Nilo fala sobre saída do PSDB para PDT e reclama de perseguição do Jornal da Metrópole - 13/09/2009
Fotos: Bahia Notícias
“Era condição ‘Sine Qua Non’ que o partido para o qual eu migraria teria que ter como premissa o apoio ao governador Wagner”
Por Marcos Russo
Bahia Notícias - Como anda a formação das comissões? O PMDB anda insatisfeito com as composições. Essas formações vão prejudicar o Legislativo esse ano, como aconteceu em 2008?
Marcelo Nilo - Primeiro que as composições das comissões é negociação entre os líderes partidários. Esse assunto é mais do líder do governo e dos líderes da oposição. Agora, as comissões já estão funcionando, nós já votamos projetos aqui (na Alba), votamos dois requerimentos de urgência e não vai prejudicar o andamento dos trabalhos. Agora, as composições políticas, como em qualquer parlamento do mundo, são sempre difícil as negociações, mas, o que eu garanto é que não prejudicará o parlamento baiano.
BN - Mas como anda a atuação das comissões? Para quando, por exemplo, está marcada a próxima votação?
MN - Terça-feira (15) nós votaremos projetos do Governo que estão em pauta e, provavelmente, votaremos projetos do Tribunal de Justiça como também do Ministério Público. As negociações das composições das comissões temáticas sempre foram difíceis, cada partido puxa para o seu. O PMDB tem direito a uma comissão, que já foi instalada. Além disso, teria membros em cada comissão, que também já foi indicado. Eu acho que composições já é assunto do passado.
BN- Mas havendo qualquer tipo de reivindicação, qualquer tipo de protesto do PMDB, o que é que pode acontecer?
MN - Primeiro que, até o momento, eu não vi o PMDB protestar. Pelo contrário, eu vi o PMDB indicar seus membros que já foram nomeados. Eu acho que as composições das comissões temáticas já estão solucionadas.
BN - O deputado Elmar Nascimento (PR) insinuou que a mesa diretora editou atos secretos na sua gestão. O próprio teria dito que o senhor ficou transtornado quando ele pediu cópias dos contratos. O que o senhor tem a comentar sobre isso?
MN - Primeiro que o deputado Elmar Nascimento não fez nenhuma denúncia...
BN - Insinuação...
MN - Pra mim não fez nenhuma insinuação. O que ele me disse foi que vai fazer um discurso e eu estou aguardando qualquer denúncia dele. É um direito de qualquer parlamentar fazer qualquer denúncia contra o presidente, contra membros da mesa, contra os próprios colegas, ou contra ele mesmo. Se ele fizer qualquer denúncia, nós apuraremos, mas, até o momento, ele não fez nenhuma denúncia.
BN- O senhor faz idéia do teor desse discurso?
MN - Não porque não recebi nenhum documento dele denunciando qualquer ato. Se ele tiver um documento denunciando qualquer ato, eu apurarei como presidente da mesa dos deputados da área administrativa e da área jurídica. Qualquer documento que chegue em minha mesa, pode ter certeza, que eu apurarei.
BN - Nem o deputado Elmar pediu nenhum tipo de documento ao senhor?
MN - Não recebi nenhuma insinuação dele nesse sentido.
BN - A escolha pelo PDT foi por alguma intimidação com o PSB, pelo fato de ser comandado pela deputada ‘linha dura’ Lídice da Mata? Ou pelo fato de ter como componente o deputado Capitão Tadeu que vive reclamando do governo Wagner?
MN - Primeiro fico feliz de ter sido convidado por todos os partidos políticos que fazem parte da base de sustentação do governador Jaques Wagner. PDT, PSB, PP, PC do B, PV, PT, PSC, PRB, vários partidos me convidaram. Gostaria de dizer que a deputada Lídice da Mata é uma das pessoas mais corretas e sérias que conheci na vida pública. Ela foi muito correta nas negociações. Jamais a tive como ‘durona’. Pelo contrário, ela sempre foi uma pessoa respeitável, democrática. Apenas, depois de negociações políticas, preferi ir para o PDT. Mas fui, diga-se de passagem, depois de conversar com ela e praticamente combinar com Lídice que foi muito democrática e correta comigo.
BN - Algum desconforto por não comungar com o comportamento do deputado Cap. Tadeu?
