'Tem que ter festivais voltados para o independente', diz líder do Cidadão Instigado
Há quase 20 anos, Fernando Catatau ao lado dos parceiros Clayton Martin, Regis Damasceno, Rian Batista, Dustan Gallas e Yury Kalil criaram a Cidadão Instigado, que desembarca em Salvador neste sábado (1°) para o lançamento de “Fortaleza”, quarto álbum da banda cearense, disponível para download gratuito. O show integra a programação do Festival Radioca, que acontece neste fim de semana, no Trapiche Barnabé, a partir das 16h, e contará com mais sete atrações locais e de fora do estado, entre elas Apanhador Só (RS), Anelis Assumpção (SP) e Siba (PE). Por enquanto, esta é a única apresentação da Cidadão agendada em Salvador e para os fãs baianos que estão esperando ouvir as canções antigas da banda, Catatau avisa que elas serão a minoria. "O show é bem o clima do disco novo mesmo. Vamos tocar o álbum quase todo e fazer só algumas das velhas", conta o vocalista ao Bahia Notícias. Sucessor de “O ciclo da decadência” (2002), “Cidadão Instigado e o método túfo de experiência” (2005) e “Uhuu” (2009), o disco conta com 12 faixas, todas autorais.
Ouça "Fortaleza" da Cidadão e entre no clima do show deste sábado:
No mesmo dia que os cearenses sobem ao palco do Radioca, também se apresentam dois grupos locais, a Pirombeira e o IFÁ Afrobeat, que Catatau ainda não conhece o trabalho das bandas, mas pretende conferir. "É massa conhecer bandas novas e o trabalho das pessoas, o que está acontecendo. Sempre que dá eu tento ver. Show é sempre um pouco puxado, mas eu vou querer sacar o som da galera", comenta. Quanto ao público que estará no festival, mas ainda não conhece o som da Cidadão, Catatau diz não se preocupar em agradar, mas valoriza muito às pessoas que se identificam com a sonoridade e o trabalho da banda. "A gente não faz música para público, mas porque a gente ama música. Nossa relação com o público é uma coisa natural e automática. A pessoa se identifica com o som e começa a escutar e ir para os shows. Eu dou muito valor às pessoas que se identificam, porque elas sabem que não estamos fazendo nada para gravadora ou pensando comercialmente", destaca.
Segundo o Catatau, as quase duas décadas de banda foram marcadas por um caminho "longo e homeopático" com um hoje visivelmente maior, mas que não fez da banda um grupo do mainstream. "Antes a gente tinha um público pequeno e cresceu bastante, mas ao mesmo tempo a gente faz parte ainda do independente. A gente gosta que as pessoas cada vez cheguem mais, mas que cheguem porque realmente se identificam", pondera. Fechando o primeiro dia da edição de estreia do Festival Radioca, Catatau acredita que evento como esse precisam se multiplicar para dar mais visibilidade à cena independente brasileira. "Tem que ter esses festivais voltados para o independente. Tem que ter essa circulação. Até porque a galera que está nas gravadoras, as músicas tocam em rádio e no meio independente isso é muito difícil. Eu adoro quando tem iniciativas realmente verdadeiras em cima disso", afirma e critica: "Não gosto quando a galera se diz independente e pega grana de governo e não quer pagar as bandas. Isso não me interessa. Mas quando são pessoas fazendo o certo, a gente quer estar junto dessas pessoas".
Serviço
O QUÊ: Festival Radioca
QUANDO: 1° e 2 de agosto, a partir das 16h
ONDE: Trapiche Barnabé (Comércio)
QUANTO: R$ 20 e R$ 10
