IDOSOS: QUEDA, FRATURA E MORTE

Jadelson Andrade
Nas últimas décadas tem sido observado, em todo o mundo, um significativo aumento do percentual de pessoas idosas. De forma semelhante, no Brasil, vem ocorrendo um importante crescimento da taxa de indivíduos com mais de 60 anos de idade, sendo já bastante expressivo o número de pessoas na faixa etária dos 80 anos.
Diversos fatores têm contribuído para o aumento da média de idade, e conseqüentemente da longevidade populacional. Fatores médicos, tais como o melhor controle das epidemias, das doenças crônico degenerativas, respiratórias, cardiovasculares, assim como melhora do padrão sócio-econômico, que possibilita mais fácil acesso a serviços de saúde e tratamentos complexos, têm sido determinantes para o aumento da sobrevida da população.
O médico que se propõe a tratar desses pacientes idosos, deve atentar para as alterações fisiológicas próprias da idade, que levam a uma maior incidência de efeitos adversos com a maioria dos medicamentos prescritos, sobretudo se ajustes de doses terapêuticas não forem adequadamente feitas e os esquemas de associação de drogas bem avaliados. A desatenção com esses fatores fará com que esses pacientes tenham que conviver com sérias complicações que poderão vir a comprometer definitivamente a sua qualidade de vida e até mesmo a própria vida.
Dentre estas complicações, a ocorrência de quedas, seguidas de fraturas, têm sido identificadas e reconhecidas como um importante problema de saúde pública, em virtude da freqüência com que ocorrem e pelo elevado custo social e econômico.
Umas das principais classes de medicações relacionadas à queda em idosos, são os anti-hipertensivos. Quando prescritos em doses inadequadas, estas drogas podem levar a redução muito acentuada da pressão arterial, fato não tolerado pela fisiologia do paciente idoso, que passa a conviver com um fenômeno conhecido por “hipotensão postural”, ou seja, a queda rápida da pressão arterial, quando se movimenta para sentar e levantar, produzindo tontura, desequilíbrio, queda e o risco de fraturas, seguido das demais implicações decorrentes deste fato.
Outra classe de drogas comumente associada a quedas em idosos são os diuréticos, muito freqüentemente prescritos para tratamento de diversas situações cardiovasculares. Os diuréticos em doses mais elevadas podem levar à perda acentuada de sódio pela urina. Os pacientes idosos com sódio sérico baixo desenvolvem sonolência, torpor, às vezes desorientação, favorecendo quedas e fraturas graves. Dados estatísticos produzidos por estudos científicos têm corroborado com estas evidências.
Drogas utilizadas para tratar depressão e drogas ansiolíticas em idosos, como os benzodiazepinicos, produzem sonolência pela manhã, provocando quedas durante o banho matinal, ou em caminhadas e passeios, estando comumente associadas a fraturas de fêmur, ou trauma de crânio, com eventual risco de vida.
Os idosos, freqüentemente, são portadores de mais de uma patologia clínica, sendo necessário o uso associado de medicações. Algumas destas drogas potencializam o efeito das outras quando usadas em conjunto, sobretudo no idoso que tem a sua fisiologia alterada, com o seu metabolismo renal e hepático reduzido. A compreensão desta realidade deve alertar o profissional de saúde para quando for prescrever um esquema terapêutico que pressuponha a necessidade de associação de drogas evitando assim os seus efeitos deletérios.
Essa reflexão deve servir como alerta à classe médica, que tem sob sua responsabilidade esta população de faixa etária mais avançada, para que tentem prescrever regimes medicamentosos mais simples possíveis. As alterações fisiológicas, metabólicas, e estruturais inerentes aos idosos devem ser observadas com ajustes de doses para a maioria das drogas.
A busca permanente do equilíbrio entre prevenir os riscos de excesso de prescrição e as conseqüências da sub-prescrição, deve ser sempre uma meta a ser buscada.
Ao agir desta forma, o médico, estará contribuindo para a tranqüilidade e bem estar dos que estão em fase de envelhecimento e dos seus familiares.
Atingir a idade avançada com plenitude de consciência e dignidade de vida é um bem da natureza, e como todo bem, deve ser cuidado com zelo, carinho e atenção!
Jadelson Andrade é médico, especialista em Cardiologia: Sociedade Brasileira de Cardiologia; e superintendente do Hospital da Bahia
