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Notícia

'Blues Azuis': Candice Fiais alia pop ao country blues do álbum de estreia da carreira solo

Por Virgínia Andrade

Lançamento do CD será neste sábado, no Teatro Eva Herz | Foto: Johanna Gaschler
Candice Fiais sempre teve certeza que a música era sua praia. Aos 15 anos, subiu ao palco pela primeira vez no saudoso e já extinto Café Calypso e, desde então, não parou de usar a voz como sua melhor forma de expressão. Ao lado da banda de rock Anacê, a cantora e compositora baiana gravou, em 2008, seu primeiro álbum, e agora prepara para lançar “Blues Azuis”, disco de estreia da carreira solo iniciada em 2011. O show de lançamento acontece neste sábado (30), no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura do Salvador Shopping, às 19h, com entrada gratuita. Sem participações especiais, a apresentação seguirá o repertório do álbum, cujos arranjos serão adaptados ao formato compacto da banda, formada por Icaro Britto (guitarra), Mauricio Uzêda (baixo), Brian Knave (bateria) e Juliano Oliveira (teclado). Também acompanha a artista o chileno Jorge Solovera, produtor e arranjador do CD e diretor musical do espetáculo. “Não tem muito mistério. É um show para assistir, sentar, ouvir, prestar atenção no que está sendo dito, nas nuances. Cada música é uma experiência sonora diferente”, conta Candice ao Bahia Notícias. Segundo a artista, o momento mais intimista será durante as releituras de standards americanos, um de Bonnie Raitt e outro surpresa. 
 

Embora traga um gênero no nome, “Blues Azuis” não se pretende um disco essencialmente “blueseiro”. A linguagem pop de canções como “Sorte ou Azar”, que no álbum teve a participação da cantora Danny Nascimento, traduzem a mistura do vasto universo de referências musicais de Candice. “Eu tenho influências diversas, bebi em várias fontes. Desde o pop rock de The Cranberries e Alanis Morissette, até o jazz de Ella Fitzgerald e Dinah Washington, passando pelo soul de Aretha Franklin e pelo country rock”, comentou. Segundo Fiais, o blues foi o eleito para assumir o título não porque seja um disco de blues, mas porque ela gosta do jogo de palavras. “Foi mais uma escolha artística que conceitual, uma brincadeira”, explica. Com dez canções, todas autorais e assinadas por Candice, exceto “Que Seja Assim”, uma parceria com Icaro Britto, “Blues Azuis” não versa sobre um tema apenas e a multiplicidade de sonoridades também se aplica à temática das composições. “Cada música tem sua viagem. Não tem regra. Meu processo de composição não é estanque, mas muito de inspiração. Tristeza, alegria, desilusão amorosa ou um grande amor podem ser motivos para compor. A música vem. Eu acredito que ela está em algum lugar e em determinando momento se apresenta para mim”, descreve.
 
 
Embora não se considere multi-instrumentista, Candice Fiais toca violão, gaita diatônica e piano. Foto: Bruna Castelo Branco / Bahia Notícias
 
Quando a inspiração vem, Candice dá vazão. A melodia costuma chegar antes, para depois a letra se organizar. Foi assim com “De Verdade”, primeira faixa que compôs para “Blues Azuis” e que marca o início da parceria com Solovera. “Eu o procurei para arranjar ‘De Verdade’ e deu super certo. Fiquei tão entusiasmada com o resultado que escrevi o resto do disco”, relembra. A cantora destaca que essa independência de composição e produção são os pontos positivos no trabalho solo. “Em carreira solo, eu tomo todas as decisões e consigo dar minha cara ao trabalho, à música. Nada precisa ser votado ou conciliado. Se eu componho e para mim está bom, então está bom, não preciso aparar arestas para conciliar gostos e na banda havia muito isso. Embora isso também seja legal, empaca um pouco o processo”, pontua. Mas nem tudo são flores e a caminhada pode ser um tanto solitária. “Eu me sinto um pouco só, às vezes. Com a banda, o estúdio estava sempre cheio, tinha barulho e gente para dividir problema e dar opinião. Sinto falta disso”, confessa Candice, sem descartar a possibilidade de voltar à ativa com a Anacê e, de repente, até gravar outro disco. Os planos, contudo, são para o futuro. Por enquanto, Fiais pretende circular com “Blues Azuis” e ajudar a abrir o mercado para mulheres que fazem trabalhos parecidos. "As pessoas ainda estranham o fato de eu tocar gaita e cantar blues. Eu acho um barato quebrar esse tabu, porque não fica só no universo masculino, e tiverem mais mulheres fazendo esse som, eu acho ótimo", finaliza.
 
Ouça “Sorte ou Azar”, quinta faixa de "Blues Azuis":

Serviço
O QUÊ: Lançamento do disco “Blues Azuis”, de Candice Fiais
QUANDO: Sábado, 30 de maio, às 19h
ONDE: Teatro Eva Herz, Livraria Cultura do Salvador Shopping
QUANTO: Entrada Gratuita

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