Olodum: Após pregar otimismo, presidente comenta morte de percussionista
Financiamento do enterro, presença no difícil momento do sepultamento e cancelamento de show no último domingo. O grupo Olodum fez tudo isso pelo percussionista Denilton Souza Cerqueira, 34 anos, assassinado na madrugada da última sexta-feira (3), na porta de casa, no bairro da Mata Escura. O músico foi uma das 86 vítimas que perderam a vida desde o início das manifestações causadas pelo grupo de policiais grevistas, no início da semana passada. “Ele era muito querido, tranquilo, sempre alegre e sorridente, a morte dele foi uma fatalidade. Quem o matou certamente gostava de samba-reggae e ficou arrependido”, desabafou o presidente do Olodum, João Jorge, que se revoltou com o descaso da sociedade com a morte do percussionista. “Pior de tudo é o silêncio dos inocentes, de gente que faz campanha contra a violência e sumiu no dia do enterro. Ficamos sozinhos lá”, relatou. Esse foi o quarto caso de membro do Olodum que sofre com atentado. Eusébio Cardoso, Gilmário Marques e Joselito Alves Barbosa também foram vítimas da violência de Salvador, sendo que o último acabou falecendo.
Na última quarta-feira (dia 1º), durante a apresentação da Brahma como nova patrocinadora do Carnaval de Salvador, no Museu du Ritmo, João Jorge conversou com o Bahia Notícias e mostrou preocupação com a situação de Salvador, mas garantiu que o carnaval é uma forma de a população superar as dificuldades da cidade, mostrando arte e cultura. Após a morte de Denilton, João Jorge continua esperançoso e espera que a festa supere as dificuldades. “Eu espero que o carnaval seja de alegria, Salvador precisa”. Para o presidente do grupo, o problema atual reflete a desigualdade racial e social da cidade. “Ninguém é favorável a saques, a mortes, mas a indiferença de vários setores com a pobreza de Salvador está levando a esse clima”.
O Olodum tem patrocínio da Brahma, Petrobras e de um banco, que ainda não teve o nome revelado, mas não será o Itaú. No entanto, João Jorge diz ser muito difícil conseguir esses investimentos e se queixa da falta de apoio à cultura. “O Olodum é uma das marcas da Bahia mais visíveis no mundo, e mesmo assim a gente tem dificuldade para que as coisas aconteçam”, questiona.
