Curtas do Poder - Zeca de Aphonso - 29/04/2014
* O que mais me admira nos Vieira Lima é a persistência (clique aqui e veja).
* E a luta continua (clique aqui e veja).
* Luís Argolo (SDD-BA), o famoso LA, se salvou da acusação de corrupção na Operação Lava Jato. Depois da conversa exibida pela Polícia Federal, ficou provado que não era um ato de corrupção e sim algo mais profundo e íntimo.
* Por falar em Luís Argolo, a briga tá feia entre Medrado e Arthur Maia. É até possível que o partido apoie Souto e Medrado, Wagner.
* Estão reclamando que o Menino Medrado, Medradinho, não sabe nada de turismo. Pode até ser, mas de que entendia o Gago (Domingos Leonelli)?
* Vi apavorado a decisão judicial que pede a prisão do jornalista Aguirre, filho do meu amigo Biaggio, do jornal A Tarde. Lembrei de uma vez aqui na ilha em que, entre um Dreher e outro, Cumprido me alertou: "Zeca, não se compra briga com quem tem bilhão”. Dito e certo. Cumprido é um bom pescador e um sábio.
* Certa vez o velho Samuca (Samuel Celestino), quando ainda era amigo de ACM, fez uma visita ao velho aqui na Penha. Fui ao seu encontro com Cumprido. Mas, com o Cabeça Branca – não sei porque tinha implicância com meu amigo vara pau –, pegamos Samuca e fomos tomar uns paus. Resultado: saímos carregados e no outro dia Samuca, revoltado, falou o seguinte: “o grandão matou a gente. Também, daquele tamanho, a bebida se espalha. Só de barril para derrubar o sujeito”.
* O velho Joaci começou falando demais. Começou em hora errada, em meio às bananas de Daniel Alves, indo contra as cotas. Amigo meu já tinha me dito: “Joaci fala porque gosta. E quem fala demais dá bom dia a macaco”.
* Esse presidente do Clube Espanhol não faz nada certo. Tentou um armengue no réveillon e não deu certo. Fez outro armengue no lançamento do clube; deu no que deu.
* Paulo Souto começou entrevista hoje com Mário Kertész, na Metrópole, muito nervoso. Atitude altamente explicável, pois o candidato apanhou muito do radialista recentemente por conta da indefinição na chapa. Águia que é, MK conduziu bem e o tranquilizou a tempo.
* Né por nada, não, mas achei meia boca a primeira caravana da oposição no interior, em Vitória da Conquista. Se fosse na época do Velho, com certeza não faltariam fogos, camisas listradas, carreta, gemte pra carregar no ombro, bêbados, menino e velho. (clique aqui e veja).
* O mesmo digo de Caetano, cuja assessoria divulgou os “bons resultados” da reunião no oeste baiano (clique aqui e veja).
EU E O CABEÇA BRANCA
OS TRÊS AMIGOS E JÂNIO
Já contei que conheci ACM por acaso. Vivia a pescar quatinga e tomando minha cachacinha em Mar Grande e o vi, pela primeira vez, mergulhado, no raso, na praia da Penha, com água até o peito. Ficamos camaradas, como se costumava dizer, e ele me contou fatos, em razão da minha curiosidade. Elegeu-se pela primeira vez em 1954, em uma eleição suplementar (que existia à época), porque não teve votos suficientes para ser deputado estadual na primeira rodada eleitoral. Foi Antônio Balbino, então governador, que conseguiu votos para ele. Já na Assembleia Legislativa, se tornou líder da UDN. Tinha amigos poderosos: Juracy Magalhães e Odorico Tavares, mangangão dos Diários e Emissoras Associados, rede de Assis Chateaubriand. Foi Odorico que lhe deu o primeiro emprego de redator do então jornal O Estado da Bahia. A partir daí ele passou a se dizer jornalista. Na época, era estudante de Medicina. O terceiro amigo foi o poderoso reitor Edgar Santos, responsável e fundador da Universidade da Bahia. Edgard era um homem com visão futurista e foi de importância fundamental na medida em que criou a universidade, hoje Ufba. Era reeleito para a reitoria pelos seus valores intelectuais e pelas escolas que criava. Por causa dele, ACM, o Cabeça Branca, brigou pela primeira – e única vez, creio – com quem estava no poder. Deu sorte. Jânio Quadros se elegeu presidente da República e entendeu de não reconduzir Edgard Santos. O Cabeça era, então, deputado federal, pela UDN (partido de Jânio) e mandou-lhe uma carta que continha desaforos da primeira à última linha em razão do afastamento de Santos. Deu sorte. Jânio renunciou e ele ficou com a carta, que virou um troféu. Mostrava em todo lugar, a quem pedisse, e até na tevê, para demonstrar a sua força e a sua coragem. De fato, o ato contribuiu, e muito, para o respeito às suas manifestações e rompantes emocionais. A sorte sempre o acompanhou. Jânio, na Presidência, tentou golpear com o ato da sua renúncia e se deu mal. O Cabeça ficou bem na história. Nunca me mostrou a carta (eu o conheci muito depois), mas sabia de cor e salteado o que escrevera. Foi assim, a partir da eleição suplementar e dos três amigos poderosos, que ACM começou a construir a sua vida pública e a oligarquia que montou na Bahia.
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