Vinho por Ela: Entre rótulos do mundo inteiro, a Bahia me fez sentir em casa na ProWine São Paulo
Voltei de São Paulo com a sensação de ter vivido muito mais do que uma experiência profissional. Participar da ProWine 2026 foi uma oportunidade de mergulhar ainda mais nesse universo que tanto me encanta, conhecer novos rótulos, trocar experiências e acompanhar de perto o movimento de um mercado que não para de crescer.
A feira reuniu produtores, importadores, sommeliers e profissionais de diferentes partes do mundo. Caminhar por aqueles corredores era descobrir uma nova história a cada conversa, conhecer diferentes regiões produtoras e perceber o quanto o vinho consegue aproximar culturas e pessoas.
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Evento reuniu expositores do mundo inteiro. Fotos: Acervo Pessoal
Mas, em meio a um evento tão grandioso, uma coisa me chamou especialmente a atenção: a presença da Bahia. E não falo apenas dos nossos vinhos, mas também das pessoas.
Foi muito especial encontrar tantos rostos conhecidos, entre profissionais do mercado de vinhos baiano, amigos queridos e pessoas que acompanho e admiro. Confesso que, em determinados momentos, mesmo estando em São Paulo, cercada de produtores de diferentes nacionalidades, cheguei a me sentir em casa.

No evento, conheci rotúlos do mundo inteiro. Fotos: Acervo Pessoal
E isso me fez pensar em algo muito interessante: a Bahia já não está apenas observando esse mercado de longe. Estamos participando, construindo relações, formando profissionais e ocupando espaços cada vez mais importantes.
Um dos destaques dessa presença baiana foi a Vinícola UVVA, localizada em Mucugê, na Chapada Diamantina. A vinícola vem desenvolvendo um trabalho que mostra como a Bahia possui condições para produzir vinhos de qualidade, com características próprias e uma identidade que merece ser conhecida.
Reconhecido por suas belezas naturais, o destino baiano também começa a chamar a atenção por seu potencial vitivinícola. A altitude, as características do clima e o trabalho desenvolvido nos vinhedos contribuem para a construção de um terroir particular, que desperta cada vez mais curiosidade entre profissionais e apreciadores.
Durante a ProWine, tive a oportunidade de conversar com representantes da UVVA, incluindo o enólogo Marcelo Petrolli, e conhecer um pouco mais sobre seus projetos e novidades. Ver uma vinícola baiana apresentando seu trabalho em um evento internacional dessa dimensão é motivo de satisfação. Mais do que divulgar rótulos, essa participação ajuda a apresentar uma nova perspectiva sobre a produção de vinhos no Brasil.
Considero isso especialmente importante porque ainda existe muito desconhecimento sobre o que produzimos na Bahia. Temos a tradição da vitivinicultura tropical no Vale do São Francisco e o desenvolvimento de uma identidade própria na Chapada Diamantina. São realidades diferentes, que revelam a diversidade e o potencial do nosso estado.
Para mim, participar da ProWine também representou um passo importante na minha trajetória, uma experiência que vai além do vinho. Estar ali, produzindo conteúdo para a coluna, entrevistando profissionais, reencontrando amigos e conhecendo pessoas que admiro foi enriquecedor, tanto profissional quanto pessoalmente.
Nem sempre é simples sair da nossa rotina, enfrentar inseguranças e nos colocar em ambientes novos. Mas tenho aprendido que crescer também exige movimento, curiosidade e disposição para viver novas experiências. E foi exatamente isso que encontrei em São Paulo.
Voltei com novas ideias, contatos, aprendizados e uma vontade ainda maior de continuar explorando esse universo e aproximando as pessoas das histórias que existem por trás de cada garrafa. Entre tantas descobertas, uma das coisas que mais me marcou foi perceber que, mesmo diante de tantos vinhos do mundo, encontrei um pouco da minha Bahia em cada abraço, em cada conversa e em cada amigo que cruzou meu caminho.
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ProWine destacou vinhos nacionais e internacionais. Fotos: Acervo Pessoal
Talvez esse seja um dos sinais mais bonitos de que estamos avançando: sair para conhecer o mundo e descobrir que a nossa terra também está fazendo parte dele.
E que venham muitos outros encontros, descobertas e boas taças!
