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Entrevista

Raimundo Varela: “Eu sou a noiva mais cobiçada da Bahia” - 21/05/2007

Por Daniel Pinto

Foto: Daniel Pinto

“Eu sou a noiva mais cobiçada da Bahia”

Por Daniel Pinto

Qual avaliação o sr. faz do governo João Henrique?
Raimundo Varela –
Olha, eu acho que JH é um bom político, mas está fazendo uma péssima administração. Na verdade, JH ficou muito aquém da expectativa criada em torno do seu governo. As alianças partidárias também o prejudicaram muito.

Então o sr. é contrário ao governo de coalização?
RV –
Esse negócio atrapalha e muito. Acaba virando uma celeuma partidária onde todo mundo quer uma fatia do bolo. É preciso ter alguém que centralize o poder, que tome as decisões importantes.

O sr. acredita que a filiação de JH ao PMDB está relacionada com as eleições municipais em 2008?
RV –
Sem dúvida. O ministro Geddel quer controlar a Prefeitura de Salvador. Ele é um político arrojado, agressivo, ambicioso. Se o presidente Lula vacilar, o homem vai querer até tomar o lugar dele. Não é a toa que ele (Geddel) é o maestro do principal programa do Governo Federal nesse segundo mandato de Lula, que é a transposição do Rio São Francisco.

E quanto à crise financeira vivida pelo município. Na sua opinião, qual a melhor solução?
RV –
Não é segredo que a Prefeitura de Salvador arrecada pouco e gasta mal. Muito mal, por sinal. Não por menos, hoje, a Prefeitura tem uma dívida acumulada de R$ 6 bilhões. Para resolver isso não tem segredo nenhum. Temos que copiar o modelo de gestão da iniciativa privada. Não se pode gastar 20% a mais do que entra no caixa. Na iniciativa privada se gasta – no máximo – 80% do que arrecada. O segredo é fechar a “torneira” e controlar os gastos. 

E então: o sr. será candidato à Prefeitura de Salvador nas próximas eleições?
RV –
Vou te dizer uma coisa: eu tenho capital político pra isso. Na última eleição, a que JH foi eleito prefeito, eu liderava as pesquisas, mas queriam que eu fosse vice de César Borges. Se eu tinha mais de 10 pontos percentuais a mais, ele (Borges) é que deveria ser meu vice. Não negociei minha candidatura com ninguém. Desisti porque eu quis. Agora, ainda é cedo. Eu tenho um ano pela frente para decidir isso.

De acordo com uma matéria do jornal “A Tarde”, nessa etapa, a Bahia vai receber menos de 1% do total de recursos do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), do Governo Federal. Isso não é muito pouco para um governo petista, como o de Jaques Wagner?
RV –
0,9%! Sem dúvida é muito pouco. Aliás, isso contraria a tese de que todas as instâncias dos governos (Estado, Município e União) devem estar no mesmo ambiente. Esse exemplo é uma contradição. O presidente Lula é o maior exemplo de que o povo vota nas pessoas e não nos políticos. Na última eleição Lula teve 58 milhões de votos, três vezes mais do que o PT. Outra coisa: Lula tem uma origem humilde, não é filho, sobrinho, afilhado, nem irmão de ninguém, de nenhum um ex-político. Mesmo assim, conseguiu assumir o posto mais importante do país. Isso é uma revolução.

O que o sr. pensa sobre fidelidade partidária e verticalização. Por que a reforma política é tão difícil no Brasil?
RV –
Sou completamente a favor desses mecanismos. Além disso, tenho a idéia de criar, junto com o Ministério Público, o Serviço de Proteção ao Eleitor (SPE) para defender o cidadão dos políticos que prometem e não cumprem. A reforma política não sai do papel porque não interessa ninguém. Vai acabar definitivamente com os privilégios e as oligarquias. Os políticos brasileiros trocam de partido como se troca de cuecas. Vou te dizer uma coisa: o maior partido do Brasil é o adesismo. Por isso tem tanta gente me procurando. Hoje eu sou a “noiva” mais cobiçada da Bahia.      

O sr. é filiado ao PTC, um partido de pouca representatividade em Salvador. Caso seja realmente candidato, há possibilidade do sr. disputar a eleição por outro partido, como o DEM?
RV –
Meu caro, dessa vez chegou a hora do povo. Como te disse, ninguém vota mais em legendas. O povo quer enxergar a verdade nos olhos do candidato.

Deixando um pouco a política de lado, o sr., como comentarista esportivo, acredita que o Bahia fez um bom Campeonato Baiano e está preparado para disputar a difícil série C do Campeonato Brasileiro?
RV –
Até pouco tempo o Bahia não tinha nem série pra disputar. Para você ver, o Bahia – que fez um bom campeonato baiano – foi mais longe na Copa do Brasil do que o próprio Vitória, que foi campeão baiano. Eu costumo dizer que o terceiro homem mais forte do Estado é o presidente do Bahia, atrás apenas do governador e do presidente da Assembléia Legislativa. O Bahia tem uma torcida de massa, uma torcida apaixonada, aliás, tanto o Bahia quanto o Vitória precisam de times de primeira divisão. E a Record entende isso. Tanto que transmitiu o Campeonato Baiano para 135 países com recorde de audiência, batendo inclusive a toda poderosa Rede Globo.

Por falar em audiência, é verdade que o Balanço Geral está sendo ameaçado em seu horário?
RV –
Meu caro, o Balanço Geral não é um simples programa, é uma instituição a serviço do povo. Mas, é claro que ninguém ganha todo o dia.

E a saúde, como vai?
RV –
Muito bem, obrigado!

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