MN - Pelo contrário. Deputado Capitão Tadeu me convidou também para ir para o PSB. Agora, gostaria de registrar a correção da deputada Lídice da Matta e, também, o secretário Domingos Leonneli, comigo, nesse processo de negociação política.

“Olha, todo mundo sabe que desde a época que tive problema político com o ministro Geddel Vieira Lima, quando eu disse que ele era amador, quando eu derrotei o candidato dele na AL-BA... Depois desse dia, esse radialista passou a fazer campanha contra mim”
BN - Como o senhor vai trabalhar pela unidade do PDT, uma vez que houve mudança no comando da legenda na Bahia?
MN - Eu estive com Brust e com o presidente nacional, Lupi, ministro do trabalho. Eu disse a eles que não partiria para um partido cujo presidente era Severiano Alves, porque ele não tinha garantido apoio ao governador Wagner. E era condição ‘Sine Qua Non’ que o partido para o qual eu migraria teria que ter como premissa o apoio ao governador Wagner. Com a saída de Severiano Alves da direção do PDT, justamente porque ele não queria apoiar o governador Jaques Wagner, as portas se abriram. Conseqüentemente eu tomei a decisão política. O partido, eu tenho certeza, que vai marchar unido no apoio ao governador Jaques Wagner. O presidente Lupi disse que o partido marchará unido.
BN - O não apoio de Severiano ao governo Wagner é por conta de laços dele com Geddel?
MN - Eu não vi nem soube de nenhuma notícia de que o deputado Severiano Alves vai apoiar Geddel. Acredito que ele sempre foi uma pessoa que respeitou o partido e vai seguir a decisão partidária, que é apoiar o governador Jaques Wagner.
BN - Porque o anúncio do ingresso no PDT foi feito pelo governador e não pelo senhor?
MN - Primeiro por conta do respeito e apreço que tenho pelo governador. Nesse processo, eu perguntei ao governador, conversei, coloquei as opções para ele, sobre qual partido eu poderia ir. O governador me disse, com muita clareza: ‘Marcelo, presidente, escolha o partido que você achar melhor. Tenho certeza que o melhor partido para você será o melhor partido para o governo e para a Bahia’. Então, pelo gesto de admiração profunda que eu tenho pelo governador Jaques Wagner é que eu fiz aquele gesto político de criar todas as condições para que ele anunciasse minha decisão. Pelo respeito e amizade, principalmente, porque o acho o maior democrata que já conheci na vida.
BN - Em sendo assim, porque não se filiar ao PT?
MN - Porque o PT, as bases do PT já são diretórios formados. E como eu vou botar meus companheiros no interior do Estado? Vários municípios que eu faço política, por exemplo, São Francisco do Conde: tive lá quatro mil votos; a prefeita é do PT; Cícero Dantas: provavelmente eu terei cinco mil votos. O diretório do PT já está formado. Em Itaberaba, Itamaraju, Tucano, por exemplo, o PT já está consolidado. Então eu não posso ir sozinho, eu tenho que ir para um partido que possa levar os meus companheiros, os meus amigos e principalmente os meus correligionários.
BN - Poderia ser também pelo fato de existir uma possibilidade de o senhor integrar uma chapa com o governador JW, e o governo, por ser ‘adesista’, não querer uma chapa sangue puro?
MN - Olha, eu sou candidato a deputado estadual, mas sou soldado do projeto do governador Jaques Wagner, como cidadão baiano e como deputado. Como presidente da Assembléia, ele administra os problemas do Executivo e eu os do Legislativo. Nós somos independentes, cada um coordenando a sua área. Mas somos harmônicos conforme rege a constituição. Mas, sou candidato a deputado estadual. O que vier depois disso para mim é lucro. Essa decisão compete mais ao governador, aos partidos aliados, do que a uma vontade própria... Minha vontade própria é continuar trabalhando para reeleição do governador JW.
BN - Mas se houver sinalização do governador para uma composição com o senhor integrando essa chapa? Há maior possibilidade pelo fato de o senhor integrar outro partido e não o PT?
MN - É obvio que se houver um convite do governador, dos partidos aliados para eu ser candidato a vice-governador, vou olhar com muito carinho. Mas sou candidato a deputado estadual.
BN - O senhor pensa que a sua relação pessoal com o governador não abre espaço para que a independência do Legislativo seja questionada?
MN - Pelo contrário. Pedi apoio à base do governador JW porque conversei e disse a ele, com muita clareza, que o meu sonho era tornar a AL-BA independente. Para mim é um fato positivo, por exemplo, ser elogiado, no mesmo dia, pelo líder do governo deputado Waldenor Pereira (PT) e pelo então líder da oposição deputado João Carlos Bacelar (PTN). Porque como presidente da AL-BA, eu respeito a independência dos poderes, respeito a autonomia do poder, trabalho no sentido de essa casa se tornar independente. A minha amizade com JW é fruto da própria constituição que pede harmonia entre os poderes e nós trabalhamos conjuntamente em defesa da Bahia, mas a independência é um fato consolidado.
BN - A última edição do jornal da Metrópole trouxe como manchete de capa as notas fiscais da Abaeté Taxi Aéreo dizendo que o senhor viajou para vários municípios com dinheiro público...
MN - Veja bem, eu sou presidente do poder e sou convidado à missão parlamentar no interior do estado. E sou, às vezes, obrigado a viajar de avião. Muitas assembléias legislativas do Brasil tem avião. Infelizmente a AL-BA não tem. O governador do Estado tem um avião. Ele viaja em um avião do governo do Estado. Eu sou presidente de um poder e me desloco, algumas vezes, por meio de avião. Porque, por exemplo, para ir a Barreiras para voltar para uma votação, no mesmo dia, é impossível ir de carro. Eu sou presidente de um poder e acho que é justo. Aliás, não só o presidente. Inclusive, o deputado Elmar Nascimento, que foi meu concorrente à presidência da AL-BA, me pediu e eu autorizei o avião porque ele precisava ir a uma missão parlamentar no interior do Estado. Portanto, esse jornal, que faz uma campanha contra mim, é pessoal... As pessoas não sabem, mas eu sei por que ele faz uma campanha contra mim... Mas, infelizmente, é assim. Eu tenho que responder, dizendo que sou presidente de um poder. Viajo em avião alugado, através de concorrência pública. Isso é um fato verdadeiro, viajo e continuarei viajando. Aliás, quero registrar que 14 viagens (de avião), para um presidente de um poder, não é muito.
"Pelo gesto de admiração profunda que eu tenho pelo governador Jaques Wagner é que eu fiz aquele gesto político de criar todas as condições para que ele anunciasse minha decisão"
BN - Não presidente, ao todo, o jornal cita 42 viagens.
MN - Veja bem, eu tenho 38 meses como presidente. Isso significa, mais ou menos, uma média de uma viagem por mês. Eu quero reiterar que as outras assembléias do país tem e viajam no avião da própria assembléia. A assembléia da Bahia não tem e eu sou obrigado a alugar. Continuarei viajando porque sou obrigado a cumprir uma agenda parlamentar. São 63 deputados na AL-BA, e muitas dessas viagens não são só do presidente, são deles que pedem e quando eu julgo procedente e justo autorizo e continuarei autorizando. É impossível o deslocamento para uma cidade como Remanso, por exemplo, para voltar no mesmo dia para votação. Portanto, eu acho que é uma campanha sórdida desse jornal que, infelizmente, eu não sei por que, aliás, eu sei porque, faz essa campanha contra mim. Mas faz parte do jeito democrático, ele faz a denúncia, é um direito dele, e eu dou a resposta.
BN - Já que sabe, por que o senhor não diz o por que dessa campanha do jornal contra o senhor?
MN - Olha, todo mundo sabe que desde a época que tive problema político com o ministro Geddel Vieira Lima, quando eu disse que ele era amador, quando eu derrotei o candidato dele na AL-BA... Depois desse dia, esse radialista passou a fazer campanha contra mim. Digo e repito, vários presidentes tem avião. É impossível o deslocamento para alguns lugares de carro. Esse radialista é que faz uma campanha contra mim. A empresa Abaeté ganhou concorrência pública. O presidente da Assembléia de São Paulo, salvo engano, ele tem três aviões. Alguns deputados, na AL-BA, tem avião próprio para fazer o deslocamento. E o presidente de um poder é obrigado a viajar de carro, 1600km, e chegar na AL-BA a tempo de presidir uma ação importante? Viajar em média uma vez por mês é pouco. Queria viajar muito mais, mas eu como presidente sentado na cadeira rendo muito mais.
