Maria Gorjão Henriques leva reflexões sobre ancestralidade e reconciliação entre povos aos 45 anos da Fundação Garcia D’Ávila
A psicóloga, terapeuta e professora portuguesa Maria Gorjão Henriques participa, no dia 1º de novembro, da celebração dos 45 anos da Fundação Garcia D’Ávila, no Castelo Garcia D’Ávila, em Praia do Forte, no Litoral Norte da Bahia. Com mais de duas décadas dedicadas ao estudo da consciência sistémica e das relações humanas, ela levará ao encontro reflexões sobre ancestralidade, memória coletiva e reconciliação entre povos.
Com o tema “Diferentes raízes. Muitas histórias. Unidos num só coração”, a programação reunirá representantes dos povos originários, da cultura afro-brasileira e de diferentes expressões artísticas. Para Maria, participar de uma cerimônia em um espaço marcado por diferentes períodos da história brasileira tem um significado que vai além de sua atuação profissional.

Foto: Acervo Pessoal
“É uma honra, uma oportunidade única”, afirmou em entrevista ao BN Hall. A terapeuta destacou a importância de reunir diferentes culturas em um território marcado também pela colonização e pela escravidão. “Vamos ter um momento absolutamente ímpar e inédito na história, porque vamos ter uma cerimônia praticada ao mesmo tempo por uma portuguesa, de mãos dadas com os indígenas e com os africanos”, disse.
Ao falar sobre o Castelo Garcia D’Ávila, Maria ressaltou a necessidade de reconhecer as marcas deixadas pela história e respeitar os povos que já habitavam o território. “Como portuguesa, baixar a cabeça perante a dimensão da riqueza da vossa cultura, da riqueza do vosso país e da riqueza de todas as almas e de todos os povos e de todas as vidas humanas que já viveram nesse território sagrado é, para mim, um motivo de uma honra profunda”, declarou.
A reflexão sobre a história coletiva está diretamente ligada ao trabalho desenvolvido pela profissional. Depois de concluir a formação em Psicologia, ela buscou outras abordagens para ampliar sua compreensão sobre as experiências humanas e encontrou na consciência sistémica uma perspectiva que relaciona as vivências individuais às histórias familiares, sociais e coletivas.
“Estamos todos interligados numa relação de total interdependência com a nossa família de origem, com o nosso país, com o continente onde nascemos e com a humanidade”, explicou. Segundo ela, compreender os desafios de uma pessoa exige considerar também os contextos em que ela está inserida e as experiências que atravessam gerações.
A terapeuta acredita que esse olhar pode ajudar a compreender conflitos e a construir relações mais respeitosas. Nesse sentido, vê na diversidade cultural brasileira uma oportunidade de aprendizado e transformação. “Eu considero que o Brasil é, provavelmente, um dos países do mundo que melhor podem dar resposta à evolução da humanidade”, afirmou.
Maria é fundadora do movimento internacional “Unidos num Só Coração”, que promove a reconciliação entre povos e o respeito à diversidade cultural. A iniciativa parte da ideia de que as diferenças não devem ser motivo de separação, mas reconhecidas como parte da riqueza humana. “Precisamos aprender a reconhecer que a diferença é a riqueza que nos distingue”, disse.

Foto: Acervo Pessoal
Para ela, a construção da harmonia começa pela relação de cada indivíduo com a própria história. “Para que haja paz no mundo, nós precisamos primeiro de entrar em paz no nosso próprio mundo”, acrescentou. A proposta envolve reconhecer as origens, compreender as marcas do passado e valorizar as diferentes culturas que fazem parte da identidade de cada pessoa.
Outro ponto importante em seu trabalho é a valorização dos saberes ancestrais e o diálogo entre as tradições e o conhecimento científico. Maria defende que o avanço da ciência não elimina a importância dos vínculos com a natureza, com as origens e com os costumes transmitidos entre gerações. “A ciência é muito importante, mas não nos responde à alma”, afirmou.
A cultura, segundo a terapeuta, também precisa ser compreendida em sentido amplo, incluindo não apenas as artes, mas a alimentação, as roupas, os adornos, os cabelos, as palavras e os rituais que identificam cada comunidade. “A arte e todas as cerimônias fazem parte da dignidade e dos rituais de identidade de cada povo. E não há nada que seja uma maior relíquia para um povo do que a sua cultura”, declarou.
45 ANOS DA FUNDAÇÃO GARCIA D’ÁVILA
Além da participação de Maria Gorjão Henriques, a celebração DOS 45 anos da Fundação Garcia D’Ávila dará espaço a diferentes manifestações culturais e artísticas, com representantes dos povos originários, da cultura afro-brasileira e da música. A programação busca valorizar as diferentes raízes que compõem a história do território e promover o reconhecimento dos povos que já habitavam a região antes da colonização.
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Foto: Divulgação
A partir das 15h, no Castelo Garcia D’Ávila, o evento contará com a participação da Aldeia Tekoa Tupinambá Kaa e do Aganju Afro Cultural. A programação musical inclui concerto da Sinfônica Garcia D’Ávila e show da banda Filhos de Jorge, além de apresentações do grupo de percussão Forte Swing e da Capoeira Esporão. O encontro também terá o lançamento da terceira edição do livro Casa da Torre, além de feira de artesanato e gastronomia.
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