Suicídio, questão filosófica?
Em O mito de sísifo, Camus afirma que o suicídio é a única questão filosófica realmente importante. E que havendo opção pela vida está precisa ser de fato relevante. O filósofo Michel Onfray, que escreveu vasta obra na contra-mão da filosofia tradicional, por sua vez , define o suicídio como um ato de liberdade, uma reação contra os ditames da natureza, que , com o passar do tempo, torna o corpo frágil, independente da nossa vontade e mesmo da medicina.
Entre nós no Brasil, suicídio soa como uma palavra maldita. País predominantemente católico, a vida aqui é praticamente uma obrigação . Em outros países, não . Na Suíça, por exemplo, o tema é discutido abertamente. Na Holanda, também.
O que fazer quando a vida se torna um fardo? Quando o corpo enfrenta, afinal, os seus limites ? Quando a sua presença no mundo se torna dolorosa e sem esperança? Quando, enfim, não há mais desejo de viver ?
Em setembro ( setembro amarelo) Comemoramos o mês se prevenção do suicídio, instituído pela ONU. Não seria o momento de discutir o tema a fundo, na sua totalidade? Por exemplo, a candente questão do suicídio assistido. A vida é um direito, a renúncia a vida também. A vida é tida como um bem maior. Por que então as pessoas se suicidam? Ou desejam se suicidar . Solidão? Doenças terminais? Doença incuráveis? Depressões? São tantas as razões ... Pôde-se ao mesmo tempo torna-se a vida no Brasil menos áspera e se instituir oficialmente o suicídio assistido. Seria um avanço na democracia. Um caminho mais civilizado para defender a vida. Vale lembrar que Nietzche e Hegel antes de Nietzche anunciaram a morte de Deus. Se Deus morreu tudo é possível . Por que então resistir ao impasses sugeridos com os novos tempos? Não seria o suicídio o mais premente deles? Se não é assistido, o suicídio é quase sempre um retorno à barbarie: tiros na cabeça, over doses de remédios, envenenamento... cenas que lembram mais um filme de Almodóvar, com o cenário inundado de sangue. Cenas de terror. Por que não escolher caminhos mais civilizador? Afinal, optar por não viver é também um direito.
*Francisco Viana é jornalista e doutor em Filosofia Política (PUC- SP)
* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias
