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Artigo

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O ciclista do futuro!

Por Davidson Botelho

Foto: Acervo pessoal

Primeiramente gostaria de parabenizar a prefeitura de Salvador na pessoa do Presidente da Saltur, Isaac Edington pelo projeto “Salvador vai de Bike” e pela chegada das novas bicicletas patrocinadas pelo banco Itaú. Mobilidade deve ser foco para todos os gestores.

 

Agora me permitam fazer minhas considerações sobre o tema. Eu sempre fico com a sensação que aqui na Bahia calçamos os sapatos antes das meias e isso se confirma mais uma vez com os projetos das ciclovias e das bikes.

 

Todos os dias abrimos os jornais e os sites de notícias e vemos ciclistas sendo atropelados e mortos em todo o estado. Basta frequentar as emergências dos hospitais e poderemos verificar isso facilmente.

 

Não existe nenhuma campanha educativa para termos uma convivência harmônica do pedestre x bicicleta x carro. Será que basta construir ciclovias em qualquer lugar (muitos inclusive não poderiam nem abrigar ciclovias), ofertar um sistema de uso compartilhado moderno? Claro que não. Sem educação, nada irá progredir ou se progredir será de forma lateral.

 

Não existe nenhuma campanha para o motorista enxergar o ciclista como um ser. Por outro lado, o ciclista do momento é o ser mais mal educado que temos em nosso convívio. Anda em alta velocidade; quer ter os direitos dos carros, mas se nega as obrigações; anda na calçada; não para em semáforo. O pedestre caminha lentamente nas ciclovias e ciclofaixas, as crianças andam de skate, um verdadeiro furdunço urbano.

 

Não existe em toda ciclovia da cidade uma simples faixa pintada no chão: “Exclusivo para ciclistas”. No máximo uma minúscula placa redonda a cada 180 postes com um desenho de bicicletas, muitas vezes com marca de bala (O povo até pensa que é um alvo).

 

Será que alguém imagina que apenas construindo ciclovia e oferecendo bicicletas teremos harmonia? O povo está é ficando com raiva dos ciclistas, eles passaram a ser uma ameaça às crianças nas calçadas, no trânsito e se tornam seres superiores quando andam em bandos apitando exigindo que todos saiam da sua frente, seres superiores e acima da lei e da educação.

 

Educação é responsabilidade do Poder Público. Não se muda cultura sem a arte de repetir, insistir, repreender e punir. Mas antes temos que educar. Basta lembrar como foi que nossas mães nos conscientizaram da necessidade de calçarmos a sandália, escovarmos os dentes antes de dormir e outras tarefas. Elas falaram por mais de 7 ou 8 anos diariamente, brigaram, e nos puniram. Hoje todos nós temos isso como hábito.

 

Nenhuma campanha de trânsito neste país foi tão eficiente quanto ao do uso do cinto de segurança, foi uma campanha dura, longa e hoje vemos o resultado: todos usam automaticamente. O que não acontece com o uso do capacete nos motociclista, por exemplo.

 

As pessoas não estão aderindo o uso da bicicleta como transporte não é por falta de ciclovias, e sim por raiva e medo, raiva do ciclista mal educado e medo de ser atropelado pelos carros que os enxergam como inimigos.

 

Ou as autoridades enxergam isso ou vamos continuar usando bicicletas para brincar no playground com nossos filhos, e olhe lá!

 

* Davidson Botelho é empresário

 

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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