrique, que é o meu esposo, é que inexoravelmente, estão presentes ativamente no meu dia-a-dia.
BN – Qual é a sua opinião quando as pessoas dizem que a senhora é a verdadeira prefeita da cidade? Isso a incomoda?
ML – Nunca ouvi isso, e se ouvisse diria apenas que é uma falácia improcedente.
BN – A senhora tem desafetos na administração municipal ou não assimila o trabalho de algum secretário? Poderia citar quem são eles?
ML – Tenho mais simpatia por uns e menos simpatia por outros, o que não me impede de opinar sobre suas ações. Pessoalmente não desejo nutrir desafeto porque a política é efêmera, com data marcada para início e fim e no futuro só será colhido o que foi plantado.
BN – Se João Henrique não tivesse sido eleito prefeito pela primeira vez, a senhora teria entrado ainda assim na vida pública?
ML – Falar de hipótese é difícil, mas creio que sim, porque sempre militei na política, antes nos bastidores, hoje como parlamentar. Estar na política não depende de vontade, apenas.
BN – A inclinação natural do PSC em um possível segundo turno entre o governador Jaques Wagner e Paulo Souto seria uma aproximação com o PT. Se isso ocorrer, qual será a sua postura?
ML – Eu não desejo ser nada se eu não puder ser eu mesma. O futuro a Deus pertence.
BN – E o seu trabalho à frente do Mais Social? Quais são as principais conquistas e desafios?
ML – Falar do Mais Social é falar de solidariedade, amor ao próximo e desigualdade social. Sou obstinada pelo trabalho social baseado na educação, na promoção da igualdade e na inclusão, porque acredito na prosperidade para todos, nunca para poucos. Não acredito no poder pelo poder, mas no poder que represente os anseios da maioria da sociedade. Uma sociedade verdadeiramente feliz precisa de escola, saúde e igualdade. Enfrento as lutas com determinação e coragem, sabendo que os desafios fazem parte e é dessa luta que vem as conquistas. Hoje, o Mais Social atende a crianças, jovens, mulheres, gestantes, portadores de necessidades especiais e idosos. Nesse trabalho, me dedico de corpo e alma, porque trabalho para pessoas atendendo a mais de um 1,5 milhão de pessoas por ano. Entendo que, a educação é a base de tudo. Entretanto me questiono se a estrutura educacional atual está apta a formar as nossas crianças e jovens, transformando-os em cidadãos com visão crítica de ética social. A cultura induz os cidadãos a desejar apenas “chuva, suor e cerveja porque ninguém é de ferro”, diz o dito popular. Nesse contexto, a escola passa a ser um desejo secundário das crianças e jovens. Escola sim, mas nem tanto desde que os estádios estejam abertos e que não falte festa. Aliás, festa é o que não falta, mas que não falte educação, consciência crítica, valores morais, dignidade e outros direitos básicos de todo cidadão.
BN – A senhora disputará uma vaga na Câmara Federal em 2010. Qual será a sua bandeira e os seus principais projetos?
ML – Minha bandeira é o desenvolvimento social. Um tema abrangente, mas extremamente necessário na luta contra o caos social instalado, que alimenta a fome, a violência e a insegurança.